O projeto Refavela 40 foi capital na recuperação de Gilberto Gil. Nosso querido guru baiano quase passou para o outro plano em 2016, mas sua missão ainda não estava completa e ele voltou renascido para criar o irresistivelmente juvenil (e preguiçosamente velhinho) Ok Ok Ok, um dos melhores discos do ano passado. Neste processo, revisitou seu clássico de 1977, seu primeiro disco assumidamente político, feito após sua primeira visita ao continente africano e aproveitou aquela energia para continuar vivo e pleno. Da mesma forma, ele regravou o vocal da faixa-título e entregou ao coletivo de dub carioca Digitaldubs revisitar a canção, traçando a conexão entre Kingston e o Rio de Janeiro em primeira mão para o Trabalho Sujo.
Os três lendários grupos de rap Wu-Tang Clan, Public Enemy e De La Soul comemoram o aniversário de suas obras-primas – respectivamente, 25 anos de Enter The Wu-Tang (36 Chambers), 30 anos de It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back e 30 anos de 3 Feet High and Rising – em uma série de shows no Reino Unido em maio chamada Gods of Rap: dia 10 em Londres, dia 11 em Manchester e dia 12 em Glasgow (mais informações aqui). E algo me diz que isso é um laboratório para um anúncio maior nos Estados Unidos… E talvez no resto do mundo?
Dá pra imaginar esse show no Brasil? Ou melhor, essa turnê no Brasil?
A banda paulistana Rakta e a dupla argentina Mueran Humanos se encontram no palco da sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Sâo Paulo neste domingo, a partir das 18h (mais informações aqui).
Inacreditável! Um dos maiores nomes da história do rock progressivo, o grupo King Crimson tocará no palco Sunset do Rock in Rio – e não é especulação: o próprio grupo postou em sua página no Facebook. Reunido em 2013 (primeiro como um septeto e agora como octeto, com três baterias!), o grupo liderado por Robert Fripp vem se apresentando cada vez mais e acaba de anunciar uma turnê comemorativa de seu cinquentenário, que deverá ter 50 apresentações na Europa e na América, começando em junho pela Europa e terminando no Brasil no dia 6 de outubro.
Como é bem pouco provável que o grupo toque seus shows com mais de duas horas no festival carioca, a minha aposta é que eles tocarão apenas seu primeiro clássico, o álbum de estreia In the Court of Crimson King, marco zero da comemoração do cinquentenário do grupo que completa 50 anos de seu lançamento exatamente quatro dias depois do show do grupo no Brasil. A formação atual da banda inclui o saxofonista Mel Collins, o baixista Tony Levin, o percussionista Pat Mastelotto, o baterista Gavin Harrison, o vocalista de guitarrista Jakko Jakszyk, o baterista Bill Rieflin, o baterista Jeremy Stacey (sim, três bateristas) e, claro, Robert Fripp tocando guitarra, teclados e disparando seus Frippertronics.
A turnê faz parte do enorme pacote que o grupo preparou para o cinquentenário de sua existência – seu primeiro ensaio aconteceu no glorioso 13 de janeiro daquele mesmo 1969, no Fulham Palace Café, em Londres, e inclui uma série sensacional de lançamentos. O primeiro deles é uma seleção de 50 faixas raras do grupo que serão lançadas semanalmente por David Singleton, que gerencia o selo do grupo, Discipline Global Mobile. A primeira faixa desta seleção, chamada de KC 50, também marca o primeiro contato profissional entre Singleton e Fripp. Depois que apresentou ao produtor a faixa de abertura de seu primeiro álbum, Fripp teve de ouvir que a faixa era ótima, mas os solos eram exagerados demais e que ela iria precisar de um edit pra tocar no rádio. Ainda sem conhecer o trabalho – e o humor – de Fripp, Singleton foi desafiado a fazer um radio edit para a faixa que era o cartão de visitas de uma das bandas mais complexas da cultura pop, “21st Century Schizoid Man”. Ele publicou a faixa inclusive comentando que não gosta do resultado hoje, mas é uma boa introdução para esta seleção.
Além das faixas digitais (que irão colocar o grupo pela primeira vez nas plataformas de streaming), o King Crimson ainda lançará duas caixas de discos (uma em vinil cobrindo o período entre 1972 e 1974 e outra em CD cobrindo o período entre o fim dos anos 90 e 2008, completando toda a discografia do grupo em 5.1)…
…os últimos três discos de sua série de seu clube de colecionadores (incluindo a recém-descoberta gravação da mesa de um show da época do disco Larks Tongues in Aspic, em 1972), uma caixa comemorando o cinquentenário de In the Court of Crimson King, o relançamento da biografia In the Court of King Crimson, de Sid Smith, que estava fora de catálogo, um documentário (Cosmic F*Kc, dirigido por Toby Amies) e uma edição limitada de pôsteres com a imagem completa da capa e da contracapa do primeiro disco da banda, numeradas e autografadas pelo próprio Fripp (mais informações no site da gravadora).
Agora é torcer por um show em São Paulo – ou mais de um, imagina!
Jards Macalé está começando a mostrar seu novo trabalho (a partir do single de “Trevas”, lançado nesta sexta), o primeiro disco de inéditas que faz em vinte anos, produzido por Thomas Harres e Kiko Dinucci com direção artística do Rômulo Froes, que conta com as presenças de Tim Bernardes, Rodrigo Campos, Ava Rocha, Juçara Marçal, Thiago França, Clima e Luê, entre outros. O disco sairá em fevereiro e eu conversei com o Kiko sobre como foi trabalhar com o mestre na edição dessa sexta-feira da minha coluna Tudo Tanto no site Reverb – lê lá.
Feliz ano novo! E a primeira apresentação de 2019 no CCSP é o músico paulistano Bruno Bruni, autor de um dos melhores discos do ano passado, que sobe ao palco da Adoniran Barbosa com uma big band de dez músicos (mais informações aqui). Um gostinho do pop torto do garoto-prodígio pode ser visto nesta versão ao vivo para sua “Uh Ah Oh”, nesse vídeo de um show que ele deu em agosto do ano passado.
Depois de dar sinal de vida em 2018 com o single de “Free Yourself”, os Chemical Brothers anunciam novo álbum, chamado No Geography, ainda para este semestre – e o novo single, “Mah”, cujo clipe foi filmado na apresentação da dupla formada por Tom Rowlands e Ed Simons no Alexandra Palace, em Londres, canaliza a raiva e a angústia do mundo citando o discurso épico do personagem Howard Beale, do filme Rede de Intrigas, de 1976.
“The feeling’s never the same, you chase what you couldn’t gain”
“Enxáguo a nascente, lavo a porra toda, pra maresia combinar com o meu rio, viu?”













