Musa indie norte-americana dos anos 90, Liz Phair volta a trabalhar com o produtor de seus três clássicos – Exile on Guyville, Whip-Smart e Whitechocolatespaceegg – e anuncia que lançará um novo disco no primeiro semestre do ano que vem, ao mostrar o primeiro single “Good Life”, neste sexta-feira:
E parece que está num bom caminho.
O baterista do grupo Do Amor Marcelo Callado lança o clipe de “Meu Sol”, o terceiro de seu disco solo mais recente, Caduco, em primeira mão no Trabalho Sujo. “Inicialmente, a letra era um poema para a mulher que amo, e tinha feito a harmonia e melodia para a introdução e para parte cantada, mas achava que faltava algo”, lembra o compositor carioca. “Mostrando pro Ricardo numa troca de emails, ele logo fez o final instrumental da canção, que dá todo um tom emocionante, grandioso e solar ao lance.”
Isso foi o ponto de partida pra ideia central do clipe, dirigido por Claudio Tammela, que deu a ideia de filmá-lo no Parque Shangai, na Penha, um dos últimos parques de diversão do Rio de Janeiro. “Fizemos a filmagem em uma tarde chuvosa de domingo, onde todo o brilho, ficava por conta da máscara de sol, feita pelo artista Vidi Descaves, e vestida pela querida amiga Priscilla Walter”, lembra Marcelo.
Na turnê de divulgação de seu ótimo Norman Fucking Rockwell, nossa querida Lana Del Rey está revisitando os clássicos. Começou quando ela convidou Sean Lennon, o filho de John Lennon e Yoko Ono, para dividir a faixa que os dois gravaram juntos em seu disco anterior, Love, “Tomorrow Never Came”, em sua apresentação no Jones Beach Theatre, anfiteatro ao ar livre perto do Nova York, no dia 21 do mês passado…
Depois, no dia 2 deste mês, eem Seattle, ela estreou uma versão para “For Free”, de Joni Mitchell, que acabou incluindo no repertório da turnê…
https://www.youtube.com/watch?v=16bzMeUJEg0
E pra finalizar, no domingo passado, num mesmo show em Berkley, na Califórnia, ela primeiro chamou outro filho de outra lenda: Adam Cohen, filho do velho Leonard, a acompanhou na clássica “Chelsea Hotel”, uma das pérolas do repertório de seu pai…
…Depois foi a vez de ela chamar ninguém menos que a lenda Joan Baez, com quem dividiu a faixa-título de seu disco de 1975, “Diamonds & Rust”, deixando-a depois tocar, sozinha, “Don’t Think Twice, It’s All Right”.
Nada mal, Lana…
O vocalista do R.E.M. finalmente está de volta – e sai da toca depois de terminar com sua clássica banda há oito anos com a faixa “Your Capricious Soul”, publicada gratuitamente em seu site, em que ele pede para que seus fãs a comprem por 77 centavos de dólar para arrecadar fundos para a entidade Extinction Rebellion, que organiza protestos não-violentos contra a crise climática que o planeta atravessa. ”
É uma estranha canção folk que consegue fugir do que podíamos esperar de uma faixa solo de um ex-integrante do grupo, que ganha tons ainda mais inusitados com um naipe de metais, guitarra e teclados elétricos e um vocal quase em falsete – mas o grau de estranheza de “Your Capricious Soul” equivale ao de beleza. Ele escreveu ao lançar a música na semana passada: “Tive um longo intervalo em relação à música e queria pular de volta. Amo ‘Your Capricious Soul’ – é meu primeiro trabalho solo. Queria acrescentar minha voz à essa excitante mudança de consciência. A Extinction Rebellion me incentivou a lançá-la em vez de esperar. Nossa relação com o meio ambiente é uma preocupação de toda uma vida e agora eu me sinto esperançoso e otimista, até. Acredito que possamos realizar a mudança que precisamos para melhorar nosso belo planeta, nossa presença e nosso lugar nele.”
Uma canção ainda é pouco, queremos mais.
E esse disco novo do Wilco, hein? Ode to Joy é uma espécie de Sky Blue Sky desta estranha e familiar nova fase do grupo, coroando uma década em que o grupo de Jeff Tweedy experimenta compor para além do formato rock, como se buscasse, nesta negação, sua essência, deixando de lado aquilo que considera como acessório ou facilmente datável.
Ainda não dá pra cravar se é um novo clássico, mas é o melhor disco do grupo desde, justamente, o Sky Blue Sky.
“Bright Leaves”
“Before Us”
“One and a Half Stars”
“Quiet Amplifier”
“Everyone Hides”
“White Wooden Cross”
“Citizens”
“We Were Lucky”
“Love Is Everywhere (Beware)”
“Hold Me Anyway”
“An Empty Corner”
O bardo australiano Nick Cave, sempre escudado pelos fiéis Bad Seeds, evoca os espíritos de Scott Walker e Leonard Cohen para manter seu filho intacto no tocante Ghosteen.
O novo disco consegue apertar ainda mais que seu predecessor Skeleton Tree, de 2016, contemporâneo da morte de seu filho adolescente, mas não inspirado por ele. Em Ghosteen, escrito após sua pior perda, ele encerra o ciclo iniciado com o pesado Push the Sky Away, de 2013, vendo esperança num futuro sem esperança, colorindo sem ironia e com arranjos assustadores e belíssimos um cenário que antes era só trevas, nos guiando para um novo lugar depois que o pior já aconteceu.
“Está acontecendo de novo!”
Começou com um tweet nostálgico de David Lynch, lembrando do lugar onde filmou sua clássica série, no meio do mês passado:
Dear Twitter Friends, I love the people in King County. I love the locations in King County. We had a perfect place to shoot Twin Peaks and perfect people to work with. Both Dow Constantine and Kate Becker are great! All-in-all it made shooting Twin Peaks there a dream.
— David Lynch (@DAVID_LYNCH) September 18, 2019
“Caros amigos do Twitter, eu amo as pessoas em King County. Amo as locações em King County. Arrumamos um lugar perfeito para filmar Twin Peaks e as pessoas perfeitas para trabalhar com a gente. Tanto Dow Constantine quanto Kate Becker são ótimos! No fim das contas, isso tornou filmar Twin Peaks ali um sonho.”
Mas daí que, no dia 29 de setembro, surge este tweet do Hollywood Horror Museum, que dizia:
Someone we know who is "in the know" just let something Very Interesting slip about the future of TWIN PEAKS
If it's true, we'll be squealing and giddy in 2020!
— Hollywood Horror Museum (@horrormuseum) September 27, 2019
“Alguém que nós conhecemos que ‘está por dentro’ deixou escapar algo bem interessante sobre o futuro de Twin Peaks. Se for verdade, estaremos rindo e excitados com 2020!”
E continuava:
We don't want to get anyone in trouble (for being stupid enough to tell us!) So we can't say more until THEY do, but this isn't just a rumor.
— Hollywood Horror Museum (@horrormuseum) September 27, 2019
“Não queremos meter ninguém em apuros (apenas por ser estúpido o suficiente para nos contar!). Então não podemos falar mais até que ELES falem, mas isso não é só um boato.”
E mais:
All we can say is, the people in charge are preparing for something big in 2020. Until the people who have a right to say more do, we have to stay silent.
— Hollywood Horror Museum (@horrormuseum) September 27, 2019
“Tudo que podemos dizer é que as pessoas que cuidam disso estão preparando algo grande pra 2020. Até que elas falem disso, teremos que ficar quietos.”
Não custa mencionar que filha de Lynch, Jennifer, faz parte do conselho deste museu do horror em Hollywood, Los Angeles. No dia seguinte, dia 30, o ator Michael Horse, o xerife Hawk, publica uma foto de seu personagem nos anos 90 vendo um pedido para manter silêncio em sua conta no Instagram.
E no dia seguinte, dia 1° de outubro, Kyle MacLachlan, o eterno Agente Cooper, twitta o seguinte:
Love this dapper suit, but definitely thinking about…donuts this morning 💭🍩 pic.twitter.com/mmutiMc75N
— Kyle MacLachlan (@Kyle_MacLachlan) October 1, 2019
“Amo este terno elegante, mas estou pensando em donuts nesta manhã.”
Neste domingo, dia 6 de outubro, completam exatos cinco anos que David Lynch e Mark Frost anunciaram a terceira temporada de sua série, algo que era considerado impossível e inconcebível e se revelou a grande obra de arte do século 21 até agora. Será que veremos a quarta temporada em 2020? Um filme? Uma versão em realidade virtual? Ou em ASMR? Ou é só um truque pra vender mais uma edição deluxe do Blu-ray?
ESTÁ ACONTECENDO DE NOVO!? SERÁ POSSÍVEL?
O filme A Cidade dos Piratas, dirigido por Otto Guerra (mesmo diretor do ótimo Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, inspirado na obra de Angeli), traz para o cinema o universo mental deste grande ícone da cultura nacional, a intelectual do traço Laerte Coutinho: seus personagens, seu traço, sua ironia, sua finesse… Parece ótimo.
A estreia está marcada para o último dia deste mês.
E esse disco novo da Angel Olsen, All Mirrors, chegou e é tudo isso mesmo…
Que mulher!
“Quem gravou o disco foi eu e Benke, não há participações: eu gravei vozes, baixo e teclado, ele gravou guitarras e beats. A gente tinha liberdade pra gravar e parar a hora que quisesse. Então dormindo, comendo, curtindo junto, isso nos deu uma sensação muito grande de bem estar. Influenciou diretamente no mood do resultado final”, me explica o pernambucano Paes, que lança seu EP Wallace nesta sexta-feira, mas que o antecipa já em primeira mão para o Trabalho Sujo. Feito em parceria com o guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz, que produziu e tocou no disco, o EP desconstrói a sonoridade que o cantor e compositor apresentou em seu disco de estreia, Mundo Moderno.
A colaboração com Benke surgiu quando Paes estava começando a cogitar um disco em parceria com o ex-Mombojó Marcelo Campello, que assina algumas das composições do EP. “Ana Garcia, quando tava fazendo a assessoria do Mundo Moderno, meu disco anterior, falava muito que a gente precisava se conhecer e trocar ideia, porque tinha interesses parecidos relacionados a áudio, música, fita cassete etc.”, explica o pernambucano, mencionando a participação ativa da fundadora do festival Coquetel Molotov como ponte crucial do encontro com o guitarrista. “Já havia encontrado ele algumas vezes em Recife mas nunca trocado uma ideia de fato. Mas no Coquetel Molotov do ano passado, a gente se encontrou e eu dei uma Cassete do Mundo Moderno e meses depois, em outra festa ele me deu uma do Boogarins, A Casa das Janelas Verdes, junto com uma revista que saiu pela Void. Eu adorei a fita e ficamos trocando ideia por internet.”
“Ele me pareceu ser a pessoa mais indicada no momento pra tentar tirar outro som, me ajudar a sair da zona de conforto em relação à sonoridade, instrumentação e vibe das músicas. As coisas aconteceram de uma forma bem natural”, continua. “Quando o convidei pra produzir, no outro dia já tava almoçando com eles e pensando como fazer a coisa toda. Levei as cifras, baixo e amp pra lá e já começamos a tirar as harmonias dessas três canções. Depois de dois encontros onde já se criou as bases no Ableton Live e harmonias fomos pro estúdio por dois dias e gravamos. Lá compusemos juntos outras duas faixas ‘8 bit Blues’ e ‘Espelhos’. Ele se envolveu no processo desde o início, desde os arranjos até a finalização do trabalho. Além de produzir ele tocou as guitarras, beats e mixou as nossas parcerias. O nome do álbum surgiu de uma brincadeira nossa com o título de ‘4 Paredes’: Four walls, for Wallace, por Wallace até enfim chegar no Wallace, que reflete muito o clima familiar que a gente construiu na pré, durante as gravações e na pós. Foi-se criando uma amizade bem massa e uma facilidade de decidir as coisas juntos talvez pela forma parecida de pensar música e de filosofia de vida.”
“A diferença é em relação à sonoridade, porque a instrumentação é bem diferente”, me explica. “Não tem bateria, apenas beats eletrônicos. O Mundo Moderno é mais diversificado de timbres e a formação em cada faixa. Tem músicas eletrônicas, outras com violão e piano, outra com banda. O Wallace é rock alternativo, eletrônico, pop e mais lisérgico. É experimental e mais maluco. Em uma faixa gravamos uma jam de baixo e guita encima do beat do Casiotone, depois ele processou no Live e deixou ela com cara de videogame, por isso dei o nome de ‘8 Bit Blues’. Outra surgiu de um áudio de WhatsApp que Benke ouviu, processou e picotou, criando um beat, synth e baixo. Eu criei a melodia e letra e já gravei rapidamente em cima.”
Se o disco é tão diferente do anterior, o mesmo não pode se dizer em relação ao tema. “As questões que abordamos nas letras é uma continuidade do que tá presente no álbum anterior: reflexões sobre a contemporaneidade, das formas de relações que a gente tem nos tempos atuais, tecnologias, formas de comunicação e como isso influencia diretamente no jeito que a gente se socializa, como se relaciona com o outro através da internet e de toda facilidade que isso traz. Tem seu lado positivo de mil possibilidades mas também cria problemas desse nosso tempo que é a sensação de isolamento, muitas vezes estamos conectados com tanta gente mas nos sentimos muito solitários. É uma coisa muito comum isso que acomete quase todos que convivo, uns menos outros mais. Vejo muita gente tendo sofrendo com depressão, ansiedade, pânico e quase sempre relacionando esses pontos levantados como cruciais pra entender o que ta acontecendo no nosso mundo. E eu acho importante falar disso abertamente, nos ajudar, ouvir e tentar encontrar um equilíbrio sabe? Porque temos que estar juntos, se ajudar. É uma coisa muito comum pra nós que vivemos nesse modelo capitalista, de trabalho, cobrança pessoal, da sociedade, do sistema, essa correria louca do dia a dia onde as horas não são suficientes pra a demanda que criamos e aos mesmo tempo passa tudo tão rápido, A vida tá passando por a gente como um vagão de metrô. E nós estamos todos no mesmo carro.”
Agora o desafio é transpor essa sonoridade para o show: “Como virou eletrônico, tanto as novas como as do anterior que serão rearranjadas pra esse formato, a banda é bem reduzida, para um formato duo, em que canto, toco baixo e synth em alguma faixas e com o amigo João Bento, que toca guitarra, backing vocal e maschine, que é basicamente um equipamento com vários pads, onde podemos samplear todos os sons do álbum, não só rítmicos mas também hamônicos e melódicos e tocar ao vivo isso. Mas também temos a formação trio, com Benke completando o time tocando guitarra enquanto João fica nas bases eletrônicas, e eventualmente baixo e sintetizador. Nessa eu tenho mais liberdade pra só cantar em algumas músicas e ficar mais livre em relação a performance.”











