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Loki

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Angelo Badalamenti de volta aos teclados da fria série é mais um teaser para o 2017 de David Lynch – postei o vídeo lá no meu blog no UOL.

A terceira temporada de Twin Peaks é uma realidade e estreia no ano que vem no canal norte-americano Showtime. A série criada e acalentada por David Lynch por duas magras temporadas no início dos anos 90 não apenas estabeleceu a reputação do diretor como um dos nomes mais freaks da paisagem hollywoodiana como começou uma lenta mudança na forma e no conteúdo dos seriados de televisão que deixaram de ser sitcoms repetitivas e se tornaram as obras-primas atuais.

E enquanto a série não tem data de lançamento definida, o diretor e a emissora trabalham só com a expectativa do público, divulgando informações esparsas que deixam qualquer fã do seriado original grudado na poltrona de emoção. Já foi anunciado um elenco com mais de 200 atores, que inclui tanto parte do time original de atores – como Kyle MacLachlan, Sherilyn Fenn, David Patrick Kelly, Miguel Ferrer, Sheryl Lee, Dana Ashbrook, o próprio Lynch, Ray Wise e Russ Tamblyn, entre outros – quanto novatos na série famosos na vida real – como Eddie Vedder (do Pearl Jam), Sharon Van Etten, Monica Bellucci, Amanda Seyfried, Ashley Judd, Laura Dern, Naomi Watts, Michael Cera, Tim Roth, Trent Reznor (do Nine Inch Nails) e Sky Ferreira, entre outros.

Agora é a vez de confirmar a presença do músico e compositor Angelo Badalamenti, autor da trilha original da série, em um teaser que passeia por uma misteriosa floresta…

A trilha sonora original de Twin Peaks, de autoria de Angelo Badalamenti, acaba de ser relançada aproveitando a proximidade da nova temporada – e pela primeira vez chegou ao formato vinil graças à loja Mondo.

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Uma série de dicas aponta para uma possível turnê mundial dos robôs franceses – com passagem pelo Brasil! Comentei sobre isso lá no meu blog no UOL.

Foi só sair a escalação do Lollapalooza do ano que vem no meio desta semana para ouvir o misto de suspiro de alívio com grunhido de raiva da enorme multidão através das redes sociais, que contrastava-se com alguns milhares de fãs de algumas das principais atrações comemorando a vinda de seus ídolos e de outros tantos que gostam mais da atmosfera do festival do que das atrações em si.

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Esse enorme suspiro-grunhido coletivo desdobrava-se em diferentes reclamações, que iam dos preços à ausência de nomes importantes, da repetição de bandas manjadas, do lugar coadjuvante de artistas brasileiros e do local realizado. E, logo em seguida, vinha a materialização desta reclamação coletiva na forma de piada, como aquele manjado meme que substitui o nome das bandas por exclamações do público em relação a cada um dos anúncios.

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E, realmente, um festival deste porte cujas principais atrações são ícones velhos e que não lançam discos importantes há anos (em alguns casos, décadas). Metallica, Strokes e The Xx caminham para se tornar o que se tornou o Duran Duran, talvez o nome mais interessante da escalação de fato, por ser uma banda fora do radar de obviedades cuja carga de hits valeria esticar de um palco para o outro. Mas ele está ali na terceira linha da escalação e se, daqui a dez anos, o Metallica, os Strokes ou o Xx estiverem em um festival neste mesmo nível de importância, tudo bem dar uma olhada. Mas muita gente reclamaria caso o Duran Duran fosse o principal nome deste festival, como reclamou dos três principais nomes do elenco. Só o canadense Weeknd foge da nostalgia e chega ao país na turnê de lançamento de seu novo disco, Starboy, que vem sendo aguardado como o grande lançamento de sua curta carreira. Mas é um artista cujo apelo popular não é tão forte quanto o dos outros três – pelo menos por enquanto, mesmo com o hit “Can’t Feel My Face”, uma das grandes faixas do ano passado.

Falta ao lineup do Lollapalooza 2017 um nome de peso, um nome que seja tão unânime quanto os nomes da primeira linha mas que ainda esteja lançando discos e músicas relevantes para esta década. Nomes de artistas que eu nem acho tão interessantes, mas que são claros headliners de um festival deste porte, como Kanye West, Adele, Lady Gaga, Bruno Mars ou Muse. Ou nomes que estejam mais alinhados com meu próprio gosto musical e que tenham este mesmo peso popular: Beyoncé, Radiohead, Arctic Monkeys, Taylor Swift, LCD Soundsystem ou Lana Del Rey. Enfim – não faltam opções.

Até que nota-se um certo nome ali no meio, tapado, com anúncio marcado para daqui a duas semanas. Pela posição no cartaz não parece ser alguém de peso. E pelas pontas de letras que aparecem, parece que ali tem um V e depois um E… e é um nome curto. Tem gente vendo até W pra ver se encaixa o Weezer.

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Mas acho que não são essas letras as do nome escondido. Como pode ser que ele não seja tão terceira linha assim.

No canal rede Reddit dedicado à dupla francesa Daft Punk já há uma especulação constante sobre a volta do grupo aos palcos. Desde o lançamento de seu excelente Random Access Memories de 2013 o grupo não sai em turnê e sua única aparição ao vivo foi ao lado de ninguém menos que Stevie Wonder no Grammy do ano seguinte, defendendo seu hit “Get Lucky” ao lado dos comparsas Pharrell e Nile Rodgers.

Acontece que apareceu o nome da dupla exposto no site do Lollapalooza norte-americano. O nome desapareceu logo em seguida, mas conseguiram tirar um print da tela, comprovando a mudança no site.

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Outra imagem que surgiu no Twitter no fim do mês passado mostrava o nome da dupla num pôster impresso da edição chilena do festival, que tem dois nomes encobertos (o segundo seria o Jane’s Addiction, banda do criador do Lolla, Perry Farrell):

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Mas será que o Daft Punk entra em turnê no ano que vem?

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Porque faz sentido. Por mais que suas duas únicas turnês mundiais tenham começado em anos que terminam em 6, seus registros – os discos Alive 1997 e Alive 2007 – foram publicados em anos que terminam com 7 (mesmo porque as turnês entraram ano sete adentro). Assim, eles consagrariam um padrão de lançar discos ao vivo a cada dez anos, lançando turnês pouco antes deste lançamento. Some a isso o rumor de que a dupla (além de Lady Gaga, Radiohead, Kraftwerk e Stone Roses) está sendo cotada para tocar no festival inglês de Glastonbury do ano que vem ao desequilíbrio que o Daft Punk daria ao atual elenco do Lollapalooza e cruzem os dedos. E não custa lembrar que o hit que o Weeknd acaba de lançar – “Starboy”, que batiza seu novo disco, ainda não lançado – foi composto ao lado da dupla francesa…

amsp

Com o início da entrega da versão deluxe em vinil de A Moon Shaped Pool, que começou na semana passada, o Radiohead oficializa as duas faixas que completam as sessões do disco. Uma delas era a já conhecida “Spectre”, que o grupo havia feito para o filme mais recente de James Bond, mas que foi rejeitada porque os produtores do filme a consideraram muito deprê – a banda comemorou e lançou ela mesma duas vezes: primeiro como download gratuito no natal do ano passado e depois como o lado B do single de “Burn the Witch”, a primeira música revelada do sensacional A Moon Shaped Pool, um dos grandes discos do ano. Ela é uma das músicas que não estavam na versão digital do disco que agora fazem parte do pacote 2016 do grupo.

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A outra faixa da versão definitiva de A Moon Shaped Pool é a lindíssima balada “Ill Wind”, que poderia tranquilamente estar na edição inicial do disco, trazendo os mais belos vocais que Thom Yorke fez para o disco. Aquele falsete…

A faixa mantém o clima de paranoia político da faixa que abre o disco, mas de um ponto de vista mais passivo, conformado com um “mau vento que irá soprar”, o que a faz soar como epílogo do disco (e talvez do grupo, uma vez que são fortes os indícios de que a banda fez A Moon Shaped Pool para encerrar seu ciclo oficial). Os fãs do grupo no Reddit cogitam o posicionamento destas duas faixas dentro do disco oficial, cujas canções são apresentadas em ordem alfabética. Há quem cogite que A Moon Shaped Pool completo ficaria assim com estas duas novas canções:

“Burn The Witch”
“Daydreaming”
“Decks Dark”
“Desert Island Disk”
“Ful Stop”
“Glass Eyes”
“Identikit”
“Ill Wind”
“The Number”
“Present Tense”
“Spectre”
“Tinker Tonker”
“True Love Waits”

Teorias à parte, o fato é que A Moon Shaped Pool finalmente teve seu ciclo encerrado em termos de lançamento com a versão deluxe do disco, que o grupo mostrou o unboxing em um vídeo no Instagram:

E embora continuem fazendo shows, é provável que em algum ponto do ano que vem o grupo volte a hibernar por mais quatro anos. Isso se A Moon Shaped Pool não for seu último disco. Depois eu falo mais sobre isso.

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O New York Times convidou o Jay Z para narrar aquela velha história que a gente já sabe: como a política de tratar drogas como problema de polícia e não de saúde trouxe mais problemas que soluções. As ilustrações são de Molly Crabapple.

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O maior ídolo da banda de Iggy Pop no cinema conta a história do grupo que encerrou os anos 60 – assista ao trailer no meu blog no UOL.

Entre os muitos marcos zero do punk rock, os Stooges foram o mais barulhento e descontrolado. Saído da cidade de Ann Harbor, na região da grande Detroit no final dos anos 60, o grupo liderado por Iggy Pop era apenas mais uma das inúmeras bandas que apareceram nos Estados Unidos em meio à aurora hippie. Mas o estigma da caos e destruição que pairava sobre a região em que surgiram (vítima da primeira crise industrial dos EUA) afetou sua sonoridade e performance, que aos poucos foi ganhando uma reputação equivalente a de um rolo compressor de carne e eletricidade. As paredes de ruído elétrico e o peso industrial transformaram o rhythm’n’blues psicodélico original proposto pelo grupo em uma máquina de demolição que, aliada às viscerais performances de Iggy Pop (que brigava com o público aos socos, destruía o palco e imolava-se rolando sobre cacos de vidro enquanto berrava sua voz no limite do suportável), transformaram os Stooges em uma das maiores lendas da história do rock.

Esta lenda agora vai ser contada por um de seus maiores fãs, o cineasta Jim Jarmusch, que considera o grupo “a maior banda de rock de todos os tempos”. O documentário Gimme Danger conta com entrevistas com Iggy e os integrantes originais do quarteto – o guitarrista Ron Asheton, seu irmão baterista Scott Asheton e o baixista Dave Alexander -, todos mortos atualmente, além de cenas de arquivo que consolidam sua reputação destrutiva. O filme estreia em outubro no circuito internacional de festivais e não há previsão de lançamento no Brasil. Mas tem tudo para ser um filmaço, como seu trailer parece indicar.

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E lá vem mais caixa do Dylan. The 1966 Live Recordings é uma caixa com 36 discos que inclui apenas gravações ao vivo em um dos anos mágicos do então jovem bardo, 1966. É um período tão específico e um esforço tão grande que nem entrou na série de piratas oficiais que ele lança desde o início dos anos 90, The Bootleg Series – é um projeto à parte de pirataria oficializada. E um esforço gigantesco, jamais visto para nenhum outro artista. “Enquanto fazíamos a pesquisa de arquivo para a caixa The Cutting Edge 1965-1966: The Bootleg Series Vol. 12 do ano passado, ficávamos constantemente pasmos sobre como eram ótimas suas apresentações em 1966”, disse o presidente da Legacy Records, Adam Block. “A intensidade das apresentações de Bob e a forma fantástica como ele entregava essas músicas em shows acrescentam um outro elemento perspicaz no entedimento e na apreciação da revolução musical que Bob Dylan iniciou 50 anos atrás.”

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Além da caixa monumental, também haverá o lançamento à parte de um dos shows daquele ano, o verdadeiro show que Dylan deu no Royal Albert Hall em Londres (ao contrário do pirata conhecido por este nome, que foi gravado na verdade no Manchester Free Trade Hall e compõe o volume 4 das Bootleg Series), o The Real Royal Albert Hall 1966 Concert, que conta com sete músicas no disco acústico e oito no disco elétrico, como era o padrão dos shows de Dylan naquele período. Entre as elétricas está essa brusca “Tell Me, Momma”, que Dylan nunca gravou em seus discos oficiais.

Eis a relação de todos os shows que entram na caixa, que sai apenas em novembro mas já está em pré-venda em seu site oficial.

Disco 1 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 2 – Sidney, 13 de abril de 1966 (da mesa de som do canal TCN 9 TV Australia)
Disco 3 – Melbourne, 20 de abril de 1966 (da mesa de som / Transmissão desconhecida)
Disco 4 – Copenhague, 1° de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 5 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 6 – Dublin, 5 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 7 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 8 – Belfast, 6 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 9 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som e do público)
Disco 10 – Bristol, 10 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 11 – Cardiff, 11 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 12 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 13 – Birmingham, 12 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 14 – Liverpool, 14 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 15 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 16 – Leicester, 15 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 17 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 18 – Sheffield, 16 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 19 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 20 – Manchester, 17 de maio de 1966 (gravação da CBS Records à exceção da passagem de som, da mesa de som)
Disco 21 – Glasgow, 19 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 22 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 23 – Edimburgo, 20 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 24 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 25 – Newcastle, 21 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 26 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 27 – Paris, 24 de maio de 1966 (da mesa de som)
Disco 28 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 29 – Londres, 26 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 30 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 31 – Londres, 27 de maio de 1966 (gravação da CBS Records)
Disco 32 – White Plains, NY, 5 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 33 – Pittsburgh, PA, 6 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 34 – Hempstead, 26 de fevereiro de 1966 (gravação da plateia)
Disco 35 – Melbourne, 19 de abril de 1966 (gravação da plateia)
Disco 36 – Estocolmo, 29 de abril de 1966 (gravação da plateia)

Ave King Crimson

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Uma das bandas mais complexas e completas da história, o King Crimson vem passando discretamente por uma fase inacreditável, que começou como um rumor sobre uma formação com vários integrantes, boatos sobre um possível primeiro show desde anos 70, que materializou-se em não apenas um, mas alguns shows, transformou-se em turnê e agora chega ao disco numa versão da banda com sete cabeças tocando ao mesmo tempo. O guitarrista maestro Robert Fripp reuniu integrantes de diferentes fases da banda (o saxofonista e flautista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o guitarrista Jakko Jakszyk e três bateristas, Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Bill Rieflin) numa formação dos sonhos que tem revivido alguns dos momentos mais emblemáticos da carreira do grupo ao vivo. A caixa Radical Action to Unseat the Hold of Monkey Mind reúne três discos com gravações da banda do ano passado no Japão, na França e no Canadá e tem versões que trazem registros em vídeo desta apresentação, como a impressionante versão ao vivo para “Starless”. Como o produtor e parceiro de longa data de Fripp David Singleton escreve no encarte do box:

“É uma espécie de truísmo na história do Crimson que qualquer show que seja filmado não será aquele em que o céu encontra-se com a terra e descem os anjos. A presença de câmeras e de operadores introduz um elemento intrusivo na relação entre o artista, a música e o público. Nossa solução foi voltar ao conceito de “TV pirata” e priorizar a música e a performance mais do que as imagens. Tínhamos um único câmera – Trevor Wilkns, que sofreu! – nesta turnê e ele filmava todas as noites com uma série de câmeras escondidas discretamente no palco onde a elas não atrapalhariam nem o artista ou o público. O compromisso portanto não é o visual e sim o da música.”

Aos céticos ou não-iniciados na banda que se convenceram pela balada inicial sugiro que joguem o cursor lá praquele tempo mágico, 4:20 – e boa viagem.

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O ex-Sonic Youth lança uma faixa em homenagem à militar que vazou os documentos da segurança norte-americana para o WikiLeaks e foi condenada a 35 anos de prisão. “Chelsea’s Kiss” é um pequeno épico noise típico de sua clássica banda e atua em duas campanhas simultaneamente: a de libertação da soldada trans e a do Cassete Store Day (é, as fitas voltaram mesmo), que acontece dia 8 de outubro.

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Enquanto nos enrola o lançamento de seu Dear Tommy, Johnny Jewel, dos Chromatics, ainda encontra tempo para fazer a trilha sonora de um filme belga chamado Home, que, para aliviar pro lado dele, é composta de músicas velhas e não-lançadas de suas bandas (Chromatics e Symmetry) e de trilha incidental feita para o filme. Abaixo, o clipe de uma das músicas da trilha, com imagens do filme, chamada “Magazine”.

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Outro disco que completa 25 anos, o melhor disco do Red Hot Chili Peppers reinventou o adulto nos anos 90, como escrevi no meu blog no UOL.

Qual é a hora de abandonar os delírios e prazeres da adolescência e assumir as responsabilidades e fardos da vida adulta? Antes os limites eram bem estabelecidos: o término da vida escolar determinava a idade para procurar emprego ou tentar entrar em uma faculdade, o que significava começar a organizar a vida, arrumar a bagunça e se preparar para o fim da festa. Para os que conseguem entrar em uma universidade, o terceiro grau pode dar uma sobrevida de farra e excessos, mas eles estão com os dias literalmente contados até a chegada do diploma. Para aqueles que já entram no mercado de trabalho direto não tem nem conversa: festas e diversões vão sendo gradualmente empurrados para os fins de semanas até virarem oásis perdidos em rotinas maçantes e insuportáveis.

Mas o mundo mudou – e com ele as definições sobre estes limites. Até a metade do século passado, assumir a vida adulta significava abandonar por completo a irresponsabilidade saudável entre os 10 e 20 anos de idade, trajar uma roupa formal, bater cartão em um emprego e preparar-se para casar, ter filhos para que eles recomeçassem a história novamente. Mas a partir dos anos 50, principalmente graças à geração crescida sob a égide de uma nova cultura de consumo popular, algumas mudanças começaram a ocorrer neste processo.

Um dos motivos de sucesso do rock – a principal força-motriz desta nova cultura – quando o gênero eclodiu nos anos 50 foi o impacto que teve junto a uma geração de novos consumidores que antes disso nem era vista como tal. Os adolescentes que nasceram após o fim da Segunda Guerra Mundial – a geração que ficou conhecida como “geração baby boom” devido à explosão demográfica no final dos anos 40 – cresceram em um mundo em que a a ascensão social era possível a partir do consumo. Você não precisava ter nascido em uma família abastada ou trabalhar arduamente para conseguir atingir um certo status. Os novos artistas que abasteciam aquela cena – que se refletia em outros novos meios de comunicação, como o cinema, a televisão, o rádio, o mercado editorial comercial e os quadrinhos – eram jovens, bem-sucedidos e conseguiram se estabelecer fazendo o que gostavam.

É claro que era uma generalização e cada novo popstar, cada novo astro de Hollywood, cada nova jovem celebridade que surgia ofuscava centenas de outros talentos e não-talentos que tentaram aquele mesmo sucesso, em vão. Mas era um novo caminho que surgia e, se a princípio parecia uma materialização de um conto de fadas ou tão improvável quanto ganhar na loteria, aos poucos mais gente foi conseguindo seu lugar ao sol desta forma.

E quando os primeiros popstars chegaram à idade adulta, ainda estavam conformados com o padrão antigo e se fantasiaram de adultos – mais do que assumiram a vida adulta. A rotina de prazer e lazer que se prolongara para além dos 20 anos de idade não havia preparado-os para a vida de verdade e grande parte de suas responsabilidades havia sido transferido para empresários e agentes. Tanto que são raros exemplos de artistas dos anos 60 e 70 que conseguiram sobreviver para além dos trinta anos na mesma carreira sem o auxílio de um executivo engravatado ou um empresário agressivo. Os Beatles quase faliram a loja/gravadora que fundaram no fim dos anos 60 (a Apple) depois da morte de seu empresário Brian Epstein e muitos atribuem o sucesso dos Rolling Stones ao fato de Mick Jagger ter frequentado a London School of Economics antes de optar por ser vocalista de uma banda de rock.

Mas, com o punk rock no final dos anos 70, uma nova geração de adolescentes cresceu com a possibilidade real de viver de música. Mais do que ter exemplos de popstars que continuaram na carreira mesmo depois dos 40 anos de idade (optando pela caricatura de si mesmos, pela constante reinvenção ou por tornar branda ou inofensiva a energia inicial de suas biografias), eles também ajudaram a pavimentar um mercado que pouco a pouco começava a ser autossustentável. Longe das gravadoras que viravam enormes corporações internacionais que monopolizavam os meios de produção da música, estes adolescentes criaram um ambiente alternativo em que era possível crescer como artista sem as pressões comerciais do mercado tradicional (como escrevi neste texto sobre os 25 anos do Nevermind, do Nirvana).

Frusciante, Kiedis, Smith e Flea

Frusciante, Kiedis, Smith e Flea

E entre as inúmeras bandas que surgiram nos anos 80 a partir da consolidação deste novo mercado estavam os Red Hot Chili Peppers. A quintessencial banda de Los Angeles (superando, quem diria, até mesmo os Doors como a banda-símbolo do sul da Califórnia), o grupo começou como uma brincadeira entre a black music psicodélica que havia surgido no meio dos anos 70 e a cena hardcore da cidade, posicionando-se estrategicamente entre o punk e o funk como apenas os Bad Brains, do outro lado dos Estados Unidos, havia conseguido. Mas por nascerem naquela cidade entre palmeiras, a praia de Venice e Hollywood, havia um espírito de diversão exacerbada, que o separava radicalmente do punk reggae da banda de Washington e o fato da banda ter nascido em Los Angeles também fazia a banda se apropriar das guitarras afiadas do novo metal norte-americano, elemento que logo entrou em sua mistura de gêneros musicais.

O quer dizer que eram uma banda barulhenta e dançante, mas cuja politização resumia-se à tríade sexo, drogas e rock’n’roll, forjada entre os anos 60 e 70 e tida como meta para a maioria dos adolescentes que queriam ter uma banda na época. Os Red Hot Chili Peppers foram fundados pelo vocalista Anthony Kiedis e pelo baixista Flea e tiveram seus dois primeiros discos produzidos por nomes como Andy Gill (guitarrista da banda inglesa de pós-punk Gang of Four) e George Cinton (lendário papa do P-Funk). De formação mutante, chegaram a tocar, em uma determinada época, com um guitarrista do Funkadelic (DeWayne “Blackbyrd” McKnight) e o baterista dos Dead Kennedys (D.H. Pelligro) ao mesmo tempo. O primeiro integrante além dos dois fundadores a firmar-se na formação foi o guitarrista Hillel Slovak, primeira vítima dos excessos da banda, morto de overdose de heroína em 1988. O baterista Chad Smith entrou a tempo da gravação do disco Mother’s Milk, de 1989, o primeiro grande disco da banda e último disco de Slovak, cuja morte acendeu uma luz amarela para os quatro. Tão viciado em heroína como o recém-falecido amigo, Kiedis passou a temer pelo futuro da banda e, claro, pela própria vida. E todos os integrantes da banda – inclusive o recém-ingresso guitarrista John Frusciante – passaram a pensar mais seriamente sobre como seria viver o resto da vida em uma banda de rock.

Foi assim que os quatro entraram no estúdio para gravar seu quinto álbum. Ainda assombrados pela morte do amigo guitarrista, entenderam o motivo da recusa do produtor Rick Rubin para produzir seu terceiro disco, em 1987. Rubin já era conhecido à época por ter transformado a gravadora Def Jam – casa de nomes como Run DMC e LL Cool J – no principal nome do hip hop da época, além de ter reinventado a carreira dos punks Beastie Boys, transformando-os no primeiro ícone branco do rap. O casamento entre guitarras e groove que Rubin havia realizado em Nova York parecia torna-lo o nome perfeito para produzir um disco do Red Hot. Mas Rick havia recusado ao ver como Kiedis e Slovak estavam entregues à heroína. Depois da morte do guitarrista, engoliram o orgulho e foram novamente bater à porta de Rubin.

O produtor topou a nova tarefa com a condição de que a banda se afastasse por completo da heroína. Para isso, alugou uma mansão em Los Angeles e exigiu que a banda morasse lá enquanto estivessem gravando o disco. Cada um dos quatro integrantes se hospedou em um quarto, mas logo depois o baterista Chad Smith disse que não iria conseguir dormir na casa, pois sentiu que ela era mal-assombrada. A mansão havia pertencido ao mago Harry Houdini e tinha fama de ter sido cenário de um assassinato. Os outros permaneceram lá, mesmo com a possibilidade de encontrar fantasma – o que realmente aconteceu segundo o guitarrista John Frusciante, que disse que eram “espíritos amigáveis”. A casa, que depois foi comprada pelo produtor e transformada em seu estúdio particular – batizado apenas como The Mansion –, também foi palco para outras gravações clássicas (como o disco This is Happening do LCD Soundsystem e a canção “99 Problems” de Jay-Z) e bandas como Linkin Park e Slipknot, que também gravaram lá, disseram ter visto espíritos ou notado evidências de atividade sobrenatural no lugar.

Rick Rubin em sua mansão

Rick Rubin em sua mansão

E foi nesta mansão que, por trinta dias entre maio e junho de 1991, os quatro Red Hot Chili Peppers enfrentaram a dura realidade de que eram uma banda com dez anos de idade. A sensação de amadurecimento pessoal era confrontada diretamente com a energia desenfreada das apresentações do grupo e com o barulho de seus discos, dilema que pautou as gravações. Os dois fundadores e o baterista entravam em seus trinta anos de idade e Kiedis ainda enfrentava o fantasma do vício de heroína e a sensibilidade pop de Rick Rubin ajudou a conter os ímpetos mais primitivos da banda, que insistia em aumentar o volume e a velocidade a cada novo disco. A entrada de Frusciante, que tinha apenas 20 anos ao entrar na banda, também foi crucial para a nova sonoridade do grupo, que abandonava os riffs esquizofrênicos de guitarra metal para abraçar toda sutileza e extravagância sonora de um dos principais discípulos espirituais de Jimi Hendrix.

Todas as faixas daquele novo disco duplo de quase 75 minutos repensavam o delírio adolescente e fazia a banda confrontar os dilemas da vida adulta – principalmente de natureza espiritual e sentimental. Faixas como “Breaking the Girl” e “I Could Have Lied” mostravam um Red Hot Chili Peppers gravando baladas pela primeira vez e um poema de Kiedis encontrado amassado no chão por Rick Rubin foi transformado em um dos grandes carros-chefe da banda, a balada anti-heroína “Under the Bridge”.

Mas aquele lirismo todo não queria dizer que a banda havia ficado mais leve. Músicas mais pesadas davam a tônica do disco mas a mensagem não era mais a pura diversão desenfreada, mas reflexões pensativas sobre o que eles estavam se transformando. Faixas como “Sir Psycho Sexy”, “If You Have to Ask”, “The Power of Equality”, “My Lovely Man”, “Apache Rose Peacock”, “The Righteous and the Wicked”, “BloodSugarSexMagik” e o cover-relâmpago para “They’re Red Hot”, do mestre blueseiro Roberto Johnson, jogavam uma luz mais consciente, politizada e séria da banda, muitas vezes se autoironizando. O Red Hot não havia abandonado a diversão, como ficava evidente em outras faixas (o hit “Give it Away”, “Naked in the Rain”, “Funky Monks” e “Suck My Kiss”). Quando escolheram o título de uma das faixas para batizar o novo disco, eram uma nova banda. Uma banda adulta sim, mas que não tinha problemas em exibir as próprias tatuagens no encarte do disco, cujas letras foram escritas à mão pelo próprio Kiedis. Um novo conceito de maturidade para o pop.

BloodSugarSexMagik, lançado exatamente há 25 anos (no mesmo dia em que Nevermind,do Nirvana e um dia depois do Screamadelica do Primal Scream – que época!), é, portanto, o momento em que os Red Hot Chili Peppers chegam à vida adulta, mostrando para toda uma outra geração de adolescentes que era possível amadurecer sem abandonar os prazeres e delírios da juventude. É a obra-prima do grupo e os catapultou para o estrelato, mesmo que eles não tenham conseguido manter aquela boa fase por muito tempo. O novato Frusciante começou a atritar com a banda, especificamente com o vocalista, e saiu do grupo no meio da turnê de lançamento do disco. Foi substituído por Arik Marshall (que veio com a banda em sua primeira apresentação no Brasil, em 1992) e pouco depois por Dave Navarro, ex-guitarrista do Jane’s Addiction, que gravou o excelente – e dark – One Hot Minute em 1995, um disco que divide opiniões dos fãs e que eu considero o melhor disco que o Jane’s Addiction não gravou (além de ser o segundo melhor disco do Red Hot, na minha opinião).

Depois deste período, Frusciante voltou à banda e eles voltaram do ponto que haviam largado em 1992, com o bem-sucedido Californication, de 1999. Mas ali eles já eram uma versão engessada do brilhantismo do início da década e continuaram lançando discos seguindo a fórmula daquele disco mágico lançado 25 anos atrás, se transformando numa versão pasteurizada do que eram antes, um Aerosmith para uma geração mais nova. Mas a essência daquilo que se tornou sua caricatura não foi afetada continua intacta nestas 17 faixas que ensinaram que o rock pode amadurecer sem deixar de se divertir.