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Loki

led-zeppelin

Depois de relançarem toda discografia oficial com extras, o grupo inglês seca a fonte de suas apresentações na BBC – ouça o disco lá no meu blog no UOL.

A crise jurídica que o Led Zepellin se enfiou durante 2016 não impediu que a banda continuasse relançando material e no ano seguinte ao término de sua sequência de edições especiais para todos seus discos de carreira, um dos principais grupos dos anos 70 lança a versão definitiva para suas sessões na rádio BBC, completas agora com o surgimento de uma fita com as gravações que o grupo fez na rádio no início de 1969, o quando lançavam seu primeiro disco, batizado apenas com o nome da banda.

O material inédito contém duas versões para a elétrica “Communication Breakdown” e para a épica “What Is and What Should Never Be”, além versões para blues de Willie Dixon “I Can’t Quit You Baby” e “You Shook Me” e de uma versão para um de seus primeiros hinos, a gigantesca “Dazed and Confused.” A sessão, que muitos julgavam ter sido apagada das gravações oficiais, também contém a inédita “Sunshine Woman,” conhecida dos fãs do grupo através de discos pirata, mas que só agora é lançada oficialmente.

O grupo também aproveitou o lançamento da nova edição para mostrar um clipe em animação para uma das versões da caixa para “What Is and What Should Never Be”.

The Complete BBC Sessions, como todas as reedições de luxo que o grupo inglês lançou esta década, também conta com uma versão Super Deluxe, numerada, que réune três CDs, cinco LPs, um livro de 44 páginas e a versão digital da caixa:

Que banda!

undertones

Aproveitando o relançamento em vinil dos dois primeiros discos da banda punk da Irlanda do Norte Undertones (sua estreia homônima de 1979 e o segundo disco Hypnotised, do ano seguinte), o dono do My Bloody Valentine Kevin Shields fez um remix para “Get Over You” que será lançado num sete polegadas à parte. Mas não espere camadas de guitarras punk abrindo texturas etéreas de microfonia estonteante: Kevin simplesmente dá mais punch às guitarras originais, trabalhando mais como um produtor que propriamente um remixador.

Compara com a original, da banda autora da “melhor música do mundo”, segundo o mestre DJ John Peel (a canção, no caso, era “Teenage Kicks”):

E por falar em vinil, os dois primeiros discos da banda de Kevin – Isn’t Anything e Loveless – já foram remasterizados pelo próprio para voltarem ao mercado no formato LP. Quando? Sabemos que isso é um questionamento quase filosófico quando o assunto é My Bloody Valentine. Mas o fato é que essa masterização foi feita pessoalmente pelo senhor Shields, como provam as fotos publicadas em junho pelo engenheiro de som de Abbey Road, Sean Magee.

https://twitter.com/iiirdsworld/status/746076121893056512

Em cim: Guilheme Giraldi, Amilcar Rodrigues, Tomás de Souza e Filipe Nader; embaixo: André Vac, Charles Tixier e Biel Basile. (foto de Jonas Tucci)

Em cima: Guilheme Giraldi, Amilcar Rodrigues, Tomás de Souza e Filipe Nader; embaixo: André Vac, Charles Tixier e Biel Basile. (foto de Jonas Tucci)

O grupo paulistano Charlie & Os Marretas está prestes a lançar seu segundo álbum e não contenta-se em fazer seus fãs ouvirem apenas a versão digital, querem que o público tenha o disco em sua forma física – e para isso criou um conceito de discobjeto para a capa de Morro do Chapéu.

morrodochapeu

“O discobjeto vem de uma parada que estávamos pensando sobre a função que um CD físico tem hoje em dia em épocas de mídias digitais, Spotify, Deezer e afins”, explica Filipe Nader, saxofonista da banda. “A gente queria achar alguma coisa que pudesse dar uma função diferente e ao mesmo tempo que não fosse algo tão descartável como um CD padrão é hoje em dia. Nós já éramos fãs do trabalho da Carol (Scagliusi, artista visual) e já queríamos trabalhar com ela há um tempo. Aí foi bater um papo e ela apareceu com várias idéias muito boas.”

“O conceito então foi fazer do disco um quadro em madeira e acrílico que tem três possibilidades de tela diferente, é como se a capa do disco fosse um tríptico e você escolhe uma das três imagens para ser a tela do quadro”, continua o saxofonista. “A ideia foi da Carol, mas o projeto e o desenvolvimento foi todo da turma do Goma Oficina que fez desde a ponte com o Guga Landi que opera uma impressora a laser para pirografar coisas na madeira, até montar manualmente todos os discobjetos.” Eles antecipam a capa em primeira mão para o Trabalho Sujo – e descolaram um vídeo mostrando como as capas são feitas, num processo quase artesanal.

Morro do Chapéu é mais um lançamento do selo Risco e chega essa semana para os fãs, que podem comprá-lo antecipadamente pelo site Partio, aqui. O grupo já havia liberado a faixa “Coração Quadril”, que abre o próximo disco.

Alegria dividida

joydivision-rollercoaster

O que acontece quando Ian Curtis anda numa montanha russa?

Ugh.

thebaggios-2016

Uma das bandas de rock mais pesadas da atual cena independente brasileira, a dupla sergipana The Baggios está prestes a dar seu salto mais ousado com o disco Brutown (capa e ordem das faixas logo abaixo), quando vão de cabeça rumo à primeira linha do gênero no Brasil. Para isso, cercaram-se de alguns dos principais representantes do atual rock brasileiro em diferentes participações no novo disco, como Fernando Catatau, do Cidadão Instigado; Emmily Barreto, do Far From Alaska; e o casal Gabriel Thomaz e Erika Martins (dos Autoramas). Mas talvez o principal destaque das participações seja a presença de Jorge Du Peixe, da Nação Zumbi, na faixa “Saruê”, que o grupo mostra pela primeira vez aqui no Trabalho Sujo.

“Quando eu escrevi ‘Saruê’ eu estava no auge da angústia ao ler tantas notícias tristes, brutais, de ler tantas declarações absurdas vindo por todos os lados”, explica o vocalista e guitarrista da banda, Julio Andrade. “Foi quando eu me dei conta de quanto os Malafaias, Felicianos, Bolsonaros, Temers estão cercando cada vez mais nosso sistema, nossa sociedade, acelerando ainda mais um retrocesso de forma caótica. É como um câncer, é como um encosto. A hipocrisia, pensamentos e ações extremistas, as pessoas furiosas perdendo as estribeiras e amizades por questões partidárias, a vaidade pelo poder, a cegueira religiosa, a violência doméstica e urbana … tudo que tem chocado o Brasil e o mundo de forma negativa se enquadra na personificação de um ser ‘Saruê’.”

“Não é difícil notar a influência da música brasileira/nordestina em Saruê, e quando penso na nossa música, Nação Zumbi é um dos primeiros nomes a surgir na cabeça”, continua Julio. “Não foi diferente quando pensei numa participação para essa faixa. Fui apresentado ao Jorge por DJ Dolores, e o cara foi muito gente fina e topou na hora. Jorge Du Peixe é um dos maiores letristas da música contemporânea brasileira, é inspirador como ele conduz a canção e eu não tenho nem palavras para descrever minha felicidade de ter um cara como ele fazendo parte de um disco do The Baggios.”

Brutown chega às plataformas digitais nessa sexta-feira e a versão física será lançada no mês que vem. A dupla (que, além de Julio, conta com Gabriel Carvalho na bateria e agora tem um terceiro integrante ao vivo, o tecladista Rafael Ramos) lança o disco aqui em São Paulo dia 14 de outubro, no Auditório Ibirapuera, com participações de Catatau, do Teago (do Maglore) e da banda Vivendo do Ócio.

“Estigma”
“Brutown”
“Desapracatado”
“Sangue e Lama”
“Alex San Drino”
“Saruê”
“Miquin”
“Como Um Tiro De Bacamarte”
“Medo”
“Vivo Pra Mim”
“Padece Ser”
“Soledad”

Seinfeld chillwave

seinfeldwave

Dois dos ícones mais característicos e originais de duas décadas consecutivas – Seinfeld nos anos 90 e o gênero musical chillwave dos anos 00 – se encontram em um disco proposto pelo produtor australiano Abelard. E o resultado – oitentista na veia, como era de supor – é o mais plástico que você pode imaginar:

Dá pra baixar a música aqui.

foratemer-luciomaia

Lucio Maia fez bonito ontem no encerramento das paraolimpíadas, revelando um “Fora Temer” debaixo da guitarra para a câmera durante a apresentação da Nação Zumbi.

warpaint-2016

Eis “Whiteout”, a faixa que abre o disco novo do Warpaint, Heads Up, que beleza.

Um homem supremo

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Escrevi lá no meu blog no UOL sobre um novo documentário sobre John Coltrane terá narração de Denzel Washington.

Um dos destaques do Toronto International Film Festival, que terminou esta semana, foi o documentário Chasing Trane: The John Coltrane Documentary, dirigido pelo mesmo John Scheinfeld que fez filmes sobre John Lennon (o ótimo The U.S. vs. John Lennon) e Harry Nilsson (Who Is Harry Nilsson…?). Chasing Trane tem entrevistas com fãs do ícone do saxofone de diferentes áreas, como Carlos Santana, Common, Cornell West e Bill Clinton, mas seu principal destaque é o ator Denzel Washington, que lê textos escritos pelo mestre do jazz sobre interpretações tocadas ao vivo. O documentário foi festejado pela quase ausência de diálogos, com foco principal sobre a música de Coltrane – e pode ampliar ainda mais a influência e importância do pai de clássicos como o disco A Love Supreme, que você pode ouvir a seguir:

eleven

Fortemente influenciada pelas trilhas sonoras de John Carpenter, a música incidental composta para o seriado Stranger Things pelos músicos Kyle Dixon e Michael Stein – que também atuam como a dupla Survivor – ganhou o melhor elogio que poderiam receber ao ser regravada por ninguém menos que os alemães do Tangerine Dream.

https://soundcloud.com/tangerinedreamofficial2015/without-glitch

https://soundcloud.com/tangerinedreamofficial2015/ii-1

A banda progressiva alemã é pioneira no uso de sintetizadores e é uma clara influência no trabalho do diretor trilheiro que influenciou a música original do seriado-sensação do Netflix. As duas versões vêm com um elogio extra ao serem disponibilizadas na conta do Soundcloud da banda apenas identificadas pelo emoticon da piscadela: “;-) (Without Glitch)” e “;-) II”. Sensacional.