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Loki

E o metapseudodocumentáriofake sobre o Pavement finalmente sai do circuito dos festivais e estreia nos cinemas comerciais – a princípio apenas nos EUA – e justamente por isso Pavements ganha seu primeiro trailer oficial, que demonstra como diretor Alex Ross Perry mistura sua megalomania de araque com a preguiça blasé da icônica banda indie norte-americana criando algo que não é só um registro sobre um trabalho artístico, como uma continuação e uma espécie de validação – usando muitos superlativos – da história da banda. Assista abaixo: Continue

O lançamento do disco novo dos Boogarins no Rio de Janeiro no Circo Voador virou um senhor festival de indie rock brasileiro ao reunir as bandas Exclusive os Cabides, Gueersh, Drogma e Lê Almeida numa mesma sexta-feira. Os ingressos já estão à venda.

Um estranho e interessante alinhamento cósmico aconteceu na sexta passada na Porta Maldita, quando reuni três artistas de diferentes pontas do espectro musical para um Inferninho Trabalho Sujo memorável. A noite começou com os novatos da Orfeu Menino mostrando que eles não têm tempo ruim quando o assunto é jazz brasileiro. Liderados pelo carisma encarnado de Luíza Villa, o grupo fez seu show quase todo autoral à exceção de três músicas, que pautam bem o terreno habitado pela banda: “Chega Mais” da Rita Lee, emendada com “Cara Cara” do Gil e “Tudo Joia” do Orlandivo. Passeando suas composições pelo samba jazz pós-bossa nova, estrearam três músicas novas e estão absorvendo bem a entrada do novo guitarrista, o carioca João Vaz. Fiquem de olho neles…

Depois foi a vez de outro poço de entretenimento que é o show de Ottopapi, codinome que Otto Dardenne assumiu para sua carreira solo. Acompanhado de uma banda fulminante (Vítor Wutzki e Thales Castanheiras nas guitarras, Gael Sorkin na bateria, Bianca Godói no baixo e Danileira nos synths, efeitos e coreografias), ele é um dos melhores shows de São Paulo atualmente, com aquela energia de rock de garagem que ecoa tanto os momentos menos artsy do Velvet Underground quando a época que os Strokes eram uma banda semidesconhecida, em composições tão descartáveis quanto grudentas, hits pop disfarçados de pulsões elétricas que não deixam ninguém parado. E ele já anunciou que o disco tá vindo…

E a noite encerrou com o Casual Art Ensemble, projeto de improviso noise surgido do encontro de três quartos dos heróis indies cariocas do Oruã (os cariocas Lê Almeida, João Casaes e Bigú Medine) com a dupla paulistana Retrato (Ana Zumpano e Beeau Gomez), que pode reunir ainda mais gente, que foi o que aconteceu na sexta-feira, com as presenças de Guilherme Pacola (bateria, percussão e efeitos), Clóvis Cosmo (sopros e percussão) e Gabriel Gadelha (do Naimaculada, no sax), conduzindo o público a três diferentes transes hipnóticos em que seus integrantes trocavam de instrumentos a cada nova viagem. Coisa linda.

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Björk no cinema

Mais música no cinema! Desta vez é a cantora islandesa Björk que anuncia o lançamento do filme de seu show Cornucopia em mais de 500 cinemas em todo o mundo, na primeira vez que o registro do espetáculo é exibido na íntegra. Conduzido em parceria com a diretora argentina Lucrezia Martel e com a diretora musical Isold Uggadottir, a apresentação aconteceu no dia 1º de setembro de 2023 na Altice Arena, que fica na capital portuguesa de Lisboa, e mistura músicas dos discos Utopia (2017) e Fossora (2023), além de efeitos de realidade virtual e a exibição de três curtas escolhidos pela artista. Cornucopia será lançado em todo o mundo no dia 7 de maio, inclusive no Brasil, e para saber mais informações sobre as sessões, cadastre-se no site da artista.

Assista a um trecho abaixo: Continue

Há uma movimentação incomum acontecendo no território do Radiohead. Primeiro Thom Yorke anuncia um disco em parceria com o produtor eletrônico inglês Mark Pritchard (o disco Tall Tales, que será lançado dia 9 de maio pela gravadora Warp). Depois a banda comemora o aniversário de 30 anos de seu segundo disco The Bends, desenterrando vídeos daquela época (como a íntegra de um show gravado em VHS no Horseshoe Tavern, em Toronto, no Canadá em março de 1995, veja abaixo) e abastecendo sua Radiohead Public Library ao mesmo tempo em que compila uma playlist dedicada ao disco. Mas uma discussão paralela mexe com a banda inglesa para além de efemérides e carreiras solo. Primeiro foi a descoberta de que seus cinco integrantes – Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Philip Selway – acabaram de abrir mais uma empresa batizada com a nada sutil sigla RHEUK25, que até alguém mais desatento consegue ler o nome da banda, seu país e continente de origem e o ano em que estamos. Não é a primeira vez que seus integrantes fazem algo do tipo. Trabalhando fora do esquema das gravadoras grandes desde seu Hail to the Thief, em 2003, a cada novo disco eles criam uma nova entidade jurídica que acaba funcionando como a empresa que gere não apenas o lançamento de um novo álbum como sua respectiva turnê. Foi assim com In Rainbows em 2007 (quando fundaram a empresa Xurbia Xendless), com A Moon Shaped Pool em 2016 (quando criaram a Dawn Chorus LLP), com a reedição dos discos Kid A e Amnesiac que tornou-se Kid Amnesiac em 2021 (ao fundar a empresa Spin With A Grin LLP) e até quando Thom e Johnny lançaram o primeiro disco de sua banda The Smile em 2022 (quando os dois fundaram a Self Help Tapes LLP). O caldo engrossou depois que o site Resident Advisor recebeu uma pista que um leilão feito para arrecadar fundos pela escola norte-americana Palisades High School, em Los Angeles, tinha um item anunciado como quatro convites para “um show do Radiohead na cidade em que você escolher”, que foi retirado do site da escola logo após a informação ter sido vazada pelo site (que guardou os prints da tela por precaução). Juntando lé com cré fica bem fácil supor que o grupo está planejando pelo menos uma turnê no segundo semestre, se é que não tem um disco gravado guardado na manga. E se você perceber que a música nova que Thom lançou com Pritchard chama-se “Back in the Game” (“de volta ao jogo”), tudo fica mais fácil de entender… Continue

O mundo anda tão bizarro que o anúncio da nova temporada de Black Mirror, normalmente um momento de calafrios e desconfortos causados por uma ficção científica incomodamente próxima da nossa realidade, passou quase sem repercussão. Mas o fato é que a antologia de paranoias cogitadas pelo inglês Charlie Brooker mostra mais uma leva de seus episódios – a sétima – com direito à continuação do clássico capítulo U.S.S. Callister, da quarta temporada, paródia da série Jornada nas Estrelas em que o criador de um jogo online cria uma nave espacial naquele universo em que ele pode tripudiar de clones digitais de seus colegas de trabalho. A nova temporada de Black Mirror estreia no dia 10 de abril e terá seis episódios. Entre os atores que participarão desta temporada estão nomes como Paul Giamatti, Awkwafina, Issa Rae, Peter Capaldi, Rashida Jones, Cristin Milioti e Tracee Ellis Ross. Assista ao trailer abaixo: Continue

Mais legal do que saber que o primeiro disco do Cansei de Ser Sexy completa 20 anos em 2025 (e incrivelmente atual – mas aí não sei se é mérito da banda ou da época em que vivemos), é saber que ele vai se transformar em disco de vinil na próxima edição do Noize Record Club. O conto de fadas eletroindie dos anos 2000 está mais aceso do que nunca e chega para os assinantes do clube de LPs como uma bolacha amarela (mais informações aqui)- e o vídeo que o NRC fez pra comemorar esse novo lançamento ficou demais! Veja abaixo: Continue

E sem o menor alarde três gravações inéditas da Gal Costa em seu ano miraculoso (1972) surgem nas plataformas de áudio. São três faixas gravadas após a turnê Até 73 que ela fez com Gilberto Gil naquele mesmo ano acompanhada de uma banda de cair o queixo – afinal esse era o nível da cantora naquele período -, formada por Tutty Moreno (bateria), Lanny Gordin (guitarra), Perna Froes (piano e teclados) e Novelli (baixo). São três versões: “A Morte” (de Gil, que ele nunca gravou), “Vale Quanto Pesa” (de Luiz Melodia) e “O Dengo que a Nega Tem” (de Dorival Caymmi, esta última com inacreditáveis sete minutos) que mostram um dos grandes nomes da nossa cultura no auge, tinindo trincando. Para ouvir de joelhos. Ouça abaixo: Continue

Como se só o show de Lauryn Hill não fosse suficiente, imagine na hora em que ela canta um de seus maiores hits (“Doo Wop (That Thing)”, claro) a diva chamasse ninguém menos que a novata sensação da vez, a gigantesca Doechii. Pois foi o que aconteceu neste sábado, no encerramento da primeira noite do festival Jazz In The Gardens Festival, em Miami, nos EUA, quando ela apresentou a sensação ao palco. E por mais que ela segurasse a onda como era de se esperar, a cantora estava em frangalhos com a realização daquele sonho e tuitou logo em seguida que “Nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida 😭 ela é uma RAINHA”. O show ainda teve participações de Wyclef Jean, Busta Rhymes, Yg Marley, Zion Marley, Samara Cyn, entre outros. Assista à integra do show abaixo (a participação de Doechii começa em 1h31): Continue

2025 começou!

Inescapável a ideia de assistir a um showzinho uma vez em Brasília, mas quis o destino que a primeira quinta-feira do ano me brindasse com um evento candango de proporções épicas – como de praxe – ao saber que veria uma apresentação do quinteto Satanique Samba Trio, um dos grupos musicais mais importantes da história da minha cidade-natal e uma avis rara no mapa musical da história do Brasil, que abriria a noite na Infinu, principal casa de shows de médio porte da cidade. É muito fácil colocá-los no guarda-chuva pós-punk que mistura grupos como Pére Ubu, Swell Maps, Gun Club, Half Japanese, Arrigo Barnabé, Primus, Minutemen e Premeditando o Breque, mas suas referências vão muito além disso – e mesmo se ampliássemos o leque para incluir Captain Beefheart, Frank Zappa e todo o povo do krautrock ainda seria limitá-los demais. Subindo ao palco todos com o mesmo uniforme – ecoando outras referências óbvias, como Residents e Devo -, o grupo liderado pelo lendário Munha da 7 é uma espécime raríssima por criar suas canções tortas a partir de células rítmicas essencialmente brasileiras (daí o nome do grupo), misturando lambada, choro, samba, xote e frevo às suas desventuras polifônicas, que viajam pelos cavalos de pau dados pela música erudita contemporânea e pelo jazz atonal, misturando levadas quebradas e mudanças bruscas de ritmo e tempo ao mesmo tempo em que… fazem dançar (!?). O grupo também sobressai-se pela guitarra ficar em segundo plano, transformando-se num instrumento bissexto que perde o protagonismo quando o cavaco de Jota Ferreira, o sax e a flauta de Chico Oswald, o clarinete e os teclados do DJ Beep Dee, a bateria de Lupa Marques (que num dado momento vem pra frente da banda tocar caixa de fósforos) e, óbvio, o baixo de Munha se atropelam num acontecimento único na história do Brasil. O Satanique poderia estar fazendo shows em conjunto com Hermeto Pascoal e Tom Zé que se sentiriam tão à vontade quando tocando este último show antes da turnê europeia que encaram ainda este mês. Podiam rodar mais o Brasil pra deixar todo mundo de cabelos em pé e quadris rebolando em compassos ímpares. Que privilégio.

Depois do Satanique Samba Trio foi a vez da dupla belga Lander & Adriaan, que montou seu set no meio da Infinu, fazendo o público circular ao redor como se estivessem ao redor de um DJ no Boiler Room. E não era de se estranhar, porque por mais que o baterista Lander Gyselinck e o tecladista Adriaan Van de Velde tenham uma formação jazzística, eles trabalham no território da música eletrônica, levantando a bandeira de um estranho rótulo chamado rave jazz. Estranho, mas que, ao vivo, faz todo o sentido: ecoando house, techno e drum’n’bass a dupla hipnotizou o público que já estava chapado depois do show do Satanique e só não foi além porque era uma quinta-feira – se fosse uma sexta o sábado, teriam levado o público aos píncaros da chapação frita. Impressionante – agora dá pra dizer que 2025 começou!

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