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Loki

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Duas bandas em ascensão na nova cena cearense – os climáticos Oto Gris e os psicodélicos Casa de Velho – apresentam-se de graça nesta quinta-feira no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h (mais informações aqui).

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Famoso por não discutir os temas relacionados aos seus filmes, Kubrick ergueu um monumento à linguagem cifrada quando lançou seu filme mais emblemático, 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Até hoje, cinquenta anos depois, discute-se a importância deste filme do ponto de vista de suas cenas enigmáticas, especialmente a sequência final “Júpiter e Além”, que fez os críticos da época saírem da pré-estreia perguntando-se “que porra é essa?”.

O próprio Kubrick, em uma entrevista para a revista Playboy na época do lançamento do filme, disse que “não é uma mensagem que eu quero passar em palavras. 2001 é uma experiência não-verbal; duas horas e dezenove minutos com apenas cerca de quarenta minutos de diálogo no filme. Tentei criar uma experiência visual, uma que ultrapassa classificações verbalizadas e penetra diretamente no subconsciente com um conteúdo filosófico e emocional. Desenvolvendo McLuhan, em 2001 a mensagem é o meio. Eu quis que o filme fosse uma experiência intensamente subjetiva que alcança o espectador num nível interior de consciência, como acontece com a música; “explicar” uma sinfonia de Beethoven seria castrá-la ao erguer uma barreira artificial entre a concepção e a apreciação. Você está livre para especular como quiser sobre o significado filosófico e alegórico do filme – e tal especulação é uma indicação que o filme foi bem sucedido ao pegar o público em um nível profundo – mas eu não quero ditar um mapa para que cada espectador de 2001 se sinta obrigado a segui-lo ou então ele não terá entendido. Acho que se 2001 é bem sucedido, é em atingir um vasto espectro de pessoas que nunca havia pensado sobre o destino da humanidade, seu papel no cosmos e sua relação com formas superiores de vida. Mas mesmo no caso de alguém que é altamente inteligente, algumas ideias encontradas em 2001, se apresentadas como abstrações, não funcionariam e seriam automaticamente forçadas a seguir categorias intelectuais; experimentadas em um contexto emocional e visual em movimento, contudo, eles podem ressoar nas fibras mais profundas de nós.”

Mas eis que, durante as gravações de um documentário japonês sobre o filme de Kubrick de 1980, O Iluminado, o diretor baixa a guarda e conta o que pretendia com as cenas finais de seu clássico filme de 1968. O documentário, liderado pela celebridade de TV japonesa Jun’ichi Yaio, nunca foi realizado, mas as fitas com suas gravações foram leiloadas em 2016 e agora finalmente aparecem na internet. Em um thread do Reddit, em um trecho da entrevista de uma entrevista de Jun’ichi Yaio com Kubrick ao telefone, o diretor explica o final de 2001 de forma sucinta.

“Eu tentei evitar fazer isso desde que o filme saiu. Quando você apenas fala sobre as ideias elas soam tolas, enquanto se você as dramatiza pode fazê-los sentir, mas vou tentar. A ideia é que supostamente ele é levado por entidades de características divinas, criaturas de pura energia e inteligência sem formato. Eles o colocam naquilo que você pode descrever como sendo um zoológico humano para estudá-lo e ele passa o resto da sua vida daquele ponto naquele quarto. Ele não sente o tempo. Parece acontecer da mesma forma que acontece no filme.

Eles escolhem este quarto, que é uma réplica bem imprecisa de arquitetura francesa (deliberadamente feita para ser imprecisa), porque alguém sugeriu que eles tinham alguma ideia de que ele poderia pensar o que era bonito, mas não tinham certeza. Da mesma forma que nós não temos certeza sobre o que fazer nos zoológicos com os animais para tentar dar uma ideia do que achamos que é seu ambiente natural.

De toda forma, quando eles terminam com eles, como acontece com tantos mitos em nossas culturas no mundo, ele é transformado em uma espécie de super ser e mandado de volta para a Terra, transformado e agora na forma de uma espécie de super-homem. Só nos restas imaginar o que pode acontecer quando ele volta. É o padrão de boa parte das mitologias e era isso que estávamos querendo sugerir.”

A íntegra da fita pode ser vista abaixo:

A vinda de Edgar

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Edgar está vindo e quem sabe, sabe. É até redutor chamá-lo de rapper, uma vez que este arauto de Guarulhos caminha tanto pelas fronteiras do texto falado que também abrangem o rap, mas que também ecoam no rádio-jornalismo, na poesia slam, no spoken word, na locução e em outras formas narrativas que usam a voz não-cantada como veículo. Embrenhando-se como um cigano em diversos lugares do país (já morou na casa de amigos no sul, em Minas Gerais, no Pernambuco – cada um destes lugares influenciando sua arte), ele não para apenas na música como vai além: seu figurino, presença online e fotos reciclam cacos de nosso imaginário para criar um ser novo e mutante, retrô e futurista, assustador e encantador na mesma medida. Seu primeiro disco, Ultrassom, será lançado pela Deck agora em agosto e foi produzido pelo jovem mestre Pupillo, baterista da Nação Zumbi. Edgar antecipa o clipe de “O Amor Está Preso?” em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Abaixo, a capa do disco e a ordem das músicas, duas delas com a participação de Céu e Rodrigo Brandão.

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“Líquida”
“Felizes Eram os Golfinhos”
“Go Pro”
“Print”
“O Dia é Meu” (participação: Céu)
“Plástico”
“Saúde Mecânica”
“Adorno” (participação: Rodrigo Brandão)
“O Amor Está Preso?”
“Antes Que as Libélulas Entrem em Extinção”
“Charles Lynch”

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Duas bandas de rock torto do selo Sinewave, Macaco Bong e Odradek, dão início à última semana de apresentações gratuitas no CCSP nesta quinta, às 21h (mais informações aqui).

Dissecando M.I.A.

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O documentário MATANGI / MAYA / M.I.A., do diretor Stephen Loveridge, pretende mergulhar numa das artistas mais ímpares deste século – M.I.A. e sua transformação de ativista política para popstar global em menos de uma década.

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Esqueci de linkar aqui o post que fiz pro Instagram da revista Trip no meio do mês sobre o show que o grupo fez para lançar seu excelente Quebra-Cabeças no Sesc Pompeia – com direito a vídeo da faixa-título. Abaixo, a íntegra do texto que mandei pra revista.

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Música de protesto instrumental. Essa é a proposta do Bixiga 70 (@bixiga70) com o álbum "Quebra Cabeça”, que nasce após turnês globais da banda que conquistou o Brasil e o mundo, passando por cidades como Los Angeles e pela Índia. Quarto trabalho do grupo, o disco começou a ser gravado ainda em 2017, quando lançaram a faixa “Primeiramente”. Foi a primeira vez que alguém de fora deu pitacos na criação do Bixiga 70, responsabilidade de Gustavo Lenza, que assumiu a produção do álbum.⠀ .⠀ “A política acaba intervindo no nosso trabalho de uma forma muito direta. Tem gente que quer extinguir o Ministério da Cultura. Não tem música que não seja de protesto numa situação dessas! Qualquer mínimo de pensamento já é protesto”, conta o guitarrista e tecladista Maurício Fleury.⠀ .⠀ Colamos no ensaio da banda pra conferir uma prévia do show, que rola hoje, amanhã e sábado, no Sesc Pompeia (@sescpompeia), em São Paulo. ⠀ .⠀ Vídeo: @trabalhosujo⠀ .⠀ #RevistaTrip #Bixiga70 #MúsicaInstrumental #Música

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Música de protesto instrumental
O Bixiga 70 lança seu quarto disco, pegando ainda mais pesado na veia política, mesmo sem vocais

A máquina de groove Bixiga 70, hidra paulistana de dez cabeças que conquistou o Brasil e o mundo, está prestes a lançar seu quarto álbum, Quebra-Cabeças, e começam a apresentá-lo a partir desta quinta-feira até sábado, com três shows no Sesc Pompeia. É o disco do grupo que mais demorou tempo para sair e o primeiro que leva um título – os anteriores foram batizados apenas com o nome da banda. Também muda a abordagem musical – é um disco mais
introspectivo e pesado que os discos anteriores.

“Reflete o momento: tem sido bem pesado viver no Brasil”, conta o guitarrista e tecladista Maurício Fleury, “a gente nunca quis cair numa coisa que fosse muito parnasiana, o som pelo som, a gente precisava achar um eixo que foi falar sobre o que a gente vive.”. “A gente sempre teve isso, de fazer música de protesto mesmo sem escrever letra”, emenda o saxofonista Daniel Oliveira.

“A gente sente isso todo dia, em cada treta que acontece em São Paulo. A gente fazia o Dia do Grafitti no Bixiga todo ano, mas no ano passado não conseguimos fazer porque não teve apoio da prefeitura”, continua Fleury. “A política acaba intervindo no nosso trabalho de uma forma muito direta. Tem gente que quer extinguir o Ministério da Cultura. Não tem música que não seja de protesto numa situação dessas! Qualquer mínimo de pensamento já é protesto. Querem que a gente vá contra a ciência, contra a cultura, a arte, o respeito à vida humana… É muito terrível o que a gente tá vivendo, o que a gente faz é uma ilustração, talvez não seja tão transformador, é só uma forma de reagir. Não tem como não se posicionar”.

O disco demorou para sair pois foi atropelado pelas turnês globais do grupo, especificamente uma que durou 45 dias no meio do ano passado, que fez a banda passar por Los Angeles e pela Índia. Gestado durante quatro dias em um sítio no interior de São Paulo em maio do ano passado, Quebra-Cabeças começou a ser gravado ainda em 2017, quando o grupo lançou a faixa “Primeiramente”. Foi a primeira colaboração com o engenheiro de som Gustavo Lenza, que assumiu a produção do disco – é a primeira vez que alguém de fora dá pitacos na criação do Bixiga 70. O tom ainda é festivo mas parte do novo repertório é lento e melancólico.

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Duas forças na nova psicodelia brasileira – a paulista Bike e a capixaba My Magical Glowing Lens – se reúnem neste domingo, às 18h, no CCSP, para realizar mais um show conjunto dentro da programação do Centro do Rock – mais uma vez, de graça (mais informações aqui).

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Nesta sexta-feira o Centro do Rock abre espaço para o pós-rock cearense, com o encontro das bandas Maquinas e Astronauta Marinho no palco do CCSP, às 19h, de graça (mais informações aqui).

Cine Doppelgänger

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Vamos conversar sobre cinema? Finalmente materializo um velho projeto que venho acalentando há anos com a minha querida amiga Joyce Pais, do site Cinemascope, e juntos temos o prazer de apresentar a sessão de debates sobre cinema Cine Doppelgänger, que acontece mensalmente entre julho e dezembro, todo terceiro sábado do mês, na Sala Cinematographos, que fica no Museu Casa Guilherme de Almeida (Rua Cardoso de Almeida, 1943 – Sumaré, São Paulo). A ideia é exibir sempre dois filmes – um escolhido por mim e outro pela Joy – e, no final da exibição, conversar sobre a relação entre os dois. A estreia do Cine Doppelgänger acontece neste sábado com a sessão Los Angeles, Cidade Permitida em que exibimos O Grande Lebowski (às 11h), dos irmãos Coen, e Cidade dos Sonhos (às 14h), de David Lynch, para depois conversar sobre pontos em comum e divergentes sobre a temática dos dois filmes. A inscrição é gratuita, basta entra no site da Casa Guilherme de Almeida.

Segue abaixo a programação completa do Cine Doppelgänger até o final do ano:

Dia 21 de julho: Los Angeles, Cidade Permitida

21 de julho: O Grande Lebowski (1998) e Cidade dos Sonhos (2001)

O Grande Lebowski (1998) e Cidade dos Sonhos (2001)

Os irmãos Coen e David Lynch comentam sobre o mundo de ilusões criado a partir de Hollywood em dois novos clássicos da virada do milênio. Enquanto Cidade dos sonhos mergulha na dicotomia entre a dura realidade e a sétima arte, borrando os limites entre estes dois universos, O grande Lebowski escancara a fábrica de mentiras do mundo do entretenimento da costa oeste norte-americana.

18 de agosto: A Paranoia por Dentro

18 de agosto: De Olhos Bem Fechados (1999) e Rede de Intrigas (1976)

De Olhos Bem Fechados (1999) e Rede de Intrigas (1976)

O último filme de Stanley Kubrick e a obra-prima de Sidney Lumet vão às entranhas das sociedades secretas e dos sistemas de poder para mostrar sua abrangência e escopo, contrapondo-se à pequenez da individualidade humana.

15 de setembro: O Diabo Mora ao Lado

15 de setembro: O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

Dois filmes de terror que lidam com o aspecto corriqueiro da maldade, as obras de Polanski e Peele refletem a época de suas produções, levantando questionamentos sobre feminismo e racismo, além de aprofundarem-se no estudo da vileza humana.

20 de outubro: Realidade de Mentira

20 de outubro: Zelig (1983) e Verdades e Mentiras (1973)

Zelig (1983) e Verdades e Mentiras (1973)

Em dois documentários falsos, Woody Allen e Orson Welles escancaram a fábrica de ficções que é a sétima arte em duas obras seminais, que já lidavam com os conceitos de pós-verdade e fake news muito antes do século 21.

17 de novembro: Autoria em Xeque

17 de novembro: 8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

Dois cineastas confrontados por suas obras começam a colocar em questão suas próprias existências como autores. O mitológico 8 e 1/2 de Fellini e o complexo Adaptação de Spike Jonze contrapõem duas crises criativas inversas – a primeira, as motivações por trás do início da criação artística; a segunda, o dilema autoral de trazer uma obra alheia para seu próprio reino criativo.

15 de dezembro: Brasil aos Pedaços

15 de dezembro: O Som ao Redor (2012) e Trabalhar Cansa (2011)

O Som ao Redor (2012) e Trabalhar Cansa (2011)

Dois filmes nacionais contemporâneos jogam luzes sinistras sobre este país dividido que nos acostumamos a se referir como um só. Enquanto o primeiro longa de ficção de Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, espatifa a noção de normalidade ao revelar a rotina complexa e movida pela culpa de um bairro rico no Recife, o primeiro longa da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, Trabalhar Cansa, entra em um microcosmo profissional para se aprofundar nas entranhas de um Brasil farsesco – de modo apavorante.

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Hoje é dia de eletricidade feminina no Centro do Rock do Centro Cultural São Paulo, quando a banda mineira Miêta encontra a banda paulistana In Venus no palco da Sala Adoniran Barbosa a partir das 19h – não custa lembrar que é de graça (mais informações aqui).