“As Curvas da Estrada de Santos” é uma das canções mais emblemáticas de Roberto Carlos, especificamente no ponto de vista musical, quando ele começa a flertar com a soul music, o gospel e o blues, usando a música para extravasar as emoções – tanto que no ano seguinte de seu lançamento, em 1970, Elis Regina a regravou em seu clássico Em Pleno Verão justamente sublinhando as cores rasgadas da canção original. Três anos depois, o grupo instrumental Azymuth regravava o hit numa versão ainda mais pesada, que infelizmente foi engavetada. Só que ao arrumar suas coisas depois de ajudar a coletânea Azymuth – Demos (1973-75) Volumes 1 & 2, lançada no ano passado pelo mesmo selo inglês Far Out, o baterista do grupo, o mítico Ivan Conti, o Mamão, desenterrou essa pérola que agora vai ser finalmente lançada pelo mesmo selo, em um compacto. Na gravação, alem de Conti, o grupo ainda conta com o falecido José Roberto Bertrami nos teclados elétricos, Alex Malheiros tocando contrabaixo acústico e o guitarrista João Américo.
O disco já está à venda no site da Far Out. No lado B do compacto, um improviso entre o tecladista e o guitarrista, cujo apelido era Paraná, batizando a faixa de “Zé e Paraná”. Estas duas faixas, como a coletânea do ano passado, foram gravadas entre 1973 e 1975, na casa de Bertrami, no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.
Quando quis recriar a cena glam rock norte-americana do começo dos anos 70 em seu controverso filme Velvet Goldmine, de 1997, o diretor Todd Haynes convidou o guitarrista Don Fleming, da banda Gumball, para criar uma versão fictícia dos Stooges para o filme. Fleming arregimentou um time que, além dele mesmo, ainda incluía dois integrantes do Sonic Youth (Thurston Moore e Steve Shelley), o vocalista do Mudhoney Mark Arm, o baixista do Minutemen Mike Watt, Sean Lennon (pois é!) e um stooge original (o guitarrista Ron Asheton). Batizados de Wylde Rattz, este supergrupo gravou um disco inteiro na época, além de uma versão insana para “Fun House” dos Stooges – que só vieram à tona nesta quarentena. Sente só essa versão do clássico dos Stooges, que conta apenas com Thurston Moore, Steve Shelley, Mark Arm, Mike Watt e Ron Asheton:
E esse disco inteirinho então? Olha só que pesado!
Rapaz…
Ainda bem que American Head, disco novo dos Flaming Lips, sai no início de setembro, porque o grupo está lançando tantos singles antes que corria o risco de gastar todo o disco antes do lançamento, caso levassem mais alguns meses para lançá-lo – este belo “Will You Return / When You Come Down” é o quinto single antes do lançamento do disco, que acontece no dia 11 do mês que vem.
Poolside, o projeto solar do californiano Jeffrey Paradise aumenta a temperatura que estabeleceu no disco que lançou no começo do ano, Low Season, ao lançar o single “Getting There From Here”, regulando com o verão no hemisfério norte, mas sem animar-se muito por motivos de quarentena. Ma dá pra aquecer o coração daquele jeito, pra começar pelo vocal do Todd Edwards…
E ele lançou no fim do mês passado uma versão irresistível (e melhorada) para a funky “Shakedown Street” do Grateful Dead.
O importante é manter-se vivo.
A artista norte-americana Lydia Cambron recriou a última cena do clássico 2001 – Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick alinhada à quarentena que estamos atravessando neste ano.
Ficou massa.
Os Rolling Stones estão fazendo render a raridade “Scarlet“, gravada com Jimmy Page, que aparece pela primeira vez graças à caixa do disco Goat’s Head Soup, de 1973. E depois de um clipe feito com um ator da moda, agora ressurge remixada pelo grupo norte-americano The War on Drugs, que dá uma aceleradinha de leve, acrescenta um novo baixo e percussão, além de reforçar o timbre de Page, dando à faixa original um ar meio moderno, meio vintage – a cara do grupo liderado por Adam Granduciel.
Te convido a um passeio pela biografia do jovem mestre Tatá Aeroplano comentada por ele mesmo. O cantor e compositor paulista já passou por inúmeras bandas e cenas, da pista de dança ao retropicalismo passando pela psicodelia e pela música folk, sempre reunindo histórias e amigos, equilibrando-se entre a loucura e a lucidez enquanto amadurece a própria musicalidade a olhos vistos. Convidei-o para essa conversa que foi longe e passa por Tom Zé, Júpiter Maçã, pelo D-Edge e pela Serrinha, sempre com o astral pra cima característico do mister.
O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do **Clube Trabalho Sujo**. Além do Tatá, já conversei com Bruno Torturra, Negro Leo, Janara Lopes, João Paulo Cuenca, Eduf, Pena Schidmt, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Fernando Catatau, Mancha, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube, assina lá.
O eterno hipster Beck fez uma parceria com a Nasa e transformou seu disco Hyperspace, lançado no ano passado, em uma instalação multimídia online sobre o espaço, com clipes gerados por inteligência artificial a partir de temas selecionados pela agência espacial norte-americana. Os clipes vêm abaixo, mas a viagem pelo site do projeto tem muito mais detalhes sobre este projeto batizado de Hyperspace: A.I. Exploration.
Não tem erro: basta passar pelo crivo reconstrutor dos irmãos belga David e Stephen Dewaele, que carregam este trunfo como Soulwax, que qualquer música torna-se um colosso da pista de dança. Veja a singela “What Moves“, delicado tecnofunk minimalista solto no meio do segundo disco solo que o produtor californiano Sam Dust, que assina como LA Priest (e que liderava o Late of the Pier, lembram deles?) lançou no começo do ano, chamado Gene. Depois de remixada pelos dois, ela atinge uma tensão, um peso e um clímax que simplesmente não existiam na faixa original, como a linha de baixo sintética, as cordas de disco music , dando-lhe outra vida – além de quadris.
Depois de mostrar “Witness 4 The Prosecution (Version 1)” e uma versão de 1979 para “I Could Never Take the Place of Your Man” como parte da caixa de 13 LPs que disseca Sign O’ the Times, a obra-prima que Prince lançou em 1987, eis mais uma pérola deste interminável baú do tesouro. O irresistível funk psicodélico “Cosmic Day”, que Prince cantou com sua voz “Camille”, quando fazia um falsete andrógino, é só uma das 63 faixas inéditas na caixa que será lançada em setembro – a pré-venda pode ser feita aqui.









