E essa versão os Fatnotronic – ao lado dos Poolside – fizeram para essa pérola da Evinha escondida no final do lado A de seu Cartão Postal, de 1971? Dá pra imaginar o Gorky começando a ouvir esse groove fantástico da abertura da música original e encaixando mentalmente os efeitos disco antes mesmo do vocal começar…
É a faixa de abertura de mais uma coletânea da ChitChat Records dedicada aos grooves brasileiros, o segundo volume da A Brazilian Compilation, que começou no começo deste ano.
https://soundcloud.com/chitchatrecords/sets/brazilian-compilation-series.
Já ouviu Boca? Dá pra baixar o disco todo de graça aqui.
Aproveitei o lançamento e pedi para o Curumin dissecar faixa a faixa este que é o melhor disco nacional de 2017 até agora. Taca fogo, Curuma!
Não é que o rap brasileiro esteja numa má fase, mas esse Galanga Livre, que o Rincon Sapiência acaba de lançar, leva a cena a um outro nível…
Ouve aí que depois eu falo mais sobre isso.
A banda Washed Out, liderada pelo ícone chillwave Ernest Greene e sem lançar nada desde o disco Paracosm, de 2013, anuncia novo álbum, batizado de Mister Mellow (a capa é essa aí em cima), e troca a Sub Pop pela Stones Throw. O anúncio foi feito com o clipe da “Get Lost”, essa bela colagem em movimento:
Outra coluna da Caros Amigos atualizada por aqui – esta da edição do mês de março, sobre o incrível show em homenagem ao mestre Lanny Gordin. Abaixo, os vídeos que fiz desse show:
Reverência ao mágico
Guilherme Held, Tulipa e Gustavo Ruiz reúnem ícones do pop brasileiro para saudar a importância do guitarrista Lanny Gordin
O que une “Chocolate” de Tim Maia a “Kabaluerê” de Antônio Carlos e Jocafi? Os discos Expresso 2222 de Gilberto Gil e o primeiro disco de Jards Macalé? “Atrás do Trio Elétrico” e “Não Identificado”? Além de ícones da música brasileira, todos eles contaram com o toque elétrico de um dos grandes instrumentistas brasileiros, o guitarrista Lanny Gordin. Comumente referido como “o Jimi Hendrix da Tropicália”, Lanny, felizmente, é muito mais do que isso. Mas, infelizmente, como a maioria dos músicos no Brasil, não tem o reconhecimento público de sua importância, o que inevitavelmente se traduz em condições financeiras. E a aposentadoria do músico – quando ela acontece – quase sempre é precária, devido a inúmeros percalços da prática que não se enquadram exatamente nas leis trabalhistas. Se o artista já anda na corda bamba entre o prazer e a remuneração, a arte e o comércio, o músico é quem mais sofre nesta dicotomia, quase sempre a linha de frente desta batalha.
Lanny não é reconhecido como compositor, mas por sua personalidade musical. O timbre elétrico rasgado até poderia ser característico dos grandes guitarristas de sua geração, mas Lanny o temperava com música brasileira, música erudita, free jazz e músicas do leste europeu, o que torna o título que o compara ao grande guitarrista da história do rock limitado. Enquanto Hendrix buscava as profundezas do blues de forma vertiginosa, Lanny ampliava o horizonte de sua paleta, mais próximo de um guitarrista de jazz do que de rock. Mais do que o timbre gritado ou os voos audazes que o músico fazia pelas cordas de seu instrumento, era o fraseado pontual, solos transformados em melodias (e vice-versa), riffs que praticamente abriam um diálogo com o resto da canção. Era uma voz presente que, uma vez percebida, torna-se uma das assinaturas musicais mais importantes daquele período, entre os anos 60 e 70, da música brasileira.
Um de seus discípulos, o guitarrista Guilherme Held, resolveu mexer-se para consertar esta falha da história. Em vez de esperar o reconhecimento póstumo que é caracteristicamente reservado a grandes artistas que morrem no ostracismo, o jovem músico começou a pensar numa homenagem em vida ao músico com quem morou junto em dois endereços diferentes – na Vila Mariana e em Perdizes -, além de ter tido uma banda com o mestre, no início do século.
A homenagem contou com a adesão imediata de outro discípulo ferrenho, o também guitarrista Gustavo Ruiz, irmão da cantora Tulipa Ruiz, e responsável pela presença do próprio Lanny no disco mais recente da irmã, Dancê, de 2015, produzido por Gustavo. É de Lanny o solo de “Expirou”, registro mais recente do guitarrista até agora, que está impossibilitado de tocar devido a problemas de saúde. Gustavo chamou a irmã de bate-pronto e em menos de um mês, os três levantaram o show Lanny Total, a homenagem hiperbólica que o músico merecia.
A vida de Lanny Total começou em um show na antiga choperia do Sesc Pompeia – que agora chama-se de Comedoria – que aconteceu em duas noites. Só a banda base já era de arregalar os olhos: Guilherme e Gustavo cada um com uma guitarra, Fábio Sá no baixo, Sérgio Machado na guitarra, Pepe Cisneros nos teclados, José Aurélio (que foi da banda de Lanny e Held, Projeto Alfa, no início da década passada) e Maurício Badé na percussão, além dos metais que incluíam Thiago França (sax alto e barítono), Amilcar Rodrigues (trompete e flugel), Filipe Nader (sax alto e barítono) e Allan Abbadia (trombone). Além destes subiram no palco Chico César, Mariana Aydar, Negro Leo, Péricles Cavalcanti, Rômulo Fróes, o irmão de Lanny Tony Gordin e Tulipa Ruiz, acompanhados também por Arnaldo Antunes, o hermano Rodrigo Amarante e Edgard Scandurra no primeiro show – o que assisti – e Heraldo do Monte, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, no segundo. A discotecagem de abertura ficou por conta do DJ Nuts, um dos maiores especialistas em música brasileira do país, e a apresentação da banda a cargo do apresentador Luiz Thunderbird, além de uma performance do artista Aguillar.
No repertório, uma aula de psicodelia brasileira: “Back in Bahia” de Gilberto Gil, “Eu Vou Me Salvar” de Rita Lee, a versão que Caetano fez de “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo” de Monsueto em seu Araçá Azul e várias de Gal Costa, de quem Lanny era uma espécie de arma secreta durante sua fase de ouro – “Hotel das Estrelas”, “Não Identificado” e “Love ,Try and Die”, além de composições de Lanny com os novos músicos, como “O Peixinho Triste” com Rômulo Fróes, “Evaporar” com Rodrigo Amarante e a já citada “Expirou” de Tulipa Ruiz.
Mas a descrição do espetáculo não chega próximo da intensidade do sentimento. Mais do que celebrar a personalidade de um músico ímpar, o que acontecia naquele palco era uma conexão intensa com a música em si. Todos os envolvidos canalizados e conectados tanto com a musa – entidade maior que parece magnetizar músicos e espectadores – como entre si. A catarse mútua do rompante dionísico da canção de Monsueto transformava Scandurra, Arnaldo, Rômulo, Péricles e Amarante numa mesma voz. Tulipa e Mariana Aydar canalizavam a energia mais roqueira de Rita Lee e a mesma Tulipa hipnotizava o público num dueto jazzy com Negro Leo. O público se esbaldava extasiado com aquele delírio coletivo. A impressão que dava era que todo mundo ia sair se abraçando.
A última música – “Chocolate”, de Tim Maia – foi cantada por todos os convidados inclusive por um Criolo penetra, que não havia sido escalado oficialmente mas deixou-se levar pela força da música. Todos com seus maiores sorrisos, surfando na onda boa que o mestre guitarrista provocou há décadas. E agora o show pode ir para outros palcos e outras praças, tornando mais gente consciente da importância deste músico mágico.
Enquanto a segunda temporada da série nostálgica do Netflix Stranger Things não começa, seu protagonista Finn Wolfhard vive a vida de rockstar, tocando cover de New Order e tocando com Mac DeMarco – separei alguns destes momentos no meu blog no UOL.
O ator Finn Wolfhard, que faz o jovem Mike Wheeler na série de terror adolescente Stranger Things, sucesso no ano passado, está tendo um semestre agitado. Além de marcar presença no remake do filme It, inspirado no livro de Stephen King, e na adaptação para o cinema de Carmen Sandiego, o ator ainda consegue arrumar tempo para exercitar seus dotes de rockstar. Foi o que aconteceu no domingo passado, quando ele participou do show do herói indie da vez, o ótimo Mac DeMarco, na cidade de Atlanta, nos EUA, e mostrou que não é apenas um aluno da escola do rock, como dá pra ver nesses dois vídeos postados no Instagram da atriz Natalia Dyer, a Nancy de Stranger Things:
Isso sem contar a participação que a própria banda do ator fez no festival nostálgico Strange 80s, tocando uma versão para “Age of Consent”, do New Order, no início deste mês.
O garoto tem futuro.
O novo disco do Curumin vai pegar todo mundo de surpresa. Boca é seu trabalho mais ousado, com fortes tintas políticas (embora ele não ache seu disco mais político, como comentou comigo na entrevista abaixo), muita pós-produção, muito ritmo sincopado, os gêneros entrando uns nos outros, a brasilidade cada vez mais aflorada. O disco sai no fim desta semana e tem participações de diferentes artistas (que ele comenta também abaixo) e já é um dos discos mais importantes de 2017. E talvez seja o primeiro a refletir sobre essa situação política esquisitaça onde o Brasil se meteu – e a cutucá-la. Bati um papo com ele sobre minhas impressões sobre o disco. Até o fim da semana publico o faixa a faixa que ele fez do disco por aqui.
Boca é seu disco mais político?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-boca-e-seu-disco-mais-politico
O disco está sintonizado com a crise política atual – foi intencional?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-o-disco-esta-sintonizado-com-a-crise-politica-atual-foi-intencional
É um disco que procura andamentos incomuns, compassos tortos, ritmos atravessados, gêneros que se misturam…
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-e-um-disco-de-andamentos-incomuns-compassos-tortos-ritmos-atravessados
Por que Boca? Há um conceito por trás do disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-por-que-boca-ha-um-conceito-por-tras-do-disco
Ele tem uma força espiritual sutil e uma brasilidade escancarada.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ele-tem-uma-forca-espiritual-sutil-e-uma-brasilidade-escancarada
Como foi a gravação? Fale do processo de composição do disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-como-foi-a-gravacao-fale-do-processo-de-composicao-do-disco
Há menos canções e mais experimentos de estúdio. Houve muita pós-produção?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ha-menos-cancoes-e-mais-experimentos-de-estudio-houve-muita-pos-producao
Ele é orgânico e eletrônico na mesma medida – foi intencional?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ele-e-organico-e-eletronico-na-mesma-medida-foi-intencional
Fale sobre as participações especiais do disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-fale-sobre-as-participacoes-especiais-do-disco
Achei que o disco tem um que afrofuturista, você acompanha essa vertente?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-achei-que-o-disco-tem-um-que-afrofuturista-voce-acompanha-essa-vertente
Seu disco é uma resposta a falta de protesto na música brasileira atual?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-seu-disco-e-uma-resposta-a-falta-de-protesto-na-musica-brasileira-atual
Lana Del Rey atravessa mais uma etapa de seu novo álbum Lust for Life e apresentou duas novas canções pela primeira vez ao vivo, em sua apresentação no festival californiano KROQ Weenie Roast Y Fiesta. Seguindo a linha girl group do início dos anos 60 que as canções sugerem, ela apresentou-se à caráter e começou com a faixa que batiza o disco, entoada a plenos pulmões pelo público:
E depois a inédita “Cherry”, em mais um golpe de mestre da bela de plástico.
“King Crimson tocou ‘Heroes’ de David Bowie no Admiralspalast de Berlim como uma celebração, uma memória e uma homenagem. O show aconteceu trinta e nove anos e um mês após as sessões de gravação originais no Hansa Tonstudio próximo ao Muro de Berlim”, escreveu Robert Fripp, autor da guitarra que conduz a música original de David Bowie, ao anunciar o EP Heroes (já à venda), às vésperas da turnê que seu renascido King Crimson fará pela América do Norte no meio deste ano (datas aqui). A nova versão mantém a sensibilidade do clássico single.
O jovem mestre Steven Ellison, também conhecido como Flying Lotus, deixa todo seu amor por Twin Peaks exposto ao incluir a faixa-tema de Angelo Badalamenti no meio de um set no Upstream Music Fest em Seattle.
E por que não lançar o minirremix pra download?
Que encontro!









