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Loki

Emicida segue tornando ainda mais forte a energia que lançou no final do ano passado, quando transformou uma profunda reflexão sobre sua vida em uma série de dois discos que conectava sua história à sua admiração pelos Racionais MCs. Os dois primeiros volumes da trilogia Emicida Racional (lançada em contagem regressiva a partir do volume 3) encerraram 2025 mostrando que o rapper surgia ainda mais forte depois da série de turbulências que atravessaram sua vida, do fim do relacionamento profissional com o irmão Evandro Fióti à morte de sua mãe, Dona Jacira. Agora ele começa o ano novo anunciando uma turnê para reforçar essa nova fase. Batizada MCMV a partir das iniciais do subtítulo do volume 2 (Mesmas Cores & Mesmos Valores), ele transforma a leitura da sigla no ano escrito em algarismos romanos, conecta-se com Einstein para sublinhar a conexão entre seu próprio nome de guerra e a equação-símbolo da teoria da relatividade do físico alemão. A turnê começa em abril em São Paulo (dia 30, no Espaço Unimed), passa pelo Rio em maio (dia 16, no Vivo Rio), por Curitiba em junho (dia 27, no Igloo), por Recife em agosto (dia 22, no Classic Hall) e em setembro por Belo Horizonte (dia 5, no BeFly Hall). Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira para clientes do Itaú, que patrocina a turnê, e para o público em geral a partir do meio-dia do dia 6 de fevereiro, pelo site da Eventim. E pode ficar tranquilo que vamos ver, durante todo o ano e em cada um desses shows, pistas que vão nos conduzir para o volume 1 dessa trilogia – e nada me tira da cabeça que é um álbum feito em conjunto com os próprios Racionais. Vamos ver.

“Nessa mesma casa de shows, Prince começou sua Revolution, agora é a nossa vez”, disse o guitarrista Tom Morello na sexta–feira passada, ao começar seu show dentro do festival Defend Minnesota ,que foi realizado no First Avenue, em Mineápolis, nos EUA, quando anunciou que iria cantar um velho hino de guerra, pedindo para o público cantar junto antes de cair no maior hit de sua antiga banda, o Rage Against the Machine. Que momento!

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E vocês viram que teve Tim Maia no Grammy? Não, o síndico não ganhou nenhum troféu na cerimônia que aconteceu domingo passados em Los Angeles, mas repara na música que toca quando é anunciado o vencedor do prêmio de melhor trilha sonora? É isso aí, “Descobridor dos Sete Mares”, top 1 em qualquer festa de ~brasilidades~ por aqui marcou sua presença na premiação da indústria fotográfica dos EUA. Demorou pra descobrirem o Síndico, né?

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No Parliament desde os tempos em que o grupo chamava-se Parliaments e todos seus integrantes eram vocalistas, Billy Bass Nelson, que morreu nesta semana, foi uma figura crucial na evolução do grupo liderado por George Clinton. Foi ele quem sugeriu que o grupo, originalmente um quarteto vocal de doo-wop, começasse a tocar seus próprios instrumentos para não depender dos músicos das casas em que iam tocar. E foi ele quem chamou Eddie Hazel, monstro da guitarra que seria parte essencial do som do grupo nos anos 70, para tocar o instrumento na nova formação da banda, deixando de lado seu próprio instrumento para aprender a tocar baixo durante os shows! Nelson também sugeriu que Clinton tirasse o “s” do Parliaments para mostrar como seria a nova banda e inventou o termo “funkadelic”, que George usou para batizar a versão mais pesada da banda que se apresentaria com nomes diferentes em situações diferentes. Engrenagem crucial na história deste P-Funk, Billy Nelson tocou baixo no disco de estreia do Parliament e guitarra em seu segundo álbum, além de tocar seu novo instrumento nos três primeiros discos do Funkadelic. Foi o primeiro dos inúmeros integrantes do grupo a brigar com Clinton por dinheiro, deixando a banda e começando a tocar com outros nomes, como os Commodores, Fishbone, Jermaine Jackson, Lionel Richie, Smokey Robinson, além de ter tocado em discos solo de integrantes da banda de Clinton, como Eddie Hazel, Ruth Copeland e Bernie Worrell. Ele chegou inclusive a voltar a tocar com os velhos companheiros, embora esporadicamente, a partir de 1994.

É impressionante como estar numa banda pode elevar o estado de espírito coletivo de seus integrantes a ponto de fazê-lo conectar-se com o de todos os presentes – e em todo show dos Boogarins eles chegam nesse ponto. A simbiose entre seus integrantes já transcende a fala e o gesto de tanto que eles dominaram a arte do improviso coletivo, usando ganchos pontuais de suas canções como marcações sonoras para atravessar diferentes pontos da noite em seus shows. Quando o mapa da noite é longevo Manual, segundo disco da banda que começou a festejar sua primeira década de existência no final do ano passado, essa conexão entre músicos e plateia talvez chegue em sua sintonia perfeita. Primeiro porque esse é o álbum que forjou o som da banda até hoje, em que seus atuais quatro integrantes participaram de todas as etapas e cujas canções refletem tanto o início de sua maturidade musical tanto como compositores quanto como instrumentistas. Essa força decana do disco conecta-se inclusive com a nova geração de fãs da banda goiana, contemporâneos de suas lives durante a pandemia, dos dois volumes da compilação Manchaca, da retomada aos palcos depois do período de trevas do início da década e da criação e lançamento de seu disco mais recente, Bacuri, tido como obra-prima para essa nova safra de adeptos do som da banda. Fpra, estes que em sua maioria lotaram o teatro Paulo Autran neste sábado em mais uma apresentação em homenagem ao disco de 2015, quando o grupo visitou o álbum como deve ser – seguindo-o na ordem e com direito a longos trechos improvisados, o que rendeu momentos catárticos para o público. Depois de agradecer a presença de todos e reforçar a importância de existir por causa da música, o grupo emendou um bis com duas músicas do disco mais recente (“Amor de Indie” e a faixa-título) e uma do disco Lá Vem a Morte de 2017 (a canção-assinatura “Foi Mal”) para coroar um show que ainda teve a já tradicional prancha do baixista Fefel, quando ele abandona sua peruca, e uma mudança significativa na parte técnica da banda, fazendo inclusive iluminação e telão funcionarem em harmonia perfeita. Se o show de abertura desta turnê no Cine Joia já tinha sido impressionante, este mais recente subiu ainda mais o patamar. Ninguém segura os Boogarins!

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Veio o Sugar!

Como previsto, o Sugar anunciou oficialmente a volta às atividades para além do par de shows e do single que soltaram no ano passado. Quem puxa as atividades de 2026 é o single “Long Live Love” (veja o clipe abaixo), que seu compositor, o líder da banda e fundador do seminal Hüsker Dü, Bob Mould, desenterrou da época em que morou em Washington, capital dos EUA, em 2007, e que reflete a fase DJ que ele atravessava. Bob inclusive menciona a semelhança da canção com um dos seus discos favoritos da vida, o segundo do Garbage (!). Além do novo single (que será vendido como um compacto junto com a música que lançaram ano passado, “House Of Dead Memories”), o grupo também anunciou dezenas de shows durante o ano começando por Nova York, nos EUA, no início de maio para depois fazer Europa até junho e retomar a turnê pelos Estados Unidos entre agosto, setembro e outubro. E nada de América Latina, Oceania ou Ásia por enquanto. Fora que veio mais um single, vieram (muito) mais shows, mas o disco ainda está por vir… Esperamos. Continue

No meio desse mês, o Wilco realizou seu tradicional festival Sky Blue Sky num resort em Cancún, no México, presenteando seus fãs com uma sequência de atrações curada pelo grupo que além de reunir nomes como Yo La Tengo, Dinosaur Jr., Dr. Dog, os Jayhawks, Michael Shannon e Jason Narducy tocando R.E.M., entre outros, ainda contou com quatro shows diferentes do Wilco e outros de bandas paralelas de seus integrantes (além de ter perdido o show solo do geese Cameron Winter, que não pode comparecer ao show). E é claro que um evento desses renderia momentos maravilhosos como essa versão de treze minutos que o Wilco fez para “Cortez the Killer” do Neil Young com a participação do mago da guitarra J Mascis, do Dinosaur Jr. Que momento!

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A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.

Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?

#inferninhotrabalhosujo #leongurfein #lauiz #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 008 e 009

Por incrível que pareça, esta quarta marcou a primeira vez que o Metá Metá tocou no Bona. Integrantes da melhor banda do Brasil já haviam passado pelo palco da casa do Sumaré em outras formações, mas as duas apresentações que marcaram para esta semana foram as primeiras que Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França fizeram juntos naquele palco, espalhando o já conhecido e arrojado feitiço musical forjado em São Paulo – embora nenhum de seus integrantes seja paulistano – para os ouvidos atentos que foram ouvi-los no meio desta última semana de janeiro. O repertório é o mesmo que apresentam há anos, juntando músicas de seus três álbuns com versões para canções de Jards Macalé, Maurício Pereira, Siba Veloso, Douglas Germano e Itamar Assumpção – que deixaram para tocar no bis, com a assertiva “Tristeza Não” -, sempre deixando violão, sax e vozes ganhar corpo próprio e dominar todos os presentes. Sempre aquele descarrego energético feito pra gente voltar leve pra casa.

#metameta #jucaramarcal #kikodinucci #thiagofranca #bonacasademusica #trabalhosujo2026shows 007

26 de fevereiro: eis a data de lançamento de The Moment no Brasil. O pseudodocumentário sobre o fenômeno Brat conduzido por Charli XCX entre 2024 e 2025 e dirigido por Aidan Zamiri, acaba de estrear no festival de Sundance e, às vésperas do lançamento da trilha sonora produzida por seu compadre A.G. Cook, anuncia a data de lançamento do filme em diversas praças no clipe da música “Residue”, estrelado pela própria Charli e por outra atriz do filme, Kylie Jenner. Boa notícia!

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