
O lendário Jello Biafra, fundador e antigo líder do clássico grupo de hardcore Dead Kennedys, participou do show do grupo Cavalera Conspiracy, formado pelos ex-Sepultura Max e Iggor Cavalera, nesta segunda-feira, no Marquis Theater, em Denver, nos EUA, e aproveitou o encontro — e o momento bizarro que seu país está atravessando — para atualizar o clássico hino de sua antiga banda, “Nazi Punks Fuck Off”, mas não sem antes soltar o verbo, como ele sempre faz. “Somos uma família há muito tempo, cara. Eu vi (o Sepultura) pela primeira vez em Denver com o Ministry e o Helmet. Aquele show aconteceu neste lugar que na época ainda era chamado de Mammoth Gardens. Agora a Live Nation também tem suas garras neste lugar. Eu não venho pra cá desde que eles compraram este lugar; essa empresa é o Elon Musk das empresas de show. E muitos de vocês conhecem essa música. Ela foi escrita originalmente sobre pessoas sendo realmente violentas no meio do público e agindo como um bando de nazistas. Então, quando chegou a lugares que tinham ditadores e fascistas de verdade, como o Brasil e a Europa Oriental, se tornou mais do que isso, se tornou uma espécie de grito revolucionário. Então, nada de deixar a música de lado, especialmente porque, pela primeira vez, estamos olhando para ditaduras fascistas reais e vivas com camisas vermelhas, brancas e azuis por todo o país. Vai demorar um pouco para eles me pegarem, mas já estou na lista negra o suficiente pelo que disse sobre o sujo Donnie Trump… e tudo mais, nunca se sabe. Então, agora, essa música tem um nome um pouco diferente, acho que todos podemos nos identificar. Nazistas trumpistas, vão se foder!”
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Grupo de jazz funk idealizado pelo baixista Juninho Sangiorgio e pelo baterista Rodrigo Saldanha, o sexteto Bufo Borealis está prestes sa lançar seu terceiro álbum, batizado de Natureza, que consideram seu disco mais livre – e dão uma amostra do que vem por aí ao antecipar o segundo single, “Urca”, que será lançado nesta terça-feira, em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “É o nosso disco mais plural, com composições de todos os integrantes e referências que vão do On The Corner de Miles Davis ao Check Your Head dos Beastie Boys, passando por Curtis Mayfield e Lou Donaldson”, explicam os dois fundadores do grupo, que ainda conta com Anderson Quevedo (sax), Paulo Kishimoto (percussão e sintetizadores), Tadeu Dias (guitarra) e Vicente Tassara (piano). “Este trabalho mostra um claro amadurecimento e intensa conexão musical entre nós, que nos últimos anos fizemos inúmeras apresentações totalmente diferentes umas das outras, deixando a música cada vez mais aberta ao improviso e mais livre de estereótipos”. O disco sai no dia 6 de março e conta com participações da vibrafonista Nath Calan, do trompetista Daniel Gralha e do baterista Clayton Martin. “Urca”, com seus diferentes climas e atmosferas, é um bom exemplo do que os dois falam, e tem seu clipe dirigido pela videoartista Julia Ro, que também faz as projeções nos shows do Bufo, que o montou a partir de imagens filmadas pelos integrantes da banda.
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Guilherme Cobelo e Tagore fizeram uma noite quentíssima na edição desta sexta-feira no Inferninho Trabalho Sujo no Picles, quando trouxeram versões de uma psicodelia brasileira influenciada pela cultura do sertão, cada um à sua maneira. Cobelo trouxe seu Caubói Astral pela primeira vez para São Paulo, acompanhado do guitarrista Jota Dale, do baterista Dinho Lacerda e do baixista André de Sousa, e ainda cantou músicas inéditas, como minhas favoritas “Asa Soul” e “Conversando como Sábado”, esta última dividindo os vocais com sua irmã de Joe Silhueta, Gaivota Naves, que subiu no palco para abrilhantar ainda mais a noite.
Depois foi a vez de Tagore passear por seus discos e invocar a psicodelia nordestina, puxando Alceu Valença e Ave Sangria entre seus vários ídolos musicais em meio às músicas de seus discos clássicos como Movido a Vapor, Maya e o mais recente Barra de Jangada. Ele veio com uma banda azeitadíssima, que contava com seu fiel comparsa João Cavalcanti no baixo, o ás Arthur Dossa na guitarra, o baterista Arquétipo Rafa e o tecladista Gustavo Garoto, e ainda convocou o capixaba André Prando para a celebração de uma noite quente! Showzaço!
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Essa sexta tá pegando fogo no Inferninho Trabalho Sujo, quando recebemos dois bardos da psicodelia brasileira de fora de São Paulo para o palco do Picles. A noite começa com Guilherme Cobelo mostrando seu disco Caubói Astral pela primeira vez na cidade, com a participação da incrível Gaivota Naves. E depois é a vez do mestre pernambucano Tagore trazer seu disco mais recente, Barra de Jangada, pra esquentar ainda mais a noite – e quem aparece no show dele é o capixaba André Prando. Depois dos shows é a vez de eu e a Fran nos encontrarmos mais uma vez para transformar a pista do Picles em nosso clubinho particular – e vocês sabem como ficam as coisas quando a gente põe as pessoas pra dancar! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, e a casa abre a partir das 20h – os shows começam às 21h30. Vamos?

Soberba a apresentação que Gaivota Naves fez nesta terça-feira no Centro da Terra, reduzindo as canções de seu futuro disco Concretutopia-Neoconcreto a um formato minimalista, mas ao mesmo tempo gigante. Acompanhada de Pedro Omarazul, que abusava do pedal de loop de sua guitarra para transformá-la em uma orquestra elétrica, e Bruno Mamede, que revezava-se entre flauta, sax, baixo e efeitos, ela decolou no palco do teatro em performances que ocupavam nossos corações e mentes, chegando ao ápice com a entrada de Laura Diaz, do Teto Preto, no final da apresentação, esquentando ainda mais a temperatura da noite. Magia pura.
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Bicho, e o Estação Net de Cinema no Rio de Janeiro que vai passar a primeira temporada de Twin Peaks inteira na telona nessa sexta-feira? Invejei…

Houve um tempo que os Talking Heads foi a maior banda de todos os tempos e esse show em Dortmund, na Alemanha, em 1980, com Adrian Belew em uma das guitarras e Bernie Worrell nos teclados é dessa época. Sente o drama abaixo: Continue

A big band Tietê faz sua primeira apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira, quando mostram o espetáculo Tâmisa, em que adiantam seu segundo disco, gravado nos lendários estúdios Abbey Road, na Inglaterraa, que está programado para sair neste semestre. Formada por Dodó Stroeter (voz e sax), Fela Zocchio (percussão), Leo Montagner (teclados), Pedro Carboni (trombone, voz e guitarra), Rubi Assumpção (voz e bateria), Théo Cardoso (sax e percussão) e Victor Forti (baixo), a banda mistura diferentes gêneros musicais e faz com que a inquietante mistura de ritmos tradicionais brasileiros, jazz, MPB, rock e reggae ganhe uma personalidade própria, que ainda inclui referências de artes cênicas, circo, moda e dança. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos pelo site do Centro da Terra.
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A vocalista da banda mineira Varanda Amélia do Carmo lançou um curto disco de fininho em que colabora com seu conterrâneo, o produtor eletrônico Yo Mati. Apesar de baseada em Juiz de Fora, Amélia vem da pequena Caratinga (terra-natal do Ziraldo), onde conheceu Mati. Ele começa contando a história desse primeiro disco da dupla, que bate tanto num trip hop lo-fi quanto em melancólicas canções adolescentes com forte carga dramática: “Melondreams nasceu despretensioso em 2020 com algumas faixas instrumentais feitas no meu quarto”, explica o produtor. “Em 2021, juntei essas músicas num EP e chamei Amélia pra fazer a capa. Eu sempre gostei muito da estética das artes e pinturas dela. No meio desse processo, ela me disse que interessou por uma das músicas, gravou vozes por cima, e eu fiquei surpreso com o resultado – até então, o que eu fazia só circulava entre meus amigos.”
“Quando eu ouvi nesse EP, que faria só a capa, o instrumental de “Goodbye”, ouvi também uma voz ali, num dia só escrevi a letra, gravei sem permissão e sem click, mandei pra ele como um exercício mesmo”, lembra a cantora. “A gente pilhou tanto no som e nessa onda de sonhos febris que fizemos logo mais três nesse mesmo estilo, no caso de “Sim” e “Marble Eyes”, eu gravei a letra cantada e ele fez o instrumental em cima, desse mesmo jeito improvisado e online que inventamos”
Os dois citam as referências nestas primeiras canções. “Eu estava fissurado em Boards of Canada, Windows96 e outras drogas mais pesadas – apesar dos meus amigos sempre mencionarem a influência daquela live infinita ‘lofi hip hop radio beats to relax/study to’ em tudo que faço”, explica Mati. “Pra compor e performar eu mirei totalmente nas jovens criações de Lana del Rey e seu dreampop lo-fi, e é engraçado ouvir sabendo que faria tudo diferente hoje em dia, mas gosto que se mantenha assim, essa coisa meio outra personalidade”, completa a vocalista. Os dois continuaram colaborando sem se encontrar pessoalmente, pois Amélia já estava em Juiz de Fora.
“Em algum momento, entrei em um quadro depressivo e abandonei o projeto”, lembra o produtor. “Esse gap de tempo me ajudou a dar uma reciclada nas ideias daquela época e quatro anos depois, reabri as faixas, mandei um “we are very back!” pra Amélia e com uma semana de total hiperfoco, eu só pensei em finalizar o que faltava.” “Foi um bom exercício de desprendimento com uma criação do passado também, soltar esse EP finalmente foi legal também pelo exercício de fazer uma coisa e deixar ela existir sem tantas pretensões, sei lá, vai que alguém gosta”, completa Amélia, que fala que nem pensou sobre a possibilidade de fazer algo ao vivo com esse trabalho. “Não estávamos pensando nem se alguém iria querer ouvir… mas quem sabe né… Mistério”, se faz. “Enfim dropamos, sem aviso e sem expectativa, só porque precisava existir”, conclui Mati. Ouça abaixo: Continue

Tecladista fundador do Soft Machine e uma das figuras mais icônicas do rock psicodélico inglês – e um dos responsáveis por transformá-lo em rock progressivo -, Michael Ratledge nos deixou nesta quarta-feira, depois de uma súbita doença, como seu amigo e ex-companheiro de banda John Etheridge escreveu em sua página no Facebook. “Mike era a espinha dorsal do Soft Machine mo início e um sujeito com uma mente absolutamente incisiva – compositor e tecladista maravilhosos. Um verdadeiro homem da renascença – tão talentoso, culto, charmoso – e uma companhia maravilhosa. Nos encontrávamos por semanas nos últimos quarenta anos – um deleite para mim.” Ratledge, conhecido pelos solos endiabrados que caracterizavam a primeira fase da banda, completava um quarteto que era formado apenas por David Allen, Robert Wyatt e Kevin Ayers, a nata da cena de Canterbury, que ainda pariu monstros sagrados como Wilde Flowers, Gong, Caravan, Khan e Camel.