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Loki

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Prestes a lançar mais um disco de protesto – Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio -, o “Bob Dylan da Central do Brasil” chamou Raquel Virgínia e Assucena Assucena das Bahia e a Cozinha Mineira para um dueto em “Chumbo Grosso”, primeiro single que ele antecipou para a minha coluna no Reverb, Tudo Tanto
confere lá.

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Fernando Catatau está mergulhado em outras canções. Ele voltou pra sua cidade-natal como se tivesse encerrado o ciclo que provocava a existência de seu Cidadão Instigado e começou a compor músicas para longe daquele universo musical, canções melancólicas e românticas que remetem à sua nova relação com Fortaleza. É um imenso prazer recebê-lo para mostrar este novo repertório sozinho no palco por duas terças-feiras consecutivas no início de fevereiro no Centro da Terra (mais informações aqui). Conversei com ele sobre esta nova fase numa entrevista sobre esta minitemporada chamada Luz do Fim de Tarde, título de uma destas novas canções.

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John Lennon acordou no dia 27 de janeiro de 1970 com uma música na cabeça. Foi ao piano e a terminou em uma hora. Ligou para George Harrison e Phil Spector – o produtor americano que havia acabado de chegar em Londres a convite de Allen Klein, que era então empresário da Apple, a gravadora dos Beatles – e os chamou para gravá-la naquela mesma noite. Na semana seguinte a música estava à venda como compacto, um feito histórico numa época em que a tecnologia ainda não corria na velocidade atual: entre a composição e a chegada aos ouvintes foram apenas sete dias, um processo-relâmpago comparado à meticulosidade de produção da época.

Sete dias são uma era geológica, se compararmos à velocidade do fim da segunda década do século 21, onde tudo acontece tão rápido que desparece com a mesma pressa que apareceu. E foi a partir desta lógica – e usando uma plataforma perfeita para isso -, que o grupo brasiliense Satanique Samba Trio apresenta, a partir desta sexta-feira, seu disco Instant Karma, que será publicado nos Stories da conta do Instagram do grupo, 28 faixas de quinze segundos que ficarão no ar apenas um dia para evaporar no dia seguinte. É o primeiro álbum lançado neste formato no mundo, “primeiro álbum líquido”, como dizem, “mas não checamos”.

“Foi em uma conversa com o baterista da banda, o Lupa Marques”, me explica o líder do grupo, o lendário Munha da 7. “Falávamos sobre as ideias mais idiotas e auto-destrutivas que já tivemos nos 15 anos de banda, como o Satanique Samba Trio Elétrico e o Ensaio Aberto – e fomos imaginando cenários e chegamos nesta ideia. Talvez seja a interpretação mais literal do termo ‘autodestruição’ que conseguimos encontrar”, lembra.

As músicas foram gravadas num único celular e com “gravadores de fita do tempo do ronca” e seguem a linha de “MPB desconstruidona entoadas como cânticos de celebração à impermanência das coisas”, como explica o líder da banda. “Roçando as bordas das questões a respeito do que é certo e errado no escopo dogmático da música brasileira”, Munha continua. “Aliás, todos instrumentos foram gravados separadamente em um único celular, que inclusive morreu de vez no final das gravações. Ou seja, é do nosso celular pro seu – postei uma foto dele no instagram da banda.”

Instant Karma começa a partir das 17h, hora de Brasília, no Instagram do Satanique.

O Drama de 2019

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“Quantos negros tem aqui? Quantos índios tem aqui? Quantos trans tem aqui? Quantos gays? Quantas minas?”, pergunta Tantão ao final de “Nação Pic Pic”, que encerra seu segundo disco com Os Fita, Drama, lançado nessa quinta-feira. Motivado pelos acontecimentos recentes na vida política brasileira, o trio liderado por Carlos Antonio Mattos, nome de batismo de metade da crucial dupla de pós-punk carioca dos anos 80 Black Future, foi gravado durante o processo eleitoral do ano passado e isso inevitavelmente contagiou todo o trabalho, a partir do título. “Drama é um disco totalmente diferente em termos de processo”, Abel Duarte, um dos produtores d’Os Fita, contrapõe o novo disco a Espectro, o disco de estreia do trio, um dos melhores de 2017. “Apesar da estética das músicas guardar alguma semelhança com as músicas de Espectro, ele surge de um processo criativo totalmente diferente. Pra começo de conversa já sabíamos que estávamos fazendo um disco, já tínhamos o nome Drama e todo um imaginário em torno desse conceito.”

O Drama do título refere-se ao que está acontecendo no Brasil. “Acho que esse ano e meio que separam os dois discos – podemos pensar em dois anos e meio se levarmos em conta a data de gravação do Espectro – foram um turbilhão de acontecimentos significativos no Brasil e no mundo”, continua Abel. “O Tantão é muito sensível a tudo isso e acho que a antena dele captou um monte de coisa no ar e traduziu a sua maneira nessas letras. Elas trazem muitas referências da violência que o capitalismo avançado aplica no corpo do povo. Aqui no Brasil, pais de ‘terceiro mundo’ – dividido – subdesenvolvido, colônia, essa violência é praticamente inescapável, principalmente para um cara tipo o Tantão, que transgride tudo sempre. Isso tudo assumiu uma forma muita clara e direta nos últimos anos – pós-golpe – quando todos os últimos resquícios de uma certa segurança social e todo e qualquer mecanismo de proteção dos trabalhadores e principalmente das ‘minorias’ passaram a ser destruídos e atacados diretamente pelo próprio estado. Ele sente isso de forma muito própria e todas as letras trazem esses dramas, tanto os seus dramas subjetivos, quanto os dramas da política institucional e os debates e pautas de políticas identitárias. Não tem como não se afetar por isso tudo, o disco foi gravado durante o processo eleitoral, essas discussões de racismo, homofobia, Bolsonaro, Trump, comunismo, as terras indígenas, isso tudo estava muito no imaginário coletivo, nas ruas, nas redes.”

“Tem uma coisa interessante também que aconteceu ao longo desse tempo que foi a convivência que tivemos, super intensa, trabalhar com o Tantão, viajar, ele chegar na tua casa louco quando você menos espera, várias farras, loucuras e tal, acho que tudo isso serviu pra gente chegar nesse lugar do Drama”, continua o produtor. “Tudo é muito dramático. Ele de uma forma muito inteligente pegou essa ideia e transformou em sete letras que trazem essa carga dramática muito forte.”

“Quanto às bases, eu e Cainã (Bomilcar, o outro Fita) já trabalhamos há um tempo juntos e isso fez nascer certas linguagens/processos que são próprias dessa parceria e está nos dois discos. O uso abusado dos samples, das distorções, a coisa da colagem, da edição, dos loops. Agora, sem dúvida, esse projeto com o Tantão, fez a gente abrir o ouvido e prestar bastante atenção em muita coisa nova para nós em termos de música eletrônica de pista, principalmente das periferias, então acho que o footwork, grime, o funk, o 150, o rap, kuduro e suas derivações, dub, todos esse guarda-chuva sonoro aí mexeu muito com a gente nesses últimos tempos. Talvez não como referência direta, mas como uma coisa que estamos sempre ouvindo e trocando.”

Abel gosta de fazer a separação processual entre os dois discos, sendo que o primeiro nem foi pensado como um disco. “Penso o Espectro como um disco que nasceu de um processo de edição/colagem no ProTools. Depois da gravação de uma sessão de improviso – que não tinha a pretensão de virar disco – ficamos um ano nesse processo. Pouquíssimas coisas foram gravadas depois. Os instrumentos eram mais toscos, não gravamos no grid, não tínhamos os BPMs anotados direito, as coisas haviam sido gravadas somadas em poucos canais – isso tudo tornou o processo as vezes um pouco difícil, o material tinha muitas limitações, obviamente dessas limitações surgem muitas coisas interessantes. As letras como são, também surgiram assim, muita coisa foi cortada e as estruturas, as partes, o texto também surgiram na edição.”

“O processo do Espectro foi mais guerra e talvez por isso mais experimental, foi surgindo ali, sem pressa, do material que tínhamos ao longo de um ano até entendermos que tinha um disco. Soa mais lo-fi, mais sujo, mas acho muito legal o que surgiu do material, o que era a gravação e o que virou o disco no final”, Abel segue a comparação. “Drama foi bem mais objetivo, planejado, feito muito mais rápido. Soa muito hi-def, apesar da sujeira, das distorções, os elementos de bateria tem muito mais peso, a voz ficou muito mais bem gravada, a performance do Tantão foi mais calculada por ele. Os beats são mais complexos, os BPMs mais acelerados, apontam mais pra música eletrônica de pista. O disco é mais certeiro como um todo, tem menos sobras em todos os sentidos. Olhando para os dois discos, acho muito interessante ver que criamos juntos um jeito de produzir uma música eletrônica “pop” com métodos e processos muito próprios, muito específicos do projeto, que fazem as coisas funcionarem e acontecer apesar das loucuras e limitações técnicas e musicais de cada um – isso vale também para os shows.”

As letras de Tantão (sintetizadas em títulos de músicas como “Vai Não Volta”, “O Sinistro”, “Adoração de Ídolos” e “Música do Futuro”) e as bases processadas d’Os Fita criam uma sensação de desconforto e de falta de pertencimento que ecoa outras referências musicais deste século. “Acho que o Cainã colocou de maneira perfeita, somos tendência, mas acho que sempre vamos soar estranho no contexto da música pop”, continua Abel. “Além do mais não consigo identificar claramente qual seria ‘a’ tendência. Acho que temos várias por aí, milhares. Realmente não consigo muito associar esse projeto a outras coisas. As nossas músicas não seguem um estilo, um gênero, elas conversam com muitas coisas, são ecléticas, diferentes entre si também. Não apontam com certeza pra nenhum lugar, não é rap, não é rock, não é techno. Alguém em Porto Alegre me falou que flagrou uma discussão num grupo de rap no Facebook sobre se Tantão e Os Fita era rap ou não, tenho quase certeza que não é, mas sei lá. Fiquei viajando que Drama também pode ser lido como um gênero literário, teatral, cinematográfico. Inauguramos o Drama como gênero musical, uma música do conflito, da ação, da encenação. Isso é obviamente uma zueira e acho que não temos a pretensão de ‘fundar’ gênero musical nenhum, talvez destruir alguns, mas acho que uma leitura interessante pra se fazer. A receptividade que o Espectro teve me surpreendeu muito. Acho que o público, essa grande massa cinzenta amórfica, se transformou um várias bolinhas dessa massa e daí tem umas três ou quatro bolinhas dessas, que podem se identificar e gostar do disco. Acho muito difícil fazer essa leitura do próprio trabalho, acho que é uma tarefa para os críticos.”

lebowski

Às vezes há um homem… Eu não diria herói, por que o que é um herói? Mas às vezes há um homem, e eu estou falando do Dude… Às vezes há um homem que, bem, é o homem para seu tempo e lugar, ele se encaixa ali” – as imortais palavras do caubói que narra O Grande Lebowski, uma das obras-primas dos irmãos Coen, parecem antecipar mais uma vez a vinda do personagem mais emblemático do currículo dos diretores quando o ator Jeff Bridges twittou o seguinte vídeo:

https://twitter.com/TheJeffBridges/status/1088481555582996480

A data do final do vídeo é o próximo domingo, dia 2 de fevereiro, quando a final do campeonato de futebol americano vai ao ar nos Estados Unidos e o mercado publicitário aproveita para lançar campanhas e chamar atenção do público, devido à alta audiência. Embora continuações para o filme de 1999 tenham sido cogitadas continuamente, é mais provável que Jeff Bridges tenha calçado as melissas transparentes de seu mais clássico papel apenas para um comercial de algum produto.

Tomara que não, mas, bem, é só a minha opinião, cara…

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O projeto Refavela 40 foi capital na recuperação de Gilberto Gil. Nosso querido guru baiano quase passou para o outro plano em 2016, mas sua missão ainda não estava completa e ele voltou renascido para criar o irresistivelmente juvenil (e preguiçosamente velhinho) Ok Ok Ok, um dos melhores discos do ano passado. Neste processo, revisitou seu clássico de 1977, seu primeiro disco assumidamente político, feito após sua primeira visita ao continente africano e aproveitou aquela energia para continuar vivo e pleno. Da mesma forma, ele regravou o vocal da faixa-título e entregou ao coletivo de dub carioca Digitaldubs revisitar a canção, traçando a conexão entre Kingston e o Rio de Janeiro em primeira mão para o Trabalho Sujo.

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Os três lendários grupos de rap Wu-Tang Clan, Public Enemy e De La Soul comemoram o aniversário de suas obras-primas – respectivamente, 25 anos de Enter The Wu-Tang (36 Chambers), 30 anos de It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back e 30 anos de 3 Feet High and Rising – em uma série de shows no Reino Unido em maio chamada Gods of Rap: dia 10 em Londres, dia 11 em Manchester e dia 12 em Glasgow (mais informações aqui). E algo me diz que isso é um laboratório para um anúncio maior nos Estados Unidos… E talvez no resto do mundo?

Dá pra imaginar esse show no Brasil? Ou melhor, essa turnê no Brasil?

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A banda paulistana Rakta e a dupla argentina Mueran Humanos se encontram no palco da sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Sâo Paulo neste domingo, a partir das 18h (mais informações aqui).

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Inacreditável! Um dos maiores nomes da história do rock progressivo, o grupo King Crimson tocará no palco Sunset do Rock in Rio – e não é especulação: o próprio grupo postou em sua página no Facebook. Reunido em 2013 (primeiro como um septeto e agora como octeto, com três baterias!), o grupo liderado por Robert Fripp vem se apresentando cada vez mais e acaba de anunciar uma turnê comemorativa de seu cinquentenário, que deverá ter 50 apresentações na Europa e na América, começando em junho pela Europa e terminando no Brasil no dia 6 de outubro.

Como é bem pouco provável que o grupo toque seus shows com mais de duas horas no festival carioca, a minha aposta é que eles tocarão apenas seu primeiro clássico, o álbum de estreia In the Court of Crimson King, marco zero da comemoração do cinquentenário do grupo que completa 50 anos de seu lançamento exatamente quatro dias depois do show do grupo no Brasil. A formação atual da banda inclui o saxofonista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o percussionista Pat Mastelotto, o baterista Gavin Harrison, o vocalista de guitarrista Jakko Jakszyk, o baterista Bill Rieflin, o baterista Jeremy Stacey (sim, três bateristas) e, claro, Robert Fripp tocando guitarra, teclados e disparando seus Frippertronics.

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A turnê faz parte do enorme pacote que o grupo preparou para o cinquentenário de sua existência – seu primeiro ensaio aconteceu no glorioso 13 de janeiro daquele mesmo 1969, no Fulham Palace Café, em Londres, e inclui uma série sensacional de lançamentos. O primeiro deles é uma seleção de 50 faixas raras do grupo que serão lançadas semanalmente por David Singleton, que gerencia o selo do grupo, Discipline Global Mobile. A primeira faixa desta seleção, chamada de KC 50, também marca o primeiro contato profissional entre Singleton e Fripp. Depois que apresentou ao produtor a faixa de abertura de seu primeiro álbum, Fripp teve de ouvir que a faixa era ótima, mas os solos eram exagerados demais e que ela iria precisar de um edit pra tocar no rádio. Ainda sem conhecer o trabalho – e o humor – de Fripp, Singleton foi desafiado a fazer um radio edit para a faixa que era o cartão de visitas de uma das bandas mais complexas da cultura pop, “21st Century Schizoid Man”. Ele publicou a faixa inclusive comentando que não gosta do resultado hoje, mas é uma boa introdução para esta seleção.

Além das faixas digitais (que irão colocar o grupo pela primeira vez nas plataformas de streaming), o King Crimson ainda lançará duas caixas de discos (uma em vinil cobrindo o período entre 1972 e 1974 e outra em CD cobrindo o período entre o fim dos anos 90 e 2008, completando toda a discografia do grupo em 5.1)…

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…os últimos três discos de sua série de seu clube de colecionadores (incluindo a recém-descoberta gravação da mesa de um show da época do disco Larks Tongues in Aspic, em 1972), uma caixa comemorando o cinquentenário de In the Court of Crimson King, o relançamento da biografia In the Court of King Crimson, de Sid Smith, que estava fora de catálogo, um documentário (Cosmic F*Kc, dirigido por Toby Amies) e uma edição limitada de pôsteres com a imagem completa da capa e da contracapa do primeiro disco da banda, numeradas e autografadas pelo próprio Fripp (mais informações no site da gravadora).

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Agora é torcer por um show em São Paulo – ou mais de um, imagina!

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Jards Macalé está começando a mostrar seu novo trabalho (a partir do single de “Trevas”, lançado nesta sexta), o primeiro disco de inéditas que faz em vinte anos, produzido por Thomas Harres e Kiko Dinucci com direção artística do Rômulo Froes, que conta com as presenças de Tim Bernardes, Rodrigo Campos, Ava Rocha, Juçara Marçal, Thiago França, Clima e Luê, entre outros. O disco sairá em fevereiro e eu conversei com o Kiko sobre como foi trabalhar com o mestre na edição dessa sexta-feira da minha coluna Tudo Tanto no site Reverb – lê lá.