
Passei o fim de semana em Fortaleza, quando pude assistir ao festival de aniversário do centro cultural Dragão do Mar, um dos mais importantes do Brasil, que completa 27 anos que fez do grande evento um novo momento. O festival também aconteceu junto do 300º aniversário da capital cearense e do aniversário de 60 anos da secretária de cultura estadual, que gere o aparelho, e calhou também de ter como principal atração o show de lançamento do novo disco do Cidadão Instigado, que também fazia aniversário, com 30 anos de banda. Fernando Catatau trouxe ao palco uma formação novíssima de sua banda, incluindo os veteranos Dustan Gallas (baixo) e Clayton Martin (bateria), o baterista eletrônico Samuel Fraga (que vinha tocando nos shows solos de Fernando) e as novatas Anna Vis (sample, guitarra e vocais) e Rubi Assumpção (vocais e percussão) e tocou quase todas as músicas do recém-lançado álbum. O fato do show ter sido em Fortaleza trouxe uma carga emocional forte e o público que lotou a Praça Verde se jogou na apresentação, cantando tudo. A escolha de específicas músicas anteriores (como “Urubus”, ‘Contando Estrelas”, “Lá Fora Tem” e “Te Encontra Logo”, entre outras) ajudaram o público a entender ainda mais o salto do novo trabalho. O festival ainda contou com a primeira apresentação do recém-lançado novo disco de Buhr, Feixe de Fogo, que, como o Cidadão, priorizou as músicas novas (incluindo uma participação soberba de Moon Kenzo, que cantou “70 Cigarros” com Buhr e sua “Não é Carnaval”) e trouxe músicas dos dois discos anteriores (como “Pic Nic” e “Dragão”) para equilibrar a apresentação fulminante. O festival ainda teve o projeto Iracema Sounds, que trouxe novas vocalistas cearenses, como Ayla Lemos, Joana Lima, Zabeli, Di Ferreira e Mumutante (esta o destaque da apresentação). E entre os vários outros shows do festival, vale falar da apresentação da pernambucana Priscilla Senna, ex-vocalista da banda Musa do Calypso, que trouxe o hino da sofrência “Alvejante” para delírio do público que lotou o Dragão do Mar. Em breve falo mais.
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A promissora banda prog paulistana Tubo de Ensaio começa a preparar seu segundo momento. Depois do ótimo Endoefloema lançado no ano passado, o sexteto formado por Manuela Cestari (vocais), Lorenzo Zelada (guitarra), Lorena Wolthers (teclados e synth), Francisco Barbosa (baixo), Gabriel Gadelha (sopros) e Gabriel Ribeiro (bateria) começa a ir além de suas raízes psicodélicas para abraçar influências eletrônicas e começam a mostrar essa nova fase a partir deste domingo, quando lançam o primeiro momento desta nova fase com o single “Tristes Cadeiras”, que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Uma marca fundamental das novas músicas é a utilização e experimentação dos instrumentos e pedais construídos pelo guitarrista Kabeça de Lâmpada, o Lorenzo Zelada, em específico a maleta drummachine analógica apelidada de Júpiter” me explica a vocalista Manu, que diz que o disco será gravado, produzido e mixado por eles mesmos e o novo single traz tanto o influência de jazz fusion dos anos 80 (explicitado na hipnótica linha de baixo do Fran) e com o pezinho no drum’n’bass, sem perder a aura de sonho do disco de estreia. Coisa fina.
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Neil Young manda notícias e avisa que em breve teremos mais um disco com sua atual banda, os Chrome Hearts, com quem já gravou um álbum (Talking to the Trees, do ano passado) e tem feito shows. Ainda sem título, o novo disco foi gravado rapidamente no estúdio Shangri-La de Rick Rubin em Los Angeles, nos EUA, e traz oito músicas, três delas que Young resgatou de seu próprio arquivo pessoal, compostas em 1963 – quando tocava com sua banda adolescente The Squires – e nunca lançadas! “Eu e os Chrome Hearts gravamos cinco músicas novas, quatro no primeiro dia e uma no segundo”, lembra no post que publicou em seu site, “E então as músicas acabaram, precisávamos de outras. Na manhã seguinte, acordei com uma música na cabeça e comecei a tocar. Fucei meus arquivos e descobri que ela era de 1963 e nunca tinha sido lançada. E tinha mais. Encontrei outras… igualmente não lançadas! Três músicas com mais de sessenta anos e outras cinco novinhas! Terminamos de mixar e fechar tudo em um mês, assim que virou a lua cheia, dia primeiro de abril. Foi rápido!”. Que beleza! E estamos falando de um cabra com 80 anos de idade, hein!

A espera terminou. Depois de teasers e pôsteres, a dupla escocesa preferiu ir direto ao ponto antes de começar uma caça ao tesouro como a que fez em 2013 antes de anunciar seu Tomorrow’s Harvest. O novo disco chama-se Inferno e será lançado no próximo dia 29 de maio. Não sabemos se haverá algum single ou clipe antes do lançamento nem se a “faixa 05” que eles liberaram esses dias é a quinta música do disco, “Father and Son”. Aliás, isso é uma das poucas coisas que sabemos sobre o álbum, sua capa e o nome das 18 músicas.
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Saiu a escalação do festival do CBGB’s, celebrando a cultura que nasceu a partir do mitológico boteco nova-iorquino que forjou o conceito de punk no meio dos anos 70 que mais tarde seria difundido para o mundo pelas bandas inglesas no fim daquela década. Tem um monte de banda legal, entre gerações de diferentes herdeiros, entre sobreviventes de outras eras, bandas que nunca pararam de tocar, heróis de eras posteriores, bandas novíssimas, o tributo do Sleater-Kinney aos Ramones e até a filha do David Grohl. Mas mais do que a presença de Morrissey (será que ele vai?), me incomoda muito mais o fato de seu nome estar acima do de Patti Smith, matriarca dessa cena, a primeira artista da geração dos CBGB’s a lançar disco e que inspirou todos os artistas que vieram depois (inclusive o ex-vocalista dos Smiths, que hoje em dia não deve nem mencioná-la). Vacilo.

Quando Guilherme Held e Kiko Dinucci subiram ao palco do Centro da Terra apenas com seus instrumentos, todos os presentes sabiam que íamos, como nas segundas anteriores de sua temporada Abriu o Fuzz (quando recebeu Fernando Catatau e Lúcio Maia para duelos da mesma natureza), mergulhar no universo da guitarra elétrica sob os auspícios de dois magos das seis cordas. O encontro, porém, foi muito além dos timbres, solos e riffs característicos no manejo daquele instrumentos, quando os dois usaram suas guitarras para explorar os limites e possibilidades da eletricidade sonora, usando a guitarra mais como um cajado sobrenatural do que condutor de melodias e indutor de harmonias e ritmos. Enquanto Kiko enfiava objetos entre as cordas – tocando-a até com um arco de viola – e trabalhava com texturas fantasmagóricas e bordoadas rítmicas, Held repetia loops de notas sequenciais que acelerava ou desacelerava de acordo com as vibrações sísmicas no palco. Na maior parte do show as guitarras não soavam como guitarras, refletindo a reverberação elétrica dos efeitos e texturas manipulados pelos dois, mas em alguns momentos soava como uma conversa alienígena, uma linguagem robótica testando as fronteiras de possibilidades entre a música, a física e a matemática. A ausência do laser de Paulinho Fluxuz, que não pode participar desta única apresentação da temporada, deixou a iluminação mais estática e pensativa, reforçando a transposição sonora da dupla. Tá doido!
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O fim do Estúdio Aurora também encerra um ciclo para a Como Assim?, banda que montamos eu, Pablo, Carlão e Mateus durante a baixa pandemia em 2021, usando o estúdio, que estava parado por motivos de quarentena e isolamento social, como ponto de partida para um passatempo que aos poucos cresceu e tornou-se público, fazendo até shows primeiro no Aurora e depois além. Por isso não tinha como não encerrar essa fase fazendo mais uma apresentação no próprio Aurora, ao lado dos nossos velhos camaradas do Earl Greys. O show acontece no próximo domingo, dia 19, no próprio Aurora e não espere música autoral: enquanto os Earl Greys passeiam por décadas de pop britânico, nós sintonizamos a rádio na madrugada voltando da noite entre a Alpha FM e a Kiss FM. O Aurora fica na Rua João Moura, 503, sala 12, em Pinheiros, a noite começa a partir das 18h e os ingressos já estão à venda. Onde vamos ensaiar? Quando será o próximo show? Não temos a menor ideia, mas por enquanto venha comemorar o morto com a gente!

A dupla Magdalena Bay anunciou há algum tempo que sua obra-prima de 2024 – o soberbo Imaginal Disk – tornaria-se filme, mas só agora cravou a materialização deste sonho, quando estreia seu longa, dirigido por Amanda Kramer, estreia na edição deste ano do festival nova-iorquino de Tribeca, que acontece no próximo mês de junho. “That’s my floor! I’m coming up to the party and I want more!”
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Lançada dias após a prisão em Londres de um de seus líderes por protestar contra o genocídio na Palestina, “Boots on the Ground”, a nova canção do grupo Massive Attack coincide em ser a primeira canção inédita de Tom Waits em quinze anos. “Um dia, há muitos anos, aceitei o convite do Massive Attack para colaborar”, escreveu Waits sobre o lançamento do single. “O longo atraso no lançamento nunca me preocupou. Hoje, como em toda a história da humanidade, é garantido que esse tipo de música nunca sairá de moda e que a tolice humana de cometer fracassos é um banquete para as moscas”, explicou antecipando que o grupo inglês ainda lançará o single em vinil com outra música, chamada “The Fly”, como seu lado B. O clipe ainda traz uma série de imagens maravilhosas do fotógrafo estadunidense @thefinaleye, que vem cobrindo protestos em seu país desde o assassinato de George Floyd aos protestos contra a milícia de Trump contra os imigrantes daquele país, mostrando que, mesmo que as tensões políticas do mundo pareçam pairar sobre a Europa, a América Latina, os países árabes e a Ásia Central, o pau anda comendo nos Estados Unidos há muito tempo… Detalhe: a música não está no Spotify.
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Depois de um vídeo rápido cheio de ruído e estática espalhado entre os fãs mais hardcore por fitas de VHS, os Boards of Canada acabaram de soltar um vídeo mais longo, menos barulhento e mais delicado, embora igualmente críptico, batizado de “Tape 05”. Ainda não sabemos se é uma música nova ou se é só mais um degrau de expectativa rumo ao próximo disco, que a gravadora deles, a Warp, já confirmou que está vindo aí…
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