
Morreu o sujeito que inventou que todos os mistérios da civilização que ainda não tinham explicação só teriam uma única resposta possível: alienígenas. Autor do best-seller Eram os Deuses Astronautas?, este ex-garçom criou uma pseudeoarqueologia alternativa que se espalhou por dezenas de livros (e depois filmes e programas de TV) e explicava diferentes civilizações humanas como cobaias de experimentos extraterrestres, gerando todo uma nova safra de escritores, cineastas e teóricos dedicados ao tema. Um picareta bem sucedido, entrou no imaginário do século 20 como um dos principais autores de teorias da conspiração que não era tratado apenas como um maluco mal intencionado – e ganhou muito dinheiro com isso.

Bad Bunny começou a perna sul-americana de sua turnê essa semana e já mostrou a que veio na primeira apresentação no Chile quando, nesta sexta-feira, no mesmo Estádio Nacional de Santiago que viu a ditadura chilena assassinar Victor Jara, pôs um de seus músicos para tocar uma versão instrumental para “El Derecho de Vivir en Paz” do próprio Jara. Emocionante — e dá o tom de sua vinda ao continente num momento crucial para nós.
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Morre o mago da guitarra que consolidou o Grateful Dead como uma das maiores bandas de rock psicodélico de todos os tempos, um mestre do improviso e um dos maiores cronistas da sonoridade dos Estados Unidos. Bob Weir é.

E 2026 já começa quente com mais um disco surpresa do coletivo de funk soul britânico Sault. Chapter 1 já está nas plataformas e é aquela groovezeira que a gente espera deles…
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Desde que o Belas Artes assumiu a curadoria de filmes do Frei Caneca, a programação daquele cinema melhorou horrores, como é o caso dessa mostra Davids, que reúne dois #janeirocapri do primeiro escalão em filmes que trazem Bowie no elenco e Lynch na direção. A seleta deste último tá melhor que a do primeiro (podia ter Furyo, O Grande Truque, Labirinto, Zoolander e até o documentário Moonage Daydream) e podiam trazer o ponto de encontro dos dois (o soberbo e aterrador Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer), mas não tô reclamando — olha essa sequência de filmes, afinal… A mostra também acontece no Rio de Janeiro, no Belas Artes Botafogo.

Dona de um dos melhores discos de 2025, a vocalista do grupo The Marias, María Zardoya, estreou seu projeto solo Not for Radio nos palcos pela primeira vez nesta segunda-feira, quando deu início à divulgação ao vivo de seu ótimo Melt no teatro Fox, em Oakland, nos EUA. Além de tocar todas as músicas de seu disco, ainda tocou três inéditas, o hit “No One Noticed” de sua banda e uma versão deslumbrante para “Nude”, do Radiohead. Sente o drama abaixo.. Continue

Nenhum diretor personifica tão bem a ideia da cinefilia para além da indústria do que o húngaro Bela Tarr, que morreu nesta terça-feira. Autor com letra maiúscula, nunca fez concessões para o cinema como indústria ou comércio e dirigiu filmes épicos e lentos, sem ação ou espetáculo, sem preocupar-se com narrativas tradicionais ou métricas estabelecidas. Colocava moral, ética e existencialismo no mesmo patamar da grande arte, fazendo filmes que eram essencialmente políticos e humanísticos ao mesmo tempo em que negava-se a facilitar a obra para o espectador, convidando-o mais a experimentar suas peças audiovisuais do que a entendê-las. Trabalhava com atores não-profissionais, filmava cenas longas e por vezes improvisadas, sempre esticando-a por minutos lentos e contemplativos, quase sempre num preto e branco de alto contratantes, sempre abordando temas pesados e difíceis, como a decadência da humanidade, o fim da utopia política, o fracasso da modernidade, a repetição, a dificuldade em se comunicar e ser compreendido como centro do caos social que tornou-se a sociedade, sempre com tons de desilusão e desesperança. Entre seus clássicos estão filmes como Danação (1988), Sátántangó (com suas lendárias sete horas de duração, 1994), meu favorito Harmonias de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011). Um diretor único, incomparável e seminal, que deixa nosso plano numa época que parece ter abandonado as características que ele exigia de seu público: a atenção, a paciência, a imersão filosófica e a disposição psicológica. Um mestre.

Vamos começar o ano com os Mutantes tocando “A Day in the Life”? Desenterraram essa joia da segunda edição do programa Jovem Urgente, produzido pela TV Cultura em 1969, com o clássico grupo paulistano relendo a magnus opus dos Beatles ao vivo em frente às câmeras, com direito a Arnaldo e Sérgio dividindo os vocais de John e Paul, respectivamente, enquanto Rita solta o ad lib da flauta doce. E é muito bom quando o Arnaldo se empolga no teclado no interlúdio de McCartney cantado pelo irmão. Cortesia do @beatnick_95. Feliz 2026!
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