Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

Pin Ups: conheça o PinterestSe for pirata, a culpa é do usuárioOs três: vício, reforço de estereótipos ou baú de sonhos?Impressão Digital (Alexandre Matias): Qual será a grande rede social de 2012?Vida Digital: executivos precocesHomem-objeto (Camilo Rocha): Palco móvelO último portátilP2P (Tatiana de Mello Dias): Um caminho alternativo entre o indie e o mainstreamPeter Sunde: ‘Indústria cultural pressiona a da telecomunicação’Livre, mas desconectadoPrivacidade em debateComo apagar seu histórico do GoogleServidor: Super Mario Bloco, Apple sob ataque e os óculos do GoogleDébito, crédito ou celular

Ver TV não é mais atividade passivaFuro no bloqueioEnquanto isso, a TV paga vai crescendoA segunda morte do flâneur, por Evgeny MorozovDoutor GoogleSite quer ser o médico onlineVida Digital: Pierre Omidyar, do eBayPrivacidade, Embratel ganha a Net, lei aperta a internet na Espanha e Kindle no BrasilFácil como telefonarAlexandre Matias: Nossa falta de educação ao usar o celularFilipe Serrano: Novo consumidor é móvel, social e exige inovação

Minha coluna no Link de segunda foi sobre a falta de educação das pessoas ao falar no celular.

Nossa falta de educação ao usar o celular
Estamos cercados por pessoas falando sozinhas

Uma amiga minha me contou que dois amigos dela chegaram com uma novidade do exterior. Um vinha da Califórnia; o outro, da Europa. E os dois lhe explicaram uma espécie de brincadeira que aos poucos estava tornando-se popular longe do Brasil. Ela apelidou de “roleta russa da conta”, que funciona assim: ao encontrar-se com amigos em um bar ou restaurante, todos fecham um trato que começa ao deixar o telefone celular exposto à mesa. Todos numa mesma pilha, num canto específico, eles não precisam nem estar desligados. Mas é melhor desligar. Porque aquele que atender o telefone no meio do encontro assume a conta da noite. É um teste para os nervos, ainda mais quando o celular é deixado ligado. Ele pode tocar. O problema não é esse. É resistir à chamada. Atendeu, pagou.

Nem faz muito tempo que o celular entrou em nossas vidas – um pouco menos que o Google, um pouco mais que o Facebook –, mas ele se tornou um acessório tão onipresente, que as pessoas perderam até a noção da própria presença quando começam a falar no telefone.

A tal “roleta russa” é uma brincadeira, mas revela que o uso do celular em ambientes sociais já está sendo visto como um problema até mesmo para quem não consegue deixar o aparelho de lado. Há um quê de vício, mas o hábito está mais próximo da ansiedade do que propriamente de uma adição.

Um dos motivos que me fez parar de frequentar boteco – um deles, não o único – é aquela mesa lotada com várias pessoas falando com outras que não estão ali. Você já deve ter visto tal cena: quatro pessoas ao redor de uma mesa, as quatro no celular, em conversas que poderiam muito bem ficar para depois daquele encontro.

Mas a frequência em bares e restaurantes é só um dos muitos aspectos da nossa má educação no uso do telefone móvel. Há inúmeros outros exemplos. Como andar na rua sem olhar para frente, checando SMS ou acessando a internet. Ou conversar com alguém olhando sempre para baixo, para ver se alguém está ligando ou mandando mensagem. Ou falar ao telefone no carro, usando apenas uma das mãos para dirigir. Ou usar o celular no cinema! Isso sem contar o pior de todos os pecados celulares: ouvir música sem fones de ouvido, discotecando sua trilha sonora para quem estiver por perto – e nunca, NUNCA, alguém que escuta música assim ouve algo que presta.

Quando o telefone ainda era fixo, o hábito de usá-lo era quase um sacramento. Havia um canto da casa dedicado ao aparelho – havia até móveis feitos para apoiar o telefone e ficar sentado ao mesmo tempo. Se uma ligação fosse interurbana ou fosse demorar mais tempo, era melhor fazer à noite, pois as taxas eram mais baixas. Ligar para alguém era uma atividade que requeria preparo e tempo. Era bem pouco comum ligar para alguém só para dizer que estava saindo de casa ou apenas para perguntar um ingrediente de uma receita, como fazemos hoje (isso sem contar que era preciso discar o número, em vez de simplesmente pressionar botões ou achar o nome da pessoa numa lista de contatos).

Veio o celular e estes hábitos mudaram completamente, com a exceção do fato de que ainda transformamos a ligação em um momento individual. E é aí que começa nossa falta de educação ao telefone. Basta reconhecer quem está ligando para ser teletransportado para uma esfera íntima que é habitada por apenas duas vozes.
E aí não importa se você está na rua, no ônibus, na sala de aula, no bar… As pessoas começam a conversar sem pensar nas outras que estão ao redor, conhecidas ou não. Assim, acompanhamos conversas alheias sem querer e, em poucos minutos, estamos cercados por pessoas falando sozinhas, sem parar.

A tal “roleta russa da conta” é o início de reação a tal hábito. Não deverá ser o único. Não duvido que, em pouco tempo, aparecerão restaurantes finos que pedem que os clientes deixem o celular à porta como restaurantes japoneses pedem para que se deixe os sapatos ao entrar. O problema é menos falta de educação e mais falta de noção. Vamos torcer para aprendermos a superar isso.

Publicamos mais um texto do Morozov no Link – e desta vez ele fala sobre como o Facebook está matando a idéia de se perder na internet. Um trecho:

Na segunda metade do século 19, Paris passou por profundas mudanças. As reformas na arquitetura e no planejamento urbano promovidas pelo barão Haussmann no governo de Napoleão III foram particularmente importantes: a demolição de estreitas ruas medievais, o estabelecimento de praças amplas (construídas em parte para melhorar a higiene e em parte para impedir barricadas revolucionárias), a proliferação da iluminação de rua a gás e as crescentes vantagens de passar o tempo em ambientes fechados transformaram radicalmente a cidade.

A tecnologia e as mudanças sociais também tiveram seus efeitos. O tráfego de carros na rua fez de passeios contemplativos uma atividade perigosa. Galerias foram substituídas por lojas de departamentos. A racionalização da vida urbana conduziu os flâneurs ao subterrâneo, obrigando-os a se refugiar num tipo de flanar interno, cujo apogeu é o exílio autoimposto de Marcel Proust em seu quarto (situado, voilà, no bulevar Haussmann).

Algo parecido aconteceu na internet. Transcendendo sua brincalhona identidade original, a rede não é mais para passear – virou lugar de cumprir tarefas. Ninguém mais navega. A popularidade dos aplicativos – que conduzem àquilo que queremos sem que seja necessário abrir o browser, faz do flanar online algo cada vez menos provável.

O fato de uma parte tão preponderante da atividade contemporânea na rede envolver compras não ajuda em nada. Passear pelo Groupon não é tão divertido quanto caminhar por uma galeria, eletrônica ou não.

O ritmo da internet mudou. Dez anos atrás, um conceito como o tempo real, em que cada tweet e atualização de status é automaticamente indexada, atualizada e respondida, era impensável. Hoje, este é o termo do momento no Vale do Silício. Não se trata de algo surpreendente: as pessoas gostam de velocidade e eficiência.

Mas as páginas de outrora, que abriam lentamente ao som de estranhos ruídos do modem, tinham um inusitado lado poético. Ocasionalmente, a lentidão chegava a nos alertar para o fato de que estávamos sentados diante de um computador. Bem, esta tartaruga não existe mais.

Enquanto isso, o Google, ao tentar de organizar a informação do mundo, vem tornando desnecessária a visita a sites individuais assim como, gerações atrás, o catálogo da Sears tornou desnecessária a ida a lojas físicas. A atual ambição do Google é responder nossas perguntas – sobre o clima, as taxas de câmbio, o jogo de ontem – ele mesmo, sem levar a nenhum outro site. Digite a pergunta, e a resposta aparece no topo da lista de resultados.

(O impacto de atalhos deste tipo nas buscas não interessa aqui; quem imagina a busca por informações em termos tão puramente instrumentais, enxergando a internet como pouco mais do que um gigante FAQ, dificilmente criará espaços que convidem ao flanar online.)

Mas, se há um barão Haussmann na internet hoje, ele é o Facebook. Tudo aquilo que torna possível o flanar online – solidão e individualidade, anonimato e opacidade, mistério e ambivalência, curiosidade e o desejo de correr riscos – está sob o ataque desta empresa. E não estamos falando de uma empresa qualquer: com 845 milhões de usuários ativos espalhados pelo mundo, dá para dizer que aonde quer que o Facebook vá, a internet irá atrás.

É fácil culpar o modelo de negócios do Facebook (a perda do anonimato permite que ele lucre mais com os anunciantes), mas o problema é mais embaixo. O Facebook parece acreditar que os peculiares elementos que tornam possível o flanar devem ser eliminados. “Queremos que tudo seja social”, disse Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, em entrevista ao programa de TV Charlie Rose alguns meses atrás. Na prática, isso foi explicado pelo chefe dela, Mark Zuckerberg, no mesmo programa. “Preferimos ir ao cinema sozinhos ou com amigos?”, perguntou, respondendo imediatamente: “Com amigos”.

As implicações são claras: o Facebook quer construir uma internet na qual ver filmes, ouvir música, ler livros e até mesmo navegar sejam atividades desempenhadas não só abertamente como social e colaborativamente. Por meio de parcerias com empresas como Spotify e Netflix, ele cria poderosos incentivos que fariam os usuários adotarem ansiosos a tirania do “social”, a tal ponto que desempenhar qualquer uma dessas atividades sozinho seria impossível.

Ora, se Zuckerberg de fato acredita no que disse sobre cinema, há uma longa lista de filmes que eu gostaria de sugerir aos amigos dele. Por que ele não leva a turma para ver Satantango, sete horas de filme de arte branco e preto do húngaro Bela Tarr? A resposta: se fizéssemos uma pesquisa de opinião entre os amigos dele, ou um determinado grupo numeroso de pessoas, Satantango seria quase sempre derrotado por um título que pode não ser o filme preferido por todos, mas que também não vai incomodar ninguém. Eis um exemplo da tirania do social.

O texto todo pode ser lido aqui.

Esse tal de ArduinoCampus Party 2012: Debates, queixas e promessasVida Digital: Jonah Peretti, do BuzzFeedAlexandre Matias: Quem disse que todo mundo precisa ter opinião sobre tudo?Camilo Rocha: PlayStation Vita – Portátil e derrapanteTatiana de Mello Dias: O lado delicado do fim do MegauploadA brasileira do Tumblr, Amazon pode ir às ruas, Goiás x Twitter. o Dropbox do Google, iPad 3 e mais

Minha coluna nessa edição do Link foi sobre a ressaca da web 2.0.

Quem disse que todo mundo precisa ter opinião sobre tudo?
Nas redes sociais, opinar é exibicionismo

Wando morreu. E eis que, no dia de sua morte, na quarta-feira, em meio ao luto súbito e homenagens póstumas de toda ordem (desde versões ilustradas para o hit “Fogo e Paixão” até piadas sobre um dos temas favoritos do cantor, as calcinhas), o blog Não-Salvo – um dos maiores blogs de humor do Brasil – postou uma foto de Sidney Magal em sua página do Facebook. Sobre a foto, um texto anunciava “Wando (1945-2012)” e citava um trecho da música “Borbulhas de Amor”, do Fagner.

Não era um erro. Foi de propósito, afinal o motivo era brincar com o fato de que as pessoas acabam confundindo determinadas informações e, no calor da hora, misturam lé com cré.

Os leitores do blog não só entenderam a piada como a passaram para frente, compartilhando a imagem em seus perfis na rede social. Mas como nem todo mundo conhece o site ou foi avisado de que aquela imagem veio de um site de humor, não faltaram comentários que não apenas corrigiam a imagem (“esse não é o Wando!”) como agrediam rispidamente a “ignorância” de quem postou a informação “errada”.

(Cabe um parêntese rápido sobre essa agressividade típica da internet. Uma vez que não há o contato próximo, é muito comum que se aproveitem desta frieza e distância da comunicação online para a exibição de uma fúria ameaçadora. Antes do Facebook, reclamações, acusações e ameaças ficavam escondidas sob o fato de que não era preciso se identificar para fazer comentários em sites ou blogs. Depois do Facebook, em que a identificação é capital, essa raivinha foi transformada em exibicionismo de opinião, com pessoas debatendo interminavelmente – e apaixonadamente – sobre qualquer assunto que vier à pauta. Seja um animal morto, uma declaração de um político, o resultado de um jogo ou um programa de TV – todo mundo tem opinião formada sobre qualquer assunto. Depois dos trending topics do Twitter, agora temos a polêmica do dia, no Facebook).

Mas é tudo uma questão de contexto. Como observa o fundador do site BuzzFeed, Jonah Peretti, (protagonista do Vida Digital desta edição do Link), o Facebook e as redes sociais em geral misturam notícias sérias e fúteis no mesmo ambiente – afinal, tais notícias interessam a qualquer um. Mas uma coisa é reclamar que a foto exposta não é do Wando e sim do Sidney Magal. Outra coisa é sair compartilhando qualquer tipo de informação sem checar de onde ela vem. É um exercício natural à prática do jornalismo que, aos poucos, está sendo repassado para todo o público não-jornalista.

É fácil acabar com a reputação de uma pessoa em alguns posts no Facebook. O que aconteceu com a Luíza, aquela, do Canadá, poderia não ser engraçadinho e curioso – e, sim, trágico, caso o tema fosse diferente de um pitoresco comercial de TV. Misture isso ao fato de que muitos passam para frente notícias sem nem mesmo checar de quando elas são e que há proliferação de sites de humor que fingem ser publicações jornalísticas e temos um trem saindo dos trilhos em nosso inconsciente.

Talvez seja a avalanche de informação, talvez seja algo que eu chamo de “a ressaca da web 2.0” (que permitiu a qualquer um dizer o que pensa online – e agora estamos vendo todo mundo dizer o que pensa só pelo simples fato que é possível dizer o que se pensa o tempo todo). Há a clássica frase de Gilbert Chesterton que, no começo do século 20, disse que “não foi o mundo que piorou, as coberturas jornalísticas é que melhoraram muito”.

Essa sensação de euforia e paixão – que pode ser boa ou ruim – é uma espécie de desdobramento da constatação de Chesterton. Tanta informação faz que a gente queira acompanhar esse ritmo da mesma forma, mas vale o novo ditado “Google before you tweet is the new think before you speak” (“Usar o Google antes de twittar é o novo pense antes de falar”). Sem um mínimo de ponderação, mergulhamos de cabeça no redemoinho de informação que parece nos puxar para baixo. Mas essa força não age sozinho – é preciso que você dê o primeiro passo. Por isso, calma.

Quem é que manda • Evolução nerdFacebook na bolsa de valores, Julian Assange nos Simpsons e um blog só de aplicativosSem popstars, a atração da Campus Party é o públicoImprima qualquer coisaEm São Paulo, às 19h de uma segunda-feira

E a minha coluna na edição do Link de hoje foi sobre a Campus Party:

Sem popstars, a atração da Campus Party é o público
Evento acerta ao mirar o futuro e não o passado

Acompanho a Campus Party desde sua primeira edição, em 2008, quando o evento chegou ao Brasil e era realizado ainda no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Fui a todas as edições, sempre cobrindo para o Link, além de participar de debates e entrevistar alguns de seus convidados. Mas duas coisas sempre me deixaram com a pulga atrás da orelha.

Uma delas diz respeito à velocidade de conexão do evento, que, desde a primeira edição, era vendida como um dos grandes trunfos do encontro, permitindo downloads numa velocidade muito além da que tínhamos em casa, há cinco anos – espantosos 5 gigabytes de banda larga! Quem acompanha o mundo digital há um mínimo de tempo sabe que a tendência é que tal velocidade cresça a cada ano. Por isso me perguntava qual seria a grande atração da Campus Party depois que conexões ultrarrápidas virassem algo comum para a maioria das pessoas. Como já acontece hoje.

O segundo ponto era o fato de o evento se preocupar em trazer medalhões para atrair a atenção de um público ainda em construção. Assim, foram chamados nomes que às vezes nem eram tão cruciais para a história do mundo digital – como, especificamente, o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore –, mas que garantiam audiência e mídia. Ou nomes importantíssimos, como o criador da world wide web, Tim Berners-Lee, que, na hora de falar, não fez jus à sua importância histórica.

Claro que houve exceções – e boas –, como a vinda do cofundador da Apple Steve Wozniak no ano passado ou a presença do hacker Kevin Mitnick na edição do ano anterior. Mas ia chegar uma hora em que a lista de figurões se aproximaria do fim, pois o mundo digital só agora alcança a maturidade.

Sem contar o fato de a Campus Party sempre pregar a colaboração e a participação como duas de suas principais bandeiras – que perdem força a partir do momento em que as grandes atrações do evento se resumiam ao público assistir a palestras, em que a maior interação com o palestrante seria depois da apresentação, em encontros como a (enorme) fila de autógrafos para o livro de Woz, no ano passado.

Eis que a Campus Party deste ano apresenta sua programação sem nenhum medalhão. Há nomes importantes e de peso, mas todos precisam ser apresentados detalhadamente para quem não é do ramo. Não há nenhum palestrante que mobilize atenções para além da cobertura de tecnologia e um dos principais debates reunirá nomes quase anônimos, mas que representam grupos que se estabeleceram coletivamente, como na mesa formada por integrantes de levantes políticos do ano passado (a Primavera Árabe, os Indignados da Praça do Sol na Espanha e o Occupy Wall Street) que se encontrarão para discutir este tipo de mobilização na tarde da próxima sexta-feira.

Sem nenhum popstar, a principal atração da feira volta a ser o público. E, para este público, o coordenador-geral do evento, Mário Teza, repete com insistência uma palavra-chave: inovação. Dito como uma tag, o termo “inovação” pode confundir, pois é comumente associado à novidade, à mudança. Mas não é tão simples assim.

Em se tratando de tecnologia e cultura digital, inovação é a gasolina do motor. A lógica eletrônica é oposta à industrial, que a antecedeu: importa menos manter as coisas como estão e mais antever as mudanças do futuro. E elas não vão parar. Erra quem cogita que as transformações digitais são passageiras, que, em algum momento, essas mudanças irão cessar e o ritmo da vida irá voltar a ser como era antes.

Esqueça: a mudança é a regra.

Por isso a Campus Party 2012 acerta ao apostar mais no futuro do que no passado da nossa idade eletrônica. Ao trazer nomes de menor calibre, facilitam até mesmo o acesso dos acampados aos palestrantes, que podem conversar com eles sem ter o receio comum do encontro com celebridades. Resta saber se, uma vez no Anhembi, vamos ter menos problemas do que as edições anteriores – mais especificamente nos debates, sem que o áudio de uma mesa redonda se misture ao das vizinhas.

A primeira novidade de 2012 foi o Vintedoze e a segunda é que o Sesc Pompéia me chamou pra cuidar do Prata da Casa, tradicional noite dedicada a novos artistas brasileiros – que tenham apenas um disco lançado ou menos. A confluência de fatores foi muito feliz: além de eu mesmo já ser público do Prata faz tempo (show de banda nova de graça na Choperia numa terça? Tem coisas que só acontecem em São Paulo…), o palco é um dos meus favoritos, assim como o Sesc Pompéia, que completa 30 anos esse ano, o meu Sesc favorito – que, pra completar, fica exatamente entre o caminho da minha casa pro meu trabalho. Sem contar o fato de que 2012 marca a décima terceira edição do Prata – e 13 é um dos meus números da sorte.

Pra começar bem, em fevereiro, chamei artistas que ainda estão em seu primeiro disco: o rapper paulistano Ogi, o indie-MPB carioca Cícero e o instrumental dA Banda de Joseph Tourton, do Recife. E se você é artista, só tem um disco lançado e quer participar do Prata, não adianta me abordar com o CD ou mandar o link pro meu email: manda seu material pro Sesc que eles me repassam tudo. Terça que vem dou mais detalhes sobre o primeiro show.