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mangalarga

O casal Julia Debasse e Rian Batista resolveu assumir a dupla musical que já vinham incubando desde que morava no Rio de Janeiro. Mas a mudança para Fortaleza, em 2016, acabou acelerando este processo e o baixista do grupo Cidadão Instigado finalmente lança seu primeiro trabalho autoral depois de ano tocando com alguns dos principais nomes da atual música brasileira. Assumindo o nome de Mangalarga (“A Julia ama cavalos e me chama assim”, ri Rian), os dois lançam o primeiro single, “A Merda Que Você Fez”, em primeira mão no Trabalho Sujo e contam, numa troca de emails, a história deste processo criativo.

“O grupo nasceu no Rio de Janeiro, mas só atingiu sua configuração atual aqui em Fortaleza”, começa a recapitular Júlia. “Eu e Rian começamos a compor de forma bem descompromissada em 2011 ou 12, pouco depois de nos casarmos. Nós juntamos essas canções novas com composições mais antigas e começamos a brincar de arranjá-las no computador, usando sintetizadores do Garage Band.” Morando no Rio, Rian fez alguns trabalhos para a Globo, enquanto seguia com o Cidadão Instigado e depois de anos tocando com a banda do trio Instituto, liderada pelo maestro Ganjaman. “Vi nascer artistas que estão hoje aí com carreiras consolidas: Céu, Criolo, Karina Buhr, Emicida, Tulipa Ruiz, Vanessa da Mata”, além de passar treze anos tocando com Otto e do Mockers. Júlia, por sua vez, já havia dividido um disco com outro Cidadão Instigado, o guitarrista Regis Damasceno, em seu projeto indie folk Mr. Spaceman, Work For Idle Hands To Do, mas trabalha em artes visuais.

“Foi só quando nos mudamos para Fortaleza, em 2016, finalmente admitimos que precisávamos de ajuda para transformar aquelas ideias embrionárias em algo mais concreto”, continua a vocalista. “Falamos com o Daniel Groove que super comprou a bronca e juntamos a banda que ja vinha acompanhado o Daniel em algumas produções e da qual o Rian fazia parte: o compositor e guitarrista Bruno Rafael na guitarra, Beto Gibbs na bateria/SP-10, Rian no baixo. A ideia é que a banda tenha dois vocalistas mesmo, então tem músicas que eu canto, enquanto em outras o Rian canta. Eu também toco guitarra e violão.”

“Em Fortaleza reencontrei o Daniel Groove, que me chamou para coproduzir alguns artistas da nova cena cearense, como Ilya e Nayra Costa”, segue Rian. “A Julia é compositora desde adolescente, fez algumas gravações muito nova, tocou no Rio, mas nunca chegou a lançar nada, mas jamais deixou de compor. Tanto que nós usamos músicas dela que ela fez antes mesmo de me conhecer.”

“A Merda Que Você Fez”, mesmo sendo uma das músicas mais antigas da dupla, foi escolhida por conversar com a época que estamos vivendo. “É uma canção que funciona em dois níveis, como canção de amor e como canção de protesto, ou pelo menos essa era a intenção da compositora”, ri Júlia. “Eu acho que também mostra bem ao que viemos no sentido de que é uma canção inegavelmente pop, dançante, mas que tem algumas esquisitices, algumas quinas, arestas – seja na letra, seja nas guitarras do Catatau.”

Sem planos em relação a um álbum, eles planejam mais um single para daqui uns meses, uma canção romântica escrita por Rian, embora já tenham material para um disco. Sem poder fazer shows por conta da quarentena, vão se dedicar a divulgar o trabalho online. “Vamos fazer lives, que é o que se faz agora. Temos dois pequenos contratempos, um de quase 3 anos e outro de 9, mas vai dar certo. Eles são bonitinhos!”, brincam.

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Eis o segundo Bom Saber, programa semanal de entrevistas que estreei na semana passada, lá no meu canal do YouTube (não assina ainda? Assina lá!). E chamei minha querida comadre Roberta Martinelli para continuar o papo da primeira entrevista sobre as transformações que estão acontecendo em nossas vidas – e especificamente na cultura, mas não só – a partir deste caos que está nos atravessando em 2020. E além de falar das mudanças em sua rotina pessoal e profissional (com participação da minha sobrinha do coração Rosa), ela também fala de experiências que teve tanto em lives quanto em um curso via WhatsApp e uma peça que começa pelo telefone. Diga lá, Rô!

Não custa lembrar que quem colabora com o meu trabalho recebe a entrevista ainda no sábado (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com), mas toda terça, ele é aberto para todos.

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A entrevista que Felipe Neto deu ao Roda Viva nesta segunda-feira não é importante só pelas questões políticas que levantou. Esquece esse papo de “nova liderança política” ou que ele talvez seja de esquerda – ele mesmo se posiciona entre o Ciro e o Amoedo, o que o tira para longe de qualquer alinhamento ideológico vermelho. A entrevista foi importante do ponto de vista comportamental.

O Brasil é um país que finge que não fala palavrão e onde a imprensa não declara voto, o que torna a visão da realidade quase sempre turva, só para ficar em dois exemplos rasos. Com quase uma década de traquejo de vídeo, Felipe vestiu a carapuça de YouTuber bem sucedido para ser recebido pelo programa de entrevistas da TV Cultura e seu sucesso empresarial é crucial para trazê-lo para este debate – não apenas seu impacto cultural. E ele usou isso como seu cavalo de Tróia para levantar questões que, quando vemos sendo tratadas na mídia convencional, sempre vêm cheias de dedos ou são tratadas como nichos esquisitos.

Felipe Neto falou sobre chamar o fascismo e o golpe de 2016 por estes nomes, algo que fez vários jornalistas menosprezarem sua fala como se ele fosse apenas um adolescente – ele tem 32 anos. Ele também criticou o paywall destas mesmas empresas e falou sobre o problema da CNN Brasil com todas as letras. Contou como parou de comer carne, zombou da noção de meritocracia e atacou a intolerância, o machismo, a homofobia e o racismo.

Tudo parece óbvio e é exatamente este meu ponto – na imprensa comercial, não é. Tudo que o YouTuber falou é repetido por centenas de milhares de pessoas no Brasil rotineiramente, mas não encontra eco nos meios de comunicação. Ou quando aparece, são tratados de forma isoladas, como se fossem realidades separadas, não parte de uma mudança maior que já está em andamento. Fala-se muito – demais até – sobre a onda reacionária que invade o mundo, mas estas transformações personificadas em Felipe, e em vários outros influenciadores, digitais ou não, deste século, estão em andamento, mas não são reconhecidas pela mídia convencional.

TVs, rádios, jornais e revistas continuam tratando a internet como um mundo à parte, um parque de diversões virtual, uma vida paralela, quando é notório que foi ela quem elegeu o pulha que hoje ocupa o Planalto e vem desconstruindo completamente nosso dia-a-dia, para o bem e para o mal. Ao aparecer no programa como uma típica cria da internet – e mostrando que ele não é um esquisito, nem um nerd, nem um bitolado, Felipe Neto conseguiu furar a bolha da mídia tradicional para mostrar que a internet é maior do que este retrato frio e sem graça que a mesma retrata em suas páginas e programas, fingindo que nada mudou.

Mas tudo mudou.

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Os meninos do podcast Vamos Falar Sobre Música – Cleber Facchi, Isadora Almeida, Nik Silva e Helô Cleaver – me chamaram para participar do programa deles da semana passada, em que eles falam sobre a influência da década de 1980 no pop atual, a partir dos discos recentes da Dua Lipa e do Weeknd. O programa ficou ótimo, saca só:

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Conhecendo a natureza da sonoridade do trio norte-americano de funk dub psicodélico Khruangbin, era claro que seu próximo disco seguiria o clima tranquilo e despreocupado dos trabalhos recentes, mas a partir dos dois singles que anunciam o lançamento de seu terceiro álbum, Mordechai, que deve chegar para os fãs dia 26 de junho (e já está em pré-venda), o grupo mostra que consegue deixar as coisas ainda mais sussa. Além dos suingue sinuoso de sua formação, o grupo ainda flerta com sonoridades de todo o mundo – do oeste africano, do oriente médio, do leste asiático, das ilhas caribenhas – a partir de um tripé bem estabelecido: a guitarra clara e deliciosa de Mark Speer, o baixo encorpado e redondo de Laura Lee Ochoa e o peso funky e preciso da bateria de Donald Ray “DJ” Johnson Jr. As duas faixas que o grupo já mostrou do próximo disco (“Time (You and I)” e “So We Won’t Forget”), flagram o trio ainda mais tranquilo, contagiando qualquer ser vivo com seu groove doce e hipnótico.

Abaixo, a capa do novo disco e o nome das músicas do álbum.

mordecai

“First Class”
“Time (You and I)”
“Connaissais de Face”
“Father Bird, Mother Bird”
“If There Is No Question”
“Pelota”
“One to Remember”
“Dearest Alfred”
“So We Won’t Forget”
“Shida”

Há quarenta anos, uma banda new wave previu que o futuro da humanidade era a “de-evolução”, uma evolução às avessas que nos tornaria cada vez mais primitivos, nos comportando como manadas de bichos. Parte crucial da indumentária desse futuro antevisto pelo grupo Devo eram os domos de energia vermelhos, capacetes de plástico que reteriam a energia do indivíduo inspirado nas pirâmides astecas e no design Bauhaus e que funcionavam como forma de padronizar o grupo dos irmãos Mothersbaughs e Casales e, de quebra, a moda da humanidade do futuro.

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Mal sabiam que aquela peça inusitada que muitos se referem como vaso de plantas, teria uma utilidade inusitada ao funcionar como um perfeito acessório para um futuro improvável de uma pandemia global em que o contágio de uma doença poderia ser feito através da respiração. E assim o grupo lança sua versão 2020 para seus domos de energia, com uma viseira de plástico que tapa todo o rosto, fazendo vezes de óculos e máscara para enfrentar o coronavírus. Elas já podem ser encomendadas no site da banda.

tiaomacale-littlerichard

Estava conversando esses dias com o Gabriel Thomaz, dos Autoramas, sobre música e entre papos sobre o rock de Brasília, refrigerantes e Brazilian Boogie, falamos sobre a morte de Little Richard. E além de ele me dar a dica sobre o disco Wild And Frantic, de 1966, que o próprio Little Richard dizia que tinha Jimi Hendrix na guitarra, ele ainda comentou que havia postado no Facebook a homenagem que o o coadjuvante figuraça dos Trapalhões Tião Macalé fez em um dos quadros mais clássicos sobre a malandragem do Mussum, quando ele puxa “Jenny Jenny” do falecido arquiteto do rock depois do Mussa puxar “Lá No Morro”, do Fundo de Quintal.

Mais uma de 1

Luke-Jenner

“‘If There is a God’ é parte desta meditação sobre vida e morte, amor e ideias, sobre quem somos como pessas e seres”, o líder do Rapture, Luke Jenner, explica na descrição do clipe da segunda faixa que mostra de seu primeiro disco solo, batizado apenas de 1. “É um pouco Beach Boys e um pouco Krautrock e um tantinho banal. Quem diabos sabe o que vai acontecer depois nessa vida?” Como o primeiro single do disco, a melancólica “You Are Not Alone“, esta nova faixa aponta para um disco mais intimista e com ares nostálgicos.

1, que já está em pré-venda, será lançado no final de julho.

jamie-xx-avalanches

O que esperar de um encontro entre Jamie Xx e os Avalanches? Além do conhecimento enciclopédico da pista de dança, se acabar de dançar, claro. Foi o que aconteceu nessa sexta-feira, quando o produtor do grupo inglês Xx convidou a dupla australiana para seu episódio mensal na rádio NTS. Entre pérolas dos Kay-Gees, o hit disco de Carly Simon e bandas com nomes gigantescos, couberam até grooves brasileiros, como a clássica “Comanche”, de Jorge Ben, e a pérola “Lótus 72D”, de Zé Roberto. Aumenta o som!

Jeremy Cunningham – “Sleep”
Robert Ashely – “The Park”
Walter Hawkins & the Love Centre Choir – “Changed”
Moodyman – “Technologystomlemyvinyle”
Jorge Ben – “Comanche”
The Kay-gees – “Celestial Vibrations”
Hamilton Bohannon – “Me and the Gang”
Kay-gees – “Tango Hustle”
Dr. Charles Hayes & Cosmopolitan Church of Prayer Choir – “Jesus Can Work It out”
Theo Parrish – “Early Byrd (original Mix)”
Red Axes – “Arpman”
Manuel & the Music of the Mountains – “Delicado”
Unknown – “Bored to Tears (jamie’s Lockdown Edit)”
Nico Gomez and His Afro Percussion Inc – “Baila Chibiquiban”
Unknown – “White Label”
Zé Roberto – “Lotus 72 D (fast Version)”
Nomo – “Nova”
The Primitive Painter – “Levitation”
Takeo Onuki – “4am”
Tatsuro Yamashita – “Sparkle”
Carly Simon – “Tranquillo (melt My Heart)”
Klaus Wunderlich – “Let’s Do the Latin Hustle”
Betty Everett – “God Only Knows”
The Kay-gees Feat. Something Sweet – “Acknowledgement”

Neil-Young

Neil Young começa a mostrar um disco que teria sido lançado há 45 anos não fosse o fim de um casamento. Ao terminar seu relacionamento com a atriz Carrie Snodgress, na virada de 1974 para 1975, ele resolveu engavetar Homegrown, que traz a transição entre seu clássico Harvest e o belo Comes a Time. O disco, finalizado em 1975, contava com as participações de músicos como Levon Helm e Robbie Robertson, além da participação da cantora Emmylou Harris e uma faixa falada. Algumas de suas canções, como “Love Is A Rose”, “White Line”, “Little Wing”, “Star Of Bethlehem” e a a faixa-título, apareceram em discos posteriores, mas as outras sete, com a bucólica “Try”, que ele escolheu para mostrar o disco, são inéditas.

Neil desculpou-se por ter demorado tanto tempo para lançar este álbum, no blog que mantém em seu site:

“Peço desculpas. Este álbum Homegrown deveria estar com vocês alguns anos depois de Harvest. É o lado triste de um caso de amor. O estrago causado. A dor no coração. Eu simplesmente não conseguia ouvi-lo. Queria seguir em frente. Então o guardei para mim, escondido no cofre, na prateleira, no fundo da minha mente … Mas deveria tê-lo compartilhado. É realmente bonito. Foi por isso que eu o fiz em primeiro lugar. A vida dói às vezes, você sabe o que eu quero dizer.

Gravado analogicamente em 1974 e no início de 1975, o Homegrown foi mixado na época com as fitas master analógicas estéreo originais. Essas mixagens originais foram restauradas com amor e carinho por John Hanlon e masterizadas por Chris Bellman na Bernie Grundman Mastering, tornando o Homegrown um álbum completamente original.

Levon Helm está tocando bateria em algumas faixas, Karl T. Himmel em outras, Emmylou Harris canta em uma, Robbie Robertson toca em uma. Homegrown contém uma narração, várias músicas solo acústicas que nunca foram publicadas ou ouvidas até este lançamento e algumas ótimas músicas tocadas com uma banda de meus amigos, incluindo Ben Keith – tocando violão de aço e slide – Tim Drummond – baixo – e Stan Szelest – piano. De qualquer forma, está chegando em 2020, o primeiro lançamento de nosso arquivo nesta nova década. Venha conosco em 2020, pois trazemos a você o passado.”

O disco está programado para ser lançado no dia 19 de junho e já está em pré-venda. Eis sua capa e o nome das suas músicas.

Neil-Young-Homegrown

“Separate Ways”
“Try”
“Mexico”
“Love Is A Rose”
“Homegrown”
“Florida”
“Kansas”
“We Don’t Smoke It No More”
“White Line”
“Vacancy”
“Little Wing”
“Star of Bethlehem”