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Loki

Conexão elétrica

Essa temporada que o Guilherme Held deu início no Centro da Terra nesta segunda-feira promete. Em encontros semanais com compadres de instrumento e velhos camaradas das trincheiras da música, o ás de Araçatuba convidou alguns dos maiores guitarristas brasileiros da atualidade para dividir noites em dupla, sempre mergulhando juntos nas probabilidades esotéricas e matemáticas das seis cordas, sempre plugadas em inúmeros pedais. O mês ainda conta com duplas com Lúcio Maia, Kiko Dinucci e Edgard Scandurra, mas só a abertura, quando ele dividiu o palco com Fernando Catatau, já funcionou como uma amostra absurda do que acontecerá nas próximas segundas. Presos dentro da distorção elétrica um do outro, os dois guitarristas se entregaram a ecos de microfonia, solos esparsos, riffs em dupla e efeitos especiais em que seus timbres se confundiam num amálgama de som alto por vezes hipnótico, outras agressivo – atrelado às sempre psicodélicas luzes de Paulinho Fluxus, usando seu laser como um sensor sísmico. Absurdo!

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Imensa satisfação em receber o guitar hero Guilherme Held às segundas de abril no Centro da Terra, quando ele promove uma celebração ao seu instrumento em encontros com velhos compadres e camaradas na temporada que batizou de Abriu o Fuzz. A cada segunda ele recebe um amigo e camarada de instrumento, começando nesta primeira segunda do mês com Fernando Catatau. Nas seguintes, ele recebe Lúcio Maia (dia 13), Kiko Dinucci (dia 20) e Edgard Scandurra (dia 27). As apresentações começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à no site do Centro da Terra.

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Corre do Sesc Pinheiros pro Áudio pra pegar o segundo show que Mac DeMarco fez em São Paulo nesta vinda, que, segundo o próprio Marquinho (apelido repetido várias vezes pelo público durante o show), não pode levar “quase dez anos” pra acontecer de novo. O clima era de reverência e catarse, com o público – a casa de shows estava lotada em pleno domingo de Páscoa – completamente entregue às canções e às gracinhas do anfitrião da noite, que não parava de fazer vozes engraçadinhas, dar risadas de desenho animado e falar o nome da cidade de São Paulo como se pronunciasse uma onomatopeia (até plantar bananeira no palco ele plantou!). A sensação é que o show completo seria assistir às duas noites que fez na cidade, com artista e público vivendo numa mesma bolha musical e térmica que fazia o povo cantar até riffs de guitarras em coro. E mesmo com boa parte do show dedicado ao recente – e sossegado – Guitar, Mac passou por diferentes fases de sua discografia, quase sempre carregado pela vibração intensa do público, que explodiu quando puxou a irresistível “Freaking Out the Neighbourhood”, de seu segundo disco. Outra explosão aconteceu na única faixa do bis, “My Kind of Woman”, mas a sentimento febril que une fãs e ídolo temperou a noite toda.

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“Feliz Páscoa para todo mundo”, disse Letícia Novaes ao saudar o público que lotou o teatro do Sesc Pinheiros no domingo depois de enfileirar, sem conversa, as três primeiras músicas do novíssimo quarto álbum de seu Letrux, SadSexySillySongs, “e se vocês olharem embaixo da cadeira de cada um… não vai ter nada!”, arrematou arrancando gargalhadas. E não tem como. Apesar de ser um disco de fossa, a versão ao vivo de seu novo álbum não consegue fugir do território do humor, que ela sempre passeou com fluidez – até brincou que havia começado no stand-up comedy junto com Paulo Gustavo, Marcus Majella e Fábio Porchat, “podia estar milionária”. Mas as brincadeiras rápidas entre as músicas eram só o conforto momentâneo para um repertório que é uma faca no coração – e além das músicas do novo álbum, ela ainda visitou faixas de seus discos anteriores (“Leões”, “Abalos Sísmicos” e “Flerte Revival”) que também caminham no mesmo território pensativo e triste do novo disco e outras de outros autores, como a eterna “Pra Dizer Adeus” (de Edu Lobo e Capinam, pinçada via Maria Bethânia, a quem ela rezou para cantar sua música seguinte, “Ornamentais”), uma Alanis Morissette em versão brasileira (“You Learn” que virou “Tu Aprende”) e a clássica latina “Piel Canela”, além de outra música sua de outra encarnação, quando cantava no Letuce, “Seresta Quentinha”. Mas a principal mudança deste novo universo musical não é lírica – embora ela tenha aberto uma faixa no final da noite para enfatizar sua ênfase na letra – e sim o fato que Letícia não conta mais com a mesma banda que a acompanhou nos três primeiros discos. Ela segue solta no meio do palco, mas em vez de liderar uma banda com guitarra, teclado, baixo e bateria, vem ladeada de dois músicos – o guitarrista (e produtor do disco) Thiago Rebello e a violonista Cris Ariel -, que a erguem entre beats e camas pré-gravadas de áudio e suas cordas, que por vezes estão na raiz da música brasileira, outras conversam com o blues, noutras com o rock e em outras com o jazz. Assim a apresentação ganha ares de cabaré (principalmente pelas belíssimas luzes de Felipe Leo Pardo), algo que é escorraçado cenicamente de cara, quando vimos, logo que sobe a cortina, uma cama de casal no meio do palco, em que ela, literalmente, deita e rola..

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Olha essa beleza que é esse show Transversal do Tempo, que Elis Regina fez um tempão no Brasil e depois levou para Portugal. Na ocasião, no dia 18 de fevereiro de 1978, ela não só apresentou o show no Teatro Villaret em Lisboa como a íntegra da apresentação foi gravada pela emissora estatal local RTP.

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Começou como uma “jam de minas”, mas logo virou uma amizade e finalmente uma banda. Batizada com o prenome de suas integrantes, o trio recifense Mayara, Iara e Dimitria apareceu no final do ano passado e aos poucos começa a colocar as asinhas de fora. “Nosso primeiro contato foi num evento de improviso só para mulheres, mas só quase dez anos depois de muita risadagem, kikiki e companheirismo, o projeto musical nasceu, por um alinhamento de astros”, lembra Iara Adeodato, que toca guitarra no trio, que ainda conta com Mayara Menezes tocando baixo e synthbass e Dimitria pela primeira vez tocando bateria. “No final de 2025, Mayara foi convidada para um evento com seu projeto solo, e falou para gente: ‘e se fosse a nossa banda?’ ‘que banda?’, perguntamos e ela: ‘a que a gente finalmente vai fazer, oxe'”, lembra Iara. “Depois de cinco ensaios em duas semanas, preparamos um repertório com um improviso e uma música de cada e nessa apresentação dividimos a noite com Terraplana do Paraná, Áiyè do Rio e Test e Deaf Kids de São Paulo.” A noite estava sendo produzida pelo goiano radicado no Recife Benke Ferraz, dos Boogarins, que sugeriu produzir algumas músicas para elas que também pudessem ter uma versão audiovisual. E assim, elas gravaram três novas composições no estúdio Casona no mês passado e começam a lançar estas versões aos poucos, a primeira delas vem neste domingo, quando elas mostram “MID#1”, que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo – e é o primeiro lançamento do novo selo de Benke, chamado de Precarian Tapes. O som é uma boa amostra do trio, em que cada uma delas traz uma veia musical principal – Mayara vem pelo experimentalismo, Iara via indie e Dimi vem pelo pós-rock. Elas citam outras referências musicais. “Warpaint é uma referência que nesse projeto tem vindo naturalmente, com timbres de guitarra massa, e todas cantando e fazendo lindas harmonias vocais”, lembra Iara, citando também Sonic youth – e o vocal de Kim Gordon -, Stereolab, Yo La Tengo, PJ Harvey, Hurtmold, Ema Stoned, Mercenárias, Clube da Esquina e Caetano Veloso como influências em sua música.

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E essa mostra maravilhosa em homenagem aos 80 anos do John Waters que entra em cartaz no MIS de São Paulo a partir do dia 21 de abril? Tirando os primeiros filmes dele nos anos 70 e o mais recente (O Clube dos Pervertidos, de 2004), tem todos os outros: Multiple Maniacs (1970), Pink Flamingos (1972), Problemas femininos (1974), Viver desesperado (1977), Polyester (1981), Hairspray – e éramos tão jovens (1988), Cry-Baby (1990), Mamãe é de morte (1994), O preço da fama (1998) e Cecil bem demente (2000). Os ingressos já estão à venda. Puro delírio!

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Foi o Bruno Saito que pinçou em sua conta no Instagram a fatídica cena que toda uma geração jurava que havia acontecido mas ninguém tinha provas além da própria memória, quando parte da primeira geração do punk paulistano foi parar numa novela da Globo. No dia 17 de fevereiro de 1984 foi ao ar o último capítulo da novela das oito Eu Prometo, a última escrita pela sumidade do gênero Janete Clair (que morreu no final de 1983, deixando a novata Gloria Perez incumbida de terminar sua primeira novela). E nesse episódio, a noiva Daise (vivida por Fernanda Torres) resolvia se vingar do noivo Albano (vivido por Ney Latorraca) em pleno casamento, quando convidou seus amigos punks de São Paulo para a festa. Como não conseguiam fazer punks convincentes, a produção da novela resolveu chamar os punks de verdade para fazer figuração na cena e assim nomes como João Gordo, Clemente e integrantes das bandas SP Caos, Olho Seco e Kaos 64, entre outros, foram parar no horário nobre da Globo ao som de “X.O.T.”, do Cólera. Gordo lembrou da situação às gargalhadas em uma entrevista ao canal do André Barcinski no YouTube.

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Strokes vindo aí?

Os Strokes publicaram esse stories em seu Instagram e não falaram mais nada. Uma fita cassete puxada por cavalos sobre um link que vai parar num site que pede seu telefone e manda um SMS para você entrar em outro link que deverá “compartilhar algo em breve”. Há fãs achando que é primeiro de abril e outros apostando em música nova vindo aí. O grupo nova-iorquino está com várias datas de shows marcadas para 2026, o que aumenta a possibilidade da banda vir com algum novo lançamento, o primeiro desde o bom The New Abnormal, lançado em 2020. Façam suas apostas… Continue

Como quem não quer nada, Jimmy Page soltou em seu canal no YouTube a demo que havia gravado da soberba “Ten Years Gone”, um dos grandes momentos (e não são poucos!) do espetacular Physical Graffiti, disco duplo que encerra a fase de ouro da banda em 1975. O mago da guitarra compôs a música sozinho em casa e a levou para os integrantes da banda, que apenas a completaram com partes à altura da ideia original de Page, que permaneceu quase intacta quando seu grupo a gravou. O disco completou 50 anos no ano passado e essa é a segunda vez que seus integrantes o reverenciam, mas sem entrar em profundidade. Com 15 faixas em sua totalidade, só abriram faixas extras daquele período quando acrescentaram um disco a mais na edição deluxe em CD lançada no aniversário de 40 anos do álbum, com apenas sete faixas a mais. No ano passado, lançaram um magro Live EP com apenas quatro versões ao vivo de músicas do disco, sendo duas delas gravadas em 1979. Pode ser que essa demo de “Ten Years Gone” antecipe alguma novidade – ou não, uma vez que Page fez exatamente isso há três anos, quando pinçou uma versão crua (e praticamente pronta) da imortal “The Rain Song”, que na época, ainda sem letra, chama-se “The Seasons” e seria a faixa de abertura do quarto disco da banda, o excelente Houses of the Holy, de 1973.

Confira abaixo, bem como a versão original da “The Rain Song”: Continue