Perdemos nesta sexta-feira um dos últimos gênios vivos da soul music, Bill Withers. Morreu do coração, não foi da epidemia.
Vou ter que fazer um Vida Fodona sobre ele, óbvio…
O bardo paranaense Giancarlo Rufatto estava preparando a retomada de sua carreira quando, como todos nós, foi surpreendido pera quarentena e obrigado a manter-se isolado do convívio social. “Não estava planejado gravar nada em 2020”, ele me explica por email como começou a pensar em Canções do Distanciamento Social – Vol.1, que lança nesta sexta. “Eu havia começado ensaiar com a uma pequena banda para shows e era isso que eu queria fazer, mas a pandemia mudou os planos de todo mundo. A canção original do disco “Não Pretendo Me Embrutecer” surgiu no começo do ano e ela dizia muito sobre esse desejo de não querer ficar isolado e não se transformar em uma ilha de solidão, então achei que era uma boa grava-la. E a sonoridade minimalista do EP tem a ver com o que eu quero fazer ao vivo um dia.”
Ele conta como o disco começou a materializar-se. “Tudo mudou e com esse período de quarentena, trabalhando de casa, precisei criar um cronograma pra manter atividades mentais em dia, tipo exercício físico mesmo. E brincando de publicar versões no Instagram as canções vieram, foram me divertindo e desviando a solidão. Curto discos de volumes, mas ideia de ter volumes na atual conjuntura é um tanto distópica, parte do pressuposto que o distanciamento social veio pra ficar infelizmente e a produção online nos manterá ativos. Curiosamente nunca estivemos tão ativo como nas ultimas semanas, é um distanciamento físico e não social.” Ele não queria fazer vários volumes, mas pelo visto prepara-se para isso. “Gostaria que não tivesse volume 2, mas parece que teremos volume 2, 3… um pra cada mês. Se nada mudar no final de abril deve sair o volume 2.”
Além da nova canção, ele também fez versões introspectivas para os hits “The Whole of the Moon” dos Waterboys e “Ando Meio Desligado” dos Mutantes. “As versões saíram de um destes exercícios de imaginar um outro universo em que essa canções possam existir e que sejam pontos fora da curva do que as pessoas estão acostumadas a ouvir nelas. No caso de “Ando Meio Desligado” acabou se surgindo uma canção sobre isolamento e tesão reprimido, tipo Bruce Springsteen em “I’m on Fire”. “Whole of the Moon” é uma das minhas canções favoritas de todos os tempos, simplesmente amo a frase ‘I wondered, I guessed and I tried. You just knew’, fiz basicamente pra cantar essa parte.”
A quarentena global não parou a produção musical do vocalista do R.E.M. e Michael Stipe segue lançando músicas novas mesmo que em versão demo. Depois de mostrar “Your Capricious Soul” e “Drive to the Ocean”, ele mostra mais uma música inédita, composta ao lado de Aaron Dessner, do grupo The National, chamada “No Time for Love Like Now”.
Bem bonita – imagina quando estiver pronta.
Pouco antes da pandemia nos enclausurar em casa, pude conversar com o fotógrafo norte-americano Bob Gruen, cujas fotos que fez John Lennon em Nova York são tema de uma exposição no MIS-SP, que foi suspensa até o fim desta quarentena estranha. Amigo pessoal de John, Bob passou quase todos os anos 70 perto do beatle e o ajudou a criar uma imagem que o distanciasse do grupo que o consagrou, fazendo retratos que hoje se confundem com a própria imagem pública de John. A entrevista rendeu uma matéria para o site da revista Zum – confere lá.
Mais que o pulmão do Metá Metá, Thiago França está intimamente ligado ao sistema circulatório da música em São Paulo, seja capitaneando sua Espetacular Charanga ou tocando com gente de todas as vertentes musicais, do improviso livre ao choro, da gafieira ao free jazz, da marchinha de carnaval ao rap, do samba rock à música de terreiro. Mestre do sopro, interliga saxes, flauta e pedais para criar climas tensos, atmosferas bucólicas, melodias familiares, ataques frontais, mas pôs-se ao desafio de torear seu próprio instrumento num disco dedicado apenas a ele, gravado todo em takes únicos e sem outros instrumentos ou efeitos de pós-produção.
O resultado é Kd Vcs, um disco que soa ao mesmo tempo ermo e populoso, contemplativo e agressivo, abstrato e pé no chão. Embora o lançamento do disco em abril já estivesse na agenda de Thiago desde o final do ano passado, o disco afina em vários níveis com a estranha sensação que estamos passando nestes dias de isolamento social. E não é apenas o título que remete a esta sensação solitária, pela extensão de menos de meia hora das sete canções, o instrumentista nos conduz a uma paisagem alienígena para que possamos olhar para dentro e nos reconhecer, como se o Doutor Manhattan de Watchmen pudesse levar cada um de nós para Marte e poder ver o que estamos fazendo com nosso planeta – e, portanto, com nós mesmos. Dá para ouvir ecos de samba, jazz e funk na forma que o saxofonista conduz seu timbre, mas ele abandona rótulos e sensações reconhecíveis numa queda livre em que, várias vezes, perdemos a noção da gravidade. Sem noção de onde é o chão, estamos soltos no espaço profundo explorado por Sun Ra, mas sem nenhum planeta nem a nave-mãe de George Clinton no horizonte, e a flutuação torna-se voo com o norte magnético apontado para o free jazz espiritual. Inspirado no livro Cujo, de Nuno Ramos (que também é autor da imagem da capa do disco), Kd Vcs é um mergulho pra cima em uma densidade desconhecida. O disco pode ser baixado no site do Thiago e eu conversei com ele por email sobre este gesto solitário.
Quando você percebeu que tinha de registrar este momento com seu instrumento e que teria que fazer isso sem outros músicos?
A vontade de ter um formato solo sempre me instigou, pelo quão inusual é prum saxofone, mas não queria que fosse algo só por fazer. Por volta de 2016 eu comecei a fazer as primeiras experiências, ainda como “ato de abertura” de algum show meu com banda. No começo era mais improvisação livre e algumas músicas já do meu repertório, e de cara eu senti que o mais interessante seria compor especificamente pra esse formato, um repertório pra existir assim, que fosse só o saxofone e não ficasse faltando nada, achei um bom desafio. Eliminei também os pedais porque saquei que seria um lance óbvio demais porque eu acabaria por emular a função dos outros instrumentos criando harmonias, padrões rítmicos, etc, e fui me envolvendo cada vez mais com a idéia de estar “nu” no palco. do No final de 2018, senti que tinha chegado nas músicas com o propósito que eu queria, fiz mais alguns shows no começo do ano seguinte e em setembro de 2019 (dia 10) gravei o disco. Mas a primeira centelha de fazer um disco mesmo foi quando eu gravei um solo de tenor na trilha do “Gira”, espetáculo do Grupo Corpo que o Metá fez a trilha.
O disco tem alguma inspiração direta, um disco em que também traga apenas um músico e seu instrumento?
Tem um saxofonista fodão chamado Collin Stetson, que toca sax baixo (que é mais grave ainda que o barítono), e com certeza vai rolar essa associação. Mas o lance do Collin é mais “completão”, ele usa mais camadas, ele canta as notas com a garganta enquanto toca, ele microfona o pescoço, as chaves do instrumento, então você ouve vários sons, tem hora que parece que tem percussão junto. Uma das músicas do meu disco, “Tarrasque”, foi bem inspirada nesses sons do Collin, onde eu também uso esse recurso de cantar com a garganta. Mas fora isso, muita coisa me instigou durante a vida toda. Há uns vinte anos atrás eu ia muito nos shows do Nenê (baterista) e achava incrível quando ele fazia os solos, dum jeito super melódico, uns momentos grandes durante o show. O próprio Hermeto tem sempre uns momentos que fica só ele. Ou mesmo que não fosse uma música inteira só uma pessoa, mas um trecho que tá só um cara tocando, fosse o Roscoe Mitchell, Pharoah Sanders, Eric Dolphy ou o Mingus…
Fale da influência do Nuno Ramos no disco, da capa ao livro Cujo.
Bom, foram uns anos até resolver o repertório, e depois que as músicas estavam todas compostas, os shows já tavam rolando no formato que seria o disco, obviamente me bateu uma nóia: legal, é um disco de saxofone solo, mas porra! é um disco de saxofone solo! eu comecei a achar chato, repetitivo, porque é só o saxofone, é só aquele mesmo som. Tudo bem, tem seus momentos distintos, mas no fim das contas, é só saxofone. E eu lembrei duma passagem do livro do Nuno onde ele descreve os materiais, pedra, argila, terra, e ele diz que dentro da pedra só tem pedra, dentro da terra, por mais que ele cave, só tem terra. A princípio me pareceu monótono, mas depois eu comecei a entender de outra forma, das coisas que são rigorosamente o que são, da beleza e do poder de sustentar uma idéia como profissão de fé, o comprometimento ritualístico com a essência das coisas – a pedra é pedra até o último grão. O mar vai ser sempre o mar e vai estar onde sempre esteve, é maravilhosamente acalentadora essa idéia, essa verdade, que o mar é mar até a última gota, é um porto seguro do nosso imaginário, do nosso sagrado. Num momento onde o mundo está a mentira é uma tática de guerra aceitável (fake news), acho muito essa imagem muito forte. O sax tenor é o meu porto seguro, é o meu “voltar pra casa”. E depois desse giro enorme, fui entrando em paz com a idéia materializar o disco. O nome vem de um disco do saxofonista Peter Brotzman, que em português é: “Eu estou aqui, aonde estão vocês?” e eu realmente “estou aqui”, o disco é um apanhado de idéias de quase 30 anos de saxofone, estou nu, meio que contando aqueles pensamentos mais malucos que a gente só abre quando tá meio bêbado pra quem a gente confia muito.
O disco está muito ligado ao conceito de respiração circular, quando você aprendeu essa técnica e como começou a usá-la?
Em 2001 eu tava na faculdade de música da UFMG – que eu larguei no começo – e o professor de saxofone, Dilson Florêncio, é um verdadeiro monstro, seguramente o saxofonista mais técnico que eu conheço no mundo, nunca ouvi ninguém tocando com a perfeição e excelência dele. E um dos folclores que circulavam na época é que ele tocava o Moto Perpétuo, do Paganinni no sax, originalmente um concerto pra violino que não tem pausa, e o Dilson tocava com respiração circular. E tocava mesmo, eu assisti isso ao vivo, umas das coisas mais impressionantes que eu vi na vida. Então tinha esse dado aí. Ele me explicou como fazia e é uma mecânica bem simples, só leva tempo pra limpar e fazer direitinho. O lance mesmo era o que fazer com isso. O saxofone é um instrumento melódico, é como se imitasse a voz. Imagina conversar com alguém que não para de falar nem pra respirar? Fui começando aos poucos, usando em alguns choros que tinham frases muito longas, só como um auxílio. Tentei tocar alguns choros usando a respiração na música inteira, tipo o “Voo da Mosca” do Jacob do Bandolim, mas no fim das contas ficava chato, me sentia mais executando um truque de mágica do que uma música, um virtuosismo barato. Também usei muito nos arranjos do Metá também, porque eu precisava soprar forte pra equiparar o som da guitarra e do baixo e acabava faltando ar, fui usando só pra completar as idéias. Mas foram quase vinte anos até chegar nessas sete músicas do disco e usar essa técnica aonde realmente tinha um propósito, incorporando a respiração como parte das composições.
Você antecipou o lançamento do disco por conta da pandemia? Como fará para trabalhar este disco nesta época nesta época estranha?
Pior que não. Eu tinha na cabeça que lançaria o disco em abril mesmo, quando baixasse a poeira do carnaval – o disco tá pronto desde novembro, com capa e tudo. O que eu não sabia mesmo era como trabalhar, porque é um show de 25 minutos, eu não seguro uma noite sozinho, sempre que eu faço divido a noite com alguém, e esse formato não-ortodoxo significa procurar lugares fora do roteiro convencional de shows. Tudo bem que é um disco super introspectivo, pra ouvir sozinho em casa mesmo, mas não precisa duma quarentena dessa pra isso, né? Daí quando começou o isolamento eu até pensei em não lançar, pra não ficar parecendo oportunismo nem entrar nessa paranóia de “quarentena de alta performance” que todo mundo se cobra de produzir, fazer mil coisas. Mas depois desencanei, porque convenhamos, mercadologicamente falando nunca é um momento propício pra se lançar um disco esquisito de saxofone solo.
“Aguiã, Alufã”
“Ngoloxi”
“Dongô”
“Pescoço Curto”
“Tarrasque”
“Maercúria”
“Dentro da Pedra”
Quando a YB perdeu sua clássica sede na Vila Madalena, em São Paulo, um de seus sócios, o músico, produtor e compositor Maurício Tagliari deu a sorte de encontrar uma outra casa prontinha pra receber um estúdio de gravação no bairro de Higienópolis. Depois de transferir o equipamento para o novo imóvel, era hora de testar a acústica do local e no final do ano passado, Tagliari convidou alguns amigos para sessões de improviso no novo endereço. “Na sessão número 1 eu queria ouvir o resultado dos timbres de bateria e sopro, por isso reservei uma tarde e chamei o Thomas Garres e o Guizado. Chamei mais gente, mas como era final de ano, muita gente não podia. E eu não pensava em lotar a sala, até para entender melhor a acústica. O propósito era meramente técnico, mas com esses parceiros a probabilidade de sair algo muito bom era altíssima”, conta o guitarrista, que além de Harres e Guizado, também convidou o baixista pernambucano Pedro Dantas. Gravaram duas sessões com o nome de Tanino, trabalho que vem a público na próxima sexta. Uma destas, “Romã”, você ouve em primeira mão no Trabalho Sujo.
Não hove planejamento nem regras pré-estabelecidas. “Foi passar o som e gravar. O que acontece é que houve uma confluência enorme de referências e uma capacidade de audição de cada um que foi bem mágica”, continua Maurício. “Você percebe que não tem ego, as notas vêm e vão, os timbres dialogam. um inspira o outro. E o Thomas é o grande motor da dinâmica. Eu me concentrei em timbres, o Pedro acha as pulsações escondidas e o Guizado borda as melodias. Tudo muito intuitivo.”
Comento que há uma tendência recente a se registrar em discos sessões de improviso, algo que, mesmo em pequena escala, tem tornado-se comum em São Paulo. “É um tipo de música para poucos. infelizmente. só tem rolado em espaços pequenos e alternativos. Fora disso não vejo muita gente aqui no Brasil apostando nisso. No Centro da Terra, no Leviatã, Estúdio Bixiga e um poucos em outros lugares, os malucos se encontram. Mas é algo restrito. Pra mim é mais um exercício estético do que uma onda. Cresci musicalmente ouvindo free jazz. mas tem um ponto: improvisação muitas vezes é um enorme prazer para quem toca mas nem sempre para quem ouve! há vários tipos de som que podem entrar nessa categoria. Sou muito influenciado por Miles Davis e Art Ensemble of Chicago. Toquei e produzi muita coisa na vida, mas só de uns tempos para cá tenho projetos de improvisação lançados. Já tinha feito isso na Universal Mauricio Orchestra e mais recentemente no projeto Dúvidas da Juliana Perdigão. Eu gosto muito do resultado, queria que essa onda chegasse em mais gente. Mas somos os mais underground dos independentes.”
O trabalho são apenas duas músicas, “Romã”, de oito minutos, e “Cravo”, com dezesseis. “Não gastamos mais do que duas horas no estúdio, entramos para brincar. Passamos o som, gravamos a primeira, fomos ouvir e gravamos a segunda. Dali foi sair para comemorar o resultado. Inicialmente era só um teste mas gostamos tanto que decidimos lançar.” E agora fica a dúvida sobre o futuro próximo do grupo, que ainda não tocou ao vivo com público. “Um pouco antes da pandemia atacar a gente se reuniu para uma sessão de fotos de divulgação e decidiu que iria tentar uma residência semanal em algum lugar. Pelo simples prazer de tocar. Mas agora tudo parou, vamos nos contentar em ouvir o disco, por enquanto. É um som muito orgânico. Não dá vontade, ao menos para mim, de tentar algo online ou seja la o que for. tem que ser olho no olho.”
O Festival Fico em Casa BR repete mais uma edição depois de uma bem sucedida jornada que reuniu artistas de todo o Brasil em dez horas de programação ao vivo em quatro dias. A segunda edição do festival online começa nesta terça-feira e vai até a próxima sexta, reunindo nomes como Otto, Tiê, Ava Rocha, Mombojó, Mariana Aydar, Glue Trip, MC Carol, Rashid, Margareth Menezes, Dingo Bells, Selvagens a Procura da Lei, Jair Oliveira, Papisa, Digital Dubs, Brisa Flow, Filipe Catto, Odair José, Cashu, Yma, Paula Lima, Wry, Omulu, entre outros. Volto a participar como apresentador durante a edição, que, como na primeira, conta com um time de apresentadores de peso. A transmissão vai ser feita na página do Facebook e no canal do YouTube do site. Confira a programação abaixo:
Terça-feira (31)
13h30 Anielle Franco – @aniellefranco
14h00 Tiê (SP) – @tiemusica
14h30 Bruno Rejan (GO) – @brunorejan
15h00 Bemti (MG) – @bemtii
15h30 Dingo Bells (RS) – @dingobells
16h00 Otto (PE) – @ottomatopeia
16h30 Rashid (SP) – @mcrashid
17h00 Marcio Marinho (DF) – @marciomarinhooficial
17h30 Brisa Flow (SP) – @brisaflow
18h00 Thaíde e Ana Preta (SP) – @thaideoficial @euanapreta
18h30 Mayra Itaborahy (MG) – @mayraitaborahymusic
19h00 Ava Rocha (RJ) – @avarocha
19h30 Mari Martinez (RS) – @marifmartinez
20h00 Thiago Delegado (MG) – @thiagodelegado
20h30 Roots Rock Revolution (México) – @mexicano
21h00 Juli (BA) – @oficialjulli
21h30 MC Carol (RJ) – @mccaroldeniteroioficial
22h00 Nath Rodrigues (MG) – @a_nathrodrigues
22h30 Filipe Catto (RS) – @filipecatto
2300 Ubunto (BA) – @ubunto3mundo
Quarta-feira (1)
13h30 Thiago e Sulivã (Rédia Curta)
14h00 Maikão (SP) – @maikaosoueu
14h30 Jonathan Ferr (RJ) – jonathanferr_oficial
15h00 Odair José (GO) – @odairjoseoficial
15h30 Orquestra Manouche (RJ) – @aorquestramanouche
16h00 Glue Trip (PB) – @gluetrip
16h30 Guitarrada das Manas (PA) – @guitarradadasmanas
17h00 Niela (GO) – @nielamoura
17h30 Mulamba (PR) – @mulambaoficial
18h00 Toca de Tatu (MG) – @tocadetatu
18h30 Mocambo Banda (PR) – @mocambobanda
19h00 Mombojó (PE) – @mombojo
19h30 Alice Krenen (RS) – @alicekranenoficial
20h00 Mariana Aydar (SP) – @marianaaydar
20h30 Cynthia Luz (MG) – @cyssluz
21h00 Casa Pronta (BA) – @casaprontafolk
21h30 Rieg (PB) – @riegband
22h00 Flávio Renegado (MG) – @flaviorenegado
22h30 Raíssa Fayet (PR) – @raissafayet
23h00 Cashu (SP) – @cashuuuu_
Quinta-feira (2)
13h30 Rodrigo França – @rodrigofranca
14h00 Mazuli (PE) – @mazuli.mazuli
14h30 YMA (SP) – @ymamusic
15h00 Chama o Sindico (MG) – @blocochamaosindico
15h30 Fuga Operária (SP) – @fugaoperariaoficia
16h00 Paula Lima (SP) – @paulalima
16h30 Dora Toiá (RJ) – @doratoiaoficial
17h00 Joe Silhueta (DF) – @joesilhueta
17h30 Arthur Xará (MG) – @arthurxara
18h00 São Yantó (SP) – @saoyanto
18h30 Di Ferrero (MS) – @diferrero
19h00 Aimuray (Bolivia) –
19h30 Aíla (SP) – @ailamusic
20h00 Bruna Mendez (GO) – @brunamendez
20h30 Rosa Neon (MG) – @neonrosaneon
21h00 Wry (SP) – @wrymusic
21h30 Trio Frito (RJ) – @trio.frito
22h00 Victor Angeleas (DF) – @victorangeleas
23h00 Omulu (RJ) – @omulu
Sexta-feira (3)
13h30 Biella
14h00 Jair Oliveira (SP) – @jairoliveira
14h30 Papisa (SP) – @papisabrisa
15h00 Nãnan (DF) – @nanan_br
15h30 s Caras e Carol (RJ) – @oscarasecarol
16h00 Não Divulgado
16h30 Larissa Umayta (DF) – @umayta
17h00 Margareth Menezes (BA) – @margarethmenezes
17h30 Manaié (GO) – @_manaie
18h00 Selvagens a Procura da Lei (CE) – @selvagensaprocuradelei
18h30 Carolina Serdeira (MG) – @carolinaserdeira
19h00 Drenna (RJ) – @bandadrenna
19h30 Edh Lorran (SP) – @edhlorran
20h00 Jota.pê (SP) – @jota.peoficial
20h30 Não divulgado
21h00 Celeste (RS) – @celestepoa
21h30 Bel Martine (AM) – @belmartinee
22h00 Phil Machado (Detonautas) (RJ) – @phildetonautas
22h30 Não Divulgado
23h00 Digital Dubs (RJ) – @digitaldubs
O rapper baiano Baco Exu do Blues pegou todo mundo de surpresa ao adiar o álbum que lançaria este ano para antecipar um disco-relâmpago, Não Tem Bacanal na Quarentena, gravado há poucos dias. O disco é curto e funciona também como uma vitrine para os MCs do selo de Baco, 999 – mas o foco está todo nele, que fala da epidemia e da quarentena (“Tudo Vai Dar Certo”), das dores do autoconfinamento (“Preso em Casa Cheio de Tesão”), apoia o jogador Babu na atual edição do Big Brother (“Tropa do Babu”) e dispara contra Jair Bolsonaro ao som das panelas (“Amo Cardi B e odeio o Bozo”). Mas não o disco que ele me mostrou no final do ano passado que, pelo jeito, deve se chamar Bacanal mesmo.
Greetings to my fans and followers with gratitude for all your support and loyalty across the years.
This is an unreleased song we recorded a while back that you might find interesting.
Stay safe, stay observant and may God be with you.
Bob Dylanhttps://t.co/uJnE4X64Bb— bobdylan.com (@bobdylan) March 27, 2020
“Saudações a meus fãs e seguidores, agradeço a todo o apoio e lealdade em todos estes anos. Esta é uma canção que gravamos há algum tempo e não foi lançada, acho que devem achá-la interessante.
Mantenham-se seguros, mantenham-se alertas e que Deus esteja com vocês.”
Sem poder fazer o que mais gosta – shows – devido à epidemia do coronavírus e pressentindo a nuvem pesada que a praga vem formando no horizonte, Bob Dylan lançou sua canção mais extensa (dezesseis minutos e cinquenta e seis segundos) neste fim de semana, canção que imediatamente coloca-se no panteão de suas músicas mais importantes. Aos 78 anos, ele apresenta “Murder Most Foul”, um épico em que narra o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy como epicentro do século passado, quando o país em que nasceu começou a ruir. Citando inúmeras canções e artistas pelo nome, ele recria o assassinato de JFK e suas consequências imediatas ao mesmo tempo em que enumera referências e citações, indo de Woodstock ao free jazz, dos Beatles a Robert Johnson, de Nat King Cole aos Beach Boys, costurando títulos de canções e sobrenomes numa rapsódia tensa e apocalíptica, mas ao mesmo tempo reverente e respeitosa, como uma missa de sétimo dia para o século passado.
Sorte nossa de viver no mesmo tempo que um autor deste porte.
Em mais uma iniciativa para manter as pessoas em casa, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, de Aquarius e Bacurau, disponibilizou online seu primeiro filme, que realizou quando ainda era crítico de cinema. Crítico – Um Filme Sobre Ver e Fazer Filmes, de 2008, fala sobre a dinâmica entre a realização e a crítica cinematográfica, principal atividade de Kleber até então. Ele explica como o filme aconteceu na descrição do vídeo:
“Durante 9 anos, eu gravei entrevistas com cineastas e críticos em festivais e salas de cinema. Usei uma pequena câmera Mini-DV de 1 CCD. Na época, eu era crítico e vi a oportunidade de registrar pessoas que admirava dos dois lados. Emilie Lesclaux foi quem me mostrou que esse material acumulado em caixas era de interesse, foi a própria cinefilia de Emilie que me levou finalmente a esse filme. Acho que com o passar dos anos, Crítico poderá agregar um valor maior, sempre. Me agrada bastante que, bom ou ruim, esse filme é um documento em mutação. Revi a sequência de abertura e já é perfeitamente antiga em apenas 12 anos!”













