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Loki

GhettoBrother

Saiu mais uma tradução que fiz com a minha mulher Mariana, a HQ Ghetto Brother, que fala sobre a guerra de gangues em Nova York e como ela deu origem ao hip hop – falei dela lá no blog no UOL.

marechal

Um dos mais sagazes MCs do rap brasileiro, o carioca Marechal vem adiando seu primeiro disco solo desde os tempos em que ainda fazia parte do mítico Quinto Andar, mas aproveitou o primeiro de abril para mostrar a primeira música deste disco. A faixa “Primeiro de Abril” é genialmente apresentada como um clipe de power point tosco, cheio de memes e piadas de internet, mas flui num jazz com refrão soul e é naturalmente autorreferente, mencionando a espera pelo primeiro disco, o trabalho social que desenvolveu nos últimos, além de saudar parte da cena que o viu crescer (leia a letra abaixo).

Os batidão de Jazz
Estilão quinto andar
Quinze anos depois, ó
Onde eu vim me encontrar
Não sou cantor, não
Mas sou de “vim tentar”
Deixa a tinta andar um tantin no tom
Até ter o dom de te encantar, tá?
Primeiro de Abril, dia da mentira agora acabou
Virou do “puta que pariu, tu viu Marecha fez som, gravou e lançou, carai”
Voltou, os rap que inspira, primo, agradece
Pô, vagabundo cansou de ter que parar pra ouvir esses trap de quem nunca trepou, falou
Estúdio próprio, 4 e pouco
Tô canetando até agora e tenho conteúdo pra mais cinco disco pronto
Se eu quiser conteúdo pra mais cinco, pisco, pronto
Enquanto uns quebram a cabeça pra rimar
Eu com esses riscos, monto
Foda-se o número de views
Antigamente nós contava relevância pelo número de Gabriel, D2 e Bills
Speeds e Gustavo Black
Hoje agradece BK, Síntese e Sant
Cês são o futuro, porra
(Fala pra eles que é o RAP!)
E que só existe um tipo de MC
O “foda-se o ego e vamos nos unir”
Dinheiro não tem nada a ver com vencer
Cuidado com isso aí que se não cês faz o plano do FMI
Vão sofrer com o que o banco mundial reserva pra te foder
Uns acreditam em si, outros acreditam em se
E acredito em um só, mas só se você acreditar em você, menor
Se tu se limitar e acreditar no vi pra ver, é capaz da sua imaginação não conseguir deixar isso acontecer

Vou partir
Quando amanhecer
Vou puxar meu bonde daqui
Meu lugar
Venho agradecer
Música não deixa eu mentir

Não pense como eu penso
Ou aja como eu ajo
Apenas reaja ao senso
Seja capaz de sentir
Cuidado legal com novos amigos é no, no, no, no, no
A chapa tá igual chamou, quen te
Não tente me entender
Quero entender o que quer me tentar
O último que tentou nem tá
Não vou mentir
Faço isso pelos meus filhos
Se vierem me matar
Que a mina que eu confio
Possa entregar pra eles
Tipo ó: “papai deixou isso aí”
País feliz onde o povo pouco lê
E busca mais mostrar nas rede como vive que viver
Não consegue aprender que as rede são pra prender
Tudo é facebook e os livro na cara, cadê? Tu não vê
Igual o logo do carrefour que a parte branca é um “C”, pode crer
“Mas peraê, mané, cê diz o povo pouco lê e as lei do segredo vendeu milhões”
Eu sei, e a primeira vez que eu vi isso vender
Pensei, eles deviam editar livros é sobre os segredos da lei
Continuamo sem entender o sistema
E vivemo essa confusão
Ao invés de ações sociais, se discute tamanho de cordão
(?) de evolução, tudo é foda, foda, foda, fodão
Quer ser o melhor, vai pesquisar
Já falei isso em outro som
“(Haha) Pesquisar a onde, rapa? Cê nem tem CD”
Haha, meu disco é piada antes de sair, valeu
Ditado diz quem ri por último..
Depois de sair não reclama se o que virar piada é o seu

Vou partir
Quando amanhecer
Vou puxar meu bonde daqui
Meu lugar
Venho agradecer
Música não deixa eu mentir

Um dia Vamos Voltar A Realidade (cuja abreviatura em hashtag #VVAR também batiza seu projeto de educação, mostrado no clipe) sai, mas por enquanto só temos este primeiro de abril às avessas.

Mild-High-Club

Mais uma bola dentro da gravadora indie paulistana Balaclava: desta eles anunciam, em primeira mão para o Trabalho Sujo, a vinda do grupo psicodélico californiano Mild High Club para o Brasil. Hoje mesmo está sendo lançado, em versão digital, o ótimo Timeline (tanto no Spotify quanto no Deezer e via iTunes), que o grupo liderado por Alex Brettin lançou no ano passado, e a banda vem em turnê para a América do Sul, com passagens pela Argentina e pelo Chile, no final do segundo semestre, com datas a definir em novembro. O Mild High Club pertence àquela safra de bandas indies psicodélicas que seguem a tradição solar do hippiesmo da costa oeste dos EUA, que desliza em câmera lenta em ondas de eletricidade estática, entre a surf music e os momentos mais claros da carreira de George Harrison. Seguem alguns vídeos do grupo ao vivo, pra quem não conhece:

Um Trenzinho Carreta Furacão como você nunca viu…

Vi na página Ian Curtis da Depressão.

lindstrøm

O maestro norueguês da space disco Lindstrøm reaparece no horizonte ao anunciar mais um EP para julho deste ano – e a faixa “Closing Shot” mostra que ele não está pra brincadeira.

duascidades

Que pedrada! Esse Duas Cidades do Baiasystem tem cumbia, ghetto tech, dancehall e samba-reggae, tudo no talo, tudo misturado, guitarras em fúria, vocais endiabrados, letras políticas e beat pesadaço pra não deixar ninguém parado. Eles lançaram esta semana primeiro no Deezer, saca só aí embaixo, e semana que vem chega em todas as plataformas de streaming. Minhas favoritas são a latina “Cigano” (com Siba na rabeca), a enfurecida “Calamatraca”, a hipnótica “Panela” e o reggão “BarraAvenida”.

2016 tá foda demais!

Um verão juntos

mombojo-laetitia

A parceria entre a ex-vocalista do Stereolab Laetitia Sadier e a banda pernambucana Mombojó começa a render os primeiros frutos, que é o caso do clipe da faixa que batiza o EP que compuseram e gravaram juntos no verão passado no Recife, “Summer Long”.

A volta do Cassius

cassius-2016

Sem dar notícias por uma década, a dupla francesa Cassius, contemporânea do Daft Punk, volta a dar as caras pela primeira vez desde seu disco de 2006, 15 Again. E para garantir a força da chegada, Philippe Cerboneschi e Hubert Blanc-Francard (mais conhecidos por Philippe Zdar e Boom Bass), chamaram o eterno beastie boy Mike D e a musa indie Cat Power como colaboradores da volta. O resultado é a irresistível “Action”, que puxa a veia disco music típica da geração french touch mas com toques de percussão que dão um calor tropical específico para a faixa. Só não tente entender esse clipe polinésio-psicodélico-oitentista:

alunageorge-im-in-control

Quase passou batido esse up house que o produtor belga Stephen Fasano, o Magician, deu na deliciosa “I’m in Control” que o AlunaGeorge lançou no começo do ano (com vocais do mesmo Popcaan que Jamie Xx revelou em sua deliciosa “Good Times”).

Vem disco novo por aí?

Lá vem outro grande disco brasileiro de 2016 surgindo no horizonte – é o segundo disco do BaianaSystem, que anunciou capa e título esta semana. O disco chama-se Duas Cidades e a capa é esta:

baianasystem-duascidades

A letra da faixa que batiza o disco, que reproduzo abaixo, dá o tom político pesado de todo o álbum, que finalmente tem data de lançamento – ele chega ao Deezer no dia 29 de março, aniversário de Salvador, e às outras plataformas a partir do dia 8 de abril.

“Todo dia acorda cedo pro trabalho
Bota seu cordão de alho
E segue firme pra batalha
Olho por olho
Dente por dente
Espalha
Lei da Babilônia é diferente

Quem vigia compra trevo escapulario
Bota seu cordão de alho
E segue firme pra batalha
Olho por olho
Dente por dente
Espalha
A lei da Babilônia é diferente

Já na descida e não sabe descer dançando
Sabe subir na vida e não sabe subir sambando
E quando sai da cidade
Saudade sai bagunçando
E quando chega a saudade
A saudade sai bagunçando

Dividir Salvador
Dividir Salvador
Diz em que cidade você se encaixa
Cidade Alta
Cidade Baixa
Diz em que cidade você
Oh oh oh Bagdá…”

Russo Passapusso rimou o refrão da faixa-título na participação que ele fez no show de BNegão e dos Seletores de Frequência no Sesc Pompéia no mês passado (quando cantou sobre a base de “Dorobô”, que Bernardo gravou originalmente com Sabotage) – e eu filmei: