A obra-prima atemporal do My Bloody Valentine completa um quarto de século e tive que falar sobre o disco lá no meu blog no UOL.
Em seu clássico visionário de 1977, Bruits: Essai Sur L’Economie Politique de la Musique (Barulho: Um Ensaio sobre a Economia Política da Música), o acadêmico e teórico francês Jacques Attali usa a música como metáfora para a evolução da humanidade da barbárie rumo à civilização. O que diferencia o barulho de música é nossa capacidade de abstração – e é justamente o que nos torna, mais que humanos, civilizados. A humanidade começa a evoluir a partir do momento em que, consciente de sua capacidade de fazer barulho, começa a organizá-lo em música. O barulho é o estágio animal do ser humano, violento, que ao tornar-se música mostra sua faceta requintada, elegante, educada. Attali também explica que este ato – fazer música – antecipa uma série de mudanças políticas e econômicas que ocorrem com a sociedade, cogitando a possibilidade de que a música funcione como uma atividade presciente dos acontecimentos que se desenvolvem nesta evolução.
Este momento – a cristalização do barulho em música – dificilmente é registrado em disco, devido à natureza desta transformação, que é mais própria de shows e ensaios do que estúdios de gravação. Mas é claro que vários artistas se dispuseram a explorar esta possibilidade, registrando a transformação de frequências sonoras brutas em uma musicalidade nova, para além dos conceitos clássicos de melodia. Eruditos do início do século 20 exploraram esta transição quase sempre de forma conceitual: a orquestra de ruído do futurista italiano Luigi Russolo, os experimentos com silêncio de Marcel Duchamp, as colagens sonoras de Edgard Varèse, as peças de John Cage, a musique concrète de Pierre Schaeffer, o pioneirismo eletrônico de Karlheinz Stockhausen.
Foi na música popular que as transições mais memoráveis destes experimentos aconteceram. Da produção wall-of-sound de Phil Spector, ao free jazz de Ornette Coleman, passando pelas aventuras dos Beatles e de Brian Wilson no estúdio até gestos mais artísticos como o primeiro disco do Velvet Underground ou do Frank Zappa com suas Mothers of Invention, a vontade de registrar o momento em que algo ruidoso torna-se melódico esteve na raiz laboral do pop, dando origem a gêneros inteiros (ambient, drone, noise, industrial, no wave, glitch), até que o advento do sampler nos anos 80 – que permitia disparar sons pré-gravados como bases musicais – trouxe o ruído para a base do pop atual. Mas nenhum disco registra tão bem este momento específico quanto o influente Loveless, a obra-prima que a banda irlandesa My Bloody Valentine lançou exatamente há 25 anos, no dia 4 de novembro de 1991.
É deixar o disco começar, esperar as quatro batidas iniciais que parecem elevar a expectativa, e deixar fluir um som… Que som é esse? Um riff circular de guitarra preenche o ambiente com ondas elétricas inusitadas, frequências sonoras que dissolvem-se logo que o entra doce vocal da faixa de abertura “Only Shallow”. São quantas guitarras? Que pedais são usados? Como essa gravação foi microfonada? E esse riff de abertura? Logo no início Loveless grita e sussurra, canta e berra, seduz e agride. É um meio-termo perfeito entre as grossas camadas de microfonia do Jesus & Mary Chain e a estratosfera onírica dos Cocteau Twins, criando uma sonoridade nova, completamente moderna e eterna. Vinte e cinco anos depois de seu lançamento, Loveless continua igualmente ímpar e alienígena – e, da mesma forma, envolvente e hipnóptico com há um quarto de século. Ele criou um universo musical que ninguém além do próprio My Bloody Valentine soube habitar, embora seja influência direta em algumas das principais bandas do rock alternativo nos anos seguintes (Smashing Pumpkins, Nine Inch Nails, Radiohead), além de ter sido festejado por músicos exigentes como Robert Smith e Brian Eno à época de seu lançamento.
Por toda sua extensão Loveless é um sonho tocado no último volume. O estranho assobio produzido pela forma de tocar guitarra de seu líder Kevin Shields é apenas um dos elementos únicos que definem a banda, como a onipresente parede elétrica de microfonia anestesiada, os doces vocais que sussurram no abismo, o acúmulo de instrumentos, a presença quase sutil de uma bateria montada na pós-produção, em loop eletrônico, o efeito entortado que o uso da alavanca de tremolo dá aos acordes secos e multiplicados, as eventuais ondas de ruído que parecem funcionar como abóbodas de catedrais. Músicas como a sequência final do lado A – “When You Sleep” e “I Only Said” -, a primeira música do lado B – “Come In Alone” – e a faixa que fecha o disco – “Soon” – são hinos celestiais em pele de banda de rock.
Loveless também é o fruto perfeito do trabalho mais obsessivo da história da música pop. Kevin Shields fundou a banda em 1983 com seu velho amigo Colm Ó Cíosóig na bateria, com quem já havia tocado em outras bandas desde o final dos anos 70. A baixista Debbie Googe entrou logo após a fundação da banda, que havia partido das guitarras açucaradas do Jesus & Mary Chain rumo à sua própria sonoridade. A entrada da vocalista Bilinda Butcher mudou radicalmente os rumos da banda, quando ela começou a tocar guitarra ao mesmo tempo em que Kevin Shields começava a dividir os vocais. Aos poucos a banda assume uma sonoridade repetitiva e cheia de microfonia que seria rotulada a partir da postura de seus integrantes no palco. Mais preocupados em fazer barulho para si mesmos do que em conquistar o público, passavam a maior parte do tempo olhando para baixo – shoegazing, olhando os próprios sapatos, em inglês -, o que deu origem ao termo que definiria aquele novo gênero musical – shoegaze. O marco zero deste foi justamente o primeiro disco do My Bloody Valentine, Isn’t Anything, lançado após alguns singles e EPs, em 1988. Um sucesso comercial na Inglaterra, o disco fez outras bandas inglesas como Slowdive, Chapterhouse, Swervedriver e Ride (influenciadas tanto pelo MBV quanto pelos Smiths, Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, Hüsker Dü, Sonic Youth, Bauhaus e Galaxie 500), se juntarem a esta nova cena, The Scene that Celebrates Itself, criada ao redor do novo gênero. O que fez Kevin Shields querer ir mais além.
E aí entra o épico parto que foi a gravação do disco. Gravado em quase vinte estúdios diferentes e com mais de uma dúzia de técnicos e engenheiros de som, Loveless gastou horas de estúdio como poucos discos na história e a lenda diz que seu preço chegou a 250 mil libras, provocando a falência de sua gravadora, a indie Creation. As histórias sobre a gravação do disco incluem vocais gravados às sete da manhã, Kevin cantando as partes agudas e Bilinda cantando as partes graves, camadas e mais camadas de guitarras superpostas e o fato de Colm não ter conseguido gravar as baterias devido a uma questão de saúde, o que fez Kevin picotar trechos de suas gravações e montar as bases rítmicas no estúdio. A gravação de Loveless também é conhecida por ter semanas gastas na gravação de um único riff, tornando constante as brigas entre Shields, os técnicos de som e os executivos da gravadora. O resultado foi um disco que transcende até mesmo o gênero criado no disco anterior, que, ao ser lançado no hoje mítico 1991, foi ofuscado pelo repentino sucesso do Nevermind do Nirvana, frustrando as expectativas de sucesso comercial da gravadora.
Isso é o de menos. A marca que o disco deixou na história da música é indiscutível. Um som que soa distante do presente mesmo 25 anos depois de gravado – e provavelmente continuará desta forma por pelo menos mais 25 anos. É um disco sem vínculos temporais nem estéticos, de uma natureza própria, que equilibra ruído e melodia de tal forma que evoca a escala geológica. Não é apenas uma banda de rock fazendo melodias doces soarem muito altas graças a experimentos no estúdio – é o som de geleiras se desfazendo, vulcões sopranos, baleias apaixonadas, do vento atravessando infinitas planícies ermas, um sentimento oceânico, bolhas de lava. O exato momento em que o ruído torna-se música, capturado. E que aponta o rumo do pop do futuro. Até hoje.
Que tal essa versão de montar do Submarino Amarelo? Falei sobre ela no meu blog no UOL.
Ao criar a seção Ideas em seu site, a fábrica dinamarquesa Lego estreitou ainda mais sua relação com seus fãs, pedindo para que eles cogitassem temas e versões para serem montadas com seus tijolos de plástico. Os projetos ficam expostos no site e seus criadores fazem campanha para receber votos para que a fábrica transforme seu sonho em brinquedo. E um de seus projetos mais legais já está à venda – a versão Lego para o desenho animado Submarino Amarelo dos Beatles, que foi fabricada depois de receber 10 mil votos online. Olha como ficou massa:
Que viagem:
A confirmação ainda não é oficial, mas fontes indicam que o filme A Partícula de Deus faz parte do mesmo universo do monstro que invade Nova York e do bunker paranoico de Rua Cloverfield 10 – falei mais disso no meu blog no UOL.
Vocês lembram que no começo do ano J.J. Abrams tirou o segundo volume de sua série Cloverfield do nada, em menos de um mês do lançamento de seu Guerra nas Estrelas, revelando ao mundo que um pequeno filme de sua produtora Bad Robot chamado de The Cellar era, na verdade, a continuação de seu filme de monstro de 2008? A estreia do diretor Dan Trachtenberg contava com um pequeno e ótimo elenco formado por John Goodman, Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher e a expectativa entre os dois meses do lançamento do trailer até o do filme gerou todo tipo de especulação que pudesse conectar um filme que mostra Nova York sendo destruída por um monstro que veio do fundo do mar e outro em que um lunático mantinha dois reféns em um abrigo subterrâneo dizendo ter salvo os dois do pior, que estaria na superfície.
O jogo de realidade alternativa que havia dado início às especulações sobre a origem do monstro no primeiro filme foi reativado, mostrando que o personagem de Goodman havia sido funcionário da mesma empresa que estaria envolvida no aparecimento do monstro. Mas quando Rua Cloverfield 10 foi lançado, nenhuma conexão direta entre os filmes foi estabelecida, com fãs discutindo a presença de um modelo moderno de iPhone, que indicaria que os acontecimentos do segundo filme teriam acontecido depois – e não em paralelo, como muitos desconfiavam – do primeiro filme. Muitos passaram a crer que Cloverfield fosse apenas uma marca que Abrams usaria para contar casos fantásticos, como outros autores fizeram em antologias como Histórias Maravilhosas, Além da Imaginação, The Outer Limits e Black Mirror (depois eu falo disso, não esqueci não!).
Mas é claro que os fãs foram investigar outras produções da Bad Robot e encontraram o filme de ficção científica God’s Particle (A Partícula de Deus), que será lançado no ano que vem e que conta a história de um grupo de astronautas em órbita que faz uma descoberta que altera os rumos da realidade, como diz a sinopse do filme. E agora uma fonte ligada à produção confirmou para o site The Wrap que God’s Particle é o terceiro volume da antologia Cloverfield – e que, talvez, explicaria a conexão entre os três filmes.
Sem o elemento-surpresa que foi seu principal aliado nos dois primeiros Cloverfields, resta saber qual será a próxima cartada de Abrams neste seu Partícula de Deus.
Teaser do Netflix começa a nos preparar para a segunda temporada do seriado-sensação deste ano – postei lá no meu blog no UOL..
Já sabemos que o seriado-sensação deste ano, Stranger Things, produzido pelo Netflix, tem a segunda temporada agendada para o ano que vem e bem como sabemos até o nome de seus episódios, mas um vídeo divulgado neste último dia de outubro, dia das bruxas, dá mais detalhes sobre o que podemos esperar do seriado em 2017. Disfarçado de telejornal local dos anos 80, o vídeo fala sobre o desaparecimento de Barbara “Barb” Holland e relata o caso de roubo de waffles, o que indicaria que Eleven ainda estaria à solta pela região de Hawkins. O vídeo está em inglês sem legendas, mas já dá uma ideia do rumo que a série irá tomar no ano que vem…
E agora? É hora de resgatar Barb? Como Eleven reapareceu? E o monstro? E aquela lesma que saiu de dentro do Will? É hora de começarem as teorias!
E por falar em teorias… Preciso comentar sobre Westworld, vocês estão assistindo?
Hit dos anos 80 responsável por fazer a linhagem de Jim Henson atravessar gerações, o programa volta em 2018 – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
Um dos maiores sucessos dos Muppets não tem nada a ver com a mistura de fantoches com marionetes que fizeram a fama do programa de TV e sim com a personalidade dos personagens criados por Jim Henson. O desenho animado Muppet Babies, produzido durante os anos 80, trazia o sapo Caco, a porca Miss Piggy, o urubu Gonzo e outros personagens em versões pré-escolares e foi responsável por fazer toda iconografia do programa passar de uma geração para outra. Se hoje temos novos filmes dos Muppets nos cinemas e a bem-sucedida volta do programa original para a televisão não há dúvida da importância da versão infantil produzida entre 1984 e 1991 para a longevidade da série.
E eis que a versão criança dos Muppets voltará a ser produzida, segundo anúncio do canal norte-americano Disney Junior. Misturando as texturas dos bonecos originais com a imaginação desenfreada do desenho, os novos Muppet Babies serão produzidos em computação gráfica e misturam as duas referências de época – os fantoches originais e o desenho dos anos 80 – para conquistar uma nova geração. Como a animação original, o novo programa deverá ser voltado para o público pré-escolar (entre quatro e sete anos de idade) e terá 11 minutos por episódio. A nova versão deverá estrear no canal norte-americano em 2018, mas sua produção já começou, como podemos ver na primeira imagem de divulgação (acima). Você lembra da música de abertura…
Johnny Marr lança seu livro de memórias e conta como os indies mais importantes da história quase voltaram em 2008 – publiquei o trecho do livro que conta essa história lá no meu blog no UOL.
Os Smiths são a banda inglesa mais influente das últimas décadas e é impossível imaginar o cenário pop mundial sem a breve e determinante carreira da banda liderada pela dupla formada por Morrissey e Johnny Marr. O fim da banda, em 1987, foi considerado abrupto e precoce, mas determinou uma carreira e discografia perfeitas e estabeleceu a impossibilidade de retorno da banda à ativa. A negativa em relação a uma possível reunião da banda era tão categórica que Morrissey, vegetariano convicto, falou que seria mais fácil comer os próprios testículos a voltar com os Smiths.
Mas, por um breve momento, no final de 2008, a volta dos Smiths quase foi uma realidade. Pelo menos é o que conta o guitarrista Johnny Marr em trecho de suas memórias, que serão lançadas na Inglaterra na próxima sexta-feira. No livro Set The Boy Free, a ser pela editora inglesa Century, o guitarrista lembra toda seu tempo com a banda e do encontro há quase dez anos que quase fez os Smiths quebrarem seu encanto. “Eu não tenho nada contra Morrissey de maneira alguma – só acho que não precisamos disso”, contou o guitarrista, que completa 53 anos nesta segunda, ao jornal inglês Guardian. “Uma das coisas que tínhamos em comum era que vivíamos para trabalhar e estamos muito ocupados fazendo o que estamos fazendo hoje.”
Abaixo, o trecho da biografia de Marr que foi republicado no jornal The Guardian:
“Infelizmente para os Smiths, não fui consultado quando nosso catálogo foi remasterizado para CD nos anos 90. Os discos soavam mal e eu estava determinado a acertar as coisas. Depois de uma longa luta, consegui chegar a um acordo com Morrissey e a Warner. Eu remasterizaria todos os discos novamente com um engenheiro de primeira de forma que nosso catálogo soaria como deveria, de uma vez por todas.
Quando eu analisei os discos, fiquei impressionado sobre como a banda era boa e como éramos jovens. Eu me lembrei da intenção e emoção exatas de cada nota e palavra e escrevia para Morrissey e Andy Rourke dizendo ‘dá para ouvir o amor de verdade nisso.’ Tive boas respostas de ambos.
As negociações com a Warner significavam que Morrissey e eu estávamos num raro período de comunicação. Um dia, em setembro de 2008, nós estávamos apenas a alguns quilômetros de distância no sul de Manchester e armamos de nos encontrar em um pub da região. Eu estava feliz em vê-lo – fazia dez anos ou mais da última vez que nos vimos. Falamos sobre nossas próprias notícias e famílias e sobre como sentíamos saudade.
E então nossa conversa foi para assuntos mais profundos. Morrissey começou a falar sobre como nossa relação havia sido dominada pelo mundo exterior, normalmente de forma negativa. Nós fomos definidos um pelo outro nas maiores partes de nossas vidas profissionais. Gostei de ele ter mencionado isso, porque era verdade.
As bebidas continuavam vindo e nós falamos por horas. Falamos, como sempre fazemos, sobre os discos que amamos e finalmente fomos para ‘aquele assunto’. Havia boatos por anos que os Smiths estavam prestes a voltar à ativa e eles sempre eram falsos. Eu nunca fui atrás de nenhuma oferta.
De repente, estávamos falando sobre a possibilidade de voltar com a banda e naquele momento parecia que, com a intenção certa, poderia funcionar e até mesmo ser ótimo. Eu poderia continuar trabalhando com os Cribs em nosso disco e Morrissey também tinha um disco para lançar. Ficamos juntos por mais um tempo e mesmo depois de muito suco de laranja (para mim) e muito mais cerveja (para ele) nós nos abraçamos e nos despedimos.
Eu estava genuinamente feliz de voltar a entrar em contato com Morrissey e falei com os Cribs sobre a possibilidade de eu fazer alguns shows com os Smiths. Por quatro dias foi um probabilidade muito real. Nós teríamos que arrumar alguém novo para tocar bateria, mas se os Smiths quisessem voltar fariam um monte de gente muito feliz e com toda nossa experiência seria bem melhor do que antes.
Morrissey e eu continuamos a conversar e planejamos nos encontrar mais uma vez. Eu fui para o México com os Cribs e de repente silêncio. Nossa comunicação havia terminado e as coisas voltaram a ser como elas eram antes e como sempre imaginei que sempre seriam.
Comecei a trabalhar no estúdio em horas incomuns, por volta das cinco ou seis da manhã. Um dia, em 2010, no caminho de volta depois de deixar minha filha Sonny na escola, eu estava pensando em como o David Cameron havia dito que ele era um fã dos Smiths. Qualquer um que era fã da banda saberia que nós éramos contra tudo que ele e o partido conservador representavam. Mas se ele quisesse dizer que gostava dos Smiths, o que eu poderia fazer?
Sem pensar muito, peguei meu telefone e tuitei: ‘David Cameron, pare de dizer que você gosta dos Smiths. Você não gosta. Eu te proibo de gostar.” Satisfeito com o meu protesto, fui tirar um cochilo.
Algumas horas depois, fui acordado por uma ligação de Joe, meu agemte. ‘O lance do Cameron’, ele disse, ‘o negócio do Twitter. Está maluco.’ Enquanto eu estava dormindo fui retuitado por milhares de pessoas e consegui imprensa em todo o mundo. O próprio Cameron foi chamado para comentar durante as perguntas feitas ao primeiro ministro. Com os planos do governo de aumentar as taxas de ensino para as universidades, o parlamentar trabalhista Kerry McCarthy levantou-se e disse: ‘Os Smiths são, claro, a arquetípica banda de estudantes. Se ele vencer a votação de amanhã à noite, que canções ele acha que os estudantes irão ouvir? ‘Miserable Lie’ (mentira desgraçada), ‘I Don’t Owe You Anything’ (eu não devo nada para você) ou ‘Heaven Knows I’m Miserable Now’ (Deus sabe como estou desgraçado agora)?’ (Em referência a títulos de musicas dos Smiths.)
Cameron aproveitou a oportunidade para mostrar suas verdadeiras credenciais indie: ‘Eu achava que se eu aparecesse, eu pelo menos não ouviria ‘This Charming Man’ (Este homem charmoso)’
Boa. Tudo muito feliz e totalmente bizarro.
Quando 50 mil manifestantes marcharam por Londres, fiquei orgulhoso de ver os estudantes cobrando os políticos por suas promessas quebradas. As coisas chegaram ao extremo na Praça do Parlamento no diaem que as novas leis passaram. No dia seguinte, me mandaram uma foto de uma manifestante chamada Ellen Wood que estava confrontando a polícia com uma camisa dos Smiths. Eu olhei para a foto, para seu olhar, para as Casas do Parlemento. O significado de ela estar usando uma camiseta dos Smiths causou um impacto enorme em mim. Me ocorreu que, além da música que fazemos, esta foto talvez fosse o testamento mais forte do legado dos Smiths.
A única outra pessoa que eu sabia que poderia entender isso da mesma forma era Morrissey e então lhe mandei a foto por email. Não havíamos feito contato entre nós por um bom tempo, mas recebi sua resposta em minutos. Ele não havia visto a foto e havia ficado tão surpreso e impressionado quanto eu. Continuamos conversando por um ou dois dias, mas apesar de sentir que havíamos criado um momento de amizade, um ar de descontentamento e desconfiança permaneceu entre nós. Uma pena.”
Que incrível esse mashup de Stranger Things com a turma do Charlie Brown que eu publiquei lá no meu blog no UOL – saca lá.
E se Charlie Brown vivesse sua infância nos anos 80, numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos em que ocorrem fenômenos paranormais, experimentos do governo e uma fenda interdimensional atrai monstros de uma outra realidade? Os animadores Leigh Lahav e Oren Mendez resolveram misturar o seriado sensação Stranger Things com os personagens de Charles Schulz e o resultado é esse impagável mashup, veja só:
George Miller lança a versão em preto e branco para o quarto volume de sua saga pós-apocalíptica – comentei sobre a nova versão lá no meu blog no UOL.
“Witness!” Finalmente está entre nós a esplendorosa e visionária versão em preto e branco do western moderno Mad Max: Estrada da Fúria – e não feita por um fã em cima de um boato, mas por seu próprio diretor. Especulada como uma excentricidade do criador da série Mad Max, a versão “Black and White Chrome” de um dos melhores filmes da década era, na verdade, a primeira opção do diretor para retomar sua grife dos anos 80.
Ao receber a negativa do estúdio, Miller foi para o extremo oposto e torrou a intensidade das cores do filme para os tons de laranja e azul mais fortes que pode filmar, definindo, nas duas tonalidades, a essência do deserto (a areia, o céu e mais nada), além de ironizar a predileção dos filmes comerciais atuais por paletas de cores que forçam bastante a saturação. O filme foi um sucesso muito maior do que todos podiam esperar e o diretor pode então transformar sua versão original em realidade, que já pode ser assistida em streaming no site da Amazon e que chega à versão física no inicio de dezembro. O trailer abaixo compara as duas versões para mostrar que o trabalho não é como assistir um filme colorido em uma TV preto e branco.
Show reúne ex-colaboradores da temporada paulistana de Júpiter Maçã em homenagem ao seu mítico álbum – falei mais sobre isso no meu blog no UOL.
O gaúcho Júpiter Maçã, que morreu no final do ano passado, é um ícone da música brasileira cuja influência ainda precisa ser medida. Se hoje vivemos uma renascença da psicodelia brasileira que faz bandas como Cidadão Instigado, Supercordas, Boogarins e O Terno se verem como parte de uma linhagem que inclui Mutantes, Zé Ramalho, Ave Sangria, Módulo 1000, Secos e Molhados e Violeta de Outono é porque Júpiter Maçã provocou, em plenos anos 90 da microfonia, do hip hop e da tríade pagode-axé-sertanejo, uma ressignificação da psicodelia brasileira à luz do cânone internacional, servindo referências nacionais ao lado de clássicos do gênero como Beatles, Rollng Stones e o Pink Floyd de Syd Barrett e à linhagem do pop inglês estabelecida por bandas como Kinks e Who. E fez isso com um gesto simples, lançando um disco sujo e grandioso, épico e desbocado, chapado e consciente da própria importância. A Sétima Efervescência, que foi produzido por Egisto Dal Santo e teve os irmãos Glauco (bateria) e Emerson Caruzo (baixo) como principais músicos, ao lado de Júpiter, será revivida nesta sexta, no Sesc Pompeia, pela mesma banda que homenageou o gaúcho na Virada Cultural deste ano.
“O show foi ótimo, muita emoção, vários convidados, pessoas que fizeram parte da carreira e da vida do Júpiter, muita gente na plateia e todo mundo cantando emocionado”, lembra-se o baterista Clayton Martin, único paulistano no grupo cearense Cidadão Instigado, que foi um dos idealizadores do tributo. Ao lado do tecladista Astronauta Pinguim, os dois ex-colaboradores de Júpiter reuniram nomes afeitos à musicalidade do gênero, com instrumentistas que haviam tocado com ele, como os guitarristas Ray Z e Dustan Gallas, o vocalista Tatá Aeroplano, o baixista Julio Cascaes, além de Clayton e Pinguim em seus instrumentos. Esta é a banda que celebra os vinte anos do disco, que foi gravadode forma independente em agosto de 1996 e lançado por uma gravadora multinacional no ano seguinte.
A Sétima Efervescência é um marco central na psicodelia brasileira. Primeiro por ter consagrado a nova e definitiva persona do gaúcho Flávio Basso, que já havia passado por encarnações que iam do rock oitentista do TNT ao glam boca-suja dos Cascavaletes, além da psicodelia garagem à frente dos Pereiras Azuis ou da faceta folk Woody Apple. Como Júpiter Maçã ele se reinventava como um ícone da psicodelia mundial, traçando paralelos entre sua Porto Alegre, São Paulo e Londres, funcionando como um farol para os novos psicodélicos da última década do século. E também por ter retomado uma narrativa musical que parecia fadada a desaparecer – a de discos brasileiros completamente birutas.
“O Sétima é um disco que inaugurou uma nova modalidade de musica underground popular brasileira, no sentido de ter traduções do que seria uma cultura de rock britânico aqui no Brasil, herdando os Kinks, Beatles, Pink Floyd, etc.”, continua o baterista. “Muitas pessoas não sabiam que era possível fazer isso. Assim, foi um disco que realmente provocou uma efervescência de várias inspirações para todos os lados. É meio que um disco básico para quem quer se inteirar sobre esse assunto.”
Clayton lembra do primeiro contato com o gaúcho: “Conheci o Flavio em 1994 por recomendação de um amigo (o produtor Carlos Eduardo Miranda), que disse que tinha um cara que ia fazer um show no Bixiga que era uma mistura de Syd Barrett com Roberto Carlos da Jovem Guarda e que tirava uns timbres de surf music de uma guitarra Rickenbaker. Era a época do Júpiter Maçã & Os Pereiras Azuis”, recorda-se. “Mais tarde, entre 1997 e 1998, ele morou uns quatro meses na minha casa justamente para divulgar e fazer shows do Sétima Efervescência. Depois disso tocamos juntos como um trio de 2001 até mais ou menos 2003 ao lado do Ray Z e gravamos muitas coisas aqui no meu estúdio, um disco meio engavetado, gravado num porta estudio de quatro canais chamado Sugar Doors e várias demos de músicas que viriam a ser do disco Tarde na Fruteira (de 2008)”.
Clayton lembra que deve ter muito material inédito de Júpiter por aí devido à sua alta produtividade. “Também tenho um disco inédito aqui só com voz e violão. Não era para ser assim, ele queria que eu produzisse com ele. Um dia pretendo fazer um “Free as a Bird” (em referência à música que os Beatles gravaram depois da morte de John Lennon), gravando por cima da base dele”.
O show tributo terá a íntegra do disco clássico (incluindo hinos lisérgicos como “Um Lugar do Caralho”, “As Tortas e as Cucas”, “Querida Superhist x Mr. Frog”, “Pictures and Paintings” e “Miss Lexotan 6mg Garota”) e outras músicas da carreira de Júpiter. Ele acontece nesta sexta, 28, na Choperia do Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93. Pompeia), em São Paulo, a partir das 21h30. Os ingressos custam R$ 20 (mais informações no site do Sesc).
É uma proposta de um fã em um abaixo assinado, mas faz sentido – escrevi sobre a ideia lá no meu blog no UOL.
O hilário Deadpool é um dos melhores filmes de super-herói desta década e seu inusitado sucesso no início do ano fez sua continuação se transformar numa das grandes apostas do gênero. A expectativa sobre o novo filme acabou sacrificando o diretor da sequência, Tim Miller, que, na semana passada, abandonou o cargo possivelmente devido a problemas com o ator Ryan Renolds. Mas sua saída deu origem a uma ideia fabulosa: e se o diretor do próximo Deadpool for Quentin Tarantino?
A conjunção Deadpool/Tarantino começou na cabeça do fã norte-americano Carl Champion Jr., que criou um abaixo-assinado online para chamar atenção para sua ideia. “Se há alguma chance de ver Tarantino fazer um projeto que é quase garantido que fature um bilhão de dólares é esta”, explicou na página, que já conta com mais de treze mil assinaturas. “Tivemos um ótimo gosto do que pode vir a partir de Kil Bill, mas imagine um cara como Quentin Tarantino escrevendo diálogos para o mercenário tagarela! Seria glorioso!”
“Quentin Tarantino é o mestre de escrever diálgoos e Ryan Reynolds um mestre em dizê-los. Tarantino faz filmes ultraviolentos que faz você amar os personagens, com linguagem chula, mulheres gostosas e um vilão que NUNCA seria esquecido. Me diz se a Marvel não precisa de algo disso?”, continua Champion Jr.
A probabilidade disso acontecer, no entanto, é quase nula, mesmo porque Tarantino saiu falando mal da Disney (dona da Marvel) no ano passado pois o lançamento do episódio mais recente de Guerra nas Estrelas (que também é da Disney) atrapalhou o lançamento do filme mais recente do diretor, Os Oito Odiados. Mas além de compartilhar um humor histérico, cínico e violento como o do anti-herói da Marvel, Tarantino também é fã de quadrinhos desde a infância. E Ryan Reynolds é conhecido por ficar atento aos pedidos, sugestões e exigências dos fãs. Por isso se você gostou da ideia, assine o abaixo assinado (neste link aqui) e torça para que uma conjunção de improbabilidades aumente ainda mais a moral – já alta – do segundo Deadpool.












