
O UOL me chamou pra cobrir o show em que Roberto Carlos comemorou seus 74 anos e o evento foi exatamente o que espera-se de um show de Roberto Carlos: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/19/roberto-carlos-completa-74-anos-com-o-mesmo-show-de-sempre/

Roberto Carlos completa 74 anos neste 19 de abril de 2015 e para comemorar seu aniversário armou sua aldeia itinerante no novo estádio Palmeiras na noite de véspera, no sábado. Tanto faz se for a primeira ou a última vez que se vê uma de suas apresentações: um show de Roberto Carlos é exatamente aquilo que se espera de um show de Roberto Carlos. Nem a comemoração do aniversário é capaz de fazê-lo fugir do riscado.
Eram 50 mil pessoas sentadas apreensivas pelo encontro com o nome mais popular da música brasileira do século passado, seja nas arquibancadas ou nas milhares de cadeiras brancas de plástico espalhadas pelo campo, devidamente numeradas. A pista era dividida em três áreas VIPs – a mais próxima do palco com direito a bebida liberada – e antes do show começar, anúncios dos outros negócios do cantor capixaba apareciam no telão – de um empreendimento imobiliário a um cartão de crédito Roberto Carlos.
Pop é repetição e o fã de música pop é conservador. Roberto Carlos sabe disso e propõe que seu show nunca mude, materializando-se na repetição amplificada dos mínimos detalhes de sua persona pública. Antes mesmo de pisar no palco, sua banda já anuncia o clima de saudosismo da noite, começando com uma versão reverente de “Como é Grande O Meu Amor Por Você” seguida por um medley instrumental que inclui “Detalhes”, “Jesus Cristo” e músicas que infelizmente não foram tocadas durante a noite: “Cavalgada”, “Guerra dos Meninos”, “As Curvas da Estrada de Santos”, “É Preciso Saber Viver” e “Se Você Pensa”. É como se a banda estivesse criando um campo de força para preservar a entrada de seu líder.
Rápida pausa e um locutor que poderia ter saído de um bingo ou de um circo anuncia: “Senhoras e senhores… Com vocês… Robeeeerto Carlos!” A banda nem pisca e esparrama a inconfundível melodia de “Emoções” com toda a pompa dedicada à chegada de seu soberano. Roberto Carlos entra no palco sorrindo, de calça e blaser brancos sobre uma camisa azul com a gola desabotoada. Curva-se para saudar o público, vira-se de volta para a banda, aplaudindo-a. O estádio murmura um êxtase idoso – é possível distinguir alguma histeria, mas ela é só alguns decibéis acima do pleno papo que misturava-se ao som de big bands do som ambiente antes do show começar. Roberto Carlos ajeita o microfone com aquela pegada clássica, mão direita no aparelho, mão esquerda no pedestal. Cumprimenta seu maestro Eduardo Lages e a banda para. Aí sim o público berra.
A nossa “My Way”
Ele espera os gritos diminuírem e, como faz há anos, fala que “eu quero dizer uma coisa pra vocês” antes de arrebatar nossa “My Way”: “Quando eu estou aqui…” entoa para delírio do público presente, num momento tão óbvio quanto épico.
O show que vem a seguir é um jogo de cartas marcadas. Depois de “Emoções” ele continua, como sempre, com a sequência “Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo” e “Além do Horizonte” para logo mais tocar “Detalhes” ao violão – encerrando a noite, como sempre, com a dupla “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, “Jesus Cristo” e o encontro com o público, distribuindo rosas e recebendo presentes. Todo show tem “Lady Laura”, “Canzone Per Te” e o discurso sobre o prêmio no festival italiano de Sanremo em 1968 (ano que ele não menciona para não lembrar da idade), “Calhambeque”, “Nossa Senhora”, “Proposta” e umas duas músicas novas (no caso “Mulher Pequena” e a inevitável “Esse Cara Sou Eu”). É de uma previsibilidade descomunal – e o público é cúmplice, porque é exatamente isso que ele quer.
São canções que fazem parte da formação de qualquer brasileiro adulto, todos nós sabemos cantar ao menos o refrão. As piadas e histórias contadas por Roberto Carlos são sempre da mesma estirpe, entre o humor “tiozão do pavê” e a jovialidade de “vovô garoto”. Ele nem sequer mencionou a própria idade, ao referir-se ao aniversário. O riso acanhado é indefectível como todo o gestual – o dedo em riste, as palmas que acompanham o tempo da música, os braços abertos, a baixada de cabeça com os olhos fechados, a imortal dança com o pedestal do microfone: tudo em Roberto Carlos é clássico porque é clichê e é clichê porque é clássico. É uma espécie de porto seguro sentimental para o brasileiro com mais de 30 anos.
Zona de conforto
Essa era idade média da audiência – nascidos antes dos anos 80, em muitos casos, bem antes. Casais e grupos de amigas eram a maioria, além de inevitáveis encontros de gerações de parentes. A segurança emocional passada por Roberto Carlos é necessariamente familiar, por isso pequenas famílias de pais idosos e filhos adultos também povoavam o estádio para repetir pessoalmente uma versão do ritual anual de fim de ano ao redor da televisão. Eles de camisa polo ou camisa de manga longa pra dentro das calças, elas de vestido, cabelo e maquiagem produzidas e saltos altos (carregados à mão ao final do show). Todos tirando fotos, fazendo vídeos e selfies com celulares e iPads. E cantando todas as músicas junto com o ídolo.
A zona de conforto concretizada por Roberto Carlos estende-se por pouco mais de uma hora e meia. Ele conhece seu público feminino e o mima e adula, agradando-as ao falar sobre o poder da mulher sobre os homens, sobre quando começou a compor sobre sexo (antes de cantar a sensualidade pudica de “Proposta”, recebida com suspiros), sobre a necessidade de viver com alguém. Discursos que fazem mulheres sorrir, casais encostar cabeças, famílias se sentir mais à vontade.
Por poucas vezes arriscou – e não dá pra dizer que cantar “Negro Gato” ou “Outra Vez” (“Das lembranças que eu trago da vida, você é a saudade que eu gosto de ter”, que música!) seja propriamente um desafio, mas as duas músicas não estão em seu repertório recente, e isso em se tratando de Roberto Carlos é um risco.
Festa-surpresa
A outra mudança ocorreu a despeito do próprio Roberto, num acordo entre a banda e o público. Antes do show começar, anúncios nos telões avisavam ao público para que quando a banda começasse a tocar “Parabéns a Você” que todos sacassem seu celular acendendo seus monitores para iluminar a pista e as arquibancadas.
O aniversário foi cantado logo depois que Roberto Carlos apresentou sua banda, repetindo o adjetivo “grande” e as expressões “sem dúvida”, “com certeza” e “um dos maiores do mundo” para cada um dos integrantes da atual versão de seu conjunto. Após a apresentação, Roberto Carlos foi surpreendido pelo parabéns, fogos de artifício, chuva de confetes e por um bolo, que cortou e entregou o primeiro pedaço para o público. A festa durou uns cinco minutos, tempo que alguns puderam comer o bolo no palco – inclusive o aniversariante.
O show foi encerrado com a já manjada dobradinha “Como É Grande o Meu Amor Por Você” e o gospel “Jesus Cristo” – e a banda segurou o refrão desta música mesmo depois que o show acabou e Roberto Carlos começou a distribuir rosas, brancas e vermelhas, para o público, que começava a se aproximar da grade de separação do palco. Mulheres, em grande parte senhoras idosas, se espremiam para pegar uma das rosas que o cantor beijava e atirava cada vez mais burocraticamente, como um amante latino entediado com o próprio charme. Ao mesmo tempo recebia presentes de toda espécie – quadros, fotos, perfumes, caixas – repetindo sempre o mesmo ritual: pegava o presente em mãos, olhava para ele por dois segundos (para demonstrar atenção) e entregava a um assistente ao seu lado.
O público começou a sair antes mesmo que a romaria religiosa a um ídolo pop terminasse, parte dele preocupada com a possibilidade inevitável de ficar preso no trânsito à saída do estádio do Palmeiras depois de um evento desse porte. Mas tudo bem. Todos saíram rindo e conversando, felizes com o show que haviam acabado de assistir. Era o que todos queriam. O que todos tinham vindo ver.

Escrevi lá no meu blog do UOL porque eu acho que o J.J. Abrams é o melhor sujeito pra reinventar – e talvez melhorar – o universo de Guerra nas Estrelas: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/18/porque-j-j-abrams-e-o-cara-certo-para-fazer-o-novo-guerra-nas-estrelas/

Qual foi sua reação quando assistiu ao segundo teaser do novo episódio de Guerra nas Estrelas? Duvido que tenha sido muito diferente deste mashup que funde um dos principais trechos de Interesterlar com os dois minutos do teaser, usando as emoções de Matthew McConaughey naquele filme para retratar nossos próprios sentimentos.
Ainda estou remoendo impressões sobre esta nova vinda do universo de George Lucas, mas por enquanto, além da expectativa, surge a dúvida: será que, nostalgia à parte, estes próximos filmes podem ser os três melhores Guerra nas Estrelas? É uma tela em branco que J.J. Abrams vai pintar com todos os sentimentos e emoções que encantaram os fãs na trilogia original e revoltou a todos na trilogia dos anos 90, então ele sabe bem onde está pisando. Além de saber desenvolver ótimos personagens, heróis ou vilões. E certamente ele deve ter visto esse vídeo feito pelo pessoal do estúdio Sincerely Truman, há dois anos.
Muitos apostam que J.J. Abrams vai estragar Guerra nas Estelas como estragou Jornada nas Estrelas. Eu discordo – e acho que ele salvou Jornada nas Estrelas pra mais algumas gerações e eternizou os personagens clássicos para além dos atores originais, confirmando-os como ícones. Mas, Jornada nas Estrelas à parte, o fato é que só pelos dois teasers que ele já mostrou, repito, ele mostrou que sabe – e como sabe – manipular as emoções dos fãs.
Vamos rever o trailer de novo?
Você reparou que o texto dito neste novo teaser é quase o mesmo dito por Luke Skywalker à Princesa Leia no Retorno de Jedi, quando ele revela que ela é sua irmã? Confira a partir de 1:40 no vídeo abaixo:
É exatamente isso que me faz ter certeza que J.J. Abrams é o cara certo pra fazer esses filmes.
O documentário Montage of Heck, sobre Kurt Cobain, está vindo aí e deve dar início a uma onda de nostalgia e uma releitura sobre a personalidade do líder do Nirvana. Escrevi sobre isso no meu blog do UOL:
http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/16/assista-ao-nirvana-tocando-para-apenas-duas-pessoas/

Kurt Cobain aos 14 anos
O suicídio de Kurt Cobain completou 21 anos no início deste mês, mas a efeméride é só o começo de uma avalanche de novidades relacionadas à biografia do líder do Nirvana que já estamos sendo submetidos desde o anúncio do novo documentário, “Kurt Cobain: Montage of Heck”. Editado a partir de entrevistas com pessoas muito próximas à vida de Kurt Cobain antes da fama e toneladas de material caseiro tanto em vídeo quanto em áudio, o filme dirigido por Brett Morgen é uma versão oficial da história de Cobain, uma vez que o diretor teve acesso ao acervo de Kurt através da viúva Courtney Love e a filha do casal, Frances Bean Cobain, atua como produtora executiva do documentário.
Entre as novidades que já apareceram estão os trechos de uma apresentação de uma versão primitiva do Nirvana apresentando-se em uma sala de estar para um público de duas pessoas, seguida de um trecho de entrevista com o baixista e amigo confidente de Kurt, Krist Novoselic. Duas cenas do filme oferecidas ao jornal New York Times:
O amigo conta que quando conheceu Cobain, ele trabalhava como faxineiro. “Ele sempre fazia alguma tipo de arte – normalmente desfigurando algo. Ele nunca ficava sem ter o que fazer. Isso apenas vinha dele; ele tinha de se expressar.”

Kurt e a filha Frances Bean Cobain, hoje produtora executiva do documentário
Parte dessa expressão está registrada em mais de 100 fitas cassetes que Kurt Cobain guardava com registros de diferentes fases de sua vida, não apenas registrando estágios iniciais ou ideias para canções, mas falando ao telefone, comentando músicas que ouvia no rádio, falando sozinho. O diretor Morgen teve acesso a esse material, que foi armazenado num depósito por Courtney Love logo após a morte de seu marido e nunca mais haviam sido revisitadas. Desse material foi de onde saiu uma demo que a revista norte-americana Rolling Stone disponibilizou em seu site:
Em entrevista ao jornal New York Times, o diretor do documentário disse que queria mostrar o lado contraditório de Kurt Cobain – que além de ser um rock star deprimido com o próprio sucesso ele também era uma pessoa amável e bem humorada, sempre lembrada com carinho por pessoas mais próximas. Morgen dirigiu os ótimos “O Show Não Pode Parar” (sobre o produtor de cinema Robert Evans, responsável por “O Poderoso Chefão”, “Love Story” e “Chinatown”), “Chicago 10” (sobre os protestos de 1968 em Chicago, nos EUA) e “Crossfire Hurricane” (sobre os Rolling Stones) e achava que iria encontrar um clichê de história do rock que teria sua história contada em 18 meses. O trabalho se esticou por oito anos à medida em que o diretor pode mergulhar em um artista que conhecia superficialmente e que fora contratado para documentar. O filme ainda deve gerar um livro e um disco com a trilha sonora, ambos sem previsão de lançamento.
“Kurt Cobain: Montage of Heck” deverá estrear nos cinemas norte-americanos no dia 24 de abril e depois será exibido na HBO no dia 4 de maio. Não há previsão sobre exibições no Brasil, embora especule-se sobre uma única sessão no dia 12 de maio, ainda não confirmada. Assista ao trailer abaixo:

E aí, já assistiu à série do Demolidor no Netflix? Senão viu ainda, tá perdendo: reuni 18 referências que estão escondidas na série que ajudam a entender este novo estágio de séries da Marvel, além de dar dicas sobre o futuro do universo da editora no cinema lá no meu blog do UOL – evitando ao máximo os spoilers: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/15/referencias-escondidas-na-serie-do-demolidor-revelam-o-futuro-da-marvel/
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E aí, conseguiu matar todos os treze episódios da primeira temporada da série Demolidor da Marvel no Netflix? Se não terminou, eu imagino a fissura: a série é o melhor produto da Marvel fora dos quadrinhos e estabelece um novo patamar de qualidade para o estúdio. A estratégia de soltar todos os 13 episódios de uma temporada numa sexta-feira surtiu efeito e os fãs não desgrudaram da série após assistir o primeiro episódio. A cada novo capítulo, a série criada pelo produtor Drew Godard (que escreveu episódios de Lost e Buffy, além de dirigir o ótimo O Segredo da Cabana, de 2012) aprofunda suas garras não apenas na história do garoto que fica cego (vivido por Charlie Cox) e passa a lutar contra o crime, mas numa narrativa sombria, densa e crua, algo que nunca havíamos visto nos filmes ou séries que a Marvel até agora.
É uma decisão ousada – e acertou em cheio, além de especificamente feliz por começar justo pelo Demolidor. Foi o personagem quem começou a reinvenção não apenas da Marvel mas do mercado de quadrinhos dos anos 80. Frank Miller foi o primeiro dos novos autores de quadrinhos a abrir um novo rumo para os super-heróis ao assumir as histórias da identidade secreta de Matt Murdock. Suas histórias com o personagem no início dos anos 80 apostaram justamente num lado desagradável da luta contra o crime.

Miller começou a falar em corrupção policial, do envolvimento de políticos com o crime organizado, sobre como luminares das colunas sociais estavam diretamente envolvidos com atividades ilegais e hábitos sórdidos. Junto com estes bastidores que incomodam muita gente, Frank Miller também humanizava as brigas e duelos para além dos quadrinhos transversais e das onomatopeias engraçadas. O universo do Demolidor era de dor e violência, tanto física quanto emocional. Complete esse cenário com a obsessão do escritor pelo oriente, por artes marciais, ninjas, clãs de guerreiros mercenários do Japão medieval, samurais solitários de rígida disciplina.
Ainda há a questão da proporção. O Demolidor mora em Nova York mas não está a postos para salvar o mundo, como os Vingadores. Seu domínio é sua vizinhança, a região da Cozinha do Diabo, no coração de Manhattan. Por isso, observamos toda a ação de dentro, não por cima, como quando acontece em qualquer filme dos Vingadores. Nas histórias de Thor, Capitão América e Homem de Ferro vemos explosões e prédios desabando, mas nunca vemos civis morrendo, contagem de corpos de inocentes ou a devastação da cidade. O Demolidor assume um ponto de vista mais mundano. Mesmo seus superpoderes não são grande coisa se comparados à “armadura de ferro ou martelo de deus”, referidos na própria série.
Foi a combinação destes fatores que fez das histórias do Demolidor um sucesso e que cacifaram Frank Miller a reconstruir um dos grandes ícones da rival da Marvel, quando reinventou o Batman com o maior épico de Bruce Wayne até hoje, a série Cavaleiro das Trevas, publicada originalmente em 1986. O Demolidor de Frank Miller serviu como ponto de partida para a fase de ouro dos quadrinhos dos anos 80, quando Alan Moore conduziu o Monstro do Pântano em narrativas inimagináveis, escreveu clássicos com o Super-Homem e o Batman e forjou o outro épico daquela década, Watchmen. Uma nova geração de autores e desenhistas – norte-americanos e ingleses – tomou de assalto as duas principais editoras de quadrinhos a partir do amadurecimento dos super-heróis iniciado pelo Demolidor de Miller. Não é exagero dizer que o personagem foi a fagulha que impulsionou o mercado a crescer para além das revistas mensais, consolidando um público adulto que iria consumir as novas graphic novels e, posteriormente, os filmes, numa onda iniciada a partir do Batman de Tim Burton, de 1989.
Então a adaptação do Demolidor nesta nova fase da Marvel vem coroar justamente o personagem que tornou essa mesma nova fase possível. Ao mesmo tempo em que apaga completamente o filme ridículo com Ben Affleck de 2003, um dos piores exemplos da primeira safra de filmes de super-herói deste século.

Mas vou dar um tempo para você digerir o novo seriado e enquanto isso separo aqui uma série de detalhes e dicas que a produção deste Demolidor espalhou por seus treze episódios. Enquanto você se delicia com cenas como a luta à “Old Boy” no final do segundo capítulo, o maravilhoso Rei – ainda Wilson Fisk – de Vincent D’Onofrio (seu maior papel, sem dúvida) e as cenas com ossos quebrados, assassinatos brutais e requintes de crueldade nem deve perceber pequenas sutiliezas narrativas ou cenográficas que apontam não só os rumos para uma próxima temporada da série, como para os outros seriados da Marvel e os filmes do estúdio que estrearão nos cinemas nos próximos anos.
Separei 18 referências que aparecem por todos os episódios, por isso daqui pra frente continue lendo apenas se não quiser saber do que acontece no seriado. Tentei restringir spoilers mais pesados, mas outros são inevitáveis. Fora que há tantas outras pistas que ainda podem estar escondidas…

1) O Homem Sem Medo
Por toda a primeira temporada, Matt Murdock se apresenta vestido de preto, usando a mesma fantasia inicial imaginada no arco “O Homem Sem Medo”, em que Frank Miller voltou ao personagem em 1993 para contar o início de sua saga.

2) Tudo saiu dos quadrinhos
Todo episódio termina com agradecimentos a nomes que consolidaram o personagem, como Frank Miller, Brian Michael Bendis, Archie Goodwin e Gene Colan. Personagens periféricos dos quadrinhos vez por outra surgem na série, como o padre Lanton, o policial íntegro Brett Mahoney, o bandido Tusk Barrett, todos personagens de histórias anteriores com o Demolidor. Até os lugares, como a academia de ginástica Fogwell’s e o bar Josie’s também foram tirados do papel.

3) Van Lunt
Quando Murdock e Nelson inaguram seu escritório de advocacia, pregam um papel com seus nomes escritos sobre o nome do antigo serviço do local e é possível ler Van Lunt Real Estate Co. O personagem Van Lunt também é citado na série como sendo um especulador imobiliário, mas seu sobrenome é o mesmo de Cornelius Van Lunt, o Taurus do grupo criminoso Zodíaco. São as únicas referências ao personagem, mas podem ser só o começo da aparição do novo vilão.

4) Coruja
O personagem Leland Owlsley (vivido pelo veterano Bob Gunton, que você deve se lembrar da série 24 Horas) tem o mesmo nome do vilão Coruja, mas o último capítulo desta primeira temporada deve ter sido apenas o início do surgimento deste novo personagem… como vingança.

5) “O incidente”
Os fatos que aconteceram no primeiro Vingadores ecoam diretamente no mundo do Demolidor. A “batalha de Nova York” é manchete em um New York Bulletin colocado ao fundo da sala do jornalista Ben Urich (um clássico coadjuvante dos quadrinhos da Marvel, desta vez vivido por Vondie Curtis-Hall) e o fato é referido como “o incidente”, que permitiu, inclusive, a ascensão do vilão Wilson Fisk a partir da destruição causada na cidade.

6) Elektra
A grande paixão de Matt Murdock, Elektra inevitavelmente aparecerá na série, mas por enquanto ela só foi referida como uma grega gata com quem Matt e seu amigo Foggy Nelson conheceram na faculdade.

7) Gladiador
O vilão ainda não existe, mas sua identidade anterior – Melvin Potter – aparece no seriado, ainda como funcionário de Wilson Fisk. Em sua oficina já conseguimos ver alguns elementos que se tornarão parte de seu uniforme, além das pernas mecânicas de outro vilão, Metalóide.

8) Enfermeira Noturna
A personagem de Rosario Dawson, Claire Temple, é a heroína Enfermeira Noturna, que deverá aparecer em outros seriados da Marvel com a Netflix fazendo as vezes de um Nick Fury civil e interconectando os personagens dos quatro seriados que virão (além do Demolidor teremos AKA Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro) para a conclusão no quinto seriado, reunindo os quatro heróis em Os Defensores.

9) Carl “Crusher” Creel
Um dos adversários do pai de Matt Murdock em seus tempos de ringue foi Carl “Crusher” Creel, que já havia aparecido no universo Marvel na série Agents of S.H.I.E.L.D., já com seu nome de guerra, er, Homem-Absorvente (é sério).

10) Stick
O mestre cego de Matt Murdock, que o apresenta às artes marciais e por pouco não o convoca para desenvolver melhor seus superpoderes, também dá as caras no seriado. E deve retornar em temporadas futuras.

11) Mercenário
O infame Bullseye responsável por arruinar o primeiro filme do Demolidor não aparece na série… ou aparece? A mira de um certo sniper no sexto episódio é muito precisa – além de parecer que ele carrega um maço de cartas em seu bolso.

12) Atlas
O logo Atlas que aparece em uma cena atrás de Matt Murdock é uma referência ao logo da Atlas Comics, que depois tornou-se Timely Comics e, finalmente, assumiu o nome de Marvel Comics em definitivo.

13) Serpente de Aço
Entre os grupos criminosos que atuam na Cozinha do Diabo, um deles é liderado por uma certa senhora chinesa chamada Madame Gao, que trabalha com a produção e distribuição de heroína na vizinhança. A droga vendida por Gao acompanha a marca da “serpente de aço”, o primeiro aceno da série a outra mitologia que deverá ser explorada em outra série da parceria Netflix / Marvel, a série Punho de Ferro, que ainda não tem data de produção ou exibição.

14) Madame Gao
A própria Gao, vivida por Wai Ching Ho, deve ter um papel mais importante em Punho de Ferro. Em dado momento da série, ao ser perguntada se ela vem da China, a personagem ri e diz que vem de um lugar bem mais distante. O que pode ser uma alusão a Ku’n-Zi, uma das Cidades Lendárias do Céu, lugar sagrado nos Himalaias que só pode ser visitado a cada dez anos e de onde o Punho de Ferro retira suas forças. Gao pode ser a bruxa Mother Crane, governante do lugar, na próxima série.

15) Misticismo oriental
Punho de Ferro, por sua vez, deve ser uma das franquias da Marvel mais difíceis de serem apresentadas ao grande público, por misturar misticismo, alienígenas e artes marciais. Mas as sementes para começar a explicar este universo já foram lançadas no Demolidor, quando assistimos a uma cena em que Stick presta satisfação a um personagem misterioso – que supomos ser Stone, um dos integrantes do clã Chase, rival do clã Hand, onipresente nas histórias do Demolidor, Elektra e Wolverine. Outra referência a este misticismo é o misterioso conteúdo de um container referido apenas como “Céu negro”, que pode ter alguma conexão também com Agents of S.H.I.E.L.D. ou com outro futuro filme da Marvel, os Inumanos (que também deve conectar-se com Agents).

16) “Nessun Dorma”, de Giaccomo Puccini
A clássica ária é tocada em um dos momentos cruciais do final da temporada e reforça a importância que a trilha sonora tem no decorrer da série (repare em quantas músicas conhecidas são usadas nos 13 episódios). Sua letra, em italiano, canta “Meu mistério segue fechado comigo/ Meu nome ninguém saberá!”

17) Antes da Guerra Civil
Uma das próximas histórias a ser levadas para as telas (no terceiro filme do Capitão América, programado para o ano que vem) é a saga Guerra Civil, em que super-heróis são considerados foras da lei se não se apresentarem num cadastro do governo. Uma placa próxima a Matt Murdock em uma cena na delegacia mostra que essa ação já começou – ela avisa que “você não tem que revelar sua identidade secreta para ajudar a resolver crimes violentos”. Resta saber se o vigilante mascarado da Cozinha do Inferno tem a ver com isso.

18) Stan Lee
Outra enorme mudança em relação a todas as produções da Marvel atuais é a ausência do pai de todos Stan Lee do elenco – mas ele não foi esquecido. Em vez de aparições infames ou surpresas hitchcockianas, a foto de Lee aparece brevemente enquadrada ao fundo da delegacia em uma das cenas mais tensas de toda a temporada, em seu último episódio.
Uma série espetacular, muito além do que já foi feito com super-heróis na televisão, e que estabelece um novo patamar de excelência para a Marvel. Embora as próximas séries da parceria Marvel e Netflix ainda não tenham começado a ser produzidas (AKA Jessica Jones deverá ser a única a estrear este ano), aposto que antes do fim desse semestre anunciam a renovação do Demolidor para pelo menos uma segunda temporada.
E você, já assistiu à série inteira?

As comparações entre o épico scifi de Christopher Nolan do ano passado com o pai-de-todos 2001 – Uma Odisseia no Espaço são evidentes, mas neste clipe que postei lá no meu blog do UOL vemos que há semelhanças e diferenças que praticamente conversam entre si http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/13/o-que-interestelar-de-christopher-nolan-tem-a-ver-com-o-2001-de-kubrick/.

“Interestelar”, o épico sci-fi emocional que Christopher Nolan trouxe ao mundo no ano passado, é um filhote quase-clone do pai-de-todos em sua categoria, o épico sci-fi racional “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick. São duas histórias completamente diferentes, impulsionadas por motivações diametrialmente opostas, mas que vasculham a mesma área do inconsciente coletivo, uma expectativa por uma transcendência a outra dimensão que justificaria a existência humana, e entregam experiências audiovisuais bem parecidas. O estudante de cinema Jorge Luengo Ruiz, de Madri, parelhou os dois filmes ao som da deslumbrante valsa “Danúbio Azul” de Johann Strauss e o resultado sublinha a inevitável semelhança entre as obras do mestre e do discípulo.

Se você acompanha o Trabalho Sujo já conhece os quatro, mas indiquei Cidadão Instigado, Bixiga 70, Ava Rocha e Cícero lá no meu blog do UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/11/quatro-novos-discos-brasileiros-pra-voce-ouvir-agora/.
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Duas reclamações são constantes sobre música no século 21. Uma, repetida à exaustão por gente sem paciência, é que não há música boa sendo produzida atualmente – uma bobagem sem tamanho. A outra reclamação é decorrente desta generalização grosseira, mas é bem mais plausível: é difícil encontrar artistas ou discos legais hoje em dia – e isso é decorrente do excesso de produção de nossos dias. Resolvi separar quatro discos brasileiros recém-lançados que podem ser baixados gratuitamente nos sites oficiais de seus autores. Tem pra todos os gostos: guitarras, experimentalismo, groove e canções.

Cidadão Instigado – Fortaleza
Não deixe se enganar pela capa heavy metal ou pelo sotaque carregado de Fernando Catatau, vocalista, líder e guitar hero da banda cearense Cidadão Instigado. Fortaleza, quinto disco da banda, não é nem um disco adolescente nem de música nordestina, mas o momento mais mais sólido do grupo, que equilibra as diferentes influências da banda – de clássicos do rock como Pink Floyd, Beatles, Led Zepppelin, Thin Lizzy e Black Sabbath a diferentes ícones do rock nacional como Raul Seixas, Legião Urbana e Tutti-Frutti. O resultado é um disco pesado, de riffs memoráveis, timbres setentistas, arranjos vocais e solos de cortar o coração. Mas que também tem seus momentos de lirismo, melancolia e contemplação, como a delicada “Perto de Mim”, o reggae “Land of Light” e a bucólica “Dudu Vivi Dada”.
Para quem gosta de: Pink Floyd, rock psicodélico e Raul Seixas.
Onde baixar: www.cidadaoinstigado.com.br

Ava Rocha – Ava Rocha
Não deixe se levar apenas pelas credenciais genéticas: a filha do cineasta Glauber Rocha é mais parte de uma cena de música pop moderna do Rio de Janeiro – de artistas como Tono, Letuce, Baleia, Alice Caymmi, Do Amor, Diogo Strausz, Séculos Apaixonados – do que da filmografia do pai baiano. Depois de liderar uma banda batizada com seu próprio nome, ela lança um primeiro disco solo libertador, sob os auspícios do produtor Jonas Sá, que reuniu diferentes músicos e compositores (entre eles o marido da cantora, o também promissor Negro Leo) para um disco de forte alma feminina, intenso e doce, que passa por cantigas singelas, canções desafiadoras e espasmos instrumentais, revelando uma personalidade enigmática e ao mesmo tempo apaixonante.
Para quem gosta de: Gal Costa, free jazz e PJ Harvey.
Onde baixar: avarocha.com

Bixiga 70 – Bixiga 70 III
A big band instrumental com dez integrantes começou seus trabalhos no número 70 da rua 13 de Maio, no baixo do Bixiga, em São Paulo, de onde veio a inspiração para o nome. Seus membros têm diferentes influências de instrumental, vindo de praias tão diferentes quanto o jazz, a música eletrônica, o funk e a música africana. Eles misturam suas origens a um caldo musical que ainda inclui músicas nordestina, latina e árabe, além de experimentações em estúdio. Em seu terceiro disco, gravado após a terceira turnê pela Europa, o grupo compõe, arranja e produz todo o álbum, que conta com forte reverência à música do Marrocos, país pelo qual a banda passou pouco antes de começar a gravar o novo disco, no meio do ano passado.
Para quem gosta de: Antibalas, afrobeat e Budos Band.
Onde baixar: www.bixiga70.com.br

Cícero – A Praia
A voz frágil e o violão quase calado são marcas do carioca Cícero, que despontou na sombra do grupo Los Hermanos mas aos poucos vem criando sua própria identidade musical, entre a melancolia e a timidez. Seu terceiro disco, batizado de A Praia, marca sua mudança do Rio para São Paulo e amplia a sonoridade do disco anterior – o quase recluso Sábado – para incluir novos instrumentos, com arranjos singelos e tocantes.
Para quem gosta de: Los Hermanos, bossa nova e Vanguart.
Onde baixar: cicero.net.br

Escrevi sobre a relação do Demolidor, a nova série da Marvel para a TV e a primeira pro Netflix, e o próximo filme dos Vingadores lá no meu blog do UOL:
http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/10/o-que-a-serie-do-demolidor-pode-antecipar-sobre-o-novo-vingadores/.

Comentei outro dia sobre como a Marvel vem esmerilhando ao narrar sagas extensas que perpassam vários filmes ao mesmo tempo em que apresenta histórias paralelas na TV que conversam com os longas que estreiam no cinema. Nesta sexta-feira eles dão mais um passo rumo em seu ousado experimento transmídia ao tentar sincronizar a atenção de todo o planeta em períodos determinados de tempo. É quando estreiam a primeira temporada da série Demolidor, ressuscitando o personagem – que já foi vivido por Ben Affleck num risível filme de 2003 – para o universo cinematográfico da Casa das Ideias.
A grande diferença é que, ao contrário das séries anteriores da Marvel (Agents of S.H.I.E.L.D. e Agente Carter), o novo seriado não foi feito em parceria com a emissora ABC, um canal de televisão tradicional, e sim com o serviço de assinatura Netflix. A novidade não diz respeito apenas à forma de distribuição do seriado, que não chega mais transmitido por antenas ou por cabos de TV paga e sim pelas conexões da internet. A mudança diz respeito ao fim das janelas de lançamento global entre conteúdos produzidos para a televisão.
Explico: por não ser uma operação que envolve todo o planeta e sim apenas os Estados Unidos, as coproduções com o canal ABC não podem ser exibidas simultaneamente ao mesmo tempo em diferentes países. Há uma grade de retransmissão para valorizar as estreias no país de origem. Por isso é mais difícil sincronizar a história da série com a longa história contada em diferentes filmes que estreiam quase que ao mesmo tempo em todos os países do mundo. Como a série também é da ABC, ela negocia seus direitos com outras emissoras locais e estas vão definir, cada uma com seu critério, data e ordem de exibição nos diferentes países.

Então se determinada ação num episódio de Agents of S.H.I.E.L.D. que fosse exibido uma semana antes da estreia do segundo filme do Capitão América nos cinemas tivesse continuação no filme, esta relação de ação e consequência só poderia ser percebido em tempo real pelo público americano ou pelo resto do mundo através da pirataria. Se dependêssemos da grade de programação de lançamento entre cinemas e emissoras de TV em todo o mundo, a costura narrativa entre diferentes histórias seria toda em vão – a não ser para espectadores do futuro que queiram acompanhar todas as produções de uma vez, em ordem.
Ao apostar em jogar toda a temporada de seu novo seriado no Netflix, a Marvel também instiga os fãs mais ávidos a consumirem uma nova série em uma periodicidade quase diária – ou mais curta, nas já tradicionais maratonas de seriado. É que o próximo Vingadores estreia em duas semanas em todo o planeta e uma das imagens de divulgação do novo seriado já deixou claro que, embora o universo do Demolidor se restrinja a uma vizinhança de Nova York (o bairro Hell’s Kitchen), ele também habita a mesma Nova York que o Homem de Ferro, Thor, Hulk e companhia – é só reparar a Torre dos Vingadores no horizonte à direita lá de cima deste post.
Vingadores 2 – A Era de Ultron estreia no mundo todo em duas etapas: no dia 23 de abril (no Brasil, Argentina, Europa ocidental, Rússia, Israel, Índia, África do Sul, Indonésia, Taiwan, Hong Kong, Singapura, Austrália e Nova Zelândia, entre outros) e no dia 1° de maio (nos EUA, Chile, Equador, Espanha, Europa oriental, Iraque, México, Peru, Portugal Tailândia, Canadá e Vietnã, entre outros). O filme vem sendo guardado a sete chaves e já é cotado como possível campeão de bilheteria histórico no fim de semana de sua estreia, deixando os 200 milhões de dólares do primeiro Vingadores comendo poeira. A especulação sobre o sucesso do filme é tamanha que há quem fale que ele pode se tornar o primeiro filme a faturar 2 bilhões de dólares, uma marca inacreditável.
Se o filme é bom? Os três trailers já lançados mostraram que há o mesmo tanto de ação quanto de construção de personagens – e um desocupado conseguiu colocar os três trailers em ordem, tentando imaginar uma certa cronologia (que faz sentido) para o filme a partir apenas de imagens de divulgação.
Alguns críticos norte-americanos já assistiram ao filme mas, sob embargo, não podem entrar em detalhes. Mas já comentaram em linhas gerais o que podemos esperar do novo filme.
Avengers: Age of Oh Yeahhhhh It's Good!
— Christopher Rosen (@chrisjrosen) April 10, 2015
Vingadores: A Era do Oh Yeahhhhh Como É Bom!”
#AvengersAgeOfUltron is darker, weirder and more emotional than the original. It's also the thrill ride to beat this summer.
— Drew Taylor (@DrewTailored) April 10, 2015
#VingadoresEraDeUltron é mais sombrio, mais esquisito e mais emotivo que o original. É também a viagem mais incrível deste verão.
Whedon stuffs Avengers Age of Ultron with an impossible amount of great geekiness. Sometimes it feels like too much, but he pulls it off!
— Kevin P. Sullivan (@KPSull) April 10, 2015
“Whedon enche Vingadores A Era de Ultron com uma quantidade impossível de ótimo nerdismo. Às vezes parece demais, mas ele se garante!”
Important to note AVENGERS AGE OF ULTRON is a completely different movie than the first one. And that's why it works.
— Steven Weintraub (@colliderfrosty) April 10, 2015
“Uma nota importante sobre VINGADORES A ERA DE ULTRON é que é um filme completamente diferente do primeiro. E é por isso que funciona.”
Just saw AVENGERS: AGE OF ULTRON. Soooooooo many characters and soooooo much going on, I can't believe it's coherent, let alone so fun.
— Mike Ryan (@mikeryan) April 10, 2015
“Acabei de ver VINGADORES: A ERA DE ULTRON. São taaaantos personagens e taaaanta coisa acontecendo que eu não consigo acreditar que consiga manter a coerência, além da diversão.”
Avengers 2 is both an amazing sequel and a fantastic setup for the rest of the MCU. So nerdy in the best possible way.
— Mike Sampson (@mjsamps) April 10, 2015
“Vingadores 2 é tanto uma continuação incrível quanto uma armação fantástica para o resto do universo Marvel no cinema. Tão nerd da melhor maneira possível.”
AGE OF ULTRON is a blast and there's a ton of cool Marvel surprises!
— Silas Lesnick (@silaslesnick) April 10, 2015
“ERA DE ULTRON é um barato e tem uma tonelada de surpresas Marvel!”
Avengers 2 is way more fun and great than the trailers let on.
— Meredith Woerner (@MdellW) April 10, 2015
“Vingadores 2 é ainda mais divertido do que os trailers faziam parecer”
Mais complexo, mais nerd, mais sombrio, mais divertido… Será que a série do Demolidor pode dar alguma pista do que esperar do próximo filme? Só há um jeito de saber.

Escrevi no meu blog do UOL porque os números de Lost fazem sentido especificamente hoje: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/08/fanaticos-pela-serie-comemoram-hoje-e-dia-de-lost/.
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4, 8, 15, 16, 23, 42…
Enquanto Lost era a série mais importante de seu tempo, estes seis números confundiam os fãs e serviam como prova para quem não acompanhava a série que tudo aquilo era só um emaranhado de referências aleatórias feitas para instigar a atenção e fazer os aficionados discutirem sobre temas sem sentido.
A série acabou em 2010, algumas coisas foram explicadas, muitas delas não, entre elas, a sequência de números que apareciam em todo canto da série, de um bilhete da loteria premiado em 2004 a um número talhado numa escotilha enterrada nos anos 70.

Como a internet não para, alguém descobriu que a combinação dos números faz sentido especificamente hoje, dia 8 de abril de 2015. Mais especificamente às quatro e vinte e três da tarde, aos quarenta e dois segundos…
Sim: 4 (abril) / 8 / 15 / 16:23:42. Os números formam a data precisa de uma comemoração que irá ser feita apenas por fãs fervorosos da série de J.J. Abrams. Aqueles que, mesmo sem ter gostado do final, ainda celebram o seriado como um dos mais importantes de nossos dias.
E, de quebra, transforma o dia 8 de abril no dia anual de Lost. Como o quatro de maio (May the 4th/Force) é o de Guerra nas Estrelas.
E essa agora?


Estamos todos sérios falando da volta de Twin Peaks e Arquivo X e aí chega o Netflix falando que Três é Demais pode voltar! Comentei sobre essa possibilidade lá no meu blog do UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/07/mais-nostalgia-anos-90-quem-esta-preparado-para-a-volta-de-tres-e-demais/.
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Entre a confirmação de uma nova temporada de Arquivo X e o cancelamento da volta de Twin Peaks surge mais um boato sobre outra volta seriados dos anos 90. Desta vez é a vez do pacato Três é Demais, que também é conhecido por seu nome original, Full House, que foi cortejado pelo Netflix para voltar em nova temporada.
A série é mais lembrada pelas tiradas infames do personagem bebê Michelle Tanner, vivido pelas gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, uma das filhas do protagonista Danny Tanner, interpretado por Bob Saget. Além de Michelle, Danny era pai da adolescente D.J. (Candance Cameron) e a da pré-adolescente Stephanie (Jodie Sweetin) e a série partia da premissa que, logo após a morte de sua esposa em um acidente de carro, Danny mudava-se para uma casa com suas filhas e o cunhado Jesse (John Stamos), que tenta a sorte como músico, e seu amigo Joey (Dave Coullier), um comediante novato. O título em português faz referência aos três adultos e às três crianças, enquanto o título em inglês falava da casa cheia sempre de gente da improvável família.
A série durou entre 1987 e 1995 e emplacou no Brasil como um dos primeiros sucessos da então incipiente TV a cabo, nos anos 90. Antes do Warner Channel repetir Big Bang Theory e Friends sem parar, um de seus principais sucessos era Três é Demais (sempre exibido junto com Step by Step).
Três é Demais é um dos inúmeros exemplos de como eram os programas de TV antes dos anos 90. A lógica dos episódios era repetitiva, os diálogos superficiais, as histórias quase sempre eram conduzidas apenas para alternar momentos de candura, frases de efeito e piadas do tipo “tio do pavê”. As mudanças na série aconteciam em câmera lenta. Por oito temporadas, a única coisa que mudou além da idade das crianças foi a entrada da personagem Rebecca (Lori Loughlin), que começa a namorar Danny na segunda temporada, casa-se com ele na quarta e tem filhos gêmeos na quinta. De resto, dá para assistir à série em qualquer ordem, sem acompanhá-la. Não há nenhum nível de complexidade. Ela é tão rasa – e divertida – quanto os Trapalhões ou Chaves ou qualquer outro seriado de seu tempo. Uma relíquia de quando a televisão era mais inocente.
Vieram os anos 90 e com eles revoluções na narrativa, na linguagem, na tecnologia – e os seriados de TV se reinventaram para o século 21. Os Simpsons, Twin Peaks e Arquivo X começaram a rascunhar o já clássico Olimpo da TV desde século, formado por títulos como Sopranos, Six Feet Under, Lost, Mad Men, Breaking Bad, The Wire, Walking Dead e Game of Thrones. Séries como Full House hoje não passam nem do primeiro estágio de produção, devido à sua simplicidade.
A tentativa do Netflix em emplacar uma nova versão do seriado tem mais a ver com a volta dos anos 90 (que eu comentei outro dia) do que com uma reinvenção de narrativa, como seria o caso dos retornos de Twin Peaks e Arquivo X. As fichas do serviço digital devem ter ido para Três é Demais por uma questão de zeitgeist: há algum tempo uma série de entrevistas e aparições dos atores e personagens da série original têm mostrado que o interesse do público norte-americano em Full House segue à toda.
Primeiro foi a volta da banda do personagem “Tio Jesse” no programa de Jimmy Fallon, em 2013:
Depois, em janeiro do ano passado, foi novamente o personagem de John Stamos quem puxou a conversa, mas Saget e Coullier vieram juntos neste anúncio de iogurte grego veiculado durante o Superbowl:
Também no ano passado, as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen falaram sobre a série em uma entrevista no programa de Ellen DeGeneres:
E no início deste ano, todo o elenco da série (menos as duas gêmeas) se reuniu para cantar o tema de Full House para o produtor e criador do seriado, Jeff Franklin, em sua festa de 60 anos.
E agora vem esta especulação que, se confirmada, acompanhará a rotina da filha Tanner mais velha, D.J., e sua melhor amiga, Kimmy Gibler (vivida por Andrea Barber), além de ter pontas dos principais nomes da versão original. A nova temporada, segundo o site TVLine, se chamaria Fulller House (Casa Mais Cheia) e teria 13 episódios. Ainda não foi confirmado, mas é questão de tempo, segundo o site. Resta saber se ele manterá a inocência daqueles tempos ou se tentará acompanhar o espírito da TV do século 21.

Aproveitei o lançamento do trailer do documentário sobre Amy Winehouse – além do próximo documentário sobre Kurt Cobain – pra falar sobre como os ídolos do futuro serão construídos: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/05/amy-winehouse-kurt-cobain-e-a-criacao-dos-idolos-do-futuro/.
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Comentei outro dia sobre o documentário sobre Amy Winehouse e o trailer dele apareceu logo em seguida. Vale ver ou rever:
Dirigido pela mesma equipe que produziu o documentário Senna, o filme sobre a cantora inglesa chama-se apenas Amy e carrega uma forte semelhança com outro documentário que mencionei aqui neste blog, Montage of Heck, sobre os anos de formação de Kurt Cobain.
Já escrevi aqui que a atual fase de ouro do cinema documental inevitavelmente nos trará para questionamentos mais frequentes sobre nosso cotidiano, em vez de remoer o passado. Mas os filmes Amy e Montage of Heck são os exemplos mais recentes de uma longa onda de reinvenção pública de personalidades pop, uma tendência que teve início durante os anos 80, quando novas tecnologias como o videocassete, a fita cassete e o compact disc possibilitaram que a indústria do entretenimento começasse a se reinventar a partir de relançamentos.
Foi quando artistas e autores começaram a entender o valor de suas personalidades públicas na hora de se vender um produto cultural. Os precursores desta tendência foram os Beatles, que aproveitaram a chegada do CD para oficializar sua discografia, determinando a versão britânica de seus discos como sendo o catálogo canônico da banda. Mas só foram os Beatles – e não, por exemplo, Elvis Presley, Miles Davis, Frank Sinatra ou o Led Zeppelin – porque durante os anos 80, o grupo completava aniversários de vinte anos de diferentes efemérides em sua carreira. E sempre que uma geração madura olha para sua adolescência, a diferença entre essas duas fases é de vinte anos, o que faz que ela tenha disposição financeira para gastar com produtos culturais dos tempos em que era jovem – e quase sempre não tinha dinheiro para comprar o que gostaria. A interseção entre as novas tecnologias de registro de áudio e vídeo e o início do revival dos anos 60 deu origem à mitificação de toda uma era, que não era tão gigante em seu próprio tempo.
Não é exagero dizer que todos os clássicos dos anos 60 – sejam bandas de rock, filmes emblemáticos, best-sellers, quadrinhos alternativos – são muito maiores atualmente do que em seu tempo. Daria pra dizer o mesmo sobre ícones de outras épocas, mas os anos 60 são uma década muito mais emblemática culturalmente do que as décadas anteriores. Todo o zeitgeist presente na época – a beatlemania, a literatura beat, o free jazz, a Invasão Britânica, a Jovem Guarda, a psicodelia, o black power, a Swinging London, o existencialismo, o feminismo, a nouvelle vague, a contracultura, os movimentos sociais, o situacionismo, o tropicalismo e qualquer outro movimento daquela época – conseguiu consolidar-se vinte anos depois graças a uma onda de relançamentos que só aconteceu graças ao advento das novas tecnologias, especialmente graças à popularização do CD e do VHS.
Como estas novas tecnologias não nos abandonaram – pelo contrário, foram sendo ampliadas as formas de se registrar e relançar produtos culturais -, a consolidação das décadas que vieram após os anos 60 em nosso imaginário aconteceu à medida em que passavam-se vinte anos de cada uma delas: os anos 90 ajudaram a consolidar os anos 70 (dos Beastie Boys a Quentin Tarantino, Boogie Nights e a disseminação da estética vintage) e a primeira década deste século moldou a imagem que temos dos anos 80 (plásticos, eletrônicos, urbanos e cheios de néon). Estamos, nos anos 10, em pleno período de reavaliação dos anos 90, consolidando a última década do século passado em nosso inconsciente coletivo atual, e prestes a começar a tentar a entender os anos 00, que nem sabemos como chamar.
E é aí que entram os documentários sobre Kurt Cobain e Amy Winehouse. Cada vez mais vamos assistir à consolidação de biografias que moldaram suas reputações a partir de registros culturais – tanto ao ser inspirado por discos, livros e filmes quanto por usar gravadores, filmadoras, celulares, máquinas fotográficas e a internet como dispositivos para registrar suas próprias produções caseiras e, portanto, suas próprias vidas.
Em pouco tempo estaremos assistindo a documentários sobre pessoas que tiveram toda sua vida registrada – seja em milhões de fotos tiradas diariamente pelos pais quanto por registros em redes sociais, canais de compartilhamento de conteúdo digital, troca de mensagens instantâneas, cruzamento de contatos via internet. As infâncias de Kurt Cobain e de Amy Winehouse foram muito mais registradas do que as de John Lennon ou de Billie Holiday. Há um ar de mistério nos velhos ídolos justamente por não termos registros de tudo sobre eles.
Será que se tivéssemos redes sociais nos anos 60 assistiríamos aos shows dos Beatles em Hamburgo pelo YouTube? Ou o Velvet Underground poderia ser bem maior graças à máquina de hype de Andy Warhol? Quem sabe? O fato é que quem quiser conhecer melhor qualquer pessoa pública de nossos tempos antes da fama, basta usar a internet para fazer algumas buscas e descobrir fotos, vídeos e, dependendo da idade do artista, posts em redes sociais que podem revelar muito sobre sua produção atual e também sobre sua personalidade.
Cada vez mais os biógrafos do futuro terão menos dificuldade para acessar a acervos pessoais de seus biografados. Talvez a maior preocupação seja conseguir reunir e assistir a tudo – ver, ler, ouvir, catalogar – para chegar a um produto final.
E não acho que isso seja melhor ou pior do que o que tínhamos antes – é apenas como a cultura de nosso tempo se move.
