Emicida aproveitou mais uma oportunidade para fazer história durante a quarentena, usando o coronavírus como deixa para escancarar problemas essencialmente brasileiros (como já tinha feito quando fez um show de mais de oito horas transmitido pela internet). E, neste domingo, ao ser convidado para participar do programa de Fausto Silva na Rede Globo, aproveitou para falar sobre o paradoxo entre o abismo social que sempre rasgou o Brasil ao meio e a pandemia que assola o planeta.
“As mudanças que a gente precisa não estão ligadas ao coronavírus. A pandemia não é uma escolinha onde a gente está aqui parado aprendendo sobre a situação e como a gente é humano e precisa ajudar todos os outros seres humanos. Muito pelo contrário. O que eu acredito que a gente está vivendo é um paradoxo muito triste. Por um lado a gente enfrenta um vírus que se espalha muito rápido, mas não tem uma letalidade tão grande. O que é extremamente letal são os abismos sociais que a nossa sociedade produziu e finge que não existem. Todas as pessoas estão sujeitas a se contaminar, mas nem todas as pessoas podem se tratar após se contaminar. Temos uma situação muito emblemática no Brasil que a primeira vítima do coronavírus é uma empregada doméstica que pegou o vírus de sua patroa, aparentemente. Isso é muito simbólico. As pessoas pobres se contaminam mais, tem menos condições de se cuidar e essa letalidade é amplificada não pelo vírus, mas pelos abismos sociais.”
Muito bom, assista ao vídeo:
Depois de 15 anos sem dar as caras, o mestre da canção americana volta a aparecer dividindo um EP com o produtor e compositor Daniel Tashian, o artesão musical por trás do disco Golden Hour, de Kacey Musgraves, e líder a cantor do grupo The Silver Seas. “Como cantor, há uma diferença entre cantar uma melodia do jeito correto e soar cool”, explicou Tashian em sua conta no Instagram, anunciando a colaboração. “Quando você quer a melodia do jeito correto, há apenas um homem que você precisa procurar. Este homem é Burt Bacharach”. O disco Blue Umbrella, com cinco canções da parceria dos dois, é o primeiro disco que o autor de faixas clássicas como “I Say a Little Prayer”, “The Look of Love”, “What The World Needs Now”, “(They Long to Be) Close to You” e “Raindrops Keep Fallin’ On My Head” lança desde At This Time, de 2005, que teve participações de Elvis Costello e Rufus Wainwright. A parceria veio a público com o single “Bells of St. Augustine”, anunciando o lançamento para o último dia de julho.
Na próxima sexta, dia 19, Neil Young revela ao mundo um disco que engavetou no início de 1975 por lhe lembrar do relacionamento com sua ex-mulher, a atriz Carrie Snodgress, de quem se separou na época. Ele já começou a revelar Homegrown ao mostrar a faixa “Try” há algumas semanas – e agora mostra “Vacancy”, que aponta para um lado mais elétrico do disco (que já está em pré-venda).
E o velho canadense está aproveitando a quarentena para abrir seu baú – ainda mais! Além de Homegrown, ele está planejando outros discos perdidos para este ano: o show que fez com o Crazy Horse em 2003 tocando sua ópera rock Greendale na íntegra (Return to Greendale deve sair no mês que vem); o segundo volume de sua caixa Archives (finalmente! A data ficou pra agosto), o disco ao vivo Rust Bucket gravado com o Crazy Horse em 1990 (para outubro) e o solo Young Shakespeare, que traz o show que Young fez no Shakespeare Theater, na cidade norte-americana de Stratford no dia 22 de janeiro de 1971 (esse agendado para novembro). Tá tudo lá na timeline de seu arquivo online.
O grupo inglês Radiohead libera mais um show na íntegra em seu canal do YouTube e desta vez volta à sua última aparição em São Paulo, quando tocaram no estádio do Palmeiras na épica noite de 22 de abril de 2018.
Foi demais – quem foi, sabe.
“Daydreaming”
“Ful Stop”
“15 Step”
“Myxomatosis”
“You And Whose Army”
“All I Need
“Pyramid Song”
“Everything In Its Right Place”
“Let Down”
“Bloom”
“The Numbers”
“My Iron Lung”
“The Gloaming”
“No Surprises”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“2 + 2 = 5”
“Idioteque”
Primeiro bis
“Exit Music (For A Film)”
“Nude”
“Identikit”
“There There”
“Lotus Flower”
“Bodysnatchers”
Segundo bis
“Present Tense”
“Paranoid Android”
“Fake Plastic Trees”
Foi uma das primeiras piadas da quarentena, cogitada pelos próprios Flaming Lips, quando o grupo twittou um quadrinho feito pelo vocalista da banda, Wayne Coyne, cogitando que a bolha que ele usava nos shows do grupo poderia ser uma alternativa para realizar shows neste período de distanciamento social.
Eis que o programa apresentado pelo humorista norte-americano Stephen Colbert, o Late Show, materializa a ironia do grupo, colocando-o para tocar a eterna “Race for the Prize” frente a uma plateia envolta individualmente pelas bolhas de Coyne.
Que tempo doido…
O canal no YouTube do programa do apresentador norte-americano Ed Sullivan (1901-1974) já tinha uma vasta mina de ouro em seu acervo, mas a quarentena vem acelerando este processo – e há alguns dias eles começaram a subir umas pérolas daquelas: os Temptations azeitadíssimos, as Supremes maravilhosas, Marvin Gaye cantando como nunca, Beach Boys mandando “Good Vibrations” (a voz do Carl!), Gladys Knight (que voz!) & The Pips cantando num hospital, os Jackson 5 mandando ver em “Stand!”, Neil Diamond cantando seu clássico “Sweet Caroline”, Smokey Robinson cantando “Yesterday”…
…e pelo visto tem muito mais vindo aí…
A dupla canadense Chromeo lança o EP Quarantine Casanova, que faz dançar enquanto canta as dores do enclausuramento de 2020. “Na real começou como uma piada”, explica o vocalista do duo, Dave 1. “No começo da quarentena nós fomos para o estúdio e improvisamos uma música chamada ‘Clorox Wipe’ (“lenço com água sanitária”, em referência à prática de desinfetar tudo contra o coronavírus) e a publicamos na internet pra animar as pessoas. A resposta foi impressionante. Então gravamos outra e outra e os fãs perguntaram se a gente ia lançá-las de verdade e depois de umas semanas, mós topamos.” São cinco faixas que tratam diretamente das questões da pandemia, falando em máscaras, ficar em casa de moletom, em desinfetar as coisas, conversas em vídeo, cabelos sem cortar e de distanciamento social. O resultado desliza como se o tal novo normal fosse só esta fase que estamos atravessando…
Depois de mostrar três canções solo após um longo período longe da música, Michael Stipe parece estar próximo de lançar seu primeiro disco solo. Primeiro foram as faixas “Your Capricious Soul” e “Drive to the Ocean” e depois a demo de “No Time for Love Like Now”, lançada já durante a quarentena, que agora ganha um novo corpo ao lado do grupo Big Red Machine, que reúne o homem-Bon Iver Justin Vernon e o guitarrista e tecladista do grupo National Aaron Dessner, que também produziu a faixa, que ficou ainda mais linda, como eu tinha imaginado.
Jarvis Cocker teve de adiar o lançamento do disco de estreia de sua nova banda devido à pandemia. A estreia do grupo Jarv Is, que o vocalista do Pulp criou para compor músicas ao vivo, em frente ao público, durante os shows, estava programada para o começo de maio, mas foi postergada para o meio de julho e, com isso, ele adiantou mais um single, o reggae eletrônico “Save the Whale”, em que sussurra à la Leonard Cohen ao mesmo tempo em que chacoalha com a desenvoltura de Serge Gainsbourg na Jamaica. Coisa fina, claro…
O clipe foi editado pelo próprio Jarvis, isolado em sua casa.
Nosso querido David Lynch segue alimentando seu canal no YouTube e acaba de desenterrar o primeiro episódio da série Rabbits, que produziu em 2002. Um sitcom nonsense de terror, a série tem nove episódios e é estrelada pelos mesmos atores que participam do imortal Cidade dos Sonhos, do ano 2000: Scott Coffey, Laura Elena Harring e Naomi Watts, que dividem uma sala de estar e diálogos que não fazem muito sentido, intermediado por uma claque pré-gravada. A trilha sonora do seriado é do compositor favorito dos filmes de Lynch, Angelo Badalamenti.
Em breve ele deve soltar os outros… Em breve…










