
Mais uma Noite Trabalho Sujo no Sarajevo, mais good vibes concentradas nos fundos da Bela Cintra, como dá pra ver pelas fotos da Natália. E nessa sexta vamos fazer uma festa pra descer além do chão…

Tava falando do livro de Thomas Pynchon que o Paul Thomas Anderson vai adaptar para o cinema e eis que surge o trailer de Inherent Vice, realocando tensões faciais e expressões fechadas para a década da vez.
Muito climão, pouca sustança – essa parece ser a tônica de quase todos os filmes de PTA (costumo brincar que o Paul Anderson que temos que dar atenção é o Paul W.S. Anderson, esse sim bem resolvido). Não que seja um mau diretor, mas ele viaja no próprio ego e erra feio a mão em filmes que contam com atuações espetaculares, deixando a direção bem aquém da interpretações fantásticas vividas por alguns dos grandes atores de nosso tempo. Claro que Inherent Vice vai ser melhor do que todos esses filminhos que tentam requentar o Scorsese de Goodfellas (como Trapaça ou O Lobo de Wall Street, do próprio Scorsese) e certamente encabeçará listas de premiações no ano que vem. Mas não me iludo, mesmo sendo o filme que vai apresentar Pynchon para as massas.


O disco novo da melhor banda de rock experimental do Brasil, a curitibana Ruído/mm, já está pra download no site da gravadora Sinewave. Forte candidato a melhor disco brasileiro de 2014, mas não precisa acreditar em mim – ouça você mesmo.

Em novembro estréia o filme novo de Christopher Nolan, Interstellar e você já deve ter visto o trailer…
É mais um passo rumo à popularização da ficção científica, esse gênero que já foi a ovelha negra da literatura e hoje se firma como um dos principais pilares da produção cultural moderna. Nolan não é nenhum novato no gênero (e, em última instância, filmes de super-herói são histórias de ficção científica), mas é a primeira vez que ele leva sua narrativa para o espaço. O tom do trailer dá a entender que é mais uma ópera épica envolvendo sobrevivência, sentimentos e o universo, como Gravidade, de Alfonso Cuarón, foi no ano passado. Só o fato do Ramon (que vem acompanhando as notícias sobre a produção do filme de perto, vale acompanhar) resumir o filme na equação “Wall-E + A Árvore da Vida + Contato” dá a medida de como a temática existencial na ficção científica tem se tornado uma constante cada vez mais frequente em nosso zeitgeist. O que nos faz pensar…
Mas tenho uma leve impressão que o filme vai muito além do que assistimos nesse trailer (sem contar as estrepolias técnicas de Nolan, que filmou cenas para iMax em película 70mm).

Mesmo que Inherent Vice seja um livro menor de Thomas Pynchon, a idéia de levá-lo para as telas – e, portanto, para um público maior – de Paul Thomas Anderson talvez não pareça ser a burrada que eu havia imaginado.
O filme estréia neste sábado no New York City Festival e o New York Times nos antecipa que talvez o próprio Pynchon, conhecido por ser o maior escritor recluso norte-americano depois de Salinger, esteja presente no filme fazendo uma ponta. O escritor vem aos poucos saindo da casca: primeiro foi uma participação nos Simpsons em 2003 (numa participação sensacional, em que ele, com a cabeça coberta por um saco de pão, vendia fotos com “o famoso autor recluso”) e em 2009 ele mesmo narrou o trailer do livro que Paul Thomas Anderson transformou em filme.
Por isso não é de se estranhar que participe de um filme inspirado numa obra sua – a dúvida fica apenas sobre como acontecerá esta participação. Pynchon é desses autores norte-americanos da segunda metade do século passado que fundem conhecimento enciclopédico com situações bizarras e inusitadas em longos romances que misturam eventos históricos e mundanos, como Don DeLillo, Robert Anton Wilson, David Foster Wallace e Philip K. Dick. Certamente um filme inspirado em qualquer um de seus livros desperte um novo interesse do público em relação à sua obra. E sempre é bom saber que livros como V, O Leilão do Lote 49 O Arco Íris da Gravidade ou Vineland podem ganhar novos leitores.
Mesmo que pra isso seja preciso mais um filme do Paul Thomas Anderson.

Outros trinta segundos de Endless River, o disco novo que David Gilmour e Nick Mason vão lançar sob o nome de Pink Floyd, desta vez enfatizando a participação do tecladista Rick Wright, morto em 2008, cujos registros feitos em 1994 foram o motivo para os dois remanescentes comporem um novo álbum:

O estúdio norte-americano Muscle Shoals, fundado em 1969 no estado do Alabama, hoje é considerado uma meca para um certo tipo de sonoridade rústica e crua, que tornou-se característica da alma roqueira e caipira dos EUA principalmente por conta de discos ali gravados, como já contou o documentário que leva o mesmo nome do estúdio, lançado no ano passado. Nomes como Lynyrd Skynyrd, Herbie Mann, Canned Heat, Cat Stevens, Paul Simon e Cher (que batizou um disco com o endereço do local) gravaram discos inteiros ali, que também viu gravações clássicas como “I Never Loved a Man (the Way I Love You)” de Aretha Franklin, “I’ll Take You There” das Staples Singers e “When a Man Loves a Woman” de Percy Sledge.
Mas um dos primeiros nomes a dar a aura mística ao lugar não foi norte-americano – aconteceu quando os Rolling Stones começaram o trabalho que daria na obra-prima Sticky Fingers gravando três músicas no estúdio, entre os dias 2 e 4 de dezembro de 1969. O site Dangerous Minds descolou um souvenir e tanto destas sessões que deram origem a “Wild Horses”, “Brown Sugar” e “You Gotta Move”: o recibo do estúdio, que cobrou mil dólares pela gravação de pelo menos dois clássicos imbatíveis da história do rock.
O site ainda achou fotos incríveis das horas em que os ingleses foram o fundo da alma sulista do rock americano, tiradas por um dos fundadores do estúdio, Jimmy Johnson, encontradas no blog The Asheville Oral History Project, do jornalista Clifford Davids:






