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Loki

Você lembra? Havia quase uma inocência (além dos clichês idiotas convencionais ao telejornalismo) na internet daqueles dias… E isso não tem nem 10 anos.

No final do ano passado, David Lynch deu uma entrevista ao Guardian através do Twitter e, no meio do papo, foi desafiado a resumir seus filmes na quantidade máxima de caracteres permitidos pela rede social do passarinho. Mestre da autopromoção, o melhor topete da história do cinema, esmerilhou:

Inland Empire:
I told Laura Dern during Wild at Heart that I wanted to make a 3-hour DV tribute to her face, but she thought I was joking 🙂

Mulholland Drive:
Began as documentary about bum behind LA diner carrying odd box. He was gone the next day, so I guessed how it would’ve turned out.

The Straight Story:
An old man makes a long journey by tractor to mend his relationship with an ill brother.

Lost Highway:
The key to the entire film is during the scene where Bill Pullman wails on the sax. That’s f*cking crazy man! LOL!

Twin Peaks: Fire Walk With Me:
About America’s dependence on TV and benefits of meditation. Thought this was obvious in the scene with Bowie.

Wild at Heart:
For some reason I think about Nicolas Cage every time I watch The Wizard of Oz. He won’t leave my head! This film was therapeutic.

Blue Velvet:
Kyle MacLachlan = me, Dennis Hopper = The Producers of Dune who wouldn’t give me final cut. It is a film about good and evil.

Dune:
Actually this was a very explicit summary of my thoughts on God, the human condition and the meaning of life. But that cut wasn’t released.

The Elephant Man:
A metaphor for inhumanity of ivory trade. Thought the title made this clear?

Eraserhead:
People think this film is oppressive, but I say that it is the most spiritual movie I’ve made, and I’m going to tell you why. It’s because w

Gênio, gênio. Seu cinema é quase um detalhe.


O This is Not Porn já pode ser considerado um clássico na curta história do Tumblr e justamente por isso merece ser linkado. Mas eu estou citando-o agora porque a Tati entrevistou o autor do site, o sueco Patrik Karlsson para a seção Sábado Livre, do site do Link.


Jerez vai bem com Olafur Eliasson? C’est grec à moi

E já que passei por um assunto quase bissexto por aqui (artes plásticas), não custa citar o curioso jogo que a Helô e o Horta vêm travando no Facebook. Começaram a partir de um jogo de palavras da Helô depois de uma sexta cansativa, mas logo virou um entrave de harmonização entre telas e vinhos, dois assuntos que não tenho a menor intimidade. Pra mim, a história da pintura é um borrão indistinto entre a primeira pincelada e o borrão pós-moderno e enquanto não colocam contornos nos retratados (quadrinhos, desenhos animados, pop art) esse passado é um incógnita com alguns nomes óbvios (Da Vinci, Van Gogh, Picasso, Pollock) em destaque. Vinho então, nem se fala: meu primeiro porre aos treze anos (Campo Grande, 1988, Sangue de Boi) me deixou um trauma histórico em que associo o cheiro da uva fermentada ao de suco gástrico, mas estou em pleno processo de recuperação junto à esposa. O que não me deixa alheio à apreciação deste jogo, uma espécie de versão erudita das T-girls, principalmente devido aos seus personagens. A Helô, os leitores deste saite a reconhecem, me ajuda a capitanear o Link toda semana enquanto singra suas viagens psicológicas como se cozinhasse para um amigo em seu mais que recomendado Caracteres com Espaço. Horta, outro frequentador daquela redação, é o crítico de vinhos do caderno Paladar e pode ser descrito como se todos os personagens de Hergé (Tintim, Haddock, Girassol, os Dupont, talvez Milu) fossem uma só pessoa. Como não entendo patavina deste riscado, pedi para Helô explicar la règle du jeu:

Não é exatamente um jogo, é mais uma brincadeira mesmo. Porque jogo tem regra, isso vale, aquilo não. E brincadeira não. Na brincadeira, brinca-se. E é isso que eu e o Luiz Horta estamos fazendo. A gente tá brincando.

Nossa diversão pode parecer meio inacessível de cara, mas deixa a timidez de lado e chega mais perto. Eu vou explicar como funciona. Você viu Ratatouille, aquele file do ratinho que cozinha? Sabe a hora que o crítico come o ratatouille e é transportado imediatamente para a sala de casa, a mãe dele contra a luz da porta, ele criança (me arrepia só de lembrar)? A sensação que está por trás dessa brincadeira é essa. Mas como é difícil demais descrever memórias de maneira suficientemente clara a ponto de elas serem totalmente compreendidas pelo outro, usamos imagens. E no lugar da comida, vinho.

Para cada vinho, associamos uma obra de arte. A coisa começou comigo jogando uma cartada que já dava o vinho e a obra. Algumas rodadas foram assim. Até que o jogo mudou, quando o Horta jogou uma obra de arte e pediu um vinho. Essa parte ficou mais legal, porque os processos começaram a ficar mais claros.

Digo, antes, as rodadas vinho-obra, elas vinhas sem explicação. Agora, nas rodadas obra…. vinho, quando a gente escolhe o vinho, explica o que levou à decisão. É uma brincadeira de associação livre que apesar de usar dois universos tidos como sofisticados, não passa de uma brincadeira de criança, tipo aquela que você cada um vai dizendo uma palavra por livre-associação e depois todo mundo tenta refazer o trajeto.

Se quiser brincar com a gente, está mais do que bem-vindo. A quadra é o Face. Depois eu ponho as rodadas no meu blog.

Confere .

Minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre formas de rir por escrito, em tempos digitais.

“Kkkk”, “rs” ou “AHAHAH”?
Como é que você ri na internet?

Como você ri na internet? A pergunta parece não ter sentido se pensarmos na pessoa que está utilizando a rede sendo vista do lado de fora. Mas, uma vez online, o sorriso, o riso e a gargalhada pouco têm de biológico e são traduzidos em versões por escrito – e, não custa lembrar que, mesmo com vídeo, áudio, animações e links, a internet ainda é um meio primordialmente escrito. Assim, em e-mails, bate-papos por MSN, comentários em blogs, redes sociais e onde mais a conversa por escrito possa ser travada informalmente, a informação que avisa que o interlocutor está rindo ou brincando é sempre uma palavra, um emoticon ou uma sigla.

No fim do mês passado, o tradicional dicionário britânico Oxford incluiu algumas dessas siglas em seu léxico. Termos como “LOL” (acrônimo em inglês para “laughing out loud”, que quer dizer “gargalhando”), “BFF” (“melhores amigos para sempre”), “OMG” (“Oh meu Deus!”) e IMHO ( “na minha humilde opinião”) já faziam parte do vocabulário inglês até mesmo antes de a internet existir, mas foram popularizados, consagrados e oficializados naquele idioma graças à sua onipresença no diálogo por escrito.

(Cabe um parêntese aqui: o fato de o texto por escrito não permitir inflexões emocionais é um dos principais fatores do uso desse tipo de recurso e, portanto, de sua popularização. É muito fácil confundir o que está sendo escrito por alguém do outro lado da tela. Sutilezas podem passar despercebidas se vierem escritas exatamente como se fala. Um simples emoticon – aquela carinha feita com dois pontos e um parêntese, por exemplo – já agiliza bastante o lado de quem lê.)

Mas em português, ou melhor dizendo, no Brasil, essas siglas não são tão comuns. Há até quem ria escrevendo “LOL” no fim da frase. Mas eles são poucos e, em geral, vêm de gente que é bilíngue ou tem hábitos digitais mais frequentes que a maioria das pessoas.

E é aí que volto à pergunta inicial do texto: como você ri na internet? Eu rio “AHAHA”, mas há quem ria “KKKK” ou usando apenas uma abreviatura pálida para o termo “risos” (“rs”). E essas palavras não entrarão para o Aurélio ou para o Houaiss tão cedo, como já sabemos da resistência dos linguistas da língua portuguesa a esse tipo de “invencionice”.

E há quem se comunique por escrito apenas usando esse tipo de linguagem. Uma das formas mais comuns de texto escrito na internet brasileira é tida como assassinato do idioma para os puristas. Batizado de “tiopês”, esse português mal escrito surgiu de erros de digitação comuns e da agilidade exigida pela conversa por escrito – o nome veio do excesso de vezes que a palavra “tipo” é escrita e, portanto, mal digitada (virando “tiop”). Consagrada por novos humoristas como Misto Eleazar e Cersibon, esse português tosco não é utilizado por gente que não sabe escrever – mas sim como código territorial, idioma próprio, para afugentar quem é de fora, funcionando como uma enorme piada interna. Como as formas de rir na internet também o são.

Eu já falei e o HTMLGiant materializou.

4:20

Caros Carlão, Pattoli, Vinícius e Tomas: o jogo acabou? De quem era a vez?

Quem quer mashup?

Breakbot 2011

E o dono da melhor música do ano passado já começa a colocar as manguinhas de fora. Breakbot volta com “Fantasy”, que aparece em uma coletânea da gravadora Ed Banger chamada The Bee Sides, e escorrega um astral Michael Jackson pré-Thriller que funciona que é uma beleza neste 2011.


Breakbot + Ruckazoid – “Fantasy (MP3)