
Veio aí! A turnê Fifty Something celebra meio século de carreira do Rush finalmente tem datas anunciadas para o Brasil – e não são poucas! No dia 22 de janeiro do ano que vem eles passam pela Arena da Baixada em Curitiba, para depois, dia 24, tocar no Allianz Parque em São Paulo e dia 30 no Engenhão no Rio de Janeiro. No dia 1º de fevereiro o trio toca no Mineirão em Belo Horizonte e encerra sua segunda vinda ao Brasil tocando no estádio Mané Garrincha em Brasília. Esta turnê, que começa este ano na América do Norte, marca a primeira vez que os dois fundadores do grupo, o vocalista e baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson, voltam aos palcos desde a morte do baterista Neil Peart, no início de 2020. Para substituí-lo, os fundadores da banda convidaram a alemã Anika Nilles, que tocava com Jeff Beck, além de contar com o tecladista Loren Gold, que acompanha tanto o The Who quanto Roger Daltrey em carreira solo. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do dia 27. A única vez que o grupo veio ao Brasil foi em 2002, quando tocaram apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Não é propriamente uma comemoração, mas a dupla francesa Daft Punk lembrou que há cinco anos eles anunciavam sua dissolução e desligavam sua carreira de vez com um clipe novo de uma música antiga. “Human After All”, terceiro single do disco mais monótono da banda (Robot Rock, de 2005), ilustrado com imagens do excelente filme de ficção científica dirigido pelo grupo em 2006, Electroma. Embora continuem lançando produtos e fazendo notícia (de vez em quando pintam novos remixes, reedições comemorativas e até um show num videogame), Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo não respondem mais como Daft Punk depois de 28 trabalhando sob esse nome, embora não tenham abandonado a música – Thomas mesmo participou de um DJ set épico e memorável no passado quando dividiu as picapes com o prodígio Fred Again, o mago Erol Alkan e o sórdido Busy P, enquanto Guy é coautor de uma das músicas (“Reliquia”) do disco novo de Rosalía, o festejado Lux. E agora eles vêm com um clipe pra lembrar que vivemos num mundo sem Daft Punk há cinco anos… Parece um casal comemorando que o divórcio deu certo, sem ter certeza se quer voltar a ficar juntos de novo… ou será que eles querem fazer mais algo?
Assista ao clipe abaixo: Continue

O programa Metrópolis da TV Cultura pegou o gancho do ótimo Mapa da Música Autoral de São Paulo feito por Alexandre Bazzan e Isabella Pontes, da banda Schlop, para fazer uma matéria sobre a nova cena independente de São Paulo – e além de conversar com Isabella e com algumas bandas também falou comigo e com o Arthur sobre o nosso festival Chama. Assista abaixo (a matéria começa no meio do terceiro minuto do programa): Continue

Eis “White Feather Hawk Tail Deer Hunter”, nova amostra do próximo disco de Lana Del Rey, que foi adiado algumas vezes e até onde sabemos se chamará Stove. Mas o que antes foi anunciado como um disco country parece estar tomando rumos inesperados, especificamente a partir da nova faixa, lançada nesta terça, em que ela aparece entre um conto de fadas e um filme de terror, rimando letras que fazem mais referência ao seu próprio imaginário autoral do que ao cânone da cultura caipira dos EUA. Ela difere completamente das duas músicas anteriores que havia lançado no ano passado – as belas “Henry, Come On” e “Bluebird” – e aponta mais dúvidas do que certezas em relação ao seu próximo álbum, o que é bom, principalmente quando falamos de Lana. Sua natureza rebelde e inconstante é parte de sua aura musical e com o novo single ela dá um cavalo de pau mental em seus fãs parecido com o que deu há dois quando lançou os sete minutos de “A&W” um mês antes do ótimo Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd. Talvez Stove (se é que realmente manterá esse título, apesar da palavra ser citada na letra da nova música) seja algo completamente diferente do que a expectativa do novo álbum parecia prever. O que, reforço, é sempre uma boa notícia.
Ouça abaixo: Continue

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…
Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!
#inferninhotrabalhosujo #bestafera #pedevento #aportamaldita #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 024 e 025

Enquanto acendemos aquela vela para ver se o My Bloody Valentine finalmente vem ao Brasil em 2026, dá pra assistir três dos quatro shows que o grupo fez em sua passagem pelo Japão este mês, todos filmados por fãs (alguns com mais de um vídeo!) e já na íntegra no YouTube.
Segura! Continue

Mais um degrau rumo à escalada de uma possível reunião dos Talking Heads, o disco Tentative Decisions: Demos & Live reúne as primeiras demos do grupo liderado por David Byrne, inclusive do tempo em que eram apenas um trio, com Tina Weymouth no baixo e Chris Franz na bateria, antes da entrada do ex-Modern Lovers Jerry Harrison nos teclados e segunda guitarra. É o caso da demo de um dos maiores hits do grupo, “Psycho Killer”, que surge agora como a primeira amostra do disco que vai ser lançado no dia 6 de março (e já está em pré-venda). Saca só: Continue

O trio irlandês Kneecap, dos grupos mais importantes do pop atual principalmente por não afastar-se de questões políticas tidas como “delicadas” pela mídia tradicional, está em contagem regressiva para o lançamento e seu próximo álbum, Fenian (programado para o dia 24 de abril), e contou com a benção de ninguém menos que Banksy no lançamento de seu single mais recente, “No Comment”. O enigmático e provocador grafiteiro inglês cedeu ao grupo o uso da imagem “London High Court”, que apareceu em setembro do ano passado no muro da Corte Real de Justiça inglesa e trazia um juiz levantando um martelo para agredir um manifestante. O pixo foi apagado em pouco tempo, mas agora foi eternizado quando o grupo pode usá-lo em seu single. “Você não consegue lavar um genocídio”, esbravejou o trio no lançamento do single, “sua cumplicidade sempre permanecerá.”
Ouça abaixo: Continue

Prestes a lançar seu primeiro disco solo (batizado Honora e com previsão de lançamento para o dia 27 de março), o baixista dos Red Hot Chili Peppers, Flea, mostrou uma das versões que fará no disco, quando apresentou sua releitura para “Thinkin’ Bout You”, do clássico disco do Frank Ocean, Channel Orange. Instrumental e com seu trompete em primeiro plano, a versão feita pelo baixista tem tom fúnebre e clima orquestral e figura ao lado de “Maggot Brain” do Funkadelic e “Wichita Lineman”, do Glen Campbell, como versões que apresenta neste disco de estreia. Para chamar atenção do novo single, que saiu nesta quarta-feira, ele também gravou uma versão crua da mesma música tocando trompete em sua cozinha para seu filho caçula, Darius.
Veja os dois vídeos abaixo: Continue

Um clássico da nouvelle vague, um Cronenberg, um Antonioni e um Bergman: eis as escolhas de Charli XCX no armário da Criterion. Mas ela escolheu filmes bem fora da curva e deu uma das melhores definições sobre o cinema de David Cronenberg, quando explica que saiu do filme escolhido “confusa, por não saber o que eu achava sobre o filme” e que acha que descobriu “um novo sentimento depois de assisti-lo” – e isso vale pra praticamente todos os filmes do mestre canadense.
Assista abaixo: Continue