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Loki

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Pernambuco e São Paulo se encontram hoje no palco da choperia do Sesc Pompéia na terceira noite da Mostra Prata de Casa – e o encontro é bem macio. De um lado, a lírica doce e jamaicana musicalidade de Kika; do outro, o canto tranquilo e sossegado de Tibério Azul. Será que os dois tocam juntos no final, como aconteceu nas noites anteriores? O show começa às 21h e os ingressos custam R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi para o catálogo da Mostra. Kika até descolou um remix dub que o Victor Rice fez para “Sai da Frente”, de seu excelente disco de estréia, ouça abaixo:

Pop sobre tudo

Enquanto África e Pernambuco temperam duas noites diferentes da Mostra Prata da Casa deste ano, uma terceira apresentação dupla reúne dois extremos destes dois universos para mostrar que eles têm mais em comum do que aparentam. Tanto Kika quanto Tibério Azul se apresentaram no final do ano e ambos navegam por mares psicodélicos sem deixar-se levar pelo delírio rítmico ou pelo transe instrumental. Ambos levantam a bandeira da música pop para tocar no rádio, sem deixar para trás características específicas dos universos de onde vieram. A cantora e compositora Kika está bem próxima do centro afropaulistano e gravou seu excelente disco Pra Viagem no mesmo estúdio Traquitana que viu o nascimento da banda Bixiga 70. Já Tiberio Azul pertence à safra de artistas que veio de Pernambuco logo após o fim do mangue beat e depois de passar por diferentes bandas, lançou seu primeiro disco solo no ano passado. Em comum, são dois artistas doces e sinceros, que cantam macio e tranquilamente, com um pé no pop radiofônico e outro num ar hippie sem a conotação pejorativa do termo. Tiberio reforça sua veia nordestina ao subir no palco ao lado de um acordeonista, invocando até Alceu Valença – um dos poucos pernambucanos tradicionais a não ser festejado pela geração de Chico Science – em seu repertório de pérolas que desnudam a fragilidade do macho brasileiro. Kika, presa até as canelas no lodaçal jamaicano do dub mas sem perder o sol de vista, passeia sorridente por canções singelas e aparentemente frágeis, mas que escondem uma visão feminina incisiva e moderna. Dois shows que pareciam apenas corretos e que ganharam novas dimensões principalmente devido à presença magnética de compositores em ascensão..

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E na segunda noite da Mostra Prata da Casa, o público recebeu uma dose de eletricidade e humor graças à presença do pilhado Rafael Castro e dos promissores O Terno que, além de fazer seus shows à parte, ainda tocaram juntos no bis (saca só os vídeos aí embaixo). E hoje tem a Kika e o Tibério Azul, vamo lá?

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4:20

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Sim: Amok, o disco novo do Atoms for Peace, já apareceu online.

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E o Thom, a propósito, participou de uma sessão de AMA (Ask Me Anything), com fãs via Reddit, ao lado do produtor Nigel Godrich, que também integra o Atoms for Peace. No papo (que pode ser lido na íntegra aqui), ele falou sobre letras confessionais (“Você acha que as letras de Michael Stipe são confessionais? Acho que é tudo um grande fluxo de consciência misturado com bobagens e com o jeito que essas coisas soam”), equipamentos e truques de estúdio (“amo Autotune”), a natureza do ser humano (“ele é bom, com certeza”), as gravações do Radiohead no estúdio de Jack White (confirmou que foram gravadas duas músicas), parcerias com Damon Albarn (“defina colaboração”) e com Burial (“espero que sim”) e sobre o vazamento de seu novo disco (“Unsurprised. Vazou? Que bom”).

Ramon mandou bem ao propor essa justaposição.

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Um pequeno mindfuck para nós aqui do Brasil.

~”Nós dois temos os mesmos defeitos…”~

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E essa foto do Alex Kapranos enquanto indie-kid, em dois mil e bolinha, quando o Belle & Sebastian ainda era um nome de peso no cenário indie mundial?

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Fundador do Soft Machine, Kevin Ayers era um dos grandes talentos da psicodelia britânica, ficando atrás apenas dos autores desta cena, Syd Barrett e os Beatles. Parte central da chamada cena de Canterbury, ele ganhou notoriedade depois que seu grupo Wilde Flowers se metamorfoseou no mítico Soft Machine (com Robert Wyatt na bateria e vocais, Mike Ratledge nos teclados, Daevid Allen na guitarra e Ayers no baixo), que teve seu primeiro disco produzido pelo mesmo Tony Wilson que produziu os melhores discos de Dylan e os dois primeiros do Velvet Underground. A banda ganhou certa popularidade em 1968, ao ser escolhida como o grupo de abertura da turnê de Jimi Hendrix pelos EUA naquele ano, mas sempre teve uma sonoridade bem pouco afeita ao pop. Psicodelia com “pê” maiúsculo, aquela que aos poucos se transformou no rock progressivo. Abaixo, a íntegra de um show dos caras, na época.

Ayers saiu da banda nos anos 70 e começou uma carreira solo ainda mais difícil para quem está acostumado à música pop, se distanciando cada vez mais do rock. O documentário abaixo, filmado em Paris em 1970 e exibido na TV, mostra o início de sua carreira solo e sua afeição com a França, país para onde se mudou nos anos 90, vivendo como recluso. Seu último disco foi lançado em 2007 e mostra o tamanho de sua influência a partir das participações especiais (com a presença de integrantes do Teenage Fanclub, Roxy Music, Gorky’s Zygotic Mynci, Ladybug Transistor e Neutral Milk Hotel). Morreu dormindo, na casa francesa em que morava há tempos e que tinha como seu lugar no mundo. Ave Ayers!

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E hoje na Mostra Prata da Casa é dia de rock, com O Terno e Rafael Castro juntando forças para um show que promete. O show começa às 21h na Choperia do Sesc Pompéia e os ingressos custam R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi para o catálogo da Mostra:

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Rock sem glamour

O rock, esse gênero bastardo do rhythm’n’blues com a música caipira norte-americana que deu origem a parte da música pop como a conhecemos hoje, já tornou-se um clichê, principalmente quando prefere emular as referências de seu imaginário. Mas jaquetas de couro, motocicletas, homens cabeludos e barbudos, microfonia, eletricidade e solos de guitarra, entre outros acessórios, são apenas elementos estéticos que ajudaram o rock a se estabelecer no inconsciente coletivo e não a se firmar como forma de expressão cultural. O grande legado do rock é justamente permitir que gente com pouca idade e formaçao musical básica consiga reunir-se em trios ou quartetos formados apenas por baixo, guitarra e bateria para sintonizar na veia de uma geração e usar estes meios para comunicar-se de forma direta e sem rodeios. Foi o que aconteceu nos shows dos paulistanos Rafael Castro – acompanhado pelo trio que antes atendia por Os Monumentais – e O Terno, trio liderado pelo filho do vocalista dos Mulheres Negras, Maurício Pereira. Duas bandas de gerações diferentes que usam artimanhas do rock clássico para cantar, em português, crônicas do dia a dia de uma das principais cidades do mundo, quase sempre de um ponto de vista introspectivo e visceral. Seus shows no meio do ano foram separados por apenas um mês (Rafael tocou em julho, O Terno em agosto), e agora podem ser vistos no mesmo dia. Rafael, que abandonou a longa cabeleira e que já pode ser considerado um jovem veterano do rock paulistano do século 21, aproveitou o show para lançar seu primeiro disco sem Os Monumentais, batizado apenas de Lembra?, e levou seu séquito de fãs a entoar faixas que já são clássicos do autor, como “Amor Amor Amor” e “10% Cristão”. Já o trio O Terno, embora também lançando seu disco de estréia, chamado apenas de 66, mostrou que as faixas inéditas que formarão o segundo disco levam a banda para além do roquinho inocente e jovem guardista do CD de estréia, flertando com o mod, o hard rock e a psicodelia.

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Na primeira noite da Mostra Prata da Casa, Sambanzo e Afroelectro levaram a choperia do Sesc Pompéia ao delírio coletivo. E hoje tem O Terno e o Rafael Castro, já escrevo sobre os dois. Fiz uns vídeos do show de ontem, saca só:

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