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A banda Corte, formada por Alzira Espíndola (guitarra e vocais), Nandinho Thomaz (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cuca Ferreira (sax) e Daniel Gralha (trumpete), os três últimos integrantes do Bixiga 70, é autora de um dos grandes discos do ano passado e também dona das terças-feiras de julho no Centro da Terra, quando aprofundam-se na poesia de sua obra ao convidar artistas da palavra na temporada Sorver o Verso (mais informações aqui). Na primeira terça-feira, dia 10, a convidada é a poeta Alice Ruiz. Na terça seguinte, dia 17, é Paula Rebellato, do Rakta, quem surge como convidada do grupo, seguida do técnico Bernardo Pacheco, convidado do dia 24, até o final com a participação do poeta arrudA, na última terça, dia 31. Conversei com o Dworecki sobre a temporada e como ela se encaixa na evolução do grupo desde o lançamento do ano passado.

Como esta temporada se relaciona com o primeiro disco do Corte?
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Como serão as dinâmicas das terças-feiras com os convidados?
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Como será a primeira terça-feira?
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Quem será o convidado da segunda terça-feira?
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Quem vem na terceira terça?
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E na última terça-feira, quem é o convidado?
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A temporada consolida a primeira fase da banda ou abre espaço para um novo momento?
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Qual a diferença em apresentar um trabalho durante todo um mês, com o público sentado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/corte-sorver-o-verso-qual-a-diferenca-em-se-apresentar-por-um-mes-com-o-publico-sentado

Foto: Paola Alfamor (Divulgação)

Foto: Paola Alfamor (Divulgação)

O paraense Saulo Duarte vem guardando músicas que não irão para seu grupo A Unidade há quase uma década e no ano passado resolveu assumir sua carreira solo quando aceitou o convite que fiz para ser dono de uma temporada no Centro da Terra. Foram quatro shows e repertórios diferentes – um ao lado dos músicos João Leão e Victor Bluhm, outro com Josyara, Bruno Capinam, Igor Caracas e Giovani Cidreira, outro sozinho e um quarto, mágico, com Curumin e Russo Passapusso – que formaram a temporada Persigo São Paulo, inspirada por Itamar Assumpção, e que ajudaram a depurar estas canções, chegando a uma musicalidade específica, que não foge completamente do trabalho com sua banda, mas tem sua própria personalidade. Ele também expandiu ainda mais suas fronteiras musicais ao assumir o posto de guitarrista de duas bandas incríveis: a de Curumin e a de Anelis Assumpção. Batizado de Avante Delírio, o disco começa a ver a luz do dia com a faixa “Flor do Sonho”, parceria com o poeta cearense Daniel Medina, que ele lança em primeira mão no Trabalho Sujo.

O single dá dicas sobre o disco que vem por aí: além de solar e pra cima, Avante Delírio, também mistura gêneros musicais (o ijexá baiano e o carimbó paraense no mesmo groove) e foi calcado no violão de nylon, instrumento-cerne deste primeiro trabalho solo. Ele está prometido para o meio de agosto, foi coproduzido por Saulo, Curumin e Zé Nigro (que também é a banda-base do show) e a partir da semana que vem o trio embarca para a Europa, para uma breve turnê em que começa a mostrar esta nova faceta.

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

O grupo sergipano The Baggios começou os trabalhos de seu festejado disco mais recente, o pesado Brutown, lançando o single de “Saruê” no Trabalho Sujo, em 2016, e agora voltam ao site para encerrar o ciclo deste álbum com o clipe da mesma canção, que tem a participação de Jorge Du Peixe. “É uma música forte que traduz bastante o mundo doido que vivemos, e foi esse universo que quis descrever no disco. Justamente nesse clipe que chegamos mais próximo de retratar a Cidade Brutal”, me explica o vocalista e guitarrista da banda, Julio Andrade. “A ideia do clipe partiu de quando uma amiga me apresentou o filme paraibano O Matador de Ratos, de Arthur Lins. Logo de cara eu me identifiquei com ambiente sombrio do filme e associei ao clima do Brutown. Guardei a ideia até esse ano, quando colocamos em prática as ideias que tive de somar as imagens do filme com a banda tocando num ambiente similar . A música fala sobre os seres almas sebosas que habita esse plano, seja em forma de politico ou de cidadão, e no clipe existe um personagem que extermina os ratos-humanos, uma especie de anti-herói viciado em pesticida.”

“A cabeça vive fervilhando de ideias, desde o ano passado venho trabalhando em novas músicas e já planejava que gravaríamos um disco neste ano”, continua o vocalista. “A chegada do novo sempre nos anima, é massa pensar ‘o que o povo vai pensar desses sons?’, ‘o que podemos aprontar dessa vez?’ e é justamente esse momento que estamos vivendo. Estamos na gestação de um novo disco, e somos muito gratos por todo reconhecimento que o Brutown teve, e onde ele nos levou. Agora é hora de encarar o novo.”

Brutown também se encerra como um disco em um show no Sesc Pompeia, no dia 14 de julho (mais informações aqui), quando o grupo, que agora é um trio, mostra suas canções acompanhado de um naipe de metais. “Os metais nos acompanham desde o primeiro disco, em 2011 e todos os nossos discos têm metais, mas é raro conseguirmos circular com eles. Fizemos alguns shows pelo Brasil em 2014 nesse formato, mas estamos numa outra época, com outras músicas e acredito que sera ainda mais massa esse show no Pompeia. Traz um clima mais soul para nosso show e eu me amarro em soul.”

Sobre o próximo trabalho, Julio explica que é uma espécie de continuação de Brutown, embora seja “uma outra viagem, um outro conceito”. “É como se o ser cansasse do caos urbano e fosse em busca de sua nova natureza no mato, e essa busca naturalmente influencia na sonoridade das músicas.” O disco será lançado ainda este ano.

barbara-felipe

Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.

O futuro logo ali

logologo

Conversei com o casal Kelly e Zach Weinersmith, autores do livro Logo, logo – Dez novas tecnologias que vão melhorar e/ou arruinar tudo, que está sendo lançado no Brasil pela editora Intrínseca, sobre a noção atual de futuro, em um papo para o site da editora. Um trecho:

Qual é o papel da ficção científica na previsão do futuro?
Achamos que há uma espécie de ecossistema criado entre ciência e ficção científica, onde eles se afetam mutuamente o tempo todo. A ficção científica dá ideias para os cientistas e inspira jovens a seguirem carreira na ciência. E cientistas podem criar novas coisas que também inspiram a ficção científica. E o ciclo se repete. A ficção científica tem um papel especial ao prever os perigos e as preocupações éticas nos quais os cientistas talvez não estejam pensando.

Teorias terraplanistas, criacionismo e todo tipo de pseudociência são comuns atualmente nas mídias sociais: estamos vivendo numa época perigosa para a ciência. Como ela pode atravessar esta fase obscura que está encarando?
Difícil dizer. Uma coisa que pode ser importante, mas que há poucas pessoas estudando, é algo chamado de “a ciência da política científica”. Em resumo: temos muitos programas públicos e privados feitos para criar mais cientistas ou criar uma sociedade mais cientificamente alfabetizada. Mas nós não temos uma boa ciência que possa nos dizer o que funciona!

A íntegra da conversa pode ser lida no site da Instrínseca.

zuckerberg

Comecei a colaborar com a revista Cultura, distribuída gratuitamente pela Livraria Cultura, escrevendo uma matéria sobre a onipresença do Facebook em nossas vidas, além de assinar a coluna de tecnologia, chamada de Inovação. Eis a matéria sobre a rede de Zuckeberg, cuja íntegra pode ser lida no site da revista.

A era digital fez nascer um novo tipo de oligopólio: o dos dados pessoais. Aproveitando-se da ingenuidade do público e de uma nova legislação norte-americana que permitia a vigilância online após os atentados de 11 de setembro de 2001, novas empresas passaram a oferecer produtos online aparentemente gratuitos – sejam redes sociais, e-mails online, aplicativos de comunicação e de relacionamento, serviços na nuvem e mapas digitalizados – que coletam informações sobre cada passo dado por seus usuários. Ao aceitar os termos de uso destes novos serviços, as pessoas aos poucos foram abrindo mão de sua privacidade e até de sua liberdade, carregando dispositivos de monitoramento online em seus bolsos.

Corporações como Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft começaram a desdobrar suas atividades para além de suas funções originais, aumentando o nível de consentida invasão de privacidade de seus usuários. Conhecendo melhor seus clientes como nenhum outro tipo de empresa na história, eles começaram a vender estas informações em forma de publicidade, personalizando os anúncios de acordo com os hábitos digitais de seus “consumidores” – que são, na realidade, o verdadeiro produto oferecido aos anunciantes pela rede social.

Empresas menores como Twitter, Spotify, Uber e Netflix, entre inúmeras outras, também coletam seus dados para “melhorar seus serviços”, embora todos almejem ter a influência e o tamanho dos dois maiores gigantes digitais: Google e Facebook. Se o primeiro não tem uma grande rede social para conectar as pessoas, é simplesmente dono do maior site de buscas do mundo, do principal serviço de streaming do planeta (o YouTube), do principal sistema operacional para celulares (o Android) e do principal serviço de mapas online do mundo (o Google Maps).

Já o Facebook parece ter uma influência maior do que a simples inteligência artificial bradada pela empresa. Ele bane a nudez (incluindo mães que amamentam), mas não tira do ar cenas violentas, por alegada “liberdade de expressão”. No mesmo inquérito realizado nos EUA, Zuckerberg assegurou que grupos de ódio são proibidos no Facebook, quando qualquer usuário percebe a tendência belicosa por trás de comentários, likes e compartilhamentos.

A crescente polarização ideológica da sociedade no mundo todo parece ter sido reforçada pela distribuição eletrônica de publicações da rede, com a criação de bolhas de interesse que não conversam entre si. Problema que o indiano Chamath Palihapitiya, que chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários da rede entre 2007 e 2011, apontou no fim do ano, em uma palestra na Escola de Negócios de Stanford sobre o vício em redes sociais. Para o ex-diretor da empresa, o Facebook está destruindo o funcionamento da sociedade e rasgando o tecido social ao fazer as pessoas se tornarem compulsivas no uso e na recompensa mental que seu uso traz. Na mesma época, o primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, admitiu em um evento na Filadélfia que a rede foi desenhada para ser viciante: “Só Deus sabe o que estamos fazendo com o cérebro de nossas crianças.”

Todas essas revelações não alteraram significativamente o engajamento de seus usuários, embora um movimento de êxodo digital tenha se intensificado desde então, e o Facebook venha encontrando dificuldades em atrair usuários mais jovens. Obviamente, a opção de abandonar o Facebook é complicada, pois a rede se tornou central em uma série de relações sociais e comerciais – e ainda não encontrou um rival à altura (quadro acima).

O que nos deixa a um clique da tirania, como alertou a professora Melissa K. Scanlan, da Escola de Direito de Vermont, em um artigo no jornal britânico The Guardian: “O uso nefasto de nossos dados pessoais está em toda parte. Se a Cambridge Analytica pode obtê-los, o que impede que um governo também os tenha?” E prosseguiu: “A maior tirania seria a fusão do monopólio corporativo e do poder governamental, criando o estado de vigilância mais invasivo da história.”

Jamais poderíamos imaginar que a distopia do futuro digital que habitamos hoje fosse mais assustadora que a ficção de George Orwell e Aldous Huxley, que cogitaram, respectivamente, o estado de vigilância máxima personificado na figura do Grande Irmão no livro 1984 e o estado de êxtase alienante em Admirável Mundo Novo. O início do século 21 parece ser uma mistura destes dois cenários, em que alimentamos um Grande Irmão digital com nossos êxtases pessoais.  

Toda a matéria neste link.

BUILT-TO-SPILL

Built to Spill, a mítica banda indie liderada pelo guitar hero Doug Martsch finalmente vem ao Brasil, quando apresenta-se em Belo Horizonte no dia 8 e em São Paulo no dia 9 de novembro, em mais um golaço da Balaclava em parceria com a Powerline do Leandro Carbonato – mais informações aqui.

geoffemerick

Conversei com o engenheiro de som dos melhores discos dos Beatles, que vem ao Brasil para dar uma masterclass neste fim de semana, em Porto Alegre, para uma matéria para a revista Trip. Um trecho da conversa:

“Os Beatles não eram meus ídolos, porque eu vi eles acontecendo”, lembra-se. “Eles gravaram ‘Love Me Do’ dois dias depois que eu comecei a trabalhar em Abbey Road. Era só um trabalho, mas eu vi o crescimento deles como parte do meu trabalho. Nós não éramos conhecidos mas reconhecíamos uns aos outros no estúdio, sabe? Até que eu comecei a trabalhar com masterização e eu passei a trabalhar diretamente com eles a partir do álbum Revolver, de 1966. Eu assisti à carreira deles do começo até o final.”

Ele explica que, embora estivessem cansados de fazer shows, o que fez o grupo se dedicar principalmente aos discos foi seu senso de aventura, mais do que a estafa e a exaustão dos dias de turnê. “Quando gravamos o Revolver eles ainda estavam fazendo shows, mas eles não conseguiam reproduzir o que fazíamos no estúdio nos palcos. Eles até tentavam, mas era um desastre”, ri. “Quando começamos a gravar Sgt. Pepper’s, em 1967, John Lennon dizia que, agora que eles não iriam mais fazer shows, a gente não precisava se preocupar com a sonoridade ao vivo daquelas novas músicas — e isso deu um rumo completamente diferente para eles. E todos olharam pra mim e eu não tinha nenhum equipamento, não havia plugins, era só um gravador de dois canais e uma câmara de eco, sabe? O desafio era criar a partir daquilo, a partir do nada. Metaforicamente eu só tinha cola e fita adesiva, eram esses os recursos que eu tinha para criar o que eles queriam.”

Ele também conta de sua relação com seu chefe direto na época, o mítico produtor George Martin (1926-2016). “Muito se fala da relação dos Beatles com George Martin como se ele fosse o diretor da escola — e de fato ele era. No começo, eles ficavam nervosos quando ele vinha falar com eles. Aos poucos, isso foi diminuindo, mas a gente se entendeu a partir disso e muito rápido, principalmente por termos o mesmo tipo de senso de humor. Então desenvolvemos uma cumplicidade que bastava olhar no olho um do outro para saber o que estava certo ou errado, trocávamos olhares e sorrisos mais do que palavras. Líamos a mente um do outro e muita gente comentava sobre isso durante as sessões de gravação: ‘Você e o George não se falam durante as gravações?’ A gente não precisava, não tinha muita discussão.”

Geoff lembra da dinâmica dos Beatles em ação. “A parte mágica daquilo era que Lennon e McCartney eram opostos completos. Quando os dois começavam uma música, um deles escrevia algo num papel — uma estrofe, um refrão — e falava para o outro que não tinha uma ideia de como terminar aquela parte. Era essa combinação entre os dois que faziam as coisas acontecerem, além de George e Ringo trabalharem cada vez mais pesado para soarem melhor.”

Leia a íntegra lá na Trip.

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Os Chromatics mal lançaram a faixa “Black Walls” e já emendaram uma curta série de lançamentos que nos leva a crer que talvez o tão aguardado Dear Tommy esteja finalmente numa agenda de novas obras do grupo (espero que para ainda esse ano!). Primeiro, a banda de Johnny Jewel lançou o EP Camera, posto à venda apenas em vinil em seu site oficial, com faixas com títulos como “The Taste Of Blood”, “Flashback To Forever” e “Magazine (Club Instrumental)”, todas elas curtíssimas, entre dois e três minutos cada.

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Depois foi a vez do single “Blue Girl”, que veio acompanhado de quatro outras versões, cada uma com seu subtítulo (“Say Goodbye”, “Don’t Say a Word”, “Drumless” e “Instrumental”), posto para audição nas plataformas digitais.

Dear Tommy, o sucessor do maravilhoso Kill for Love, vem sendo prometido há anos e, aparentemente, está sendo recriado do zero depois que Jewel destruiu todas as cópias físicas que vinham com a versão anterior do disco, que deveria ter sido lançado em 2016. Mas, pelo jeito, agora vai…

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Depois de passar o início do mês resetando sua máquina de mídias sociais com códigos morses e vídeos sem rosto, Jason Pierce anuncia o laçamento de And Nothing Hurt, o oitavo disco de sua catedral musical Spiritualized, e, segundo o próprio, a despedida de seu grupo de space noise gospel. Ele publicou um texto explicando o novo trabalho no site da gravadora Fat Possum:

“Fazer este disco sozinho me deixou mais doido do que qualquer outra coisa que eu já tinha feito antes. Estávamos tocando nestes grandes shows e eu realmente queria capturar o som que estávamos fazendo, mas sem os recursos para fazê-lo, eu tive que achar uma forma de trabalhar dentro das minhas restrições do dinheiro que eu tinha. Então comprei um laptop e fiz tudo num quarto pequeno em casa…

O principal para mim era tentar fazer soar como se fosse uma sessão de estúdio. Há trechos em que fui para um estúdio gravar – principalmente bateria e percussão. Quer dizer, não dá pra subir um tambor tímpano pelas escadas da minha casa. Quando tive que aceitar a forma que iria fazer o disco, assumi que iria fazê-lo soar como Lee Perry – voando por diferentes ângulos, tudo extraordinário e sem alta tecnologia na construção. Mas eu era novo em relação àquilo tudo, eu tinha todo o tipo de atalho que as pessoas têm quando fazem discos – eu apenas sentei ali por semanas… Meses… Mexendo com todas as camadas para cima pouco a pouco, tentando fazer tudo soar bem…

Com um tanto de tentativa e erro, encontrei formas de fazer algo que era muito simples, se você tem os recursos. Eu passei duas semanas ouvindo discos de música clássica e tocando o acorde que eu queria em minha guitarra. Quando eu encontrava algo que se encaixava no que eu queria, eu sampleava aquele trecho e ia para o próximo acorde para encaixar aquele outro. Foram semanas tentando juntar algo e empilhar sons de cordas convincentes. Mas, para ser honesto, tudo que eu queria era alguém que viesse tocar a sua parte e trazer sua própria pequena contribuição para o disco.”

Ele confirmou o que já vinha dizendo em entrevistas anteriores, que seu próximo disco seria o último do Spiritualized:

“Eu fui bem sincero sobre isso e ainda acho que seja o caso. É muito trabalho pesado. Eu ficava completamente louco por muito tempo. Não é que não vá voltar, é que estou bem agora… É tão difícil fazer um trabalho desses por sua própria conta. É como se eu estivesse me forçando ao limite da loucura, não vai dar certo. Acho que o grande objetivo é fazer algo que valha a pena todo aquele tempo e esforço. E quando mais tempo e esforço, mais o objetivo aumentava. E o que era incrivelmente positivo em relação ao disco é que iremos tocá-lo ao vivo. É sempre a coisa mais feliz; esta coisa incrível que parece te fazer atravessar o teto.”

A capa do disco (que abre o post) e a ordem das faixas (no final) foram anunciadas junto com duas novas músicas: a belíssima “Perfect Miracle” e a singela “I’m Your Man”, que também ganhou clipe:

O disco será lançado em setembro e já está em pré-venda.

“A Perfect Miracle”
“I’m Your Man”
“Here It Comes (The Road) Let’s Go”
“Let’s Dance”
“On the Sunshine”
“Damaged”
“The Morning After”
“The Prize”
“Sail on Through”