Cenas com a edição crua das cenas de Mad Max: Fury Road, sem efeitos especiais, estão à altura dos primeiros filmes da série – postei o vídeo com um resumo delas lá no meu blog no UOL.
Entre os extras que virão na caixa que reunirá todos os quatro filmes de Mad Max está essa magnífica sequência de cenas extraídas do quarto filme da série, o eletrizante Mad Max: Fury Road, que o revelam sem os efeitos especiais digitais acrescentados na pós-produção. Mas ao contário do que poderia se supor (como, por exemplo, aconteceu com o primeiro filme solo do mutante Wolverine, que vazou antes de ser lançado justamente sem os efeitos de computação gráfica e revelou-se ridículo), o filme que o mestre George Miller lançou no ano passado mostra todo o DNA dos filmes originais da série, filmados na raça e no começo dos anos 80, quando os efeitos digitais ainda engatinhavam. Olha só:
O motivo é simples: Miller optou por basear grande parte das cenas de ação de seu filme com efeitos práticos e a computação gráfica entrou mais como uma arte final sobre cenas que realmente foram filmadas – e não desenhadas na tela de um computador de uma equipe de designers. Agora resta saber se a caixa com os quatro Mad Max em Blu-ray, que ainda não tem previsão de quando será lançada, trará a versão do diretor do filme de 2015, que queria filmar Mad Max como um filme em preto e branco e quase sem diálogos.
“No ano retrasado fui assistir a um show do Júpiter em São Paulo e, depois do show, ficamos conversando e eu sugeri a ele que fizesse um livro, exatamente por conta da qualidade das letras das músicas dele, que eu acho extremamente originais, criativas e escrachadas”, me conta o músico gaúcho Juli Manzi, conterrâneo do mito psicodélico brasileiro, que acaba de lançar, como ele mesmo diz, uma “autobiografia fictícia” de Júpiter Maçã chamada A Odisseia: Memórias e Devaneios de Jupiter Apple, que já está à venda pela Azougue Editorial (dá para comprar no site da editora por aqui).
“Ele me respondeu dizendo que sempre quis escrever um livro contando a história da vida dele, e que estava procurando um ghost writer para fazê-lo”, continua o autor do livro. “Me deu um longo abraço e disse ‘senti uma energia boa nos meus chakras’, assim começou a nossa parceria. Poucas semanas depois, começamos a trabalhar. Quando ele iniciou a contar sua história dizendo que o Mick Jagger e o Keith Richards estiveram na sua maternidade, eu logo entendi qual era a pegada do livro.”
Júpiter, que morreu no final do ano passado, foi um personagem crucial na consolidação tanto da psicodelia brasileira quanto do rock gaúcho na virada do século passado para o atual e era conhecido tanto por um indefectível senso melódico, por sua maestria multiinstrumental, pelo humor boca suja e por uma noção épica de sua própria importância, principal característica do livro, costurado a partir de papos entre biógrafo e biografado que somam mais de 30 horas de conversa. “É um material fabuloso, que subsidiou o livro”, explica.
“Chamamos o livro de uma autobiografia ficcional porque toma os episódios da vida dele como pontos de partida para novos saltos criativos, recheados de muito bom humor e inventividade, que eram marcas registradas do Júpiter”, resume Manzi, que convidou o músico e discípulo de Júpiter Tatá Aeroplano para escrever a apresentação do livro, reproduzida com exclusividade aqui no Trabalho Sujo, leia abaixo:
Impossível me esquecer do dia em que comprei meu exemplar do clássico A Sétima Efervescência na Baratos Afins… Voltei pra casa a pé como de costume… Pré-Internet… Eu não tinha a mínima ideia do que ia encontrar pela frente… Coloquei o disco pra rolar… “Um Lugar do Caralho”… E meu roommate apareceu na sala dizendo: “– QUE PORRA É ESSA!?”, com uma das melhores caras que eu vi ele fazer em toda minha vida. Disse ao “Paul”: “– Isso é JÚPITER MAÇÔ.
A Sétima foi um dos alumbramentos mais lindos e psicodélicos que eu tive… E na sequência veio o Plastic Soda, outra pedrada do man… Acabamos amigos, fizemos o média-metragem Apartment Jazz… E fizemos algumas festas que duraram alguns dias… O meu amigo “Paul”, apelidado carinhosamente pelo Júpiter, chegou a achar que a gente andava transando alguma droga muito poderosa pra ficar tantos dias ligados no 220v ouvindo som na sala… Era só música o tempo inteiro saindo de uma caixa mono, papos transcendentais, café e alguns drinks… A gente escutava os discos dos Beatles e Stones sempre duas vezes… Por conta do som sair em mono… A gente mudava o cabo e fazia outra audição.
O Flavio Basso tinha esse magnetismo incrível… Era de outro tempo… Outra existência. A gente conversava sobre tudo… Eram madrugadas de alta filosofia… Ele abrigava um universo maravilhoso dentro daquela cachola.
Em A Odisseia estão registradas histórias loucas que o man viveu e imaginou, algumas ele me contou enquanto tomávamos o power coffe da três da matina… Outras fiquei sabendo lendo esse delicioso livro…
Tá tudo aqui. Sua ironia fina, sua gargalhada esparramada. Saudades, man
Num post no Facebook, o produtor e músico Chet Faker anunciou que a partir de agora assumirá seu nome de batismo, Nick Murphy, em suas próximas incursões musicais – e já lançou a primeira delas, chamada “Fear Less”.
Financiado através de crowdfunding, o documentário David Lynch: The Art Life estreou no início do mês no festival de Veneza e é resultado de uma série de entrevistas do diretor Jon Nguyen com o mestre do cinema surreal que busca descobrir a criação de seu personalidade artística a partir de sua infância e adolescência, mostrando como este período se reflete em todos seus filmes.
Tomara que Akira só tenha acertado a data e o local dos próximos jogos olímpicos, afinal você lembra o que acontecia. Não lembra? Falei disso no meu blog no UOL.
Agora que os festejos olímpicos se passaram, fãs dos jogos miram suas expectativas para a próxima edição da competição, que acontece em Tóquio, no Japão, daqui a quatro anos. Acontece que as Olimpíadas de 2020 já haviam sido anunciadas que iriam acontecer na capital japonesa desde os anos 80, pelo menos na ficção. É que o clássico anime cyberpunk Akira, lançado em 1988, passava-se um ano antes destes jogos, em 2019. Ao contrário do que o que previsto, no entanto, seria a trigésima edição dos jogos olímpicos, diferente da vida real, quando a cidade sediará os 32ª edição dos jogos.
No desenho, no entanto, Tóquio como conhecemos foi destruída ainda no século 20 devido a um estranho incidente psíquico e a nova cidade – chamada de Neo-Tóquio – esperava ter nas olimpíadas seu grande momento após a catástrofe. Acontece que o próprio estádio olímpico torna-se palco de outro momento em que a cidade torna-se assunto global – mas não por causa da competição…
Se você não assistiu ainda à Akira, faça-se esse favor: é um filme que fica cada vez mais atual, mesmo lidando com temas distantes da nossa realidade… por enquanto.
O trio paulistano O Terno lança oficialmente seu novo disco Melhor do que Parece neste fim de semana, em dois shows no Auditório Ibirapuera (mais informações aqui), e Tim Bernardes (guitarra e voz), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile (bateria) se reuniram para dissecar o disco faixa a faixa para o Trabalho Sujo. Falaram muito de estrutura musical e deixaram de falar sobre o clima de fossa que atravessa todo o disco, mas deixa esse papo pra uma outra conversa…
“Culpa”
Ouça “Culpa”
“O Nó”
Ouça “O Nó”
“Não Espero Mais”
Ouça “Não Espero Mais”
“Depois que a Dor Passar”
Ouça “Depois que a Dor Passar”
“Lua Cheia”
Ouça “Lua Cheia”
“O Orgulho e o Perdão”
Ouça “O Orgulho e o Perdão”
“Volta”
Ouça “Volta”
“Minas Gerais”
Ouça “Minas Gerais”
“Deixa Fugir”
Ouça “Deixa Fugir”
“Vamos Assumir”
Ouça “Vamos Assumir”
“A História Mais Velha do Mundo”
Ouça “A História Mais Velha do Mundo”
“Melhor do que Parece”
Ouça “Melhor do que Parece”
O Robert Plant dos anos 90 está de volta. Zack de La Rocha, vocalista do Led Zeppelin da minha geração (o Rage Against the Machine), lança um single solo com produção de ninguém menos que El-P (que agora é mais conhecido pelo Run the Jewels, mas que o povo da minha época conhece do Company Flow e da gravadora Def Jux) que antecipa um trabalho novo que vem por aí…
A letra de “Digging for Windows” vem logo abaixo:
fuck that bright shit
the spot or the flashlights
we in la ducking both
in the shadows with lead pipes
the days are all night
see if i pay edison
no medicine
these blues ain’t more better when
my fever rise in the jungle
as quick as the price spikes
the days are all night
my future snapped like a rubber band
off my fold on a hand to hand
he drew from his waist
i put two in his roof
and i can still hear his screams
all night
now they ride their portfolios
like rodeos
rise every time my cherry glows
on the end of my cig as
the smoke blows through the bars
and the co’s laugh fades
as he strolls away
says i gotta pay
off that roll away
or its fuck your visitation days
and i pop off so in solitaire
i dream of offing these fred astaires
and the skin off my fingers tear
we digging for windows here
where the days are all night
this city’s a trap my partner
under the lights of they choppers
bodies tools for they coffers
not worth the cost of our coffins
i stare at a future so toxic
no trust in the dust of a promise
won’t mark the name on a ballot
so they can be free to devour our options
and just like you I’m a target
ill defined by the guap in my pocket
but the stage make figures
as quick as it off em
what marley and pac get?
i put these caps in capitals
leave minds blazed in they capitols
i step with a fury so actual fact
that my offense could be capital
we digging for windows here
Uma teoria cogita que o controverso artista de rua é um dos integrantes do clássico grupo de trip hop – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
Uma teoria elaborada no início do ano por um site escocês a partir de um rumor começa a repercutir online: o renomado e anônimo grafiteiro subversivo Banksy na verdade seria uma identidade secreta criada por Robert “3D” Del Naja, integrante do trio de trip hop Massive Attack. O rumor teria começado a partir de alguém ligado à revista italiana Il Cartello, mas começou a ganhar forma a partir de uma investigação feita pelo site Tenement TV.
A hipótese parece absurda, mas uma série de pontos em comum foram sendo levantados – além do fato dos dois artistas serem ingleses, contemporâneos e de 3D ser o responsável pelo visual do Massive Attack. Essa conexão levou ao livro 3D & the Art of Massive Attack, que tem seu prefácio escrito pelo controverso artista visual: “Quando eu tinha 10 anos, um garoto chamado 3D estava mostrando serviço ao pintar as ruas. 3D deixou de pintar e formou a banda Massive Attack, que pode ter sido uma boa para ele, mas foi uma grande perda para a cidade.”
A partir daí, a investigação do site conectou grandes aparições do artista com as turnês internacionais do grupo: o aparição do Massive Attack em Los Angeles, em setembro de 2006, coincide com o famoso incidente de Banksy na Disneylândia californiana, doze dias após o show do grupo.
A residência de Banksy em Nova York em 2013, que começou com um mural pintado no dia primeiro de outubro, bate também com os shows que a banda fez na cidade no final de setembro daquele ano por quatro noites.
Uma série de outras aparições de obras públicas do artista, famoso justamente por deixar sua marca sem aviso, também batem com outros shows da banda de Bristol. O site até entrevistou um velho colaborador do grupo, o músico e engenheiro de som Euan Dickinson, sobre o rumor: “Sei que o Massive (Attack) é bem lento pra lançar músicas, mas nunca me ocorreu que ele pudesse ser Banksy, a não ser que ele estivesse me enganando também.”
Mas uma coisa é certa: mesmo que seja apenas uma teoria, ela vai ajudar a divulgar o trabalho do grupo, que aos poucos está preparando um novo disco. O grupo lançou um EP através de seu próprio aplicativo Fantom e uma das faixas, “The Spoils” com a cantora Hope Sandoval, teve clipe com Cate Blanchett, olha aí:
Uma fotógrafa californiana resolveu usar seu bebê de modelo de cosplay de vários ícones pop – listei uma série destes disfarces lá no meu blog no UOL.
A dupla PParalelo, composta pelos produtores Bruno Esteves e Heder Vicente, chamou a rapper Lurdez da Luz para iniciar uma colaboração e Lurdez, gravidaça, aproveitou a oportunidade para compor um EP em homenagem à sua maternidade. Conversei com ela sobre o disco de cinco faixas chamado Bem-Vinda, que será lançado esta semana e ela antecipa a faixa “Love” aqui para o Trabalho Sujo.
Abaixo, ela fala sobre o novo trabalho:
Como foi a origem do EP?
Alguma artista grávida a inspirou para gravar o disco?
O EP é produto de entressafra ou uma introdução a um novo álbum?
















