Rincon Sapiência reforça sua tradição de fim de ano e lança novo single apontando os novos rumos: em “Mete Dança” ele segue trilhando o fim das fronteiras entre gêneros musicais e acena para a Bahia, além de flertar com o trap, o reggae, o pagodão baiano e o funk – e avisa que está pronto para desbravar 2019.
Vamo lá, rapá!
Negro Leo esperou o dia 25 para nos dar de presente E Ninguém Subiu ao Céu, a Não Ser Quem Desceu do Céu, o segundo volume de seu projeto anarcogospel Meu Reino Não é Deste Mundo.
Feliz natal.
Bati um papo com Bento Araújo, do Poeira Zine, sobre o novo volume de seu livro Lindo Sonho Delirante na minha coluna Tudo Tanto desta semana – e fica a dica como presente de Natal para quem gosta de música brasileira – leia aqui.
As musas cariocas Letrux e Mãeana unem suas forças no espetáculo Bruxas nesta sexta e cantam PJ Harvey, Rita Lee, Ângela Rô Rô e outras deusas esotéricas da música popular no último espetáculo da curadoria de música do Centro Cultural São Paulo em 2018, na Sala Adoniran Barbosa, a partir das 21h (mais informações aqui).
O disco Doggystyle, o clássico que colocou o Snoop Dogg em nosso imaginário e sintonizou o rap de vez no funk dos anos 70, completou 25 anos nesta sexta-feira e o Pedro Pinhel lembrou de um mix que o próprio Snoop fez há cinco anos enfileirando as músicas que usou como base para o disco, comentando por cima das músicas cada uma das referências. É uma aula de g-funk – e nunca é demais Isaac Hayes, George Clinton, Curtis Mayfield…
https://soundcloud.com/snoopdogg/sets/doggystyle-the-samples-20th/
Curtis Mayfield – “Give Me Your Love”
Funkadelic – “Not Just Knee Deep”
George McCrae – “I Get Lifted”
Slave – “Watching You”
George Clinton & Parliament, Funkadelic – “Flashlight”
Santana – “Fried Neckbones & Some Fries”
Slick Rick & Dougie Fresh – “La Di Da Di”
Bernard Wright – “Haboglabotribin”
Kool & The Gang – “Summer Madness”
Curtis Mayfield – “Eddie You Should Know Better”
George Clinton – “Atomic Dog”
Tom Browne – “Jamaica Funk”
Parliament – “Give Up The Funk”
Lyn Collins – “Think About It”
Isaac Hayes – “A Few More Kisses To Go”
Ohio Players – “Funky Worm
Isaac Hayes – “The Look Of Love”
Escrevi sobre o aniversário de meio século do disco mais conturbado dos Beatles lá no site Reverb.
Sem aviso, a banda curitibana Ruído/mm anuncia que lançará seu novo disco nesta quinta-feira e antecipa a penúltima faixa, “Jacó”, em primeira mão para o Trabalho Sujo. Seguindo instrumental, como sempre, o novo disco segue uma linha bem diferente dos trabalhos anteriores, embora os fortes ataques em câmera lenta ainda predominem o cenário do álbum. Felizmente A é Côncavo, B é Convexo foge bastante da fórmula conhecida do pós-rock, gênero sem fronteiras em que a banda normalmente é encaixada. “O disco orbita se relacionando e fugindo do que já fizemos, ora se aproximando ora se aventurando”, tenta explicar Pill, enquanto Liblik tenta racionalizar a distância entre os dois álbuns: “Eu diria que são quatro anos-luz – cerca de 37.842.921.890.323 quilômetros. Pensemos em quanto o Brasil de 2014 se distancia do de 2018.” “Jacó” é uma boa amostra deste novo rumo – que não é um só.
A é Côncavo, B é Convexo é o trabalho mais recente do grupo desde o ótimo Rasura, de 2014, e o primeiro desde que um de seus guitarristas, André Ramiro, mudou-se para os Estados Unidos, mas a mudança não interferiu o processo de criação da banda. “Dois países é moleza”, me conta o tecladista Alexandre Liblik por email, “o problema é a distância dos seis mundos e as realidades diferentes que cada um de nós vive”. “Temos trabalhado remotamente via internet desde o Rasura, então é algo que já nos acostumamos”, completa o outro guitarrista, Ricardo Pill. “O papel fundamental do Ramiro nas composições só segue possível porque a sintonia dele com a banda é muito grande, de verdade. Felizmente, as agendas bateram e ele pôde estar presente para gravar conosco pessoalmente.”
As agendas não bateram, no entanto, para o lançamento do novo álbum – e o grupo mostra o disco ao vivo neste domingo, no Teatro da Reitoria da UFPR, em Curitiba (mais informações aqui). A resposta para como lidar com a ausência do guitarrista tem a ver com a proposta do grupo: “Emaranhamento quântico. Nós estamos em estado de sobreposição – é ritual. O Ramiro sempre chega junto quando tocamos, seja como espectro ou mesmo compartilhando alguns spins em comum”, completa Liblik. A banda ainda conta com Felipe Ayres na guitarra, Rafael Panke no baixo e Giovani Farina na bateria.
No entanto, esta comparação não é apenas política. “É uma da possíveis leituras, mas definitivamente não se resume a isso”, conta o baixista. “Estamos estarrecidos com os rumos que História tem tomado, mas o A/B que exploramos vai além, dizendo respeito às ambiguidades, aos paradoxos e às aparentes dualidades presentes nas categorias elementares do pensamento humano. A complexidade derivada das paralaxes de percepção é estonteante e melhor expressada sem o uso de palavras.”
Pill deschava melhor este conceito: “Entendo essa interpretação, mas acredito que o título, o nome das músicas e principalmente o som reflete muito mais o microcosmos da banda. Como se expressar de forma subjetiva através de um ser coletivo? Como lidar com prismas onde o apreço estético não tem valor de juízo? E no final caímos no abismo do ‘eu prefiro’. O disco é, mais uma vez, um exercício de diálogo, uma busca de um chão comum ou de uma divergência válida, interessante. É claro que não somos imunes ao que está acontecendo na política brasileira e isso em algum grau deve estar presente na música. O quanto, não sabemos.”
“O Agambem traduz Política no sentido de Aristóteles como o (co)partilhamento da existência”, amplia ainda mais a discussão o tecladista. “Não pode haver nós versus eles quando temos tão somente nós-que-compartilhamos-o-mundo. Em nosso processo específico para a criação deste disco, tivemos que lidar com toda a gama de dificuldades possíveis – já aqui, uma micropolítica da convivência foi essencial. Em primeiro lugar, cada um cuidando do seu jardim, buscando o Eu-Tu nas relações. Saindo dessa micropolítica da banda, podemos admitir que a música instrumental só pode acontecer num espaço coletivo, em que o emaranhamento de pessoas que estão concentradas e focadas nos epifenômenos, nas sutilezas, nas profundidade, é o que torna a experiência subjetivamente importante e “maior” – gestalt. É uma definição perfeita do que seria esse compartilhar da existência. Na macropolítica, somos entusiastas desse compartilhamento – acredito que haja mais política numa experiência xamânica do que em um ano de discursos e argumentação politica.”
O disco estará disponível em todas as plataformas digitais a partir desta quinta. Abaixo, a capa (feita por Jaime Silveira sobre uma gravura de Maikel da Maia) e o nome das músicas do disco, na ordem.
“Niilismo”
“Volca”
“Antílope”
“Ourobouros”
“Tesserato”
“Esporos”
“Jacó”
“MMC”
O supercorda Pedro Bonifrate manda notícias ao anunciar um single inesperado no fim de ano: “Alfa Crucis” é o início de uma nova fase de composições e gravações que ele começou a desenvolver no meio do ano, depois do que ele chama de “inferno astral elétrico”. “Apliquei um método mega lo-fi nisso, parece mais primitivo que as últimas coisas”, ele me explica sobre a nova música, que define como um “single de consolação, pra ajudar a renovar as energias de forma sonhadora”. Ele aproveita para estrear o clipe em primeira mão no Trabalho Sujo – e explica o novo single logo abaixo:
“Em julho de 2018 aconteceram coisas que eu defini em parte como um inferno astral elétrico: minhas caixas queimaram, minha guitarra caiu e quebrou o nut, a captação do meu violão queimou, um amplificador também, e finalmente meu computador pifou. Eu faria um show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, aqui em Paraty durante a Flip, e felizmente consegui dar um jeito no violão, porque descobri um muito improvável vizinho que trabalhou anos com luthieria e eletrônica. Então eu consegui ensaiar pro show, com o mínimo que eu tinha funcionando, e nesse esquema de trabalhar com loops que ando fazendo ao vivo.”
“Brincando com o velho tecladinho Casio e um delay analógico eu criei esse loop básico de ‘Alfa Crucis’, e a canção foi feita em poucos dias a partir daí, até cheguei a incluí-la nessas últimas apresentações que fiz aqui. Como eu tenho um gravador Fostex de 4 pistas em cassete e ele pareceu imune ao caos eletrônico, eu resolvi gravar tudo nele. Depois, com um computador novo, exportei os canais, fiz umas poucas edições e mixei digitalmente, mas sem interferir muito no som de fita original, então ficou muito low-fi, como há tempos eu não soava.”
“A vontade de lançar logo essa canção, como um single isolado, veio do fato de ela estar pronta e de eu acreditar que ela pode consolar e energizar alguns corações apreensivos e partidos pela nossa conjuntura política. É uma canção que procura contemplar um futuro em que possamos todos observar as estrelas do nosso céu do sul, apesar de toda a loucura das nossas vidas materiais, e nos entregar ao mistério que é estarmos vivos. Há uma relação temática com um álbum que estou começando a gravar, e provavelmente uma nova versão dela estará nessa coleção, mas não há previsão de que fique pronto tão cedo.”
Já não tem mais quem possa encontrar a medida das coisas
Só os lábios fônicos e vibrações das baleias dentadas
Já não tem mais quem vá suspeitar da folia
Só você e eu a lamentar a ausência de um disco hipotético
Preguiçosos vimos Alfa Cruz brilhar sobre a casa, nossa casa
Você regalou e pegou no sono a declamar asterismos
Polaris
Urodelos
Eridamus
Afa Al Farkadain
Monoceros
Almagesto
Já não tem mais quem possa encontrar a medida do planeta
Já não tem mais
Já não tem mais
Já não tem mais
Neste domingo, às 19h, Maria Beraldo mostra seu primeiro disco solo Cavala no palco da Sala Adoniran Barbosa do CCSP (mais informações aqui).
É oficial: a lenda pós-punk volta mais uma vez aos palcos brasileiros em novembro, desta vez passando por dois Sescs! Dia 24 no Sesc Ribeirão Preto e dias 22 e 23 no Sesc Pompéia! Imagina isso!











