Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

marcelojeneci2019

Com “Aí Sim”, Maecomeça a preparar terreno para o lançamento de seu terceiro álbum, Guaia – falei com ele sobre a ideia do disco na minha coluna Tudo Tanto desta semana – leia lá.

when-we-all-fall-asleep

Uma Lorde millenial? Uma Lana Del Rey em preto e branco? Uma Lily Allen do mundo invertido? A jovem californiana Billie Eilish (nascida após o 11 de setembro) já vinha mostrando a que veio desde o ano passado e com seu disco de estreia – o fofo e gótico When We All Fall Asleep, Where Do We Go? – sintoniza um pop igualmente doce e azedo, delicioso e existencialista, a cara de 2019.

orua

O herói indie Lê Almeida está nas alturas. Liderando sua nova banda, o trio Oruã, o dono da Transfusão Noise Records comemora os 15 anos de seu selo em grande estilo e acaba de voltar de uma turnê pelos Estados Unidos tocando junto com o guitar hero Doug Martsch, o líder do Built to Spill. “Esta nova fase está sendo linda, muito pelo fato de nós estarmos fazendo o que gostamos em proporções maiores do que já faziamos”, ele me explica por email, “viajar pra tocar em algum momento virou nossa ambição já que no nosso nível social não permite ter a minima condição de uma viagem turística”. O trio lança em primeira mão no Trabalho Sujo o clipe da faixa “Cruz das Almas BA”, feito com imagens da turnê em que passaram pelas cidades de Boise, Seattle, Portland, Tacoma e Walla Walla, no mês passado.

A conexão com Martsch foi essencialmente musica. “O Doug ouviu umas faixas minhas, curtiu e começou um contato. Quando ele esteve no Rio conheceu minha família, meus amigos, passamos a tocar junto e hoje pra mim é como se ele fosse parte da nossa galera 100%”.

Ele continua lembrando a turnê: “A primeira coisa que fizemos foi tocar na Radio Boise, da cidade do Doug e dias depois tocamos duas vezes num festival de cinco dias. Desde o começo sentíamos que o respeito de todos era enorme, eles adoram música brasileira. No festival fomos muito bem recebidos e já no nosso primeiro show fomos convidados pra gravar na KEXP pela Cheryl Waters, que estava na platéia. Depois fizemos uma tour de van passando por Seattle, Portland, Tacoma e Walla Walla onde todos os shows estavam com ingressos esgotados”. A viagem ainda proporcionou encontros históricos para o indie brasileiro. “Em Tacoma conhecemos o Calvin Johnson, máximo respeito e admiração”, Lê comenta sobre o encontro com o senhor Beat Happening. “Ele foi muito gente boa com a gente, só aumentou tudo que já sentiamos.”

O trio está às vésperas de repetir a dose, só que agora na Europa. “Vamos passar por muitos lugares, são um pouco mais que 30 shows, eu ainda não memorizei tudo aqui mas vamos no final de abril e voltamos no começo de junho. Estamos muito animados. Antes de viajar vamos lançar um EP chamado Tudo Posso, que vai sair em vinil 7″ nos Estados Unidos pela IFB Records e pela Transfusão. Esse video que estamos lançando é de uma das quatro faixas desse EP, que conta com alguns membros adicionais na formação do conjunto, Karin, Dani e David nos corais e Pedro e Russo nos saxofones.”

As turnês fazem parte da comemoração de seu selo, instituição que sobrevive heroicamente há 15 anos no Rio de Janeiro. “Nossas comemorações foram no início do ano quando fizemos quatro bailes contando com um show do Built to Spill em Madureira e em agosto vamos fazer alguns bailes comemorativos de seis anos do Escritório quando estaremos mais suave no Brasil. Depois da Europa temos mais algumas tours nos Estados Unidos com o Built to Spill que vão ate novembro”.

“Os primeiros shows que a gente fez com o Built to Spill foram no Escritório, num domingo chuvoso com uma fila grande na rua, foi um momento muito emocionante pra mim e pros meus amigos”, lembra, reforçando a importância de sua casa de shows para o próprio selo. “A partir dessa primeira tour passamos a dividir mais as funções entre nós. Agora o Joab e o Raoni tão tomando conta junto com a Karin e a Maria enquanto viajamos. Eles andam montando a programação e levando adiante, o importante é não parar.”

Mas não deixa de comentar sobre o estado da cena independente brasileira. “Falta respeito sem base em números. Eu sempre fui da minoria, mesmo viajando pra fora com o Built to Spill, eu ainda sou o mesmo cara que come o prato feito de dez reais da Tiradentes e toco a mesma guitarra Giannini.
Hoje nós conseguimos investir em nós mesmos, isso é lindo, nossos discos são caprichados, fazemos nossas gravações de um jeito que ninguém faz igual, mas no fundo só queremos fazer o nosso, conheçer pessoas nas viagens, fazer vinculos, trocar discos. Sou muito grato pela base de amigos que formamos nesses 15 anos, tive a sorte ter uma família próxima que sempre deu corda para minhas ondas artísticas, fizemos amizades por causa do som que eu sei que vai ser pra vida toda, isso é o mais importante.”

hotchip2019

O grupo inglês Hot Chip nunca decepciona – e ao anunciar seu sétimo álbum, A Bath Full of Ecstasy, o fazem com uma ótima música, “Hungry Child”, que vem acompanhada de um clipe engraçadinho estrelado por Martin Starr e Milana Vayntrub, abaixo:

O disco marca a primeira vez que o grupo trabalha com produtores de fora, quando reuniu o francês Philippe Zdar (que já produziu Phoenix e Cassius) com o escocês Rodaidh McDonald (que já trabalhou com The XX e David Byrne), e será lançado no mês de junho. Abaixo, a capa feiosa e a relação das faixas do álbum.

Hot-Chop-A-Bath-Full-of-Ecstasy

“Melody of Love”
“Spell”
“Bath Full of Ecstasy”
“Echo”
“Hungry Child”
“Positive”
“Why Does My Mind”
“Clear Blue Skies”
“No God”

O disco já está em pré-venda

Rakta2019-

Em Falha Comum, seu novo disco, a dupla paulistana Rakta, formada pela baixista Carla Boregas e pela tecladista Paula Rebellato, abandonam as amarras do rock e assumem sua face ritualesca, agora com o baterista Maurício Takara como arma secreta. Discaço.

Foto: Caroline Bittencourt

Foto: Caroline Bittencourt

O grupo carioca Los Hermanos lançou “Corre Corre”, escrita por Marcelo Camelo, no primeiro de abril mas não é mentira – será que vem disco novo com a nova turnê? Aí sim!

“Rodei o mundo até
você se distrair
não tinha culpa ou direção
ou olhos pra guiar

Eu acho graça
que a vida passa
e a solidão é mais
Desculpa se não tive fé ou força pra lutar

Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal

Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar

Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar

Ah, fico à vontade mas você não vem
Espero tanto teus sinais
Ah, é madrugada mas não vem ninguém
de longe eu vejo o temporal

Corre, corre, corre
Doce é o vento que te leva
Eu não tenho mais a pressa
ou horas pra contar

Pela vida solta
todo o meu amor com ela
que esse azul do céu espera
Coragem pra mudar”

Foto: Thany Sanches

Foto: Thany Sanches

Depois do ótimo Melhor do Que Parece e do pensativo Recomeçar de Tim Bernardes, o trio paulistano O Terno anuncia o lançamento de seu quarto disco, < Atrás / Além > ao mostrar o primeiro single, “Nada/Tudo”, que expande as fronteiras da banda para além do rock e consolida seu amadurecimento musical.

O disco terá participações do norte-americano Devendra Banhart e do japonês Shintaro Sakamoto (na faixa “Volta e Meia”, que será lançada no próximo dia 16) e será lançado em vinil duplo, além de já estar em pré-venda. A capa é esta abaixo:

o-terno-atras-alem

darksideofthemoon
1° de março de 1973 – O Pink Floyd lança The Dark Side of the Moon

mamonas
2 de março de 1996 – Morrem os Mamonas Assassinas

likeaprayer
3 de março de 1989 –Madonna lança o polêmico clipe de “Like a Prayer”

timewarner
4 de março de 1989- TimeWarner torna-se a maior empresa de mídia do mundo

creem
5 de março de 1969 –É lançada a revista Creem

chorao
6 de março de 2013 –Morre Chorão

bluemonday
7 de março de 1983 –New Order lança “Blue Monday”

bob-dylan
8 de março de 1965 –Bob Dylan lança “Subterranean Homesick Blues”

biggie
9 de março de 1997 –Notorious B.I.G. é assassinado

sexpistols-
10 de março de 1977 –Os Sex Pistols anunciam “God Save the Queen” em frente ao palácio de Buckingham

dejavu
11 de março de 1970 –Crosby Stills Nash & Young lançam Déjà-Vu

vu-n
12 de março de 1967 –Velvet Underground lança seu primeiro disco

temptations
13 de março de 1961 –Os Temptations fazem teste para entrar na Motown

3 feet high
14 de março de 1989 –De La Soul lança o clássico 3-Feet High and Rising

tim-maia
15 de março de 1998 –Morre Tim Maia

otis-redding
16 de março de 1968 –“(Sittin’ On) The Dock of the Bay” é o primeiro hit póstumo

greatest-hits
17 de março de 1958 –É lançada a primeira coletânea chamada “Greatest Hits”

chuck-berry
18 de março de 2017 –Morre Chuck Berry

il-guarany
19 de março de 1870 –Carlos Gomes estreia a ópera O Guarani na Itália

leeperry
20 de março de 1936 –Nasce Lee “Scratch” Perry

rock_around_the_clock
21 de março de 1956 –O filme Rock Around the Clock estreia nos cinemas

miranda--
22 de março de 2018 –Morre Miranda


23 de março de 2003 –“Lose Yourself” é o primeiro rap a ganhar o Oscar de melhor canção

elvis-exercito
24 de março de 1958 –Elvis se alista no exército

john-yoko-bed-in
25 de março de 1958 –John e Yoko realizam o primeiro bed-in

dylan-bootlegseries
26 de março de 1991 –Bob Dylan começa a oficializar seus discos pirata

Renato_Russo
27 de março de 1960 –Nasce Renato Russo

blondie
28 de março de 1981 –O primeiro rap a chegar no topo das paradas é do Blondie

brian-johnson
29 de março de 1980 –Brian Johnson entra no lugar de Bon Scott no AC/DC


30 de março de 1967 –A capa de Sgt. Pepper’s é fotografada

hendrix-fire
31 de março de 1967 –Hendrix incendeia sua guitarra pela primeira vez

barbaraeugenia2019

A cantora carioca radicada em São Paulo Bárbara Eugenia lança seu quarto disco nesta sexta-feira no Sesc Bom Retiro e eu falei com ela sobre o papel deste Tuda em sua carreira e evolução musical na minha coluna Tudo Tanto dessa sexta no site Reverb – lê lá.

mauriciotagliari

O capo da YB Maurício Tagliari está azeitando a cria e em breve lança seu disco solo, ainda sem título, cheio de participações especiais. O primeiro aperitivo é o single “Bando à Parte”, parceria com o artista plástico Clima, cujo clipe estreia em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“No processo de gestação do disco mandei um tema para o Clima, que devolveu uma letra pela qual me apaixonei. Ele sacou muito da ideia do disco e dos meus gostos cinematográficos”, explica o guitarrista, por email. “Essa faixa foi gravada inicialmente com um duo de bateristas que eu amo: Mariá Portugal e Thomas Harres. Eu estava ao violão, foi uma sessão bem solta, uma jam. Depois me veio a ideia de criar climas – sem trocadilho – cinematográficos com um arranjo de sopros. Chamei o Luca Raele para escrever e os amigos Jorge Ceruto, Maria Beraldo e Antonio Loureiro para executar. A ideia do filme veio de uma conversa entre Clima e meu filho, ambos apaixonados pelo cinema de Godard.”

Não é o primeiro trabalho solo – ele acaba de fazer a trilha do filme Mundo Cão e de lançar o álbum instrumental jazz acústico Utopia Retro, além de ser o mentor da The Universal Mauricio Orchestra -, mas é seu primeiro álbum solo. O disco ainda não tem título, deve ser lançado em maio e conta com as participações de Luedji Luna, Ava Rocha, Pélico, Laya, Negro Leo, Assucena, emtre outros.

Além do disco, Tagliari prevê um ano difícil para a cultura – justamente quando seu selo YB completa 20 anos de existência. “2018 foi uma ano difícil para a cultura. 2019 não será melhor. Na YB estivemos produzindo e resistindo e tem muita coisa boa a ser lançada – Siba, Clima, Felipe Cordeiro, Kafé, Luedji Luna, Alan Abadia, Ava, Héloa, Lulina, Abacaxepa”, lista. E destaca um ápice: “o disco Tudo que Move é Sagrado, de Samuca e a Selva, com convidados em homenagem a Ronaldo Bastos foi um marco para a gente em 2018. Uma reunião linda e de altíssimo nível. Essa deve ser nossa luz guia para os próximos meses.”

E arremata: “O mercado independente inexiste. O que existe é a resistência da música independente. Somos chatos e cutucamos a casquinha da pele da música mainstream. Sem a gente não há evolução nenhuma.”