Hoje participo do FILE, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, em mesa redonda mediada pela coordenadora do festival, Eliane Weizmann. Também participam da mesa Alessandro Ludovico, crítico de mídia e editor-chefe da revista Neural; Régine Debatty, do blog we-make-money-not-art.com e Victoria Messi, do site El Pez Eléctrico. Como diz o texto do evento, “a mesa redonda irá tratar das problemáticas do jornalismo cultural contemporâneo e sua atuação frente à complexidade das manifestações culturais do século 21”. O debate acontece no Centro Cultural São Paulo nesta quinta, às 18h. Mais informações no site do evento.
…seu primeiro amigo, lembra dele? Publicamos um texto dele no Link dessa semana sobre plataformas e audiências, a partir da decisão do Kevin Rose, o inventor do Digg, em redirecionar seu domínio para sua página no Google +, abandonando seu blog. Um trecho:
Onde manter hospedado seu conteúdo é questão complicada. Quando blogar começou a virar uma atividade séria e o pessoal da internet percebeu que poderia cativar seu próprio público, eles naturalmente supuseram que seria importante ser o dono do seu próprio domínio, controlar sua lista de distribuição, manter os links que dão acesso ao seu conteúdo, ou seja, controlar o próprio destino.
Mais uma vez, a questão não interessa apenas aos blogueiros. Trata-se da presença na web de maneira geral. Lembre dos comerciais de TV promovendo palavras-chave da AOL. Será que as marcas teriam agido melhor se promovessem seus próprios sites? E quanto aos músicos que usaram o MySpace como seu único site? As bandas começaram a usar o MySpace em conjunto com seus próprios sites, mas um número cada vez maior delas descobriu que manter um site próprio exigia muito trabalho, e acabaram fechando estas páginas. Até os grandes artistas da música passaram a imprimir a URL de suas páginas do MySpace (e não o endereço de seus sites pessoais) nos encartes de seus CDs. Se visitarmos hoje estes endereços do MySpace, veremos que eles parecem cidades-fantasma. E quanto aos canais do YouTube? Será possível imaginar um dia em que o YouTube não seja mais o melhor lugar para encontrar vídeos?
Uma outra forma de fazer a pergunta, talvez mais clara e melhor, seria a seguinte: será que um criador de conteúdo deve procurar seu público ou o melhor é esperar que o público venha a ele?
O último bate papo que faço na Expo Y acontece hoje às 19h, quando converso com o Carlos Merigo, do Brainstorm9, sobre o papel da opinião no mundo digital com o foco na publicidade. Depois dos papos com Bia Granja (sobre cultura de internet) e Tiago Dória (sobre jornalismo), essa terceira mesa encerra a parceria do Link com a Expo Y, que também termina hoje.
Depois do papo de ontem com a Bia, a Expo Y começa com uma conversa que tenho com o Tiago Dória, a partir das 14h. O assunto, com nas outras mesas da parceria da Expo Y com o o Link Estadão, continua sendo o papel da opinião em tempos digitais, só que com a Tiago, o foco será mais em mídia, jornalismo e cultura digital. Depois da Bia e do Tiago, amanhã será a vez do papo com o Carlos Merigo, sobre publicidade. Quem vai?
E a minha coluna no Caderno 2 de domingo foi mais sobre o Google +, que ainda foi destrinchado nessa edição tanto pela Tati, quanto pelo Tom Anderson e pelo Asta. A minha parte segue abaixo, a deles, nos links.
Mais uma rede social?
O Google + não é só isso…
“Fulano de Tal te convidou para participar do Serviço Xis.” Esses avisos pintam a toda hora no e-mail. Alguém entrou em alguma novidade da internet, se cadastrou e enviou convite para uns conhecidos. E aí chega o convite na sua caixa postal. No começo era só um Orkut ali, um Last.fm acolá, um MySpace mais adiante, mas depois de alguns anos, os convites para novos serviços – principalmente para novas redes sociais – começaram a se tornar frequentes. Foursquare, Facebook, LinkedIn, Twitter, StumbleUpon e tantos outros sites ou aplicativos para celular ou joguinhos (tanto originais quanto clones brasileiros copiados toscamente) que mandam mensagens robóticas e monotemáticas que, quanto mais chegam, mais parecem meros e-mails de spam, fazendo propaganda de um produto que não queremos comprar – nem de graça, não insista.
Até que, há pouco mais de duas semanas, enquanto desfrutava minhas férias, outro convite apareceu. Chamava para o Google + (Plus), nova tentativa do maior site do planeta de domar a movimentação social da rede.
Não era a primeira vez. Começou antes de todo mundo, inclusive, ao lançar o Orkut, mas os Estados Unidos estavam muito ocupados com a primeira rede social a fazer sucesso por lá (o Friendster) e não deram bola. Os brasileiros não tinham nada parecido e invadiram geral. Em poucos meses, havia mais brasileiros do que norte-americanos por lá. E o Friendster começou a perder audiência para o então novíssimo MySpace, que se tornou a maior rede social daquele país para logo depois se tornar a maior do mundo. Depois veio o Facebook que enterrou o MySpace (que foi vendido, também durante as minhas férias, por US$ 35 milhões, menos de um décimo do preço que custou quando foi comprado pela News Corp. a US$ 580 milhões, em 2005). Mas isso é outra história.
Enquanto MySpace e Facebook dominaram a segunda metade da década passada, o Google tentou comer uma fatia desse mercado, em vão. Lançou o Google Wave, um serviço que transformava o e-mail em um enorme bate-papo contínuo, com uma interface poluída e caótica. Depois correu atrás do Twitter, ao inventar o Google Buzz, e se envolveu em processos de invasão de privacidade. E aí surge esse Google + e todo mundo suspira achando que “putz, lá vem outra tentativa do Google para barrar o Facebook…”.
Mas engana-se quem acha que o Google + s é só uma rede social. Apesar de parecer reunir elementos de sites já estabelecidos (ele tem o fluxo de informações do Facebook, uma área de trending topics como a do Twitter, entre outros), o novo site não é, propriamente, um novo serviço. Ele apenas concatena as diversas arestas do site (Gmail, Google Docs, Agenda, fotos e posts – já anunciou que mudará o nome do Picasa e do Blogger) e cria um ambiente em que seus serviços possam funcionar de forma integrada. É um passo importante para o Google fugir da possibilidade de virar uma nova Microsoft (uma empresa gigante, com muitas áreas diferentes, que mal conversam entre si) e de continuar fazendo sentido num mundo que poderia, aos poucos, deixar de precisar dele. Ao que tudo indica, vai funcionar: em menos de um mês, o novo site já tem 10 milhões de usuários. E correndo o risco de dobrar esse número na semana que vem. Não é pouco.
• No tapetão • Google errou ao não dar importância a patentes • A batalha por Java • Filmes de bolso • Google+ quer ser você você online • Facebook esconde você das buscas • O blogueiro que vai ao público ou o público que vai ao blogueiro • Personal Nerd: Mais do Plus • Vida Digital: Rumos Arte Cibernética e File 2011 • Link no Expo Y • Servidor •
Minha coluna no Caderno 2 de ontem foi sobre o novo livro de Simon Reynolds.
Cultura reciclada
O pop vai comer a si mesmo?
A história da cultura pop também é a história de uma cultura que se inventa e reinventa a partir de si mesma. Sempre foi assim. Escolha o início desta cultura que lhe convier (não há consenso sobre qual é o começo específico desse tipo de abordagem da cultura) e os conceitos de criação e recriação se misturam constantemente.
Exemplos? Arthur Conan Doyle foi tachado de simplificar os contos de Edgar Allan Poe e transformá-los em uma fórmula ao criar Sherlock Holmes, no final do século retrasado. Matou o personagem em um livro e deixou seus leitores de luto – a ponto de surgir uma campanha pela volta do personagem na forma de bandanas pretas amarradas aos braços.
Outro: quando os EUA entraram em crise após o crash da bolsa de 1929, uma das formas de manter a população entretida foi o incentivo do consumo de itens ou serviços que custavam muito pouco. Foi preciso que toda uma indústria fosse inventada a partir de amostras de manifestações culturais já existentes. Foi assim que o teatro foi mastigado para virar o cinema como o conhecemos hoje; que a música popular tornou-se o principal gênero musical do novíssimo mercado fonográfico (que começou apostando na música erudita); que a literatura pulp, as revistas e os quadrinhos floresceram nas bancas de jornais.
Mais um: quando começaram, os Beatles eram apenas fãs de música norte-americana e não faziam distinção entre soul music, rhythm’n’blues ou country. Consumiam tudo como cultura americana e misturaram todos esses gêneros naquilo a que hoje chamamos de rock. Os próprios Beatles são protagonistas de outro momento tido como marco zero desta cultura, quando conheceram Bob Dylan pessoalmente e a admiração mútua mudou suas carreiras: os Beatles começaram a ficar mais sérios e intelectualizados enquanto Dylan abandonou as canções de protesto e empunhou uma guitarra elétrica.
São inúmeros exemplos que corroboram a tese do novo livro do renomado escritor e ensaísta inglês Simon Reynolds, Retromania: Pop Culture’s Addiction to Its Own Past (sem previsão de lançamento no Brasil). Mas seu foco não é a história da cultura pop, e sim seu passado recente. Ele concentra-se na onipresença da web e na era de consumo desenfreado que vivemos, em que assistimos a filmes sendo refeitos, músicas sendo remixadas, discografias relançadas em caixas suntuosas, artistas tocando discos antigos na íntegra ao vivo e o YouTube se tornando um enorme arquivo com tudo do século passado. E o livro instiga uma reflexão: será que vai chegar uma hora em que a cultura não terá nada novo – e apenas se repetirá? Acho exagero, mas é uma boa pergunta.
• Lastro em bits • Personal Nerd: dinheiro digital • ‘O Facebook pode criar um sistema econômico’ • Moedas da economia digital • Cérebro: no controle ou controlado? • Com a nuvem, tráfego de dados explode e a banda entope • Anônimo sem causa • EUA criam outra internet • Vida Digital: Copyright Cops •
Saí oficialmente de férias no sábado passado, mas só desligo o Trabalho Sujo na quinta-feira, quando estarei embarcando rumo ao Reino Unido lá pelas 16:20. Enquanto isso, tiro minha onda com o caderno dessa semana, seguindo o mantra “it’s getting better all the time”. A matéria de capa, sobre o tal dinheiro virtual chamado BitCoin, foi assinada pelo Filipe e contou com a diagramação do Thiago (cadê o Flickr, porra?) e o infográfico do Asta. Na outra grande matéria da edição, ainda traduzimos um artigo do New York Review of Books que conecta três livros diferentes, todos os três abordando a fusão iminente do cérebro com a internet. A arte é do Jairo. A edição ainda traz uma análise do David Pogue sobre o problema de capacidade de banda que a tal “computação em nuvem” (ele também tem birra com o rótulo) pode enfrentar daqui a pouco, uma matéria da Carla sobre o tal Lulz Sec (uma mistura de Anonymous com 4chan) e um perfil que a Tati fez com o diretor do vídeo Copyright Cops, que vale um post à parte. E assim me despeço do caderno até a edição do dia 18 de julho. Até lá o barco do Link tá nas melhores mãos possíveis – da minha querida co-pilota Helô. Guentaê, Helô, já volto, pira não.
• Todos os homens têm direito ao acesso livre à internet • Lessig: ‘O futuro da internet não está aqui’ • Anonymous x Otan • Além das compras coletivas • O cinema é todo seu • E3: Rumo à oitava geração • Novo controle já ganhou até apelido: Wiipad • Espaçonave estacionada • Online, Apple quer ser o centro digital • Para ouvir músicas online • Carlos Merigo: “E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa” • Vida Digital: Rhok •











