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Loki

4:20

Vi aqui.

Fomos falar com os caras. Eles estavam impressionados com São Paulo. Com o fato de que aqui os punks eram, de fato, jovens vindos da classe trabalhadora, não os filhos de diplomatas e altos funcionários do governo que tinham visto o punk na Inglaterra e chegavam ao Brasil arrotando um no future meio postiço como era em Brasília. Nós também estávamos impressionados com eles. Eles eram menos pretensiosos, mais desencanados que a gente. Tinham feito uma banda e pronto. Iam lá e faziam. E o Renato, luzindo no meio daquilo. Renato tinha lido um monte de coisas que eu tinha lido. Renato tinha pensado um monte de coisas que eu tinha pensado. Renato tinha ouvido um monte de coisas a mais. Entendia o pop. Tinha estudado, durante anos a fio, seus ídolos. Tinha traçado uma estratégia para se tornar um.

Bem boa a homenagem de Bia Abramo ao Renato Russo no UOL. Além de ter acompanhado a ascensão de Renato muito antes de ele se tornar um ídolo, Bia ainda aproveita para fazer um mea culpa geracional, contextualizando a rebeldia e a seriedade dos anos 80 para uma geração acostumada a ter tudo a um clique do mouse.

Fui aprender a gostar de seus textos depois de velho – não dava muita atenção às suas matérias na Bizz (era só mais uma fã do Bowie, eu curtia as discotecas básicas escritas pelo Alex e a coluna do Camilo) e lembro que quando comecei a frequentar a Conrad que ainda se chamava Acme, ainda nos anos 90, ela tinha sido contratada pelo André e pelo Rogério – o que deixavam os dois todos orgulhosos de terem um ídolo em seu quadro de funcionários. Isso foi bem na época em que o Tomate abandonou o Futio para vir para São Paulo editar música na falecida General, onde publiquei meu primeiro frila fora do jornal (embora não-pago): uma matéria sobre o rock do interior de São Paulo (eu morava em Campinas na época) e uma prévia do segundo disco do Pato Fu, o hoje clássico Gol de Quem?. E outro dia a própria Bia gargalhou comigo de volta depois que o Corinthians despachou o São Paulo no outro domingo.

E ainda tem quem queira viver em outra época…

Assim até eu!

Que bela jogada do Vinícius (e fumando ainda por cima, vale bônus), que teve de googlar pra descobrir quem é a Paradis – que eu conheço desde antes da versão da Angélica (e, consequentemente, do Johnny Depp). A minha vem a seguir.

O ano do Emicida

E não dá pra falar em música brasileira atual sem citar o Emicida. Leandro Roque de Oliveira já não é novidade faz tempo, mas só consegui ver um show do cara no mês passado, dentro da noite que o Rômulo e as meninas da Alavanca tão fazendo ali no CB, nas quintas-feiras. Venho acompanhando a ascensão do cara há um tempinho (até já tinha pautado a Ana para fazer um Vida Digital com ele) e é interessante perceber como ele é a síntese da mudança de ares que aconteceu na década passada com o hip hop brasileiro, ao mesmo tempo em que também é um reflexo do que também aconteceu com a MPB.

No lugar da marra e da cara de mau dos Racionais MCs e seus contemporâneos gangsta, surge um rapper quase sambista, quase malandro, quase manhoso, cantando sobre pobreza, miséria e violência sem separá-las da rotina, da felicidade e da família. Sem o pesar arrastado de beats de funk, ele prefere ancorar-se no samba e resume uma evolução que aconteceu no rap nacional. E mais especificamente no que diz respeito ao MC – e é possível ouvir enfileirados na voz de Leandro nomes tão diferentes quanto Sabotage, Marcelo D2, De Leve, Max B.O., Kamau, Marechal, Rappin’ Hood e todos aqueles que orbitaram entre o Instituto e o Quinto Andar, a Trama e o festival Indie Hip Hop, entre mixtapes e MP3s.

Ao mesmo tempo é estúpido mantê-lo apenas sob o rótulo do hip hop. Suas referências não são tão universais quanto as de seus compadres do microfone e das picapes – ele prefere samplear referências brasileiras e citar Cartola, enchentes em São Paulo e a novela das oito em vez de repetir a mesma ladainha de gangues e guerra urbana do rap do século passado. Como aconteceu antes com Sabotage, ele regula o equilíbrio entre o sambista, o rapper e o cronista com exatidão, assumindo o papel de trovador que nenhum outro cantor ou músico brasileiro atual – presos demais às egotrips, a conceitos abstratos e à correria para pagar as contas para assumir esse papel – se dispõe.

E ele também é bom de conversa: rendeu um ótimo papo com o PAS, uma boa matéria sobre samba com o Werneck e uma boa entrevista feita pela Stefanie, além do perfil feito pela Ana pro Link. Sai clicando e vai lendo – se você não o conhece ainda, está passando da hora.

Nirvana na BBC

Gostou, né? E que tal esse disco com todas as gravações do trio do Cobain na BBC? Você conhece provavelmente boa parte dessas gravações: as versões de “Molly’s Lips”, “D7”, “Turnaround”, “Son of a Gun” (gravadas na segunda participação da banda no show de John Peel, no dia 21 de outubro de 1990), “Aneurysm”, “Been a Son” e “Polly” (estas gravadas no Evening Session de Mark Goodier no dia 9 de novembro de 1991) formam a grande parte do Incesticide, o disco de sobras que a banda lançou entre o Nevermind e o In Utero. Além destas, duas outras (“Dumb” e “Endless Nameless”) gravadas no dia 3 de setembro de 1991 em outro programa do John Peel também apareceram na caixa With the Lights Out. Das gravações não-oficializadas ainda restaa íntegra da primeira participação da banda no programa de Peel, dia 26 de outubro de 1989 (“Love Buzz”, “Spank Thru”, “About a Girl” e “Polly” ainda com o baterista Chad Channing) e duas versões alternativas para “Something in the Way” e “Drain You”. As BBC Sessions do Nirvana são um capítulo clássico na história da banda – os três pegando seu melhor público na veia, no auge, em versões perfeitas de músicas menores do repertório de Kurt.

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Lost Lebowski

E por falar em Lebowski, o Pedro pescou essa referência logo que o episódio do Richard foi ao ar, na semana passada – e não demorou para que mais gente percebesse e fizessem a montagem. No clássico dos irmãos Coen, Mark Pellegrino, o mesmo ator que faz nosso querido deus da ilha de Lost, Jacob, é um dos capangas contratados para dar um susto no Lebowski errado – no caso, o Dude. Em uma determinada cena, ele afunda o personagem de Jeff Bridges repetidas vezes em uma privada. A cena foi devidamente homenageada quando Jacob assusta Richard no episódio da semana passada de Lost, se liga:

Até que veio o mashup inevitável. Sempre ele.

E já que estou falando de Lost fora da terça-feira, se liga nesse despertador Dharma:

Quer também, né? Mas é só um dos inúmeros produtos de primeiro de abril inventados pela loja ThinkGeek – separei uns outros aqui, olha só.