Com um tweet aparentemente inocente, Lana Del Rey tornou público um ato global de bruxaria contra Donald Trump:
At the stroke of midnight
Feb 24, March 26, April 24, May 23
❤️
Ingredients can b found online
pic.twitter.com/PsjNpIODZE— Lana Del Rey (@LanaDelRey) February 24, 2017
“Quando der meia-noite: 24 de fevereiro, 26 de março, 24 de abril, 23 de maio”, ela twittou uma maldição que deve ser repetida nestas quatro datas, “os ingredientes podem ser encontrados online”. Segundo o site AV Club, o feitiço está sendo invocado globalmente nas datas de lua crescente, para impedir que Trump continue presidente dos EUA. Os ingredientes mencionados são uma foto ruim de Donald Trump, a carta Torre do tarô, uma vela laranja pequena, um alfinete ou prego pequeno, pequenas bacias contendo tanto água quanto sal, uma pena, fósforos e um cinzeiro. O site avisa que se você não tem uma vela laranja pode usar uma cenoura baby.
Enquanto isso, Lana falou à radialista Jo Whiley da BBC sobre seu próximo disco, que ela “começou pensando que todo o álbum teria uma vibe anos 50, anos 60, com algum tipo de influência das Shangri-Las e de Joan Baez no início da carreira. Mas à medida em que o clima se tornou mais quente em termos políticos, eu percebi que todas as letras estavam se referindo diretamente a isso e, por causa disso, o som deu uma atualizada e eu vi que tinha que falar com o lado mais jovem do meu público. Acho que ele tem um lado um pouco mais consciente em termos sociais. Acho que é um sentimento global.”
Lana acaba de lançar o primeiro single de seu novo disco, “Love“, que tem exatamente essa abordagem que ela se refere a seu público mais novo…
Não é nenhuma novidade o cunho político das músicas e das apresentações do BaianaSystem – na verdade, a fusão entre festa e protesto está na gênese do grupo baiano e toda sua obra reflete essa dicotomia. Por isso era mais que natural que seu trio Navio Pirata cutucasse velhas feridas abertas recentemente a partir do tenso clima político no Brasil principalmente por ser um pleno carnaval. Russo Passapusso começou o protesto no meio da instrumental “Forasteiro”, enfileirando “golpistas, machistas e fascistas” para ouvir um “não passarão” em uníssono do público. E nem precisou mencionar o nome do presidente postiço para que a multidão emendasse o grito de guerra “fora Temer”. Veja só:
A manifestação pode ter valido a ausência da banda do próximo carnaval, segundo o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador, cujo presidente disse que “o código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo BaianaSystem. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles”, explicou ao Correio da Bahia (de onde também saiu a foto que ilustra este post).
Mas tem que ver pra quem essa regra vai valer, porque manifestação a favor também é manifestação política? Sem contar que Caetano Veloso puxou um “fora Temer” no Pelourinho e o prefeito ACM Neto foi vaiado em plena concentração do Ylê Ayê:
E isso que é só domingo de carnaval… Abaixo, mais Baiana em Salvador em 2017. Que delírio:
Enquanto Beck não solta o álbum que vem adiando desde o ano passado, eis que surgem duas faixas inéditas que ele compôs para a trilha sonora do filme Eu Sou o Número Quatro, do diretor D.J. Caruso. A fonte é o próprio diretor, que passou “Curfew” (que pode ser ouvida rapidamente no filme) e uma faixa instrumental sem título através de um link do Dropbox para um fã do cantor em uma conversa pelo Twitter.
@IronPick @justinmj @ColeMGN @beck Try these?https://t.co/c5FyMQQAgshttps://t.co/u5hRcDfPyJ
— D.j. Caruso (@Deejaycar) February 21, 2017
A página Beck Daily (de onde tirei a imagem que ilustra esse post) publicou as duas músicas:
Raphael Bertazi prepara mais uma leva de axés bahindie que mistura Daft Punk, Ivete, Beyoncé, Clash, Franz Ferdinand, É o Tchan, Daniela Mercury e Criolo – se prepara:
Daft Punk & Companhia Do Pagode – “Robozinho Empinadinho (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”
Beyoncé & Daniela Mercury – “O Boy Mais Belo Dos Belos (Bertazi Mashup)”
Clash & Ivete Sangalo – “Céu De London (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”
Franz Ferdinand & É o Tchan – “Me Bota Pra Fora (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”
Criolo & LCD Soundsystem – “SP, I Love You But You’re Bringing Me Down (Bertazi Mashup)”
O mago norueguês da space disco Todd Terje ensaia o lançamento do novo disco para este ano e chama os dois velhos comparsas Prins Thoams e Four Tet para remixar a a inédita “Jungelknugen”, primeira música do sucessor do brilhante It’s Album Time, um dos grandes discos de 2014.
E pelo jeito o que vem por aí é TENSO.
Após anúncio de um sistema solar habitável há 40 anos-luz da Terra, a Nasa acrescenta mais um pôster à sua incrível coleção – reuni todos eles lá no meu blog no UOL.
Nesta quarta-feira, a Agência Espacial Norte-Americana – a Nasa – parou o mundo para anunciar que havia descoberto um sistema solar habitável em nossas proximidades galáticas. Girando ao redor da estrela chamada Trappist-1 (“It’s a trap”?), foram descobertos sete planetas com dimensões próximas às da Terra sendo um deles, o quinto, chamado pelo nome código de Trappist 1E, contém água, indicando a possibilidade de vida, como conhecemos, fora deste planeta. O diretor da área de missões científicas da agência, Thomas Zurbuchen, foi além: “A descoberta nos dá uma pista de que encontrar outra Terra não é uma questão de ‘se’ (ela existe), mas de ‘quando’.”
Enquanto isso, o Jet Propulsion Laboratory recebeu a notícia com mais um de seus esplendorosos pôsteres que exaltam o turismo espacial, mostrando como a notícia está tão perto da realidade quanto da ficção científica. Além da visão gloriosa do céu vermelho refletido em seu oceano sob as órbitas dos outros planetas do sistema, o cartaz ainda lembra que o exoplaneta (como nos referimos aos planetas fora do sistema solar) foi “votado como a melhor ‘zona habitável’ para as férias – a apenas 12 parsecs da Terra”. Parsec – embora Han Solo tenha nos feito imaginar que é uma unidade de tempo – é uma unidade de distância que corresponde a 3,26 anos-luz. A distância de 12 parsecs, portanto, equivale a meros 40 anos-luzes, o que faria uma viagem até o novo sistema solar durar “apenas” 700 mil anos. O cartaz que festeja a descoberta do sistema Trappist-1 não é o primeiro – veja abaixo outros pôsteres feitos pela Nasa para manter o turismo espacial como uma possibilidade de futuro.
Dá pra fazer o download de todos estes cartazes incríveis no site da Nasa.
Autoras do disco considerado “o pior de todos os tempos”, as três irmãs voltam à ativa para um show de rock naïf – escrevi sobre elas no meu blog no UOL.
“Precisamos gravá-las enquanto elas ainda estão quentes!”, empolgava-se, segundo a lenda, Austin Wiggin, o pai de um grupo de três irmãs que ele achava que se tornaria um grande sucesso no auge do rock clássico, final dos dos anos 60. Sem o menor tino comercial – muito menos musical -, ele colocou suas filhas para tocar na marra sem se preocupar em ensinar música para elas e depois de anos de treino levou as Shaggs para gravar o disco Philosophy of the World, considerado o pior disco de todos os tempos. Tosco e completamente torto, o disco é uma obra de arte naïf da era elétrica e, fadado ao desaparecimento, construiu, posteriormente, uma reputação e um legado incrivelmente bizarros, que permitiram que a banda voltasse à ativa para participar da quinta edição do festival organizado pelo grupo Wilco, o Solid Sound, que acontece entre os dias 23 e 25 de junho deste ano.
“Philosophy of the World é o disco mais impressionantemente terrível e maravilhosamente doentio que ouvi em eras”, assim a escritora Debra Rae Cohen apresentava a obra máxima das Shaggs ao público da revista Rolling Stone norte-americana em 1980, mais de uma década após o lançamento original do disco. “Como uma família Trapp lobotomizada (em referência à família cantora do filme A Noviça Rebelde), as Shaggs berram letras de cartões de festa num uníssono feliz quase sem graça junto a frases ostensivas de melodia enquanto batem suas pequenas guitarras como se fossem alguém preocupados com o zíper. A baterista bate decididamente ao ritmo de outra inspiração, como se ela tivesse que acertar toda vez que música as outras estão tocando – errando todas as vezes”.
Não é exagero. O disco que as irmãs Helen, Betty e Dorothy – também conhecida como Dot – Wiggin gravaram no dia 9 de março de 1969 é uma tortuosa e quase infantil tentativa de fazer música pop sem a menor noção musical. Perto das três Shaggs, os primeiros punks eram músicos virtuosos. As Shaggs não tinham a menor noção de nada: ritmo, sincronia, conjunto, composição, interpretação – nada. O disco parece ter sido feito por crianças que pegaram instrumentos pela primeira vez na vida e, entendendo minimamente como cada um deles funciona, gravaram as primeiras ideias que vieram em suas cabeças, sem combinar nada umas com as outras.
De certa forma, era exatamente isso que acontecia. O pai das meninas transformou-as em um grupo por uma profecia de sua mãe, que leu a mão do jovem Austin Wiggin e disse que ele casaria com uma loira, que teria dois filhos depois que ela morresse e que suas filhas, juntas, seriam um grupo musical de sucesso. Como as duas primeiras previsões aconteceram, Austin preferiu não esperar o acaso e forçou suas filhas a terem uma banda. “Ele era teimoso e podia ser temperamental. Ele nos dirigia. Nós obedecíamos. Fizemos o melhor que podíamos”, contou Dot ao escritor Irwin Chusid, autor do livro Songs in the Key of Z: The Curious Universe of Outsider Music. E arrumou um lugar para as meninas tocarem ao vivo toda semana.
A tiragem inicial do disco, de mil cópias, foi quase inteiramente roubada em um assalto a um depósito de discos e as cem cópias restantes frustraram o sonho de sucesso que o pai tinha para suas filhas. No entanto algo improvável aconteceu: o disco se tornaria um item colecionável por fãs de música estranha, uma nova categoria de ouvintes que surgia entre os anos 60 e 70, buscando discos horríveis e mal gravados que seus autores achavam que poderiam fazer sucesso. Um destes principais colecionadores era o radialista Barry Hansen, que apresentava o programa que levava seu apelido, Dr. Demento, que passou a tocar músicas das Shaggs em seu programa. Em um deles, Demento recebeu Frank Zappa como convidado, que pediu para tocar várias faixas do disco Philosophy of the World, que ele considerava “melhor que os Beatles”.
O estranho culto às Shaggs via a tosqueira das meninas como um ponto positivo. Não importava que a música soasse pueril ou que não tivesse nenhuma relação com a forma tradicional de se fazer música. As Shaggs eram punks além dos punks pois não sabiam nada sobre música e mesmo assim foram lá e gravaram um disco. E a bizarrice, por esse ponto de vista, levava o instinto primitivo das garotas para outras praias musicais, como a música atonal, o folk experimental, o free jazz. Foi a esta luz que o grupo country NRBQ convenceu sua gravadora, Rounder, a relançar o disco no início dos anos 80, além de um segundo disco, Shaggs’ Own Thing, a partir de gravações que a banda fez em 1975. A reverência ao “pior disco de todos os tempos” ultrapassou a ironia e Philosophy of the World ganhou o status atual, de disco cult e influente, mesmo que sua influência seja mais conceitual que prática. O crítico Lester Bangs imortalizou a frase de Zappa ao colocá-la como título do texto que escreveu sobre as garotas no jornal Village Voice, em 1981: “As irmãs Wiggins – um antipower trio – não apenas redefinem a arte, como têm um coerente Weltanschauung em seu primeiro disco, Philosophy of the World.”
Por isso não é uma surpresa que a volta das Shaggs em 2017, quase cinquenta anos após o lançamento do disco que lhes deu fama, não seja a primeira vez. A banda foi recriada em 1999, quando o grupo NRBQ fez seu aniversário de 30 anos, em Nova York. Dois anos depois, o disco Better than the Beatles foi lançado em tributo ao grupo. A baterista Helen morreu em 2006 e Dot lançou seu primeiro disco solo em 2013, pela gravadora Alternative Tentacles, do fundador dos Dead Kennedys, Jello Biafra. As Shaggs foram citadas em filmes como As Vantagens de Ser Invisível, Empire Records, Ken Park e na série Gilmore Girls, além de Philosophy of the World estar em quinto lugar na lista dos 50 melhores discos de Kurt Cobain, como ele escreveu em seus Diários – a história da banda virou até peça de teatro na Broadway. Philosophy of the World, inclusive, foi relançado em vinil no ano passado numa edição limitada da caprichosa gravadora Light in the Attic.
Além das Shaggs, o festival Solid Sound terá duas apresentações do próprio Wilco, além de shows do Television, Kurt Vile & the Violators, Kevin Morby, entre outros, além de projetos paralelos da banda que faz a curadoria do festival, como Tweedy, The Autumn Defense, On Fillmore e o Nels Cline Four. Os ingressos já estão à venda no site do evento.
O ex-empresário do Daft Punk e dono da gravadora Ed Bangers volta dar o ar de sua graça, desta vez muito bem acompanhado pelo Mayer Hawthorne. Pedro Winter – mais conhecido por Busy P – dispara mais um hit que poderia ter sido lapidado nos anos 80, movido pela disco music e pelo proto-eletro – com a dose de soul exata dada por seu ilustre convidado. O clipe – solto na pista – da o tom do hit.
Já que a imprensa como um todo prefere mugir bovina ao tétrico desenrolar da política no Brasil deste início de ano, coube a Tom Zé resgatar a canção como veículo jornalístico em mais uma série de músicas que apontam o dedo para feridas que o Brasil parece fingir não sentir. “Queremos as Delações”, “Sabatina em Latim para a Indicação de um Juiz do Supremo”, “Homologô (Marcha do Bloco)” e o “Samba da Comissão de Linguiça” – sobra pra todo mundo!
É carnaval, afinal! Sempre!
O produtor norte-americano Blake Robin – mais conhecido pela alcunha de Luxxury – sela sua paixão pela disco music com a irresistível “Feel the Night”.










