
A Disney apresentou sua grade de lançamentos para os próximos dois anos em uma convenção em Las Vegas e ela é dona de tudo que a gente vai ver no cinema daqui em diante – comentei isso lá no meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/24/a-disney-e-dona-de-tudo-que-voce-vai-ver-no-cinema-nos-proximos-anos/

Escrevi sobre uma estranha coincidência – proposital – entre os filmes da segunda fase da Marvel e Guerra nas Estrelas lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/23/alguem-percebeu-a-referencia-a-guerra-nas-estrelas-na-fase-2-da-marvel/

Falei sobre a renovação das séries Três é Demais e Demolidor no Netflix, que se tornou mais valioso do que a ABC e a Viacom neste início de 2015, em meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/22/netflix-ja-vale-mais-do-que-as-maiores-emissoras-de-tv-aberta-e-fechada-dos-eua/

Duas especulações que haviam sido cogitadas aqui neste blog foram confirmadas esta semana: além da confirmação da nova temporada do seriado Três é Demais, também foi anunciada a segunda temporada da série Demolidor. Os endossos têm a mesma fonte: o serviço de vídeo sob demanda Netflix, que irá produzir e exibir as duas novas temporadas, e chegam ao mesmo tempo em que a marca exibe seus músculos financeiros.
As ações do serviço dispararam no recém-fechado quadrimestre e a marca conseguiu crescer 14,7% nos últimos meses, segundo um relatório divulgado pelo site Deadline. Assim, o preço de mercado do Netflix sobe para US$ 32,9 bilhões, tornando o serviço mais valioso que o canal aberto mais caro dos Estados Unidos (a CBS, que avaliada em US$ 30,6 bilhões) e que a principal produtora de TV por assinatura do país (a Viacom, dona da MTV e do Nickelodeon, avaliada em US$ 28,8 bilhões).
O valor de mercado atingido pelo Netflix, óbvio, não diz respeito apenas às suas produções, que incluem hits como House of Cards e Orange is the New Black e as continuações de seriados que foram cancelados na TV a cabo, como The Killing e Arrested Development. O serviço cresce por oferecer um formato de consumo de conteúdo mais próprio da era digital do que o que é oferecido pelas TVs aberta e por assinatura.
As pessoas lentamente percebem que não precisam estar na frente da televisão num horário pré-estabelecido para assistir ao que querem. O formato sob demanda – que o espectador diz quando quer assistir o quê – ainda tem uma série de problemas para serem resolvidos (quem nunca perdeu vários minutos procurando o que assistir?), mas é irreversível. A TV tradicional só vai ter o monopólio da atenção em eventos ao vivo, sejam esportes ou notícias. E por enquanto.
A esperteza do Netflix, no entanto, está no fato de surfar essa boa onda financeira produzindo conteúdo. Podiam investir no serviço em si, em melhorias na interface, na navegação, em curadorias de filmes e em qualidade de transmissão. Preferem fidelizar seu público aproveitando os dados de audiência que conseguem levantar com mais precisão do que qualquer canal (afinal o espectador só assiste o que quer) e produzem seriados de acordo com o gosto que detectam a partir dos números de suas próprias exibições.
É um comportamento bem diferente de serviços similares em outras mídias. Ainda não ouvimos falar do Spotify bancando discos de artistas, por exemplo, embora a própria Amazon já tenha detectado essa tendência e começado ela mesma a produzir seus próprios seriados. E a colher frutos disso, como foi o caso da série Transparent, que ganhou dois Globos de Ouro (melhor série de comédia e melhor ator de série de comédia) no início deste ano.
E isso é só o começo de uma mudança ainda mais drástica que seguiremos acompanhando nos próximos anos…

Reuni as informações que já saíram sobre o próximo filme do Guerra nas Estrelas lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/21/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-novo-episodio-vii-de-guerra-nas-estrelas/

Desde a súbita aparição do segundo teaser do Episódio VII de Guerra nas Estrelas na quinta-feira passada à confirmação do roteiro, título e data de lançamento de um novo filme da saga que não está na nova trilogia, no domingo, aprendemos uma série de novidades sobre o que esperar dos próximos capítulos da saga idealizada por George Lucas. A convenção Star Wars Celebration, que aconteceu durante o fim de semana na cidade de Anaheim, na Califórnia, trouxe uma série de novidades sobre o futuro dos filmes.
- Leia mais:
Assista ao trailer de mais um filme da série Guerra nas Estrelas: Rogue One
Porque J.J. Abrams é o cara certo para fazer o novo Guerra nas Estrelas
Sabemos que, como a trilogia original, a nova também deve basear-se em um trio de personagens: o ex-Stormtrooper Finn (vivido pelo inglês John Boyega), a catadora de lixo Rey (vivida pela inglesa Daisy Ridley) e o piloto Poe Dameron (vivido pelo norte-americano Oscar Isaac). Reunindo as poucas imagens e informações que foram reveladas sobre o início do filme, o Episódio VII deve começar em um novo planeta chamado Jakku (“vodu é pra jacu”, já nos dizia o Picapau). Deserto como Tatooine, o novo cenário é onde estão os dois enormes cruzadores abatidos revelados no teaser mais recente. Sim, são dois: o que vemos no início do trailer caiu com casco para baixo, enquanto o segundo, que aparece mais ao final, se você reparar está virado com o casco para cima.
Uma cena do novo teaser também mostra um TIE fighter, o caça do Império, atirando contra Stormtroopers, os guardas do mesmo Império. Tudo indica que essa cena está bem no início do filme e pode estar ligada ao fato de que quem pilota o caça TIE é Finn, que apareceu vestido como Stormtrooper, desorientado no deserto no primeiro teaser, lançado ainda no ano passado. Alguma coisa aconteceu com Finn que ele optou por desertar a guarda imperial, roubando um caça e fugindo para longe do Império. De alguma forma seu caça cai no novo planeta e ele encontra-se com Rey, que parece viver coletando sucata das naves imperiais caídas em seu planeta.
Há uma forte especulação que Rey seja não apenas a verdadeira protagonista da nova série, como também a descendente dos Skywalker, que carrega a Força em sua genética. Talvez como Luke Skywalker no Episódio IV, ela não saiba nada sobre sua nobre descendência e tenha passado o início da vida se virando por conta própria. O novo Episódo mostraria como ela descobre que pode ser uma Jedi, ao mesmo tempo que poderia iniciar um romance com Finn… ou Poe.

Poe Dameron é o piloto que grita a bordo de uma nave no novo teaser. Oscar Isaac, protagonista do filme mais recente dos irmãos Coen (Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum), vive o que parece ser o equivalente de Han Solo nos próximos três filmes. Dameron foi apresentado na convenção do fim de semana descrito por seu próprio ator como sendo “o melhor piloto da galáxia”, o que poderia indicar que o “estamos em casa” dito por Han Solo (Harrison Ford) no final do teaser esteja mais relacionado ao fim de sua aposentadoria do que a chegada em algum planeta (como seu próprio planeta-natal, Corellia) ou à Falcão Milênio. Repare que quando Han Solo e Chewbacca aparecem, eles estão de armas em mãos, prontos para atirar, mesmo que Han sorria como se nada estivesse ocorrendo (típico dele, aliás). Algo aconteceu e o nosso querido Han felizmente saiu de sua reclusão como um velho caubói e possivelmente vai se incomodar ao saber quem alguém lhe tirou o título de melhor piloto por aquelas bandas.

Luke Skywalker (Mark Hammill) também parece ter sumido de cena, o que explicaria o fato de sua mão biônica, colocada no lugar da que foi decepada no clássico duelo em que Darth Vader revelou ser seu pai, estar sem a pele artificial exibida em todo o Episódio VI.

A celebração ao final do Retorno de Jedi também não significou o fim do Império. A queda de Darth Vader e do Imperador Palpatine foram uma importante vitória, mas não derrubou a força política que dominava as galáxias. Agora rebatizado de Primeira Ordem, o novo Império apresenta uma nova insígnia e novo desenho tanto para suas naves quanto para os Stormtroppers. A Aliança Rebelde também mudou de nome e agora chama-se Resistência, embora não haja a menor notícia sobre o que poderia ter causado as duas mudanças de nomenclatura.

O vilão do sabre de luz em cruz que apareceu no primeiro teaser é mostrado de frente neste teaser mais recente. Kylo Ren a princípio foi especulado como sendo um mero caçador de recompensas (o que explicaria o capacete de Darth Vader mostrado no teaser mais recente), mas quando o novo vilão olha para a câmera, ele ergue sua mão como se pudesse usar a Força. Talvez ele não seja apenas um mercenário e sim um sobrevivente da dinastia Sith.
O sabre de luz que vemos trocando de mãos no teaser mais recente é o mesmo que despencou junto com a mão de Luke na melhor cena do Episódio V e poderia ser um dos motivos da aventura ser retomada naquele momento específico. Aparentemente são duas mulheres que trocam a arma: uma delas seria a Princesa Leia (Carrie Fischer) e a outra poderia ser Ren, se não fosse o fato de que nenhuma das duas parece estar usando o traje de Ren nas cenas que já foram exibidas, o que indicaria a participação de uma terceira personagem feminina.
O novo filme ocorre cerca de 30 anos após os acontecimentos de Retorno de Jedi e é meticuloso ao basear-se em detalhes específicos da trilogia favorita dos fãs para que eles sobrevivam e façam sentido nos novos filmes.
Além do Episódio VII, que estreia em todo o mundo no próximo mês de dezembro, a saga ainda terá um novo filme, parte de uma nova série de aventuras chamada Star Wars Anthology. No primeiro destes filmes, Rogue One, que estreará no primeiro semestre do ano que vem, acompanharemos a Aliança Rebelde se infiltrando na Estrela da Morte para roubar os segredos militares da principal arma do Império, em acontecimentos que ocorreriam antes do Episódio IV, que nos apresenta a Luke Skywalker. Mas este seria apenas o primeiro filme de uma série que poderia mostrar vários outros personagens da série clássica em contextos passados ou futuros: a adolescência de Han Solo, o treinamento de Yoda, o destino de Bobba Fett, batalhas específicas das Guerras Clônicas, etc.
Star Wars Celebration também nos apresentou ao Grupo de História, da Lucasfilm, uma divisão criada inteiramente para manter a coesão entre os diferentes aspectos de toda a saga, criando coesão entre filmes, games, livros, quadrinhos, séries de TV (é…) e desenhos animados. A partir disso não é difícil imaginar que além dos quatro filmes já anunciados (os próximos três Episódios e o primeiro Anthology), o time montado por George Lucas já está cogitando um assalto aos cinemas em longo prazo, que pode incluir novos formatos e títulos, como Marvel, DC e tantos outros produtores de conteúdo vêm fazendo – expandindo seu universo para que ele faça sentido em todas as plataformas possíveis.
Aquela história de transmídia que eu vinha falando…

Neste domingo foi revelado o nome, a sinopse e a data de estreia do primeiro filme Guerra nas Estrelas fora das três trilogias (Caravana da Coragem não conta, né?). Rogue One se passa numa época em que os Jedi eram dados como extintos e a Aliança Rebelde planejava roubar os planos da Estrela da Morte. Falo mais desse novo filme e indico o trailer que vazou lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/19/assista-ao-trailer-de-mais-um-filme-da-serie-guerra-nas-estrelas-rogue-one/

Nem bem nos recuperamos do segundo teaser do próximo episódio de Guerra nas Estrelas e eis que surge online mais um teaser de um novo filme. O primeiro filme que não faz parte das principais trilogias da saga criada por George Lucas foi apresentado neste domingo e chama-se Rogue One, anunciado como o primeiro de uma série de filmes sobre aquele universo batizada de Star Wars Anthology. O trailer foi filmado por um espectador do anúncio, que aconteceu no evento Star Wars Celebration, que termina hoje na Califórnia, nos EUA, e já caiu na internet, veja abaixo:
O filme será dirigido por Gareth Edwards (que fez o fraco remake de Godzilla do ano passado) e estreará no dia 16 de dezembro de 2016, mas ainda não começou a ser filmado. No teaser, ouvimos apenas a voz do ator Alec Guiness – o imortal Obi-Wan Kenobi – explicar que “por mais de mil gerações os Cavaleiros Jedi foram os guardiões da paz e justiça na Velha República. Antes das trevas. Antes do Império.” A Lucasfilm também apresentou a sinopse do novo filme, que conta como um grupo de pilotos da resistência planeja invadir o quartel general do Império para roubar os planos para a construção da maligna Estrela da Morte. O filme acontece pouco antes dos acontecimentos do Episódio IV, o primeiro filme da saga, numa época em que os Jedi são dados como extintos.
Vamos ver se este vazamento confirma uma tendência que obriga os autores a publicar a versão definitiva online uma vez que uma versão não-autorizada aparece na rede. Isso começou com o vazamento do primeiro trailer do novo Vingadores no final do ano passado. O trailer seria exibido após um episódio de Agents of S.H.I.E.L.D., mas devido ao vazamento na semana anterior, ele foi lançado quase que imediatamente no canal do YouTube da Marvel. A segunda vez que isso aconteceu foi na semana passada, quando o teaser do próximo filme do Super-Homem com o Batman, que seria exibido em sessões específicas no cinema, apareceu online na quinta passada (com legendas em português do Brasil). A reação da Warner/DC também foi divulgar o teaser na internet em menos de 24 horas depois. Marvel e DC já mostraram que não dá pra brigar com a internet, vamos ver se a Lucasfilm entra nessa. Acho que ela aceita, uma vez que o que vemos no curta não revela nada sobre o filme – apenas instiga a curiosidade. O que pra eles é ótimo.

O UOL me chamou pra cobrir o show em que Roberto Carlos comemorou seus 74 anos e o evento foi exatamente o que espera-se de um show de Roberto Carlos: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/19/roberto-carlos-completa-74-anos-com-o-mesmo-show-de-sempre/

Roberto Carlos completa 74 anos neste 19 de abril de 2015 e para comemorar seu aniversário armou sua aldeia itinerante no novo estádio Palmeiras na noite de véspera, no sábado. Tanto faz se for a primeira ou a última vez que se vê uma de suas apresentações: um show de Roberto Carlos é exatamente aquilo que se espera de um show de Roberto Carlos. Nem a comemoração do aniversário é capaz de fazê-lo fugir do riscado.
Eram 50 mil pessoas sentadas apreensivas pelo encontro com o nome mais popular da música brasileira do século passado, seja nas arquibancadas ou nas milhares de cadeiras brancas de plástico espalhadas pelo campo, devidamente numeradas. A pista era dividida em três áreas VIPs – a mais próxima do palco com direito a bebida liberada – e antes do show começar, anúncios dos outros negócios do cantor capixaba apareciam no telão – de um empreendimento imobiliário a um cartão de crédito Roberto Carlos.
Pop é repetição e o fã de música pop é conservador. Roberto Carlos sabe disso e propõe que seu show nunca mude, materializando-se na repetição amplificada dos mínimos detalhes de sua persona pública. Antes mesmo de pisar no palco, sua banda já anuncia o clima de saudosismo da noite, começando com uma versão reverente de “Como é Grande O Meu Amor Por Você” seguida por um medley instrumental que inclui “Detalhes”, “Jesus Cristo” e músicas que infelizmente não foram tocadas durante a noite: “Cavalgada”, “Guerra dos Meninos”, “As Curvas da Estrada de Santos”, “É Preciso Saber Viver” e “Se Você Pensa”. É como se a banda estivesse criando um campo de força para preservar a entrada de seu líder.
Rápida pausa e um locutor que poderia ter saído de um bingo ou de um circo anuncia: “Senhoras e senhores… Com vocês… Robeeeerto Carlos!” A banda nem pisca e esparrama a inconfundível melodia de “Emoções” com toda a pompa dedicada à chegada de seu soberano. Roberto Carlos entra no palco sorrindo, de calça e blaser brancos sobre uma camisa azul com a gola desabotoada. Curva-se para saudar o público, vira-se de volta para a banda, aplaudindo-a. O estádio murmura um êxtase idoso – é possível distinguir alguma histeria, mas ela é só alguns decibéis acima do pleno papo que misturava-se ao som de big bands do som ambiente antes do show começar. Roberto Carlos ajeita o microfone com aquela pegada clássica, mão direita no aparelho, mão esquerda no pedestal. Cumprimenta seu maestro Eduardo Lages e a banda para. Aí sim o público berra.
A nossa “My Way”
Ele espera os gritos diminuírem e, como faz há anos, fala que “eu quero dizer uma coisa pra vocês” antes de arrebatar nossa “My Way”: “Quando eu estou aqui…” entoa para delírio do público presente, num momento tão óbvio quanto épico.
O show que vem a seguir é um jogo de cartas marcadas. Depois de “Emoções” ele continua, como sempre, com a sequência “Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo” e “Além do Horizonte” para logo mais tocar “Detalhes” ao violão – encerrando a noite, como sempre, com a dupla “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, “Jesus Cristo” e o encontro com o público, distribuindo rosas e recebendo presentes. Todo show tem “Lady Laura”, “Canzone Per Te” e o discurso sobre o prêmio no festival italiano de Sanremo em 1968 (ano que ele não menciona para não lembrar da idade), “Calhambeque”, “Nossa Senhora”, “Proposta” e umas duas músicas novas (no caso “Mulher Pequena” e a inevitável “Esse Cara Sou Eu”). É de uma previsibilidade descomunal – e o público é cúmplice, porque é exatamente isso que ele quer.
São canções que fazem parte da formação de qualquer brasileiro adulto, todos nós sabemos cantar ao menos o refrão. As piadas e histórias contadas por Roberto Carlos são sempre da mesma estirpe, entre o humor “tiozão do pavê” e a jovialidade de “vovô garoto”. Ele nem sequer mencionou a própria idade, ao referir-se ao aniversário. O riso acanhado é indefectível como todo o gestual – o dedo em riste, as palmas que acompanham o tempo da música, os braços abertos, a baixada de cabeça com os olhos fechados, a imortal dança com o pedestal do microfone: tudo em Roberto Carlos é clássico porque é clichê e é clichê porque é clássico. É uma espécie de porto seguro sentimental para o brasileiro com mais de 30 anos.
Zona de conforto
Essa era idade média da audiência – nascidos antes dos anos 80, em muitos casos, bem antes. Casais e grupos de amigas eram a maioria, além de inevitáveis encontros de gerações de parentes. A segurança emocional passada por Roberto Carlos é necessariamente familiar, por isso pequenas famílias de pais idosos e filhos adultos também povoavam o estádio para repetir pessoalmente uma versão do ritual anual de fim de ano ao redor da televisão. Eles de camisa polo ou camisa de manga longa pra dentro das calças, elas de vestido, cabelo e maquiagem produzidas e saltos altos (carregados à mão ao final do show). Todos tirando fotos, fazendo vídeos e selfies com celulares e iPads. E cantando todas as músicas junto com o ídolo.
A zona de conforto concretizada por Roberto Carlos estende-se por pouco mais de uma hora e meia. Ele conhece seu público feminino e o mima e adula, agradando-as ao falar sobre o poder da mulher sobre os homens, sobre quando começou a compor sobre sexo (antes de cantar a sensualidade pudica de “Proposta”, recebida com suspiros), sobre a necessidade de viver com alguém. Discursos que fazem mulheres sorrir, casais encostar cabeças, famílias se sentir mais à vontade.
Por poucas vezes arriscou – e não dá pra dizer que cantar “Negro Gato” ou “Outra Vez” (“Das lembranças que eu trago da vida, você é a saudade que eu gosto de ter”, que música!) seja propriamente um desafio, mas as duas músicas não estão em seu repertório recente, e isso em se tratando de Roberto Carlos é um risco.
Festa-surpresa
A outra mudança ocorreu a despeito do próprio Roberto, num acordo entre a banda e o público. Antes do show começar, anúncios nos telões avisavam ao público para que quando a banda começasse a tocar “Parabéns a Você” que todos sacassem seu celular acendendo seus monitores para iluminar a pista e as arquibancadas.
O aniversário foi cantado logo depois que Roberto Carlos apresentou sua banda, repetindo o adjetivo “grande” e as expressões “sem dúvida”, “com certeza” e “um dos maiores do mundo” para cada um dos integrantes da atual versão de seu conjunto. Após a apresentação, Roberto Carlos foi surpreendido pelo parabéns, fogos de artifício, chuva de confetes e por um bolo, que cortou e entregou o primeiro pedaço para o público. A festa durou uns cinco minutos, tempo que alguns puderam comer o bolo no palco – inclusive o aniversariante.
O show foi encerrado com a já manjada dobradinha “Como É Grande o Meu Amor Por Você” e o gospel “Jesus Cristo” – e a banda segurou o refrão desta música mesmo depois que o show acabou e Roberto Carlos começou a distribuir rosas, brancas e vermelhas, para o público, que começava a se aproximar da grade de separação do palco. Mulheres, em grande parte senhoras idosas, se espremiam para pegar uma das rosas que o cantor beijava e atirava cada vez mais burocraticamente, como um amante latino entediado com o próprio charme. Ao mesmo tempo recebia presentes de toda espécie – quadros, fotos, perfumes, caixas – repetindo sempre o mesmo ritual: pegava o presente em mãos, olhava para ele por dois segundos (para demonstrar atenção) e entregava a um assistente ao seu lado.
O público começou a sair antes mesmo que a romaria religiosa a um ídolo pop terminasse, parte dele preocupada com a possibilidade inevitável de ficar preso no trânsito à saída do estádio do Palmeiras depois de um evento desse porte. Mas tudo bem. Todos saíram rindo e conversando, felizes com o show que haviam acabado de assistir. Era o que todos queriam. O que todos tinham vindo ver.

Escrevi lá no meu blog do UOL porque eu acho que o J.J. Abrams é o melhor sujeito pra reinventar – e talvez melhorar – o universo de Guerra nas Estrelas: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/18/porque-j-j-abrams-e-o-cara-certo-para-fazer-o-novo-guerra-nas-estrelas/

Qual foi sua reação quando assistiu ao segundo teaser do novo episódio de Guerra nas Estrelas? Duvido que tenha sido muito diferente deste mashup que funde um dos principais trechos de Interesterlar com os dois minutos do teaser, usando as emoções de Matthew McConaughey naquele filme para retratar nossos próprios sentimentos.
Ainda estou remoendo impressões sobre esta nova vinda do universo de George Lucas, mas por enquanto, além da expectativa, surge a dúvida: será que, nostalgia à parte, estes próximos filmes podem ser os três melhores Guerra nas Estrelas? É uma tela em branco que J.J. Abrams vai pintar com todos os sentimentos e emoções que encantaram os fãs na trilogia original e revoltou a todos na trilogia dos anos 90, então ele sabe bem onde está pisando. Além de saber desenvolver ótimos personagens, heróis ou vilões. E certamente ele deve ter visto esse vídeo feito pelo pessoal do estúdio Sincerely Truman, há dois anos.
Muitos apostam que J.J. Abrams vai estragar Guerra nas Estelas como estragou Jornada nas Estrelas. Eu discordo – e acho que ele salvou Jornada nas Estrelas pra mais algumas gerações e eternizou os personagens clássicos para além dos atores originais, confirmando-os como ícones. Mas, Jornada nas Estrelas à parte, o fato é que só pelos dois teasers que ele já mostrou, repito, ele mostrou que sabe – e como sabe – manipular as emoções dos fãs.
Vamos rever o trailer de novo?
Você reparou que o texto dito neste novo teaser é quase o mesmo dito por Luke Skywalker à Princesa Leia no Retorno de Jedi, quando ele revela que ela é sua irmã? Confira a partir de 1:40 no vídeo abaixo:
É exatamente isso que me faz ter certeza que J.J. Abrams é o cara certo pra fazer esses filmes.
O documentário Montage of Heck, sobre Kurt Cobain, está vindo aí e deve dar início a uma onda de nostalgia e uma releitura sobre a personalidade do líder do Nirvana. Escrevi sobre isso no meu blog do UOL:
http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/16/assista-ao-nirvana-tocando-para-apenas-duas-pessoas/

Kurt Cobain aos 14 anos
O suicídio de Kurt Cobain completou 21 anos no início deste mês, mas a efeméride é só o começo de uma avalanche de novidades relacionadas à biografia do líder do Nirvana que já estamos sendo submetidos desde o anúncio do novo documentário, “Kurt Cobain: Montage of Heck”. Editado a partir de entrevistas com pessoas muito próximas à vida de Kurt Cobain antes da fama e toneladas de material caseiro tanto em vídeo quanto em áudio, o filme dirigido por Brett Morgen é uma versão oficial da história de Cobain, uma vez que o diretor teve acesso ao acervo de Kurt através da viúva Courtney Love e a filha do casal, Frances Bean Cobain, atua como produtora executiva do documentário.
Entre as novidades que já apareceram estão os trechos de uma apresentação de uma versão primitiva do Nirvana apresentando-se em uma sala de estar para um público de duas pessoas, seguida de um trecho de entrevista com o baixista e amigo confidente de Kurt, Krist Novoselic. Duas cenas do filme oferecidas ao jornal New York Times:
O amigo conta que quando conheceu Cobain, ele trabalhava como faxineiro. “Ele sempre fazia alguma tipo de arte – normalmente desfigurando algo. Ele nunca ficava sem ter o que fazer. Isso apenas vinha dele; ele tinha de se expressar.”

Kurt e a filha Frances Bean Cobain, hoje produtora executiva do documentário
Parte dessa expressão está registrada em mais de 100 fitas cassetes que Kurt Cobain guardava com registros de diferentes fases de sua vida, não apenas registrando estágios iniciais ou ideias para canções, mas falando ao telefone, comentando músicas que ouvia no rádio, falando sozinho. O diretor Morgen teve acesso a esse material, que foi armazenado num depósito por Courtney Love logo após a morte de seu marido e nunca mais haviam sido revisitadas. Desse material foi de onde saiu uma demo que a revista norte-americana Rolling Stone disponibilizou em seu site:
Em entrevista ao jornal New York Times, o diretor do documentário disse que queria mostrar o lado contraditório de Kurt Cobain – que além de ser um rock star deprimido com o próprio sucesso ele também era uma pessoa amável e bem humorada, sempre lembrada com carinho por pessoas mais próximas. Morgen dirigiu os ótimos “O Show Não Pode Parar” (sobre o produtor de cinema Robert Evans, responsável por “O Poderoso Chefão”, “Love Story” e “Chinatown”), “Chicago 10” (sobre os protestos de 1968 em Chicago, nos EUA) e “Crossfire Hurricane” (sobre os Rolling Stones) e achava que iria encontrar um clichê de história do rock que teria sua história contada em 18 meses. O trabalho se esticou por oito anos à medida em que o diretor pode mergulhar em um artista que conhecia superficialmente e que fora contratado para documentar. O filme ainda deve gerar um livro e um disco com a trilha sonora, ambos sem previsão de lançamento.
“Kurt Cobain: Montage of Heck” deverá estrear nos cinemas norte-americanos no dia 24 de abril e depois será exibido na HBO no dia 4 de maio. Não há previsão sobre exibições no Brasil, embora especule-se sobre uma única sessão no dia 12 de maio, ainda não confirmada. Assista ao trailer abaixo:

E aí, já assistiu à série do Demolidor no Netflix? Senão viu ainda, tá perdendo: reuni 18 referências que estão escondidas na série que ajudam a entender este novo estágio de séries da Marvel, além de dar dicas sobre o futuro do universo da editora no cinema lá no meu blog do UOL – evitando ao máximo os spoilers: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/15/referencias-escondidas-na-serie-do-demolidor-revelam-o-futuro-da-marvel/
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E aí, conseguiu matar todos os treze episódios da primeira temporada da série Demolidor da Marvel no Netflix? Se não terminou, eu imagino a fissura: a série é o melhor produto da Marvel fora dos quadrinhos e estabelece um novo patamar de qualidade para o estúdio. A estratégia de soltar todos os 13 episódios de uma temporada numa sexta-feira surtiu efeito e os fãs não desgrudaram da série após assistir o primeiro episódio. A cada novo capítulo, a série criada pelo produtor Drew Godard (que escreveu episódios de Lost e Buffy, além de dirigir o ótimo O Segredo da Cabana, de 2012) aprofunda suas garras não apenas na história do garoto que fica cego (vivido por Charlie Cox) e passa a lutar contra o crime, mas numa narrativa sombria, densa e crua, algo que nunca havíamos visto nos filmes ou séries que a Marvel até agora.
É uma decisão ousada – e acertou em cheio, além de especificamente feliz por começar justo pelo Demolidor. Foi o personagem quem começou a reinvenção não apenas da Marvel mas do mercado de quadrinhos dos anos 80. Frank Miller foi o primeiro dos novos autores de quadrinhos a abrir um novo rumo para os super-heróis ao assumir as histórias da identidade secreta de Matt Murdock. Suas histórias com o personagem no início dos anos 80 apostaram justamente num lado desagradável da luta contra o crime.

Miller começou a falar em corrupção policial, do envolvimento de políticos com o crime organizado, sobre como luminares das colunas sociais estavam diretamente envolvidos com atividades ilegais e hábitos sórdidos. Junto com estes bastidores que incomodam muita gente, Frank Miller também humanizava as brigas e duelos para além dos quadrinhos transversais e das onomatopeias engraçadas. O universo do Demolidor era de dor e violência, tanto física quanto emocional. Complete esse cenário com a obsessão do escritor pelo oriente, por artes marciais, ninjas, clãs de guerreiros mercenários do Japão medieval, samurais solitários de rígida disciplina.
Ainda há a questão da proporção. O Demolidor mora em Nova York mas não está a postos para salvar o mundo, como os Vingadores. Seu domínio é sua vizinhança, a região da Cozinha do Diabo, no coração de Manhattan. Por isso, observamos toda a ação de dentro, não por cima, como quando acontece em qualquer filme dos Vingadores. Nas histórias de Thor, Capitão América e Homem de Ferro vemos explosões e prédios desabando, mas nunca vemos civis morrendo, contagem de corpos de inocentes ou a devastação da cidade. O Demolidor assume um ponto de vista mais mundano. Mesmo seus superpoderes não são grande coisa se comparados à “armadura de ferro ou martelo de deus”, referidos na própria série.
Foi a combinação destes fatores que fez das histórias do Demolidor um sucesso e que cacifaram Frank Miller a reconstruir um dos grandes ícones da rival da Marvel, quando reinventou o Batman com o maior épico de Bruce Wayne até hoje, a série Cavaleiro das Trevas, publicada originalmente em 1986. O Demolidor de Frank Miller serviu como ponto de partida para a fase de ouro dos quadrinhos dos anos 80, quando Alan Moore conduziu o Monstro do Pântano em narrativas inimagináveis, escreveu clássicos com o Super-Homem e o Batman e forjou o outro épico daquela década, Watchmen. Uma nova geração de autores e desenhistas – norte-americanos e ingleses – tomou de assalto as duas principais editoras de quadrinhos a partir do amadurecimento dos super-heróis iniciado pelo Demolidor de Miller. Não é exagero dizer que o personagem foi a fagulha que impulsionou o mercado a crescer para além das revistas mensais, consolidando um público adulto que iria consumir as novas graphic novels e, posteriormente, os filmes, numa onda iniciada a partir do Batman de Tim Burton, de 1989.
Então a adaptação do Demolidor nesta nova fase da Marvel vem coroar justamente o personagem que tornou essa mesma nova fase possível. Ao mesmo tempo em que apaga completamente o filme ridículo com Ben Affleck de 2003, um dos piores exemplos da primeira safra de filmes de super-herói deste século.

Mas vou dar um tempo para você digerir o novo seriado e enquanto isso separo aqui uma série de detalhes e dicas que a produção deste Demolidor espalhou por seus treze episódios. Enquanto você se delicia com cenas como a luta à “Old Boy” no final do segundo capítulo, o maravilhoso Rei – ainda Wilson Fisk – de Vincent D’Onofrio (seu maior papel, sem dúvida) e as cenas com ossos quebrados, assassinatos brutais e requintes de crueldade nem deve perceber pequenas sutiliezas narrativas ou cenográficas que apontam não só os rumos para uma próxima temporada da série, como para os outros seriados da Marvel e os filmes do estúdio que estrearão nos cinemas nos próximos anos.
Separei 18 referências que aparecem por todos os episódios, por isso daqui pra frente continue lendo apenas se não quiser saber do que acontece no seriado. Tentei restringir spoilers mais pesados, mas outros são inevitáveis. Fora que há tantas outras pistas que ainda podem estar escondidas…

1) O Homem Sem Medo
Por toda a primeira temporada, Matt Murdock se apresenta vestido de preto, usando a mesma fantasia inicial imaginada no arco “O Homem Sem Medo”, em que Frank Miller voltou ao personagem em 1993 para contar o início de sua saga.

2) Tudo saiu dos quadrinhos
Todo episódio termina com agradecimentos a nomes que consolidaram o personagem, como Frank Miller, Brian Michael Bendis, Archie Goodwin e Gene Colan. Personagens periféricos dos quadrinhos vez por outra surgem na série, como o padre Lanton, o policial íntegro Brett Mahoney, o bandido Tusk Barrett, todos personagens de histórias anteriores com o Demolidor. Até os lugares, como a academia de ginástica Fogwell’s e o bar Josie’s também foram tirados do papel.

3) Van Lunt
Quando Murdock e Nelson inaguram seu escritório de advocacia, pregam um papel com seus nomes escritos sobre o nome do antigo serviço do local e é possível ler Van Lunt Real Estate Co. O personagem Van Lunt também é citado na série como sendo um especulador imobiliário, mas seu sobrenome é o mesmo de Cornelius Van Lunt, o Taurus do grupo criminoso Zodíaco. São as únicas referências ao personagem, mas podem ser só o começo da aparição do novo vilão.

4) Coruja
O personagem Leland Owlsley (vivido pelo veterano Bob Gunton, que você deve se lembrar da série 24 Horas) tem o mesmo nome do vilão Coruja, mas o último capítulo desta primeira temporada deve ter sido apenas o início do surgimento deste novo personagem… como vingança.

5) “O incidente”
Os fatos que aconteceram no primeiro Vingadores ecoam diretamente no mundo do Demolidor. A “batalha de Nova York” é manchete em um New York Bulletin colocado ao fundo da sala do jornalista Ben Urich (um clássico coadjuvante dos quadrinhos da Marvel, desta vez vivido por Vondie Curtis-Hall) e o fato é referido como “o incidente”, que permitiu, inclusive, a ascensão do vilão Wilson Fisk a partir da destruição causada na cidade.

6) Elektra
A grande paixão de Matt Murdock, Elektra inevitavelmente aparecerá na série, mas por enquanto ela só foi referida como uma grega gata com quem Matt e seu amigo Foggy Nelson conheceram na faculdade.

7) Gladiador
O vilão ainda não existe, mas sua identidade anterior – Melvin Potter – aparece no seriado, ainda como funcionário de Wilson Fisk. Em sua oficina já conseguimos ver alguns elementos que se tornarão parte de seu uniforme, além das pernas mecânicas de outro vilão, Metalóide.

8) Enfermeira Noturna
A personagem de Rosario Dawson, Claire Temple, é a heroína Enfermeira Noturna, que deverá aparecer em outros seriados da Marvel com a Netflix fazendo as vezes de um Nick Fury civil e interconectando os personagens dos quatro seriados que virão (além do Demolidor teremos AKA Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro) para a conclusão no quinto seriado, reunindo os quatro heróis em Os Defensores.

9) Carl “Crusher” Creel
Um dos adversários do pai de Matt Murdock em seus tempos de ringue foi Carl “Crusher” Creel, que já havia aparecido no universo Marvel na série Agents of S.H.I.E.L.D., já com seu nome de guerra, er, Homem-Absorvente (é sério).

10) Stick
O mestre cego de Matt Murdock, que o apresenta às artes marciais e por pouco não o convoca para desenvolver melhor seus superpoderes, também dá as caras no seriado. E deve retornar em temporadas futuras.

11) Mercenário
O infame Bullseye responsável por arruinar o primeiro filme do Demolidor não aparece na série… ou aparece? A mira de um certo sniper no sexto episódio é muito precisa – além de parecer que ele carrega um maço de cartas em seu bolso.

12) Atlas
O logo Atlas que aparece em uma cena atrás de Matt Murdock é uma referência ao logo da Atlas Comics, que depois tornou-se Timely Comics e, finalmente, assumiu o nome de Marvel Comics em definitivo.

13) Serpente de Aço
Entre os grupos criminosos que atuam na Cozinha do Diabo, um deles é liderado por uma certa senhora chinesa chamada Madame Gao, que trabalha com a produção e distribuição de heroína na vizinhança. A droga vendida por Gao acompanha a marca da “serpente de aço”, o primeiro aceno da série a outra mitologia que deverá ser explorada em outra série da parceria Netflix / Marvel, a série Punho de Ferro, que ainda não tem data de produção ou exibição.

14) Madame Gao
A própria Gao, vivida por Wai Ching Ho, deve ter um papel mais importante em Punho de Ferro. Em dado momento da série, ao ser perguntada se ela vem da China, a personagem ri e diz que vem de um lugar bem mais distante. O que pode ser uma alusão a Ku’n-Zi, uma das Cidades Lendárias do Céu, lugar sagrado nos Himalaias que só pode ser visitado a cada dez anos e de onde o Punho de Ferro retira suas forças. Gao pode ser a bruxa Mother Crane, governante do lugar, na próxima série.

15) Misticismo oriental
Punho de Ferro, por sua vez, deve ser uma das franquias da Marvel mais difíceis de serem apresentadas ao grande público, por misturar misticismo, alienígenas e artes marciais. Mas as sementes para começar a explicar este universo já foram lançadas no Demolidor, quando assistimos a uma cena em que Stick presta satisfação a um personagem misterioso – que supomos ser Stone, um dos integrantes do clã Chase, rival do clã Hand, onipresente nas histórias do Demolidor, Elektra e Wolverine. Outra referência a este misticismo é o misterioso conteúdo de um container referido apenas como “Céu negro”, que pode ter alguma conexão também com Agents of S.H.I.E.L.D. ou com outro futuro filme da Marvel, os Inumanos (que também deve conectar-se com Agents).

16) “Nessun Dorma”, de Giaccomo Puccini
A clássica ária é tocada em um dos momentos cruciais do final da temporada e reforça a importância que a trilha sonora tem no decorrer da série (repare em quantas músicas conhecidas são usadas nos 13 episódios). Sua letra, em italiano, canta “Meu mistério segue fechado comigo/ Meu nome ninguém saberá!”

17) Antes da Guerra Civil
Uma das próximas histórias a ser levadas para as telas (no terceiro filme do Capitão América, programado para o ano que vem) é a saga Guerra Civil, em que super-heróis são considerados foras da lei se não se apresentarem num cadastro do governo. Uma placa próxima a Matt Murdock em uma cena na delegacia mostra que essa ação já começou – ela avisa que “você não tem que revelar sua identidade secreta para ajudar a resolver crimes violentos”. Resta saber se o vigilante mascarado da Cozinha do Inferno tem a ver com isso.

18) Stan Lee
Outra enorme mudança em relação a todas as produções da Marvel atuais é a ausência do pai de todos Stan Lee do elenco – mas ele não foi esquecido. Em vez de aparições infames ou surpresas hitchcockianas, a foto de Lee aparece brevemente enquadrada ao fundo da delegacia em uma das cenas mais tensas de toda a temporada, em seu último episódio.
Uma série espetacular, muito além do que já foi feito com super-heróis na televisão, e que estabelece um novo patamar de excelência para a Marvel. Embora as próximas séries da parceria Marvel e Netflix ainda não tenham começado a ser produzidas (AKA Jessica Jones deverá ser a única a estrear este ano), aposto que antes do fim desse semestre anunciam a renovação do Demolidor para pelo menos uma segunda temporada.
E você, já assistiu à série inteira?

As comparações entre o épico scifi de Christopher Nolan do ano passado com o pai-de-todos 2001 – Uma Odisseia no Espaço são evidentes, mas neste clipe que postei lá no meu blog do UOL vemos que há semelhanças e diferenças que praticamente conversam entre si http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/13/o-que-interestelar-de-christopher-nolan-tem-a-ver-com-o-2001-de-kubrick/.

“Interestelar”, o épico sci-fi emocional que Christopher Nolan trouxe ao mundo no ano passado, é um filhote quase-clone do pai-de-todos em sua categoria, o épico sci-fi racional “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick. São duas histórias completamente diferentes, impulsionadas por motivações diametrialmente opostas, mas que vasculham a mesma área do inconsciente coletivo, uma expectativa por uma transcendência a outra dimensão que justificaria a existência humana, e entregam experiências audiovisuais bem parecidas. O estudante de cinema Jorge Luengo Ruiz, de Madri, parelhou os dois filmes ao som da deslumbrante valsa “Danúbio Azul” de Johann Strauss e o resultado sublinha a inevitável semelhança entre as obras do mestre e do discípulo.
