
O quarteto Celacanto propôs-se uma ideia ousada nesta terça-feira no Centro da Terra, quando decidiu mostrar na íntegra seu disco de estreia, que será lançado na quinta-feira da semana que vem. Fazendo uma apresentação sem bula para o público, a banda convidou os presentes a uma audição ao vivo, mostrando o álbum Não Tem Nada Pra Ver Aqui (frase que abre o disco e, portanto, o show) na mesma ordem que no disco. A diferença era justamente a natureza fluida das canções entre si – diferente do disco, o grupo decidiu fazer transições ao vivo entre as músicas, para tornar a costura das canções uma história coesa com o correr do show. Passeando entre o art rock e o rock progressivo, o grupo puxou suas canções que falam de relacionamentos e da própria existência com timbres de rock clássico e vocais e melodias melancólicas, bebendo da tristeza do indie rock, sempre conduzido pelas linhas de baixo melódicas de Matheus Arruda (que por uma música foi para a guitarra) e pela bateria matemática de Giovanni Lenti, enquanto Edu Barquinho passeia pela guitarra, piano e acordeão, sempre solando sem precisar exibir-se, e o principal compositor da banda, o líder e cantor Miguel Lian, aclimatava ainda mais o público com sua voz e guitarra ou quando foi ao piano, mostrar uma das músicas mais fortes da noite. A banda ainda contou com a participação do produtor Lauiz, que ajudou a banda a forjar o som desse primeiro disco e tocou sintetizadores e bateria eletrônica, além de sua presença sempre carismática, mesmo que muda, e com vídeos feitos pela dupla Giba e Aurora, derramando cores saturadas retrô sobre o grupo. A apresentação prova que o Celacanto já está num patamar musical avançado em relação ao seus contemporâneos, mesmo que ainda não tenha lançado nem seu primeiro disco. Vão longe.
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Nesta terça-feira temos a satisfação de receber uma das novas bandas mais promissoras da atual cena paulistana, quando o quarteto Celacanto, formado pelo vocalista e guitarrista Miguel Lian, pelo também guitarrista e sanfoneiro Edu Barquinho, pelo baixista Matheus Arruda e pelo baterista Giovanni Lenti, apresentam o espetáculo Falta Tempo, uma versão em que seu primeiro álbum Não Tem Nada Pra Ver Aqui, que ainda será lançado este mês, transforma-se num espetáculo audiovisual para ampliar o conceito da banda, que flerta tanto com o indie rock, a música brasileira, o art rock e o rock progressivo e contará com a participação de Lauiz nos teclados, integrante da banda Pelados que também é produtor deste primeiro álbum do grupo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos no site do Centro da Terra.
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Mais uma bela notícia dessa terça-feira: o Carnegie Hall nova-iorquino recebe, no dia 16 de maio, o show tributo Cosmic Music: The Celestial Songs of Alice Coltrane Turiyasatgitananda, com curadoria do filho da mestra Ravi Coltrane (que também é filho do outro mestre cujo sobrenome dispensa apresentações), que apresenta pela primeira vez arranjos orquestrais para as músicas da maga Alice, com as presenças do próprio Ravi, tocando sax tenor, de seu sobrinho-neto Flying Lotus nos toca-discos, vocais de sua filha Michelle Coltrane, que rege o coral Sai Anantam Devotional Ensemble. A apresentação, inspirada no show de mesmo nome que Alice deu naquela mesma sala de concerto em 1968, ainda conta com Brandee Younger na harpa, David Virelles ao piano, Robert Hurst no contrabaixo e Jeff “Tain” Watts na bateria. Uma viagem no sentido mais transcendental da palavra, que já está com ingressos à venda.

O anúncio do show do Stereolab no festival Balaclava foi anunciado para esta terça-feira para coincidir com o lançamento do primeiro single do primeiro disco que a banda lança em 15 anos! Instant Holograms On Metal Film será lançado no dia 23 de maio e já pode ser comprado antecipadamente no site da banda. O novo single, “Aerial Troubles”, já vinha sendo instigado pela banda anglo-francesa desde o início do mês e eles aproveitam o lançamento não só para fazer o anúncio do novo álbum como para mostrar o clipe desta primeira canção, a primeira inédita do grupo desde o disco Not Music, de 2010. Veja a capa, o clipe e os nomes das músicas do novo disco abaixo: Continue

A terça-feira já começou quente com o anúncio dos shows paralelos do Popload Festival – e um deles é de chorar, pois não bastasse nossa senhora Kim Gordon tocar sozinha no Cine Joia no dia 1º de junho, a abertura da noite é de ninguém menos do que a fodona Moor Mother. Acontece no dia seguinte do festival e os ingressos já estão à venda. O outro show é da banda Lemon Twigs, também acontece no Joia e terá abertura de Tim Bernardes discotecando vinil. Nos vemos no dia 1º, certo?

Paulo Beto começou maravilhosamente sua temporada Selva de Pedra, em que comemora seu quarto de século em São Paulo, nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando abriu sua safra de shows com um projeto ainda inédito, chamado Santa Sangre, em que, pilotando como sempre seus synths, cria camas sintéticas e instrumentais para solos de dois monstros em seus instrumentos: o guitarrista e violeiro Marco Nalesso, que fica num inusitado meio termo entre Adrian Belew e Ivan Vilela, que por vezes tocava sua viola caipira (ou caiçara, como corrigiu o próprio PB) com arco, e o saxofonista e flautista Paulo Casale, este conduzindo os outros dois a paragens aparentemente desérticas (mas com vida que se embrenha nos detalhes), primeiro com um pífano, depois com um sax. A noite foi encerrada com uma incursão que John Lennon fez ao Tibet com os Beatles quando o trio recebeu a mestra guitarrista Lucinha Turnbull como convidada do final da apresentação, visitando “Tomorrow Never Knows” num transe de mais de quinze minutos, com Mari Crestani fazendo luz pela primeira vez – e brilhando. Só sabe quem viveu.
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Que prazer receber nas quatro vezes em abril a celebração de 25 anos de São Paulo que o mestre Paulo Beto completa neste 2025. O mineiro criador do projeto Anvil FX chegou há um quarto de século na cidade e nos próximos quatro começos de semana comemora este aniversário com comparsas, cúmplices e camaradas de diversas frentes musicais, transformando cada apresentação em um mergulho em uma de suas facetas artísticas. Na primeira noite ele convida Marco Nalesso, Nivaldo Campopiano, Paulo Casale e Lucinha Turnbull para realizar o projeto Santa Sangre no palco do teatro. Na segunda seguinte, dia 14, ele traz Miguel Barella, Tatá Aeroplano, Edgard Scandurra e Luiz Thunderbird em mais uma mutação de seu grupo Zeroum. Depois, dia 22 (que cai numa terça, porque a segunda anterior é feriado e o teatro não abre), ele traz sua Church of Synth ao lado de Arthur Joly e Tatiana Meyer para encerrar no dia 28 com o Anvil Opake que conduz ao lado de Fausto Fawcett, Tatiana Meyer, Bibiana Graeff, Apolonia Alexandrina, Mari Crestani e Silvia Tape. Os espetáculos acontecem sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.
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Vocês ouviram uma das músicas novas que Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo lançou no Lolla no fim de semana passado? Chama-se “Ao Sul do Mundo” e fala por si só. Assista abaixo: Continue

Na segunda edição do Inferninho Trabalho Sujo na Casa de Francisca, duas bandas da pequena gravadora paulistana em ascensão Selóki Records tomaram conta do clássico templo da música brasileira em São Paulo, ao trazer duas camadas de hipnose ruidosa que espalharam uma tensão noise inédita em seu Porão. A noite começou com a aparição da Madre de Luiza Pereira, grupo em que a ex-vocalista da banda Inky dissolve suas tensões pessoais e exerce sua paixão pela microfonia melódica acompanhada de um trio demolidor, formado por Desirée Marantes (na segunda guitarra), Theo Charbel (no baixo e vocais) e Martin Simonovich (na bateria). Mostrando músicas de seu disco de estreia, Vazio Obsceno, Luiza surfou em câmera lenta na névoa elétrica de sua banda, deixando o clima da noite no ponto para a segunda atração da sexta.
Depois foi a vez dos cinco Madrugada fechar mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo em sua estreia na Casa de Francisca. Paula Rebellato, Otto e Yann Dardenne, Raphael Carapia e Cacá Amaral promoveram mais uma vez seu ritual kraut, partindo da repetição mecânica num loop quadrado – mas em constante movimento pela banda ter dois bateristas, Yann e Cacá! -, que arredonda com a marcação quase funky do baixo minimalista de Otto, que também estabelece balizas vocais para o ritmo e as expansões sensoriais promovidas pelos dois sócios do Porta: de um lado Paula repete frases nos synths enquanto roga juras de libertação, do outro Rapha faz sua guitarra rugir em abstrato ao enterrá-la constantemente em seu amplificador. A massa sonora do quinteto rapidamente tomou conta do ambiente, dragando todas as atenções para aquela missa profana que celebrava a força de uma tempestade, entre relâmpagos e trovões. Absurdo.
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Alguém anotou a placa do caminhão? O show que a nova banda de Jon Spencer fez nesta quinta-feira no Sesc Avenida Paulista não foi apenas uma aula de rock’n’roll, com o guitarrista que marcou a história do rock alternativo nos anos 90 à frente do trio Blues Explosion puxando referências que iam do country ao gospel, do punk ao blues, do doo-wop ao noise, enfileirando seus curtos blues elétricos em altíssima velocidade como amostras de capítulos importantes da história do rock protagonizados por figuras que não chegaram ao estrelato nem flertaram com o showbusiness, vivendo à margem da indústria da música como instrumentistas de estrada. Influenciado pela urgência de estar próximo ao público da cena punk americana dos anos 80, Jon Spencer se joga a cada microcanção, seja cuspindo palavras de ordem, rugindo grunhidos que esfacelam palavras ou disparando riffs como alvos a serem metralhados pelos dois músicos que o acompanham, o intenso e psicótico Macky “Spider” Bowman na bateria e a arma secreta da noite, a impressionante baixista Kendall Wind, ambos da banda Bobby Lees. “Os conheci há oito ou nove anos, quando sua antiga banda abriu para o Boss Hogg. Eles eram muito jovens naquela época, adolescentes, e Kendall e Mackie tocam juntos desde os 12 anos e eles me chamaram para produzir um disco deles – quando fiquei especialmente impressionado com Kendall e sua musicalidade e seu entusiasmo e abertura para tentar coisas novas”, ele me contou em entrevista por telefone antes do show. “Anos depois produzi um disco da dupla Jesse Dayton e Samanta Fish e eles me chamaram para fazer uma turnê, e minha banda na época, os Hitmakers, meio que havia parado em 2022. Foi quando lembrei de Kendall e que os Bobby Lees estavam em um hiato, meio que tinham terminado. Chamei Kendall e topou, além de ter sugerido Mackie para a bateria e eu só queria uma seção rítmica, sair como um trio, pra tocar músicas da minha carreira, do Blues Explosion, do Boss Hog, do Pussy Galore, dos Hitmakers e algumas versões.” A química invejável do trio traduz-se numa avalanche de rock em que o baixo de Kendall parece conduzir tudo a partir de riffs e solos, com muitas notas agudas, enquanto o baterista demole seu kit e Jon rege a multidão com gritos guturais, chamados da selva e urros vindo das vísceras, enquanto usa sua guitarra como batuta para mudar completamente de uma música para a outra, enquanto se joga no palco numa performance que nos faz esquecer que ele tem mais de 60 anos de idade, chegando inclusive a atacar a minha câmera, numa mise-en-scene que já tinha feito no show de quarta, com o celular de alguém da plateia. O grupo segue tocando nessa sexta em Jundiaí e ainda tem uma data em Buenos Aires e outra em Santiago, onde gravarão algumas músicas que compuseram com essa formação. “Kendall e Mackey são mais novos que meu filho e são ótimos músicos e cheios de energia, e não apenas física, mas positiva”, continuou na entrevista. “Eles estão muito interessados em trabalhar, são muito abertos à experimentação e a tentar coisas novas. E trabalham muito duro e funcionamos bem como uma banda. Somos capazes de nos comunicar. Estou muito feliz em trabalhar com eles.” Dá para notar.
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