
Com duas datas lotadas no teatro do Sesc Pinheiros neste fim de semana, Ana Frango Elétrico brincou que estava fazendo uma microtemporada de um show de transição ao fazer a estreia no sábado e o encerramento no domingo. Mas realmente não dá pra dizer que os shows que aconteceram nestes dias são os mesmos que ela vinha fazendo até o final do ano passado ao divulgar seu terceiro álbum, Me Chama de Gata Que Eu Sou Sua, de 2023. Mais próximo de um show de carreira – passando por seus três álbuns – do que de um dedicado ao disco mais recente, a apresentação já começava diferente ao isolar Ana no meio dos músicos, reforçando seu papel de intérprete e performer, mais do que o de band leader. Seu papel de instrumentista mesmo ficou em segundo plano, ainda que tenha tocado guitarra parte considerável do show, preferindo ornar sua figura à luz deslumbrante de Olívia Munhoz, que optou por degradês de tonalidades intensas projetadas sobre um telão ao fundo, emoldurando a figura da cantora em Rothkos de luz coloridas (quase sem verde, principal cor do show anterior). Trocando poucas palavras com o público, sem fazer bis e emendando uma música na outra, ela deixou os fãs – que cantavam todas as letras – enfeitiçados, mesmo em trechos que desconheciam, que podem apontar os próximos rumos musicais da artista, como as versões que fez para “O Leão e o Asno” de seu compadre e guitarrista de sua banda Vovô Bebê e de “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil. Um show intenso que ainda contou com assinaturas do show do disco anterior, como “A Sua Diversão” e o mashup de “Não Tem Nada Não” de Marcos Valle com “Gyspsy Woman” de Crystal Waters (marca registrada dos show do Me Chama de Gato…), além de novos arranjos para músicas já conhecidas e uma versão furiosa para “Mulher Homem Bicho”, que encerrou o show. Ana está pegando fogo!
#anafrangoeletrico #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 058

Gilberto Gil despediu-se de sua megaturnê Tempo Rei neste sábado, ao fazer sua sétima apresentação no Allianz Parque e fechando um ciclo de exatamente um ano, iniciado em Salvador em março do ano passado, que passou pelas principais capitais do Brasil, em alguns casos mais de uma vez, trazendo sempre convidados-surpresa quase sempre nativos da cidade visitada, e que chegou a ir para a Argentina e para o Chile, além de virar um cruzeiro no final do ano passado. O show de encerramento, no entanto, foi sem surpresas – à exceção da impressionante vitalidade do baiano. Os convidados da noite, todos da família de Gil, foram anunciados com antecedência e suas participações mexeram um pouco no repertório da noite de sábado e apenas a partir da segunda parte do show, depois que Gil, uma hora e meia em pé tocando violao, guitarra ou dançando, senta-se no palco para cantar suas canções mais delicadas. Foi nessa hora que as pequenas mudanças começaram. Até ali, o show seguia idêntico às outras apresentações, incluindo todos os pequenos causos que Gil contava antes ou depois de determinadas músicas. E depois de “Se Eu Quiser Falar com Deus” e “Drão”, começou a chamar os convidados. Primeiro a nora Mãeana e o neto Francisco Gil, que cantaram a tocante “Queremos Saber” pela primeira vez na turnê. Depois, a neta Flor Gil sentou-se ao lado do avô para cantar “Estrela” e depois chamou outro neto, Bento Gil, para cantarem juntos “A Paz”, que só havia sido tocada duas vezes na temporada (a primeira com Marisa Monte e a segunda com Roberto Carlos). Depois o show seguiu idêntico até que, quando ele volta a fazer todos dançar, depois de “Expresso 2222” e “Andar Com Fé”, Gil chama outros netos, os Gilsons, para cantar mais uma inédita no show: “Nossa Gente (Avisa Lá)” eternizada pelo Olodum, que fez o público se esbaldar ainda mais. Ao final desta, o filho Bem pega o microfone para lembrar que aquela música foi trilha sonora de uma celebração familiar que ainda contava com a presença de sua irmã Preta, que faleceu no ano passado, e aproveitou para dedicar, às lágrimas, o show a ela, e dando a deixa para Gil filosofar sobre a existência e a morte. Depois o show seguiu com “Emoriô” (citando BaianaSystem), “Aquele Abraço”, “Esperando na Janela” e “Toda Menina Baiana”, encerrando com uma versão instrumental de “Atrás do Trio Elétrico”, que fez Gil voltar ao palco brincando que ele tinha que estar ali pois não havia morrido. E sua vivacidade seguiu até sair do palco, cantando sobre a gravação de “Sítio do Picapau Amarelo” que encerra a noite até esta ser desligada. Vai fazer muito show ainda esse senhor Gilberto…
#gilbertogil #temporeigilbertogil #giltemporei #allianzparque #trabalhosujo2026shows 057

Robert Smith e Kevin Shields num mesmo ambiente. Só a foto dessas duas sumidades já valeu a curadoria que o líder do Cure está fazendo do evento de caridade pra ONG inglesa Teenage Cancer Trust durante essa semana no Royal Albert Hall. O show dessa sexta-feira começou com a abertura de um reformulado Chvrches, que logo depois espaço para a banda do mago da transcendência noise. E o My Bloody Valentine em 2026 – formação classicissima: Shields, Bilinda Butcher, Debbie Googe e Colm Ó Cíosóig – fez jus à reputação de ícone de uma nova geração que está lotando todas as casas de show que a banda aparece, como podemos ver e ouvir nesse show, que felizmente, alguém gravou na íntegra. Quando é que eles vêm pra cá?
Assista abaixo: Continue

Quem está convidando é o próprio Fred Again, que já tinha soltado um stories outro dia dizendo que tinha gravado o set inteiro em vídeo e nesta quinta-feira avisou que irá transmitir o histórico set que encerrou sua residência no Alexandra Palace londrino no final de fevereiro neste sábado, a partir das duas da tarde (horário de Brasília), em seu canal no YouTube. Já se inscreve abaixo: Continue

Não deu outra: depois de homenagear o Primal Scream em Glasgow e os Stone Roses em Manchester, o grupo-sensação nova-iorquino Geese celebrou suas influências inglesas quando chegou à capital do Reino Unido, nesta quarta-feira. Como fez nas apresentações anteriores, o grupo liderado por Cameron Winter aproveitou a pausa estratégica em seu épico “2122” para cutucar o nerdismo musical do público que lotou o Apollo londrino ao pinçar “Come Down Easy”, penúltima faixa do segundo disco dos psicodélicos Spacemen 3. Eles não dão ponto sem nó.
Assista abaixo: Continue

Em outra colaboração para o Toca UOL, conversei com o vocalista da banda Viagra Boys, Sebastian Murphy, que esteve no Brasil na semana passada, sobre o papel do rock no século 21, se o público entende a ironia das letras de sua banda e sobre disco novo!
Assista abaixo: Continue

Bati um papo com o Fernando Catatau para o Toca UOL sobre como uma série de gravações feitas sem propósito durante a pandemia se transformaram no novo disco do Cidadão Instigado, lançado nesta quarta-feira.
Assista abaixo: Continue

E se eu te dissesse que o último disco do papa do dub Lee “Scratch” Perry foi gravado em Berlim, na Alemanha, ao lado da dupla Mouse on Mars? Pois foi exatamente isso que aconteceu em 2019. O bom e velho Lipa visitou o Paraverse, estúdio da dupla alemã, por três dias, quando se dispôs a gravar todo tipo de som, menos algo que soasse parecido com reggae. O resultado é o disco Spatial, No Problem, que Jan St. Werner e Andi Toma lançam em junho, quase cinco anos após a passagem do mestre para o outro plano. Pra aguçar a curiosidade, lançaram o single “Rockcurry”, krautrock que torna-se ainda mais futurista com a rima disparada por Perry. Coisa fina. O disco já está em pré-venda, veja o clipe do primeiro single, a capa do álbum e o nome das músicas a seguir: Continue

E o Geese tá fazendo a Dua Lipa – tocando canções das cidades que passa – em sua passagem pelo Reino Unido, hein? Depois de meter um hit do Primal Scream ao se apresentar na Escócia, agora foi a vez de saudar Manchester, espremendo o groovezinho de “Fool’s Gold” dos Stone Roses no meio de sua “2122” no show que fizeram nesta terça no Victoria Warehouse. E todo mundo sacou seu celular pra registrar o momento e espalhar para o resto do planeta. É massa ver o hype crescendo ao redor de uma banda que o faz por merecer…
Assista abaixo: Continue

Tenho conversado com o L_cio há um tempo sobre ele fazer algo no Centro da Terra e quando surgiu essa oportunidade, ele sugeriu de reunir outros dois artistas para participar de sua apresentação: a cantora cearense Nayra Costa (que muitos devem conhecer como a vocalista que cantava “The Great Gig in the Sky” nas versões que o Cidadão Instigado fazia do Dark Side of the Moon do Pink Floyd) e o percussionista e trombonista Bica Tocalino, que eu não conhecia. E pelo que ele havia explicado, queria reunir o trabalho dos dois com o que vinha fazendo pois tinha encontrado um rumo comum para os três e que, na apresentação, iria mostrar um pouco do que cada um deles estava desenvolvendo. Qual minha surpresa ao perceber na apresentação Vértice: Ato Único que não há separação entre as partes de cada um dos três, que entrosam fluentemente suas habilidades artísticas – L_cio disparando samples e bases eletrônicas enquanto também toca flauta transversal e berimbau, Nayra soltando a voz de forma linda e potente e Bica dividindo-se entre o arsenal de percussão na parte de trás do palco ou quando vinha à frente com o seu trombone. Foi uma obra construída ao vivo, iluminada pelas texturas líquidas da artista Via Moras, que mudava as cores da noite com seus pincéis.
#l_cionauracostaebicanocentrodaterra #l_cio #nayracosta #bica #centrodaterra #centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 054