Entrevistei o broder Ricardo Alexandre sobre seu documentário Sem Dentes, que trata da cena de rock independente brasileira do início dos anos 90 e o surgimento do selo Banguela Records, lá pro UOL. Confere lá.
O pianista virtuoso Bence Peter pôs seus dedos em ação para homenagear Michael Jackson com essa versão de tirar o fôlego.
Ele já tinha feito outros vídeos homenageando o Rei do Pop do século passado:
Demais, hein.
Quando eles menos perceberam, o gato estava na asa do veículo, em pleno vôo, mas no final dá tudo certo, pode assistir sem noia:
Uma das melhores coisas que saíram do coletivo Odd Future, a dupla The Internet – originalmente formada pela vocalista e produtora Syd Bennett e pelo produtor Matthew Martin – cresceu, virou uma banda e anuncia que o lançamento seu terceiro disco, batizado de Ego Death, sairá ainda este mês. Pra dar um gostinho do que vem por aí – aquele R&B forte mas que desce macio -, eles fizeram um clipe da excelente “Girl”, a música coproduzida com o menino-prodígio Kaytranada, que ele já havia mostrado na BBC no começo do ano.
O arquiteto e ilustrador italiano Federico Babina reuniu suas duas paixões a uma terceira – o cinema – e criou essas casas fictícias pra vários diretores clássicos num projeto chamado Archidirector:
Tem várias outras lá no site dele.
Emicida lança a primeira faixa de seu novo disco, que apesar do nome otimista – “Boa Esperança” – é furiosa como a atitude do MC em seus shows recentes – um trecho dessa nova faixa, inclusive, foi mencionado no monólogo que ele fez no início do mês no Rio de Janeiro. O que leva a crer que seu discurso na Virada Cultural também seja menção de outra letra de uma música ainda inédita. O novo disco ainda não tem nome nem capa, mas deverá ser lançado entre o fim de julho e o início de agosto, e foi um dos contemplados do edital paulista do Natura Musical do ano passado. “Boa Esperança” tirou seu título do nome de um navio negreiro citado no último livro de José Eduardo Agualusa, A Rainha Ginga e foi produzida com o curitibano Nave e tem participação de J. Ghetto.
A música terá clipe lançado na semana que vem, dirigido por Katia Lund (de Cidade de Deus) e João Wainer (de Junho) e narra a história de um motim de empregadas domésticas. O clipe tem a participação de Mano Brown, da modelo Michi Provensi e da mãe de Emicida, Dona Jacira. O rapper faz o papel de um porteiro no clipe.
“Árvore-brócoli” (“Broccoliträdet” no idioma original) é só um apelido bobo para uma bela árvore na Suécia que foi fotografada por Patrik Svedberg, que entendeu a beleza da composição da planta, fotografando-a sempre que a paisagem e a natureza lhe dava outra roupa. O hobby virou uma conta de Instagram e uma viagem visual, saca só.
Tem bem mais fotos tanto no site oficial da árvore e em sua conta no Instagram, que vale seguir.
Escrevi sobre o show de lançamento de Fortaleza, do Cidadão Instigado, na minha coluna Tudo Tanto da edição do mês passado da revista Caros Amigos. Lá embaixo tem os vídeos que fiz do mesmo show.
A maturidade do Cidadão Instigado
No lançamento do quarto ábum da banda cearense, Fortaleza, o público sabia cantar músicas que uma semana antes não conheciam
“Até que enfim
Eu cansei de me esquivar
Quanto tempo eu pensei em parar
Olho para o lado
Quanta gente diferente
E o que vou fazer?
Se não consigo te esquecer
Vou seguir…vou seguir”
Assim Fernando Catatau, líder do grupo cearense Cidadão Instigado, começa o quarto álbum de sua banda, batizado de Fortaleza, e seu show de lançamento deste que aconteceu no Sesc Pompeia, em São Paulo, no início do mês passado. Ele não está cantando apenas sobre o sentido da vida, sobre um relacionamento ou sobre sua cidade-natal, mas sobre seu próprio conjunto, que levou mais de meia década para finalmente lançar seu novo disco .
Formado por Catatau na guitarra, composições e vocais, Régis Damasceno na segunda guitarra, Dustan Gallás nos teclados e efeitos, Rian Batista no baixo, o técnico de som Yuri Kalil e Clayton Martin na bateria, o Cidadão surgiu no final dos anos 90, com quase esta mesma formação, à exceção do paulistano Clayton, que juntou-se à banda quando ela já havia se mudado para São Paulo, na década passada. No século anterior, só um registro sobreviveu, um CD demo com cinco faixas batizado apenas de EP que hoje é tratado como raridade. A discografia oficial do grupo – O Ciclo da De:Cadência (2002), O Método Túfo de Experiências (2005) e Uhuuu! (2009) – é toda deste século.
Nestes discos, o grupo veio aprimorando uma sonoridade de rock clássico com um sabor especificamente brasileiro, a começar pelo carregado sotaque de seu vocalista e principal compositor. Catatau, guitar hero, conduz a banda para a virada dos anos 60 para os 70, quando os Beatles começavam a se desintegrar e o Pink Floyd e o Led Zeppelin a encontrarem seus rumos. Canções que se descortinam em dinâmicas elétricas que refletem tanto o momento em que o rock psicodélico começa a ficar mais pesado (Jimi Hendrix, Deep Purple, Black Sabbath) quanto como esta sonoridade se refletiu na música brasileira e particularmente nordestina (de Raul Seixas a Tutti Frutti, passando por Zé Ramalho, Fagner e Alceu Valença).
“Até que Enfim” não é a primeira música do disco Fortaleza à toa. A gestação do disco começou ainda em 2012, quando a banda se isolou em uma casa em Icaraizinho de Amontada, no litoral cearense, próximo a Jericoacoara. De lá pra cá foram três anos de amadurecimento musical que, pra começar, exigiu que a banda saísse de sua zona de conforto. Rian, Dustan e Regis trocaram de instrumentos: o baixista agora toca teclados, violão e fez os arranjos vocais, o segundo guitarrista assumiu o baixo e o tecladista pegou a segunda guitarra. Essa nova formatação mexeu com os brios da banda, que começou a pesar mais seu som, deixando as canções ensolaradas do disco de 2009 no passado. O disco continuou sendo gravado nos estúdios caseiros dos integrantes da banda até que, no início de 2015, o disco finalmente foi finalizado: vocais gravados, masterização em Los Angeles e lançamento pra download gratuito em seu próprio site, www.cidadaoinstigado.com.br
Fortaleza é um disco pesado no sentido musical, mas com momentos líricos e contemplativos (como a bela “Perto de Mim”, “Os Viajantes” e “Dudu Vivi Dada”) até um reggae (“Land of Light”). O peso dos anos 70 está nos timbres elétricos, mas eles estão longe de ser retrô. E o recado dado no decorrer do disco tem diferentes endereços, embora a principal referência seja a cidade-natal da banda que batiza o disco. Fortaleza pode ser ouvido como uma declaração de amor ao mesmo tempo que uma cobrança à capital cearense: “Minha Fortaleza ‘réia’ o que fizeram com você?”, pergunta o líder da banda no repente elétrico da faixa-título. Marca a maturidade do Cidadão Instigado em relação à busca da própria sonoridade.
Disponibilizado online na primeira semana de abril, o disco foi apresentado ao vivo uma semana depois de ter sido liberado na internet. E o show no Sesc Pompeia coroou este lançamento quando a banda ousou tocar praticamente o novo disco – e com as músicas quase em ordem idêntica – na íntegra, deixando o bis para tocar duas músicas de dois outros discos anteriores: “Lá Fora Tem” e a homenagem ao canadense Neil Young “Homem Velho”. E mesmo tocando pela primeira vez um disco que havia lançado há apenas uma semana, o Cidadão Instigado ainda contou com o coro da plateia em várias canções. Um momento especial para um disco de tal calibre.
Emicida e banda subiram de branco ao palco Júlio Prestes da Virada Cultural neste fim de semana pra celebrar a tolerância religiosa, mas o rapper aproveitou pra dar o seu recado sobre as várias tensões que esticam-se sobre o Brasil atualmente. O Pedro Alexandre filmou e transcreveu, reproduzo abaixo (e vale ler seu relato completo lá no Farofa-fá, em que ele aprofunda-se nesta questão e em outras):
“E aí vira o quê? Os com-diploma versus os consciência. A Fundação é tudo, menos Casa, prum interno. É mó boi odiar o diabo, eu quero ver cê se ver lá no inferno. Não existe amor em SP? Existe pra caralho. Cês acham que as Mães de Maio chora por quê? Tendo que sobreviver ao pai que abusa, ao ferro sob a blusa, às farda que mata nós e nunca fica reclusa, ao Estado que te usa, ao padrão de beleza musa e aos otário que inda quer vim me falar de racismo ao contrário. Tempo doido, tempo doido, a espinha gela, onde as mulher é estuprada e no final a culpa ainda é delas. O problema é seu e da sua dor. Às vez eu me sinto inútil aqui, que eu não valho nada, igual o governo tem tratado os professor. Mas presses bunda mole aí que acha que nós tá dormindo, um aviso: não é porque nós tá sonhando que nós tá dormindo, viu?”.
É interessante notar a gradual transformação da persona pública do jovem Leandro, que aos poucos deixa de ser o rapaz gente boa da vizinhança pra começar a levantar o dedo pra quem levanta o dedo pra ele. É uma maturação artística que tem a ver com o seu próximo disco – que ele foi gravar na África – e o fato de ele estar aos poucos tocando instrumentos enquanto canta. Já rendeu um monólogo avassalador no Circo Voador no início do mês – e agora veio esse discurso da Virada. Sigo acompanhando.
A foto é do UOL.
Ainda na conexão Milton Nascimento / indie Brasil (que rendeu não apenas um, mas dois tributos só este mês), viram essa versão que o Hurtmold fez com o Paulo Santos, do Uakti, pra “Lágrima do Sul”?
O encontro (que repetiu-se durante a Virada deste fim de semana) já acontece há alguns shows – e esse aconteceu em março do ano passado, no Sesc Consolação. Pra quem não conhece a versão original, olha ela aí.
Dica do Julio (valeu!).









