Dodô puxou um programa sobre memórias, mas antes falamos sobre frio no Rio (20 graus é frio!), a surpresa que ele está armando pro domingo e depois lembramos de momentos em salas de cinema, shows antológicos pro bem ou pro mal, além de outros assuntos que inevitavelmente vêm à tona no meio dessa maravilhosa conversa fiada.
Remanescentes da imortal banda inglesa pós-punk Gang of Four se juntam à gravadora nova-iorquina Matador para colocar seu acervo online – incluindo 14 (!) discos ao vivo. Os três primeiros discos da banda, os clássicos Entertainment! (1979), Solid Gold (1981) e Songs of the Free (1982), além de registros como Live at the Edge, Toronto (1979), Live at Nashville Ballroom, London (1979), Live at The Long Horn, Minneapolis (1979), Live at Ole Man Rivers, New Orleans (1980), Live at Roseland Ballroom, New York City (1981) e Live at Hofstra University, Hempstead (1983), entre outros. Os relançamentos foram motivados pela passagem do guitarrista Andy Gill, que morreu no início do ano e era uma das forças propulsoras do grupo. Aumenta o volume!
Depois de mais de três anos maturando um disco que começou a surgir em 2013, Negro Leo finalmente dá a luz a seu Desejo de Lacrar, uma tese musical em movimento sobre a necessidade de se afirmar online e como isso se reflete na noção de identidade nos dias de hoje. O disco foi produzido pelo baterista Serginho Machado, que também toca na banda e que ainda conta com Chicão Montorfano nos teclados, Fábio Sá no baixo e o próprio Leo no violão, voz e assovios. O disco chega às plataformas digitais na virada da quinta para a sexta e Leo vai puxar uma sessão coletiva de Zoom para apresentar o disco em primeira mão a partir das 22h da quinta (o link para a audição é esse). Ele também antecipou o faixa a faixa do disco em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“The Big One”
“Lacrar é agir de forma insolente e revoltada. Lacrar é não obstar limite entre si e o direito. É direito q se adquire no ato. Lacrar é encerrar assunto. Vencer, se não de fato, virtualmente de direito. Lacrar, na verdade, é o q nos resta. O lacre, no limite, como resultado do choque entre a comunicação em rede e o reconhecimento da impossibilidade de justiça. Época de parricídio. Inevitável q essa transformação sangre e exiba vitalidade. ‘Nem um terráqueo q trepa fode surdo à vontade de deus’? Será o nascimento de uma nova política?”
“Tudo Foi Feito Pra Gnt Lacrar”
“Foi a primeira música do disco a surgir. Eu tava pensando numa maneira de unir a instrumentalização de 2013 pela direita com o logos lacrador. Já havia ali um investimento na captura do discurso e da representação do lacre q acabou resultando numa mudança de mentalidade mais abrangente, q veio a dar no golpe e na ascensão do ultraliberalismo-escravocrata, q basicamente se comunica através do logos lacrador.
“Absolutíssimo Lacrador”
“É uma chave cósmica: cristo como unicórnio colorido, quimera: ‘não penses q vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua propria casa’ (Mt, 10, 34). O titulo da canção poderia ser #aceitaqdóimenos #aturaousurta, duas hashtags q dizem: a guerra é inevitável. Essa polarização, da capa ao título, organiza a economia verbal do lance.”
“Desejo de Lacrar”
“Voz sufocada pra enfatizar a atmosfera política, falsetes sedutores pra suportar o grave medonho desses tempos. A engasgada no verso ‘fluindo em volumes estacionários’ não foi proposital. A melodia em ‘#somostodos’ tem o sentimento certo de desolação e cerimônia pra carregar a confusão mental da hashtag.”
“Eu Lacrei”
“Quando a canção se transforma no açúcar das pequenas tragédias sentimentais do cotidiano, uma historia inspirada no noticiário policial de todos os tempos, com a nobreza envolvida, canavial das desumanidades humanas, várias camadas de sensibilidade sedimentadas.”
“Makes e Fakes”
“Tazio Zambi é o maior poeta da minha geração. Amigo de quase uma década. O cara q abriu caminho pra Gilgamesh e Jacinto Silva. Um mês depois de enviar o poema, num particular comigo, mudou ‘mimimi’, uma decisão q aproximou o poema da abordagem geral de lacre no disco.”
“Dança Erradassa”
“Eu tava fazendo uma canção. Quarto de hotel, Xangai, Peter Ivers, ‘terminal love’, Starbucks, Dirty Fingers, All Club, Brasil. Eu improvisei a imagem candente das ‘planícies do fim’, numa alusão à terra plana, saltando da melodia num vórtice. Tava pronta.
“Desvio pro Vermelho”, “Esplanada”, “Outra Cidade”
“Nova infância do mundo.”
“No final de abril, com o mundo lá fora pesando sobre todos, decidimos que nós três poderíamos nos reunir em Hoboken sem desobedecer às regras estabelecidas pelo governador Murphy e voltamos a (“ensaiar”… Isso dificilmente descreve o que fazemos, porque não só ensaiamos e, mesmo assim, para o que ensaiaríamos?) tocar. James instalou um microfone no meio da sala, caso sem querer fizéssemos em algo útil para o futuro. Em vez disso, decidimos lançar algo que fizemos naquela hora”, assim o guitarrista e vocalista do Yo La Tengo, Ira Kaplan, anunciou a estreia de nosso trio indie favorito no Bandcamp, lançando canções improvisadas em seu estúdio desde a segunda com títulos longos e escrevendo o dia da semana logo após o nome da faixa. Será que eles vão lançar músicas todos os dias? Ou como as faixas parecem se interligar, será que eles vão lançar um longo improviso dividido em partes diárias? Seguem as duas primeiras, “James and Ira Demonstrate Mysticism and Some Confusion Holds” e “Georgia Thinks It’s Probably Okay”.
“Em 2005 a gente teve a idéia de fazer umas musicas com cada um mandando um canal, ou outro devolvia dois, daí o primeiro devolvia três. Quando já tinha som o suficiente, a gente mixava e passava pra outra. Isso usando a tecnologia disponível da época, que já era assombrosa na gravação e edição de áudio, mas com uma internet bem lenta”. John Ulhoa, o guitarrista do Pato Fu, puxa a memória para lembrar o início de seu projeto ao lado de André Abujamra, de impronunciável nome de ABCYÇWÖK, em um papo por email. O disco finalmente vê a luz do dia e a dupla mostra clipes para duas músicas de projeto aqui no Trabalho Sujo.
O resultado é um estranho disco de dance music com intervenções de ruído, que empilha timbres explicitamente retrô dos anos 80 e 90 com melodias hipnóticas, efeitos caseiros, sonoplastia eletrônica ou feita com a boca, cantos verborrágicos de André e gemidos distorcidos de John. Mas a esquisitice sempre soa familiar como se reconhecer num espelho distorcido. É um disco que brinca com a ideia de pop a partir da possibilidade de não soar pop – algo que os dois fingem que não conseguem.
“Fomos brincando disso, e nuns dois anos fizemos umas cinco músicas”, continua o guitarrista. “Aos poucos fomos parando, e só retomamos agora na quarentena. Daí em uma semana fizemos mais seis músicas! Por isso dizemos que o disco foi feito em 15 anos e uma semana.” A amizade dos dois começou em uma das premiações da MTV brasileira nos anos 90 – eles já se conheciam à distância, tanto pelas bandas de John (Sexo Explícito e Pato Fu) e pelas de André (Os Mulheres Negras e Karnak), mas o encontro nos bastidores fez seus caminhos se encontrarem. “Eu produzi o Tem Mas Acabou do Pato Fu e isso fez a amizade crescer e pensar sempre em fazer alguma coisa juntos”, lembra André. John compôs para o Karnak e as duas bandas até se apresentaram juntos. “Mas o mais importante mesmo foi termos formado um dos piores times de futebol da história do Rock Gol MTV. Tomamos goleadas de dois dígitos históricas”, lembra John sem remorso.
Não havia rumo definido para o novo trabalho. “Absolutamente nenhum”, reforça Abujamra, citando aleatoriamente o músico havaiano Israel Kamakawiwo’ole como referência, e assim seguiram após o início da quarentena. “A ideia começou fazendo com o John em BH e eu em São Paulo, já estávamos em quarentena há 15 anos”, brinca André, reforçando o tom caseiro do disco. “Nunca nos encontramos pra gravar nada”, lembra John. “Até a capa foi feita no mesmo esquema. Abrimos um projeto gráfico, cada um ia colocando um traço, um desenho, uma camada.”
O estranho nome tem duas versões, explica John: “Uma é que é um nome alienígena que uma mulher de quatro braços escreveu no banheiro químico de Chernobyl segundos antes do sétimo gol da Alemanha ou algo assim. E a outra versão é que criamos o nome igual ao disco: numa conversa no whatsapp, cada um foi mandando uma letra em sequência.” Eles não pretendem fazer shows do projeto, mesmo quando for possível. “Sinceramente, não sei se consigo tocar essa músicas ao vivo, elas são muito doidas”, continua o guitarrista mineiro. “Só se fizermos um show de dança, com playback. Acho que elas ficam legais com os videos que o Abu está fazendo, acho que é a melhor expressão delas.”
Além do recém-lançado projeto, os dois seguem tocando seus projetos pessoais. André nem começa a listar: “Preciso de 12 mil linhas, então não quero responder”, desconversa, lembrando que já está trabalhando na segunda parte de sua tetralogia elemental, que começou com o filme-show Omindá, sobre água, e que agora fala sobre fogo. Já John acabou de produzir o novo disco solo de sua parceira Fernanda Takai. “Fiz um gravação solo para uma homenagem ao Arnaldo Baptista pelos 72 anos, além de várias outras pequenas produções nessa demanda de lives e videos para conteúdo de canais. O Pato Fu tem feito umas versões de nossas músicas antigas, com cada um gravando de sua casa. Tô começando uma trilha de teatro também. Muita coisa, não posso reclamar de falta do que fazer…”, concorda John. Mas o ABCYÇWÖK não termina no disco. “Estamos pensando em clipes multimilionários, um Instagran e talvez um CD novo feito em uma semana.”
O grupo nova-iorquino de nome impronunciável !!! (embora pronuncie-se “chk chk chk” em vez de obrigar os fãs a chamá-los de “três pontos de exclamação”, anuncia novo EP, Certified Heavy Kats, para o final deste mês e apresenta o primeiro single, “Do the Dial Tone”, como aperitivo.
O disco terá outras seis faixas e conta com participações de nomes como o vocalista do grupo conterrâneo Liars Angus Andrew e a vocalista do grupo inglês Sink Ya Teeth Maria Uzor e já está em pré-venda. A capa e o nome das músicas vêm abaixo:
“Do the Dial Tone”
“Maybe You Can’t Make It”
“Tighten the Grip”
“Let It Fall”
“Wonderful Life”
“Take It Easy”
“Walk It Off”
Os veteranos Eminem e Kid Cudi dividem o microfone pela primeira vez e fazem seus velhos pseudônimos se encontrarem no single “The Adventures Of Moon Man & Slim Shady”, colaboração que mostra que ambos seguem firmes e fortes, mas que talvez tivesse um impacto maior se acontecesse há dez anos.
Mesmo quarentenados, a dupla inglesa Massive Attack encontrou tempo para deschavar esse estranho momento que vivemos. “A quarentena expôs os melhores aspectos e as piores falhas da humanidade”, disseram ao lançar o novo EP, Eutopia, que toca precisamente nesses pontos. “Esse período de incerteza e ansiedade nos forçou a meditar sobre a necessidade óbvia de mudar os sistemas prejudiciais através dos quais vivemos”, explicaram.
O disco conta com três faixas, cada uma delas uma colaboração com outro artista e com outro pensador sobre três temas básicos. “Ao trabalhar com três especialistas, criamos um diálogo sonoro e visual em torno dessas questões estruturais globais: emergência climática, paraísos fiscais e renda básica universal” e assim parearam o grupo escocês Young Fathers com o economista inglês Guy Standing, o MC norte-americano Saul Williams com o professor francês Gabriel Zucman e o grupo norte-americano Algiers com a autora do acordo climático de Paris Christiana Figueres. Cada faixa é batizada com o nome dos colaboradores (“Guy – Young Fathers”, “Christiana – Algiers” e “Gabriel – Saul”) e foi ilustrada visualmente pelo colaborador do grupo Mario Klingemann.
“O espírito deste EP, seus elementos e idéias não têm nada a ver com noções ingênuas de um mundo ideal e perfeito, e tudo a ver com a necessidade urgente e prática de construir algo melhor”, encerram seu manifesto. “Nesse sentido, Eutopia é o oposto de um erro de ortografia.” Cada clipe encerra com uma frase do livro Utopia, de Thomas More: “Seria muito mais justo fornecer a todos meios de subsistência, para que ninguém tenha a terrível necessidade de se tornar primeiro um ladrão e depois um cadáver”, “nunca há escassez de criaturas horríveis que atacam seres humanos, arrancam sua comida ou devoram populações inteiras; mas exemplos de planejamento social sábio não são tão fáceis de encontrar” e “”Nenhuma criatura viva é naturalmente gananciosa, exceto pelo medo da falta – ou, no caso dos seres humanos, da vaidade, a noção de que você é melhor do que as pessoas se puder exibir mais propriedades supérfluas do que elas”. Isso é um livro publicado no ano MIL QUINHENTOS E DEZESSEIS…
Os Flaming Lips lançam mais um single de seu próximo álbum, American Head, que vai ser lançado em setembro: a balada psicodélica idílica “Dinosaurs On The Mountain”, em que seu vocalista Wayne Coyne canta sobre querer ver os dinossauros brincando nas montanhas. Que cena.
Sucessor do clássico Exile on Main St., o disco que os Rolling Stones lançaram em 1973, quando eram uma das maiores bandas do mundo, Goat’s Head Soup ganha box de luxo em setembro, que já está em pré-venda. A caixa Goat’s Head Soup Super Deluxe reúne 35 canções em três CDs e ainda traz um Blu-ray com o disco original remasterizado a partir das sessões de gravação originais, que incluem demos, versões alternativas e três faixas inéditas, “All The Rage”, “Criss Cross” e “Scarlet”, esta última com ninguém menos que Jimmy Page na guitarra.
O grupo liberou “Criss Cross” para anunciar o lançamento da caixa, que ainda conta com o disco ao vivo The Brussels Affair, gravado em outubro daquele ano e vem com um livro de 120 páginas com fotos e ensaios sobre este período da banda.















