“Abro a caixa de Pandora com os dedos”, Tatá Aeroplano canta acompanhado só do violão em “Alucinações”, música que abre seu novo álbum, como se estivesse prestes a nos contar um segredo. Mas o devaneio apenas nos conduz para além do fluxo de palavras original à medida em que sua banda cria um clima ao mesmo tempo épico e onírico. “Nos pratos, nas prateleiras, o veneno escorre”, cantam Bárbara Eugenia e Mallu Maria acompanhadas do trio que Tatá se cercou desde seu primeiro álbum: Junior Boca na guitarra, Dustan Gallas no baixo e Bruno Buarque na bateria. Delírios Líricos, gravado no ano passado, finalmente começa a ver a luz do dia. Ele antecipa a nova música em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“‘Alucinações’ abre os caminhos do novo álbum batizado de Delírios Líricos, quando decidi lançar uma música antes do disco cheio, pensei de cara nela, por ser uma canção automática, daquelas que vem de um vez só com algumas sensações vividas nesses tempos de retrocessos que vivemos”, me explica o cantor e compositor por email. “A maior parte das canções que entraram pro álbum, foram compostas um mês antes de entrar em estúdio. Eu tinha um disco pronto e acabei gravando outro. Então, não tenho ainda muita ideia do que aconteceu, segui meu inconsciente conectado com as entidades que me habitam. Me realizei regravando ‘Ressurreições’ do Jorge Mautner e Paulo Jacobina e trouxe duas músicas do início dos anos 2000, época ia ao cinema com o Júpiter Maçã e estávamos filmando o Apartment Jazz. A gente conversava muito sobre o lance de compor, escutávamos muito som, foi um época que eu compus bastante e aos poucos nos próximos discos, vou trazer sempre uma ou duas músicas das antigas; Esse novo som tem um lance de criar seis músicas em dois dias, bem perto de gravar e mudar todo o roteiro, foi muito natural e ao mesmo tempo instigante.” Delírios Líricos será lançado no final do mês que vem.
E o disco novo do produtor francês Yuksek é uma pérola flambada na música brasileira para dançar. Nosso Ritmo, escrito assim mesmo em português, segue as obsessões do produtor, que ainda habita o terreno da disco music e sua transformação em house entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80. E então ele começa a investigar os paralelos brasileiros desta mesma sonoridade na época e nos convida a um mergulho em uma irresistível pista de dança, que mesmo com o 4 x 4 do beat característico do produtor, consegue absorver texturas e levadas típicas do funk samba e do samba soul do mesmo período (ele menciona nominalmente Marcos Valle, Gilberto Gil e Di Melo) – e convida vários compadres para juntar-se ao disco, entre eles Breakbot (que ao lado de Irfane protagoniza um dos melhores momentos do disco, a deliciosa “Only Reason”), Zombie Zombie, Confidence Man, Jean-Sylvain de Juveniles, Polo & Pan, entre outros.
Mas três momentos específicos têm brasileiros na mistura e são presenças decisivas. Dois deles – minha favorita “Bateu”, que foi lançada como single em 2017, e “Corcovado” – contam com o apoio preciso da dupla Fatnotronic, composta por Rodrigo Gorky e Philip A. O terceiro momento é a releitura de “Mais Kriola”, do saudoso Hélio Matheus. Discaço.
Em mais uma versão para o projeto Songs for Australia, que está arrecadando fundos para ajudar às vítimas das queimadas que incendiaram o país no começo do ano, o cantor e compositor irlandês Damien Rice relê ao piano o hit “Chandelier”, da australiana Sia – e conseguiu extrair a essência da canção em uma versão deslumbrante.
A coletânea será lançada na próxima sexta e sua organizadora, a cantora e compositora local Julia Stone, já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS,.Julia Stone já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS
O artista digital tcheco Filip Hodas é tão fissurado em fazer crânios no computador que resolveu deixar sua imaginação fluir ao cogitar versões esqueléticas de nossos desenhos animados favoritos. Originalmente, como ele conta em seu portfólio online, onde exibe a exposição Cartoon Fossils, ele queria expor personagens como Popeye, Tio Patinhas, Pateta e Bob Esponja como se fossem esqueletos de dinossauros, mas alguns não eram tão reconhecíeis, então ele resolver acrescentar acessórios dos personagens para facilitar o reconhecimento dos mesmos.
Tem mais lá na página do Behance dele, onde ele também comenta sobre o processo de criação desas figuras.
Jenny Lee, baixista do grupo californiano Warpaint, grava uma deliciosa versão para “I’m So Tired” da clássica banda de hardcore de Washington Fugazi. Derreta comigo…
A versão é parte de um vinil de edição limitada que ela lança no Record Store Day deste ano, no mês que vem – e o lado B do single é uma versão para “Some Things Last a Long Time”, do Daniel Johnston, que ainda não apareceu online… Mas imagina…
A cantora e compositora carioca Mahmundi volta a dar sinal de vida ao lançar “Sem Medo”, um reggaeinho bem na manha e bem alto astral, indo de encontro à maré de bad vibe que atravessa o Brasil atualmente. O single foi produzido por Davi Moraes, que também toca guitarra na faixa, e faz com que ela volte a dar notícias – felizmente, boas notícias.
Chega mais, Marcela!
A Polysom está fazendo um belo favor à música brasileira e tem relançado sistematicamente parte importante da discografia do mestre baiano Tom Zé em vinil. Depois da estreia A Grande Liquidação (1968), Todos os Olhos (1973), Estudando o Samba (1975), Correio da Estação do Brás (1978) e Se o Acaso é Chorar (1972), a fábrica de vinis carioca quase encerra a primeira parte da discografia do guru com este segundo álbum (lançado com encarte original, que traz um protesto contra a prefeitura de São Paulo, cobrando uma dívida pelo uso da música “São São Paulo”), deixando de fora apenas Nave Maria, de 1984, que é o disco que falta para completar a safra de Tom antes dele ser descoberto por David Byrne no início dos anos 90. O disco de 1970 traz hits do compositor como “Jimmy Renda-se” e “Qualquer Bobagem” e foi criado dentro de exercícios que ele colocava em prática em sua Escola Popular Sofisti-Balacobaco – Muito Som e Pouco Papo.
A cantora inglesa Dua Lipa dá mais um passo rumo ao topo e conseguiu entrar na versão remix que o grupo norte-americano lançou para o grande hit de seu disco Ginger, do ano passado, uma das melhores músicas de 2019. O resultado deixou a música mais suave ainda, sem mexer demais – mas a colisão entre estes dois universos é um caminho sem volta…
O grupo sueco Little Dragon acaba de lançar o segundo single de seu próximo disco (New Me, Same Us, anunciado no início do ano) e convida a colombiana Kali Uchis para dividir os vocais com Yukimi Nagano, em “Are You Feeling Sad?”. Ficou uma delicia.
New Me Same Us já está em pré-venda, sai pela Ninja Tune no final do mês e foi anunciado no início do ano, quando o grupo mostrou o primeiro single, “Hold On“, a capa e o nome das músicas do novo álbum (abaixo):
“Hold On”
“Rush”
“Another Lover”
“Kids”
“Every Rain”
“New Fiction”
“Sadness”
“Are You Feeling Sad?”
“Where You Belong”
“Stay Right Here”
“Water”
O cantor e compositor sueco Erlend Øye reativou sua clássica banda Whitest Boy Alive, parada desde 2014, mas que, do nada, fez alguns shows no final do ano passado, passando, inclusive, na Argentina. Na ocasião, o grupo aproveitou a passagem pelo país hermano para registrar “Serious”, como registrou o estúdio Elmar em seu Instagram na época, que agora lançam oficialmente. A música segue o padrão do grupo como se não houvesse um hiato de quase dez anos entre o novo single e seu último disco, Rules, de 2011.
Não há notícias sobre um novo disco, mas como o grupo já marcou alguns shows este ano (entre eles, no festival dinamarquês Roskilde e no mexicano Tecate Pa’l Norte) e criou um novo Instagram, é bem provável que haja mais algo em breve. Boa notícia!












