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Loki

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Eita, que o vinil do segundo disco do Instituto já está entre nós.

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A versão LP de Violar será lançada em parceria com a Somatória do Barulho, onde o disco entra em pré-venda a partir desta segunda-feira, dia 7. O lançamento oficial acontece na loja Patuá Discos, do mesmo Ramiro que deu aquela aula sobre rap e black music com o KL Jay, ali na Vila Madalena, no dia 19, mas o disco já estará à venda semana que vem no Festival Batuque, no Sesc Santo André.

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E aos poucos os grandes discos de 2015 começam a se materializar em vinil…

Supercordas2015

A Terceira Terra, o disco que os Supercordas lançaram no início do ano, pertence a esta já clássica safra de discos brasileiros lançada em 2015 – e como outros discos desta geração, também revela uma mudança considerável em relação aos trabalhos anteriores. A banda deixa o bucolismo e o ar rural dos outros discos para pegar mais pesado e fazer este que é seu disco mais politizado, que finalmente será lançado nesta sexta-feira na Serralheria, com abertura dos Soundscapes (mais informações na página do evento no Facebook). Conversei com o guitarrista e vocalista Pedro Bonifrate sobre o novo trabalho e a nova safra de bandas psicodélicas no Brasil.

O que é a Terceira Terra?
O conceito do disco foi sendo interpretado conforme as canções ganhavam forma no estúdio, e acabamos chegando na ideia de Terceira Terra. É livremente inspirada num aspecto da mitologia guarani, que supõe que Nhanderu teria criado três mundos: o primeiro, habitado pelos deuses, que deu lugar ao segundo, que é esse em que vivemos, onde há geração e corrupção, e o terceiro, que seria a morada sem mal. Associamos essa busca pela terceira Terra à nossa ideia ocidental do que são as utopias.

É o disco mais político de vocês.
Nos tornamos pessoas mais políticas nos últimos anos, e não foi à toa. Habitamos um continente em que os povos nativos continuam sendo exterminados pelas demandas do poder econômico, em que o Estado cada vez mais atua como lacaio desses mesmos poderes, em todas as esferas, minando iniciativas de poder popular, liberdades civis conquistadas a duras penas, destruindo nossos recursos naturais em nome da lucratividade de grandes corporações, tratando estudantes como bandidos. Não se posicionar diante disso, a meu ver, é assinar embaixo. Longe de nós assinar embaixo.

E o que vocês acham sobre este interesse recente pela psicodelia que está acontecendo aqui no Brasil e no exterior? Quais são seus artistas favoritos deste nova cena?
Acho legal, se considerarmos a psicodelia como uma percepção musical que olha pra frente de forma inventiva, que propõe perspectivas musicais diferentes e que tem a transformação como horizonte. Dessa nova onda, gosto muito do My Magical Glowing Lens, de Vitória, e dos Boogarins e do Luziluzia, de Goiânia, que se tornaram grandes amigos e colaboradores dos Supercordas.

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O velho compadre Chico Dub, mais um ex-OEsquema desgarrado no mundo, consolida firmemente o Novas Frequências como um dos principais festivais de música do Brasil – e não apenas de “música avançada”, como sugere seu tênue e subjetivo rótulo. O evento chega à quinta edição nadando contra a corrente – fazer um festival que música não-pop em pleno Rio de Janeiro – e misturando-se cada vez mais à mutante paisagem carioca, que vive uma década riquíssima como toda a música brasileira. E é apenas reflexo do trabalho do próprio Chico, que cada vez mais se firma como uma das sumidades brasileiras neste segmento. Conversei com ele sobre o evento, cuja quinta edição começa esta semana.

Mais uma edição do Novas Frequências: qual a expectativa para essa edição?
Bem alta! Conseguimos driblar a crise e criar uma programação com mais desdobramentos que a do ano passado. Inclusive, o número de artistas aumentou. Passou de 33 para 42. Em relação ao line-up, nomes como Mika Vainio, The Bug, Tyondai Braxton, Dawn of Midi, Phill Niblock e King Midas Sound são presença constante nos melhores festivais de música avançada do mundo.
Ao mesmo tempo, temos praticamente outro festival rolando dentro do Novas este ano. De 1 a 8 de dezembro, ou seja, durante toda a duração do Novas Frequências, vamos ocupar o galpão/atelier do Tunga com uma exposição de fotografias a cargo do Fabio Ghivelder que foram comissionadas para a criação da nossa identidade visual de 2015. Em paralelo, o Tunga estreia uma instalação sonora participativa chamada Delivered in Voices em que ao todo vai receber 14 artistas para uma série de intervenções.

Sei que isso é como pedir para um pai escolher um dos filhos, mas qual ou quais as atrações que você está mais feliz em trazer para essa edição?
É difícil escolher mesmo! Não vou falar dos nomes mais óbvios para poder destacar alguém como Phill Niblock, um artista ícone, incrivelmente importante, mas que pouca gente conhece aqui no Brasil. Lenda da vanguarda nova-iorquina, contemporâneo de toda aquela turma – Young, Glass, Reich, Riley -, amigo do povo do Fluxus, dos happenings… Ele compõe drones microtonais a partir do processamento de instrumentos acústicos. São blocos pesados de som que se movimentam em câmera – muito – lenta e que desafiam a noção de espaço-tempo. É cineasta também e faz filmes experimentais belíssimos como o Brazil 84, que inclusive iremos passar no festival.

Em termos de formato o que mudou no festival? Você se preocupa em inovar inclusive nisso?
Mantivemos a “massa base”, mas incrementamos o forrmato com diversos temperos e especiarias. Quero dizer que, como no ano passado, permanece o formato descentralizado – são ao todo 7 espaços da cidade, cada um recebendo um tipo diferente de programação. Em paralelo, também mantivemos a pegada de mostrar a música e o som no maior número de desdobramentos possíveis. O palco hoje não basta para a gente, sabe? Queremos, sim, o palco – vários!-, mas também o cinema, a galeria, a pista de dança, salas para discussões e oficinas, infra para conseguir realizar residências artísticas e desta forma realizar experiências inéditas e por aí vai. Quanto mais desdobramentos, maior a ampliação das escutas. As novidades portanto dizem respeito a novos espaços dentro do festival e também a novos desdobramentos: hacklab/cinema/exposição/instalação sonora. Pensar no formato é tão importante quanto pensar no line-up! Super importante inovar, inclusive. Experimental na curadoria; experimental no formato. Tem que ser assim. Só pode ser assim.

Nos últimos anos a cena de vanguarda do Rio de Janeiro está cada vez mais forte e produtiva. Como você observa esta cena como conterrâneo e idealizador do NF?
Na verdade, não é que eu observe a cena. Eu atuo nela. Eu vivo dela. Todo o meu trabalho está voltado para a vanguarda, o experimentalismo e as novas tendências. Então se a cena cresce, eu cresço, o Novas Frequências cresce…. Porque tudo faz parte do mesmo ecossistema, entende? As características podem até ser diferentes entre, por exemplo, NF, Quintavant e Wobble, mas tenho certeza que os objetivos são os mesmos. Precisamos aprender a trabalhar em rede.
De qualquer forma, só vamos crescer MESMO, no dia que conseguirmos mais espaço na mídia. Jornais impressos revistas mensais são fundamentais, claro. Mas precisamos criar nossos próprios veículos: mais estações de rádios, mais publicações, mais, mais, mais…

E no resto do Brasil, como anda a produção de música avançada no resto do país?
Muito bem, obrigado! Um reflexo disso está inclusive na programação do Novas Frequências, onde a cada ano cresce a participação de artistas brasileiros. Aliás, nunca tivemos tantos como em 2015: é a primeira vez que o número de brasileiros é superior ao de estrangeiros. Eu criei a série de coletâneas online e gratuitas Hy Brazil em 2013 para dar uma mapeada nessa cena. Já foram lançados 9 volumes – 126 faixas de 126 produtores diferentes – e quando uma publicação do porte da britânica The Wire me pede para compilar um “Especial Brasil” para uma de suas edições mensais – a de novembro de 2015 -, é sinal de que também há interesse internacional naquilo que estamos fazendo.

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Os Chemical Brothers fazem um showzaço e fazem jus à sua reputação de clássico no Sónar São Paulo 2015 – falei sobre o show lá no meu blog no UOL. Filmei todo o show aí embaixo, saca só:

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A ficção científica e a cultura negra parecem dois movimentos paralelos, mas em diversos momentos estas duas vertentes se encontraram gerando algumas das obras mais inspiradoras e malucaças do último século. É possível traçar um inusitado paralelo entre a história da cultura africana e contos futuristas e viagens siderais, visto que o aprisionamento e sequestro de populações inteiras na África para o trabalho escravo no continente americano abre paralelos bem realistas com as abduções extraterrestre e o existencialismo robô. Estas conexões foram celebradas por autores tão diferentes quanto Lee Perry, George Clinton e Sun Ra, que exploram possibilidades narrativas inéditas que, olhadas em perspectivam, ganham o nome de afrofuturismo, vertente temática que explora a fusão entre estes dois universos que já existe há pelo menos vinte anos e que agora ganha uma mostra dedicada ao tema no Brasil, que encerra sua programação neste dia 2 de dezembro. Conversei com a Kênia Freitas, jornalista, professora e pesquisadora de comunicação capixaba que atualmente reside em Brasília e é curadora da Mostra Afrofuturismo, sobre o tema (ela também apontou 10 pontos de partida para quem quiser se enveredar no tema neste post).

Explique o conceito de afrofuturismo e seus desdobramentos na cultura atual.
Afrofuturismo é um movimento estético, político e crítico plural e multifacetado, tendo como ponto em comum uma narrativa especulativa, alternativa e fantástica para as experiências das populações negras – de todo o mundo – no passado, no presente e no futuro. As obras são influenciadas por elementos da ficção especulativa – ou seja, da ficção científica, do hiperrealismo, da fantasia, das diversas mitologias de origem africana.
O Afrofuturismo na cultura atual é fundamental por reivindicar para os negros e negras a narrativa das suas histórias. É um processo que começa pela imaginação de novos futuros, mas que contamina as narrativas do presente e do passado. Pois a partir do momento que é possível assumir a autonomia dos discursos do futuro, é possível travar as lutas do presente – do planejamento e contestação desse futuro. É algo que passa pela arte, pelo lúdico, pela fantasia – o que desloca a luta para outros campos. E, ao mesmo tempo, as questões mais importantes para os afrodescendentes perpassam essas narrativas de forma cortante. Para ficarmos em um exemplo apenas nos filmes dessa mostra: a questão da violência policial e estatal contra os negros é o mote de filmes brasileiros (Branco Sai, Preto Fica e Rapsódia para um Homem Negro), ingleses (Bem-vindo ao Terrordome e Robôs de Brixton) e norte-americanos (Drylongso). Esses filmes vão tratar essa questão a partir de estratégias e tipos de ficção especulativa variados, mas todos estão plenamente dentro de um dos problemas mais vitais para as populações negras dos grandes centros.

Fale sobre a Mostra – como ela começou, de onde veio a ideia, como começou o seu contato com o tema, quem mais está envolvido.
A ideia da mostra surgiu em 2013, quando ouvi falar do termo pela primeira vez. Lembro que estava ouvindo um podcast que fazia uma discussão sobre música eletrônica – mais especificamente, sobre como o techno de Detroit misturava elementos da cidade, como um parque industrial decadente – quase um cenário sci-fi, pós-apocalíptico -, com a criação de uma música que apontava para um futuro distópico ou extra-terreno para a população da metrópole. O programa também falava de como o techno nasce totalmente enraizado na cultura negra, tanto na África, quanto nos EUA e como essa influência ficou esquecida em alguns aspectos da música eletrônica depois.
A partir daí veio uma grande curiosidade sobre o Afrofuturismo. Pesquisando o tema, surgiu a ideia de buscar filmes que falassem dos artistas afrofuturistas ou que tivessem uma construção ancorada nessa estética. Essa ideia de partir de presentes em que os negros encontram-se em condições de pobreza, discriminação e violência estatal para imaginar futuros distópicos, fantásticos e subversivos foi o que me encantou no tema, pois é uma confluência muito potente entre arte e política. E foi a partir dela que pensamos a escolha dos filmes.
O projeto foi construído em parceria com a Thalita Oliveira que é coordenadora geral da Mostra e foi realizada pela Provisório Permanente Produções, com um patrocínio do edital de ocupação da Caixa Cultural. No processo, sobretudo durante a realização, muita gente chegou junto. O debate teve a presença da Egrégora Afrofuturista – que é um coletivo afrofuturista latino-americano- e do Coletivo Sistema Negro, aqui de SP. É muito interessante ver como o tema estava sendo pesquisado e discutido por pessoas e coletivos diversos e como de alguma forma o evento catalisou alguns desses encontros.

Quais os desafios da edição realizada este ano?
Talvez o mais complicado tenho sido apresentar um tema pouco conhecido no Brasil. Embora um grupo muito maior de pessoas do que a gente imaginava conhecessem o tema, o Afrofuturismo ainda é um movimento pouco conhecido no Brasil.
E um outro desafio foi o de juntar os coletivos e pessoas que já estavam pensando no assunto. E nesse aspecto acredito que a realização da mostra e sobretudo do debate no dia 28 de novembro tenho sido muito importante. E o desafio que fica é o de continuar e espalhar o debate.

Como você continua a discussão a partir da Mostra? Há grupos de discussão para interessados?
A princípio vamos manter a página no Facebook e o site ativos. Eles acabaram sendo um ponto inicial de conversa e concentraram as muitas pessoas interessadas no tema. A partir desses espaços – além ou através- outros grupos devem se consolidar. Um outro espaço de discussão do qual continuarei participando é o da Egrégora Afrofuturista. A expectativa é que se realize um encontro aberto a todos e todas no início do ano que vem.

Que outras manifestações de Afrofuturismo são realizadas no Brasil?
Aqui a gente corre sempre o risco de ser um pouco injusto e deixar de citar realizações bacanas, porém pouco conhecidas por serem independentes. De certa forma, negras e negros que estejam produzindo música, literatura, cinema, quadrinhos, artes visuais e plásticas que pensem as suas experiências a partir desse viés da ficção especulativa estão fazendo manifestações afrofuturistas. Acho que um trabalho daqui para frente é tentar mapear e juntar essas manifestações em encontros, exposições, livros, etc. Espero que surjam vários eventos e projetos nesses sentido.

Quando será o próximo evento?
Ainda não temos previsão, mas esperamos que a Mostra de filmes possa ser realizada em outras cidades além de São Paulo. Para o ano que vem, estamos vendo a viabilidade de levar os filmes para o Rio de Janeiro, Vitória e Salvador.

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Pedi para que a Kênia Freitas, curadora da Mostra Afrofuturismo (que entrevistei aqui), que termina neste dia 2 de dezembro em São Paulo, para apontar 10 autores e obras que possam ajudar a quem quiser se aprofundar neste conceito scifi. A lista que ela mandou foi a seguinte:

Sun Ra
É um compositor, líder de banda, pianista, performático, poeta, filósofo. Nos anos 1940, ele adota esse nome – que tem uma inspiração na mitologia egípcia – e sua persona de enviado de Saturno para o planeta Terra para tentar salvar a humanidade – ou que fosse possível dela – pela música. Além de musicalmente genial a frente de sua “arkestra” intergaláctica, Sun Ra é um afrofuturista que nunca abandona a sua fabulação e passa a criar uma filosofia cosmológica bastante complexa – chegando a ministrar um curso em Berkeley em 1971, sobre essa visão cosmológica e musical da vida. Além da imensa discografia, recomendo muito dois filmes sobre ele. O primeiro é o Space is the Place, no qual Ra chega a co-assinar o roteiro. O filme é uma mistura de filme militante, blaxploitation, viagem cosmológica e muitas performances de Sun Ra e da sua “arkestra”. O segundo é o documentário Sun Ra: Joyful Noise, que vai partir de entrevistas com Ra e os membros da banda e do registro de várias performances ao vivo.

George Clinton
Ainda nos EUA, mas em uma vertente musical bastante diversa tem o George Clinton. Ele vai ser o líder entre os anos 1970 e início dos 1980 do Parliament e Funkadelic. Talvez o ápice da inspiração afrofuturista de Clinton esteja no sensacional Mothership Connection, do Parliament. Da capa do disco – aquela nave espacial com um afronauta praticamente pulando para fora -, passando pelas roupas e performances nos shows e até as letras das músicas, é um funk inovador e espacial. A ideia é totalmente afrofuturista: colocar os negros norte-americanos em locais em que a sociedade não esperaria que eles estivessem. E em 1975, o espaço era um desses lugares!

Lee Scratch Perry
Ainda como precursor do Afrofuturismo, a obra e a persona do jamaicano Lee Scratch Perry são essenciais. Oficialmente é possível que Perry nunca tenha alegado vir do espaço, mas a criação afrofuturista está impregnada no trabalho dele. Da criação da “black ark”, o estúdio e casa onde ele produziu e criou vários reggaes e dubs essenciais, a forma de se vestir e a perfomance que ele adquire ao longo dos anos. Perry também sempre cita elementos de criação das mitologias africanas (sobretudo da Etiópia) na sua filosofia, discurso e arte.

Janelle Monae
Ainda na música, mas agora entrando no contemporâneo, a obra da Janelle Monae é fundamental para quem quiser entender o Afrofuturismo atual. A artista pop tem um alter-ego androide chamada “Cindi Mayweather”. Na obra de Monae falar como uma figura ciborgue é falar como um “outro”, como um ser estranho e não totalmente aceito. As criações da cantora misturam assim as temáticas das minorias discriminadas, não aceitas, marginais à uma visão futurística tecnológica, na qual os seres humanos estarão destinados a conviver com esses seres robóticos -e mais uma vez lidar com os seus preconceitos e falta de alteridade com o diferente.

Octavia Butler e Samuel R. Delany
A Butler e o Delany são dois escritores negros de ficção científica norte-americanos. Ambos tem obras conceituadas e fundamentais nesse gênero e nenhum dos dois está traduzido no Brasil, apesar da relevância da obra de ambos. Para os que podem se arriscar nas leituras em inglês, recomendamos da Octavia Butler o livro Kindred (1979), que narra a história de uma mulher negra da atualidade que precisa viajar para o sul dos EUA no passado e salvar a vida de um ancestral branco detentor de escravos – e assim salvar a própria vida. Do Samuel R. Delany, o desafio é ler a novela pós-apocalíptica Dhalgren.

Afrofuturism: The World of Black Sci-Fi and Fantasy Culture – Ytasha Womack
Agora uma sugestão mais acadêmica-ensaísta é o livro da Ytasha Womack sobre Afrofuturismo. A autora apresenta o conceito e vários artistas afrofuturistas – do passado e do presente -, sempre partindo da sua própria experiência. O livro ainda não foi publicado no Brasil, mas a autora cedeu o primeiro capítulo da obra para ser traduzido e publicado no catálogo da mostra. As edições impressas foram distribuídas gratuitamente para o público presente e é possível ler o texto também na versão digital (PDF).

Kodwo Eshun
O trabalho do professor da Universidade Goldsmiths em Londres Kodwo Eshun vale ser acompanhado de perto por quem estiver interessado em uma pesquisa mais acadêmica do tema. As pesquisas de Eshun tratam sobre cibercultura, ficção científica e música, relacionando esses temas a diáspora africana – em suma, tudo o que compõe a ideia de Afrofuturismo. Eshun também trabalha como criador visual junto com o coletivo The Otolith Group. O artigo do autor “Mais considerações sobre o Afrofuturismo” também foi cedido para o catálogo.

Afronautas – Frances Bodomo
Agora vamos falar de alguns filmes. Esse curta da cineasta norte-americana Frances Bodomo é um dos destaques dentro dessa leva contemporânea de produção afrofuturista. Ele narra de forma poética um fato pitoresco e histórico, que foi a tentativa de construção de um programa espacial no Zâmbia no final do anos 1960. É o sonho da conquista do espaço para quem a Terra já não é mais uma alternativa.

Pumzi – Wanuri Kahiu
É um curta feito por uma cineasta do Quênia. A narrativa se passa em um mundo pós-apocalíptico em que a escassez de água extinguiu a vida acima do solo. O curta segue a busca de uma cientista na investigação sobre a possibilidade de germinação de sementes para além dos limites da cultura repressiva de Nairobi subterrâneo. Mantém a características de muitas narrativas de ficção científica de crítica do poder instituído e das tentativas de vencê-lo pela colaboração entre as pessoas marginalizadas e sacrifício da heroína em prol de um sonho.

Born in Flames
O longa da diretora norte-americana Lizzie Borden talvez seja um dos mais inspiradores e atuais (apesar de já ter os seus mais dos que 30 anos). Ele parte de um futuro pós-revolução socialista nos EUA, em que se houveram transformações econômicas, as desigualdades de gênero e raciais continuam evidentes e ignoradas pelo governo revolucionário instituído. Um exército de mulheres (sobretudo de mulheres negras e lésbicas) vai se organizar (através de pequenos grupos em rede) para orquestrar uma radicalização da revolução, em busca de igualdade.

Com o Nexo

Minha primeira colaboração com o novo jornal Nexo é um perfil sobre a importância do Instituto, que com o lançamento de seu segundo disco Violar oficializa a saída de Daniel “Ganjaman” Takara e transforma o coletivo na dupla original Rica Amabis e Tejo Damasceno.

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Dá pra ler o texto na íntegra lá no Nexo – e aproveita pra fuçar este promissor novo jornal, que tem um monte de gente boa no expediente, dá uma sacada nos créditos da matéria.

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Eis mais uma novidade dos 20 anos deste site: o Noitão Trabalho Sujo! Sim, fechei uma parceria com o pessoal do Cine Belas Artes e no dia 11 de dezembro, uma sexta-feira, realizo a primeira incursão Trabalho Sujo relacionada a salas de cinema. São três salas com a minha curadoria começando um pouco antes da meia-noite até o dia raiar -e com direito a café da manhã e outras novidades, que anuncio até lá. Numa delas, a Sala Cândido Portinari, exibimos toda a trilogia De Volta para o Futuro, de Robert Zemeckis, que completa trinta anos em 2015 e a Darkside Books, para quem traduzi o livro De Volta para o Futuro – Os Bastidores da Trilogia vai oferecer alguns exemplares para serem sorteados entre o público. Na Sala Villa Lobos temos uma sessão dedicada aos Beatles cujo conteúdo é surpresa (hehe) mas vai até as primeiras luzes do dia. E na Sala Carmen Miranda uma sessão tripla de anime scifi, que começa com o clássico Akira, de Katsuhiro Otomo, passa pelo não menos clássico Ghost in the Shell de Mamoru Oshi e conclui com o Metropolis de Osamu Tezuka que Otomo adaptou para o cinema em 2002.

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Os Chemical Brothers se apresentam mais uma vez em São Paulo, desta vez já com o status de clássico – escrevi sobre a importância deles pro UOL Entretenimento.

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Antes do ano acabar M.I.A. dá o seu recado falando de um dos grandes temas de 2015, os imigrantes ilegais, na faixa “Borders”, cujo clipe foi dirigido por ela.