
Mais um Inferninho Trabalho Sujo quente nesta quinta-feira no Fervo, quando reuni as bandas Nigéria Futebol Clube e Schlop, ambas reincidentes nestes dois anos de festa, para uma noite barulhenta na casa da Água Branca. Quem abriu a noite foi o Nigéria Futebol Clube, cujo show começou com o baterista Raphael “PH” Conceição puxando o público para dentro da casa com sua caixa enquanto o guitarrista Rodrigs e o baixista Eduardo preparando o terreno sonoro com ruídos e marcações de groove que lentamente se transformariam em um set extenso e contínuo, com o grupo misturando improvisos e momentos pré-definidos entre linhas de baixo pós-punk, guitarra ruidosa, bateria pesada e canções-manifesto, cantadas em sua maioria por PH. Um show completamente diferente do que havia feito com eles no Redoma no início desse semestre, mas igualmente elétrico.
Depois foi a vez da Schlop encerrar a noite em uma formação improvisada pois o novo baixista não pode comparecer, restando à guitarrista Lúcia Esteve assumir o instrumento, deixando a vocalista Isabella Fontes como única guitarrista de seu grupo, que ainda conta com Antonio Valoto na bateria e teve a participação especial do saxofonista Rômulo França, que solou durante a já clássica versão que o grupo fez para a balada do LCD Soundsystem sobre Nova York, que em português virou “São Paulo Eu Te Amo, Mas Tá Foda Demais”. Fora alguns deslizes no percurso – como a famigerada corda da guitarra estourando no meio do show -, o Schlop versão trio ainda pode apresentar músicas inéditas, que apontam o rumo do próximo álbum, que começa a se materializar, lentamente.
#inferninhotrabalhosujo #schlop #nigeriafutebolclube #fervo #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2025shows 230 e 231

Na próxima quinta-feira, dia 23, teremos mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo na @ocupacao.fervo, que fica pertinho do Sesc Pompeia. Nessa noite reunimos duas bandas reincidentes na festa, a Schlop e o Nigéria Futebol Clube, num evento que começa às 18h e vai até pouco depois da meia-noite — e como é no Fervo (que fica na R. Carijós, 248), a entrada é gratuita. Vamos nessa?

Nos dias 11 e 12 de dezembro, o Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, recebe dois encontros memoráveis. O projeto Noites no Memorial recebe, na sexta-feira, dia 11, o paraibano Chico César acompanhado da orquestra de percussão baiana Aguidavi do Jêje, que acaba de passar por São Paulo dentro da programação do Sesc Jazz. No dia seguinte, num sábado, é a vez de dois cariocas recém apresentados – Ana Frango Elétrico e Marcos Valle – encontrarem-se pela primeira vez no palco. Os dois shows terão abertura do cantor e compositor Joaquim. Os ingressos já estão à venda.

Uma viagem sem sair do lugar. Em uma hora cravada de som, Luciano Valério – apresentando-se como MNTH -, Juçara Marçal e Douglas Leal – com o codinome Yantra – levaram o público do Centro da Terra nesta segunda-feira a uma outra dimensão de sensibilidade, trazendo diferentes sentimentos e sensações sem precisar movimentar centímetros no palco. Cada um em seu canto, Juçara com sua voz transcendental e seus apetrechos de luxo, Valério com o synth em camadas de texturas e Douglas trocando flautas e batendo percussão criaram uma longa faixa de hipnose coletiva coberta pelas luzes bruxuleantes que Mau Schramm criava sobre os três, trabalhando tonalidades e sombras enquanto esculpia seu lazer pela lateral do palco a partir da fumaça que lentamente tomava a apresentação, mais uma noite incrível proporcionada pela maturidade do selo Desmonta, que está ocupando as segundas de outubro no teatro. Foi de arrepiar.
#desmontanocentrodaterra #desmonta18 #desmonta #mnth #yantra #jucarmarcal #mauschramm #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 228

E no domingo ainda deu pra pegar a parte final do show da Luedji Luna no Sesc Pompeia, também dentro da programação do Sesc Jazz ,que estava acontecendo na antiga Choperia da unidade. Não pude ver o encontro dela com a maravilhosa Alaíde Costa, que subiu para dividir algumas canções com ela no palco, mas deu gosto ver Luedji liderando uma banda da pesada, com naipe de metais e vocais de apoio dentro da programação de um dos melhores festivais de jazz do Brasil (ainda mais à luz dos discos que ela lançou esse ano, dando passos para além do neo-soul em que habitava). E ainda citando D’Angelo no finzinho… Foi demais.
#luedjiluna #sescjazz #sescpompeia #trabalhosujo2025shows 227

Sábado tive o prazer de assistir a mais uma apresentação da turnê Tempo Rei de Gilberto Gil e, mesmo com o clima frio e uma chuvinha chata insistindo em cair (que felizmente só transformou-se em tempestade já de madrugada), o orixá ancestral da nossa música não deixou o pique cair em momento algum. Ele está mais disposto e mais desenvolto do que nos shows que vi no primeiro semestre e, embora mantendo exatamente o mesmo setlist, o roteiro do show e os arranjos das músicas, ele conseguia evoluí-las dentro de seu gingado, do toque de seu violão e de seu canto, a pura serenidade encarnada num velho baiano festeiro contagiou o público que lotou pela segunda noite no fim de semana o estádio do Palmeiras. E se na noite anterior, ele já havia surpreendido ao trazer Seu Jorge para São Paulo, ninguém podia imaginar que ele chamaria o próprio Roberto Carlos para sua festa de despedida dos grandes shows e o público boquiaberto pode acompanhar a inusitada dupla de astros dividindo “A Paz” pela segunda vez no repertório da turnê (a primeira veio quando chamou Marisa Monte pro show do Rio no início da excursão) e o acompanhou em sua “Além do Horizonte”, que Roberto, cheio dos toques, preferiu cantar sem usar termos negativos, invertendo o polo da letra quase como uma mania pessoal (mas sem deixar que isso estragasse o sábado histórico). Tempo Rei mesmo! Um encontro majestático que deixa interrogações sobre a presença de medalhões da nossa música que ainda não estiveram neste palco, como Maria Bethania, Miton Nascimento e, esse é óbvio e tem que acontecer, Jorge Ben. Ou falta mais alguém?
#gilbertogil #robertocarlos #gilbertogiltemporeai #trabalhosujo2025shows 225

Felizmente o baú de Neil Young não tem fundo e ele acaba de anunciar a edição que comemora o 50º aniversário de um de seus discos mais importantes, Tonight’s the Night. A edição, limitada (cuja pré-venda só acontecerá pelo site do bardo canadense), sairá no dia 28 de novembro e traz seis faixas inéditas registradas durante as gravações do disco de 1975, entre elas uma versão de “Raised on Robbery” com a participação de Joni Mitchell. Mas para anunciar a nova versão (que traz uma nova capa multicolorida, usando a foto preto e branco do disco original), ele pinça a primeira versão de “Lookout Joe”, de 1973, que na nova edição substituirá a versão que conhecemos. Ouça-a na íntegra abaixo: Continue

A cantora espanhola responsável pelo torpedo musical Motomami aos poucos prepara sua volta ao disco, espalhando pistas pela internet e pela vida real. Desligou sua conta no Twitter, mas antes disso twittou “Lux = Love”. Depois trocou sua foto de perfil no Instagram para uma imagem que mostra um feixe de luz e abriu um formulário em seu site rosalia.com, que também traz um novo logo – além de ter aparecido um vídeo, sem som, que mostra a espanhola no estúdio. Ao mesmo tempo, foram avistados em duas cidades diferentes (Nova York nos EUA e Callao no Peru, por enquanto), cartazes que muitos especulam ser a capa do disco, que ainda traz uma partitura musical que ela publicou em sua mailing list via Substack (e que seus fãs já estão tocando-a em vídeos online). Aparentemente o disco chama-se Lux e será lançado em novembro.
Veja abaixo: Continue

Kevin Parker lançou o quinto disco de seu Tame Impala nessa sexta-feira e… Deadbeat ainda não desceu. Tem boas ideias de músicas, bem como é boa a ideia de revisitar o final dos anos 80 e o início dos anos 90 em busca de referências de música eletrônica e pista de dança para embalar suas canções psicodélicas, mas bastam algumas audições para o disco soar apenas monótono. E parece que o próprio Kevin sabe disso, tanto que lançou o novo álbum no mesmo dia em que o Tiny Desk o trouxe para mostrar as novas músicas no já tradicional cenário do programa da rádio norte-americana NPR. Ao abandonar a linguagem eletrônica e abraçar inúmeros instrumentos de corda – todos parentes do violão – para mostrar acusticamente um disco sintético ele parece ao mesmo tempo indeciso (e desconfortável com as novas músicas) ao mesmo tempo em que parece querer mudar o jogo nas versões ao vivo dessas músicas. Uma pena, mas parece que o disco nasceu pra ser esquecido…
Assista abaixo: Continue

Criado antes da pandemia a partir da aproximação de dois monstros sagrados da música – o produtor norte-americano pai do techno de Detroit Jeff Mills e o baterista nigeriano que inventou o afrobeat Tony Allen – o projeto Tomorrow Comes the Harvest veio ao Brasil pela primeira vez esta semana, quando recebeu o público em duas noites lotadas na Casa Natura Musical. Criado a partir do trato entre os dois mestres de não combinar nada antes de subir no palco, improvisando tudo na hora, o duo cresceu com a incorporação do tecladista francês Jean-Phi Dary, mas quase virou história quando Allen faleceu em 2020. Felizmente, os dois remanescentes do grupo não desistiram da ideia e chamaram o percussionista indiano Prabhu Edouard para juntar-se ao grupo e cada nova apresentação abre universos distintos de música para além de composições pré-definidas. A regra aqui é uma só: crescendos intermináveis que hipnotizam o público em ciclos repetitivos que abrem espaço para improvisos musicais dos três protagonistas: Mills pilotando uma mesa de som e uma bateria eletrônica ao mesmo tempo em que toca pratos, atabaque e um pandeiro, Edouard esmerilhando nas tablas ao mesmo tempo em que joga efeitos eletrônicos sobre elas e Dary dividido entre um piano de cauda, teclados elétricos e sintetizadores de todos os tamanhos, criando longos transes sinuosos, em que jazz mistura-se com música indiana, muita percussão e beats de música eletrônica, tudo temperado enquanto vai sendo cozido, num deleite sonoro que poderia estender-se por horas. Inacreditável.
#tomorrowcomestheharvest #jeffmills #jeanphidary #prabhuedouard #casanaturamusical #trabalhosujo2025shows 223