Gilberto Gil, o maior nome vivo da música brasileira, recebe as merecidas honras da família, de outros mestres e fãs em seu aniversário ao completar 78 anos. Chico Buarque puxa uma versão estelar de “Andar com Fé” que reúne aquele Brasil que faz falta nesses dias – tem Jorge Ben e Zeca Pagodinho, Caetano Veloso e Emicida, Fernanda Montenegro e Alcione, Daniela Mercury e Stevie Wonder, Teresa Cristina e Djavan, Milton Nascimento e Margareth Menezes, entre muitos outros.
E, de quebra, Gilberto Gil ainda transmite um show por seu canal no YouTube nesta sexta, às 20h.
Fiz um vídeo antecipando a terceira temporada da série alemã Dark e explicando porque a considero uma das melhores séries que já vi. Dark encerra sua saga no tempo neste sábado com o lançamento da última leva de episódios – e daqui uma semana volto para comentar o que achei do final.
“Tenho feito bastante música, revisitando gravações de celular, e vez ou outra encontro uns rascunhos interessantes”, me explica, por email, o guitarrista e principal compositor do grupo sergipano The Baggios, Júlio Andrade, quando pergunto se a faixa “Quareterna Serigy”, que o trio lança em primeira mão no Trabalho Sujo, já é um rumo para o sucessor de Vulcão, que o grupo lançou há dois anos. “Às vezes rolam alguns insights sobre temas mas ainda acho que é cedo pra dizer que temos um álbum desenhado, mas ‘Quareterna’ é um bom começo para uma nova jornada. Eu gosto mesmo quando fazemos um som que não remete fortemente algo que já lançamos e nesses experimentos que tenho feito aqui e compartilhado com os meninos têm me instigado justamente por isso.”
A faixa, psicodélica e esperançosa, mesmo que tensa, foi obviamente inspirada pela quarentena que estamos atravessando e começou a ser feita na casa de Júlio. “Nesses quatro meses de isolamento me dediquei muito a gravações caseiras. Como eu sonho em aprender tocar teclas pra valer, comecei me arriscando em fazer arranjos de cordas com os timbres estranhos do Mellotron para algumas demos que tenho produzido. Muitas vezes eu gero uma batida e começo a improvisar em cima do loop, e isso arranca de mim frases, riffs e melodias que se tornam canções embrionárias.”
“A letra sempre vem depois e as primeiras palavras que vieram com o desenho da melodia foram ‘sinto falta’, o que levou a falar sobre meus desejos nesses mais de 120 dias trancado em casa, pensando o quanto essa experiência vai nos transformar, o quanto vamos precisar um dos outros mais do que nunca”, continua o guitarrista. “Falei de alguns delírios e não poderia deixar de citar a desejada queda do pior presidente que já pude alcançar, afinal sonhar é de graça e esse cara é um pesadelo que vai passar, mas será lembrado nos capítulos mais sombrios da nossa história. Passei algumas semanas com ela sem saber como poderia usá-la, porque ela estava um pouco distante do som da Baggios, mas no fim conclui que como buscamos mudar de pele a cada trabalho e essa música poderia ser um bom começo pra enxergar um novo norte.”
Ele conta que a gravação o surpreendeu o grupo por ter sido feita com apenas dois microfones. “Gravei violões, mellotron, vocais e baixo em casa, enviei a guia para Gabriel gravar a bateria em sua casa com dois mics e um gravador portátil e depois Rafael recebeu tudo isso pré-mixado e incluiu órgãos e piano. Na sequência convidamos uma turma que pra mim faz parte de uma cena interessantíssima de Aracaju – Sandyalê, Luno Torres, Alex Sant’anna, Arthur Matos e Diane Veloso – e eles gravaram com que tinham a seu alcance em termos de equipamento e no final Leo Airplane que nos acompanha desde 2006 mixou e masterizou a música.”
Pergunto o que mais ele tem feito nesses dias de enclausuramento. “Tenho, além de ter tocado, gravado e editado vídeos, desenhado muito mais e tenho lido mais que os outros anos também. O desenho tem me salvado bastante das ansiedades e tenho me encantado com as novas formas de criação que ele me possibilita. Vim trazendo na manha a prática como parte da minha rotina e de repente me vejo com uma pasta recheada de desenhos de nanquim em folhas A3 e A4 e agora tô aprendendo a pintar com tinta acrílica, que é uma outra viagem! Estou realmente adorando isso, cara, tem alimentado a alma. Inclusive a capa do single é um desenho simples que fiz, tempos atrás. Falo quase diariamente com Gabriel, ele tem dado aula de bateria pela internet, jogando muito videogame e feito uns sons também. Rafa vive tocando bastante pelo que ele tem nos compartilhado. Quando soltarem esses bichos das jaulas, vão sair sedentos pra tocar em tudo que é lugar!”
Além disso, Julio prepara um outro disco, seu primeiro disco solo: “No meio disso tudo eu tô finalizando um disco que levará meu nome e onde busco usar mais arranjos de voz, violões, mas só que explorando o universo soul e funk brazuca, além do samba rock, uma onda Tim Maia, Jorge Ben, Funkadelic, só que deixando a guitarra menos feroz na composição, o que foi um desafio pra mim”, ele ri. “Por outro lado, tenho feito coisas mais nervosas para os Baggios e não consigo ficar muito tempo sem compor riffs. Tenho agradecido ao universo pelas inspirações e ânimo de me manter trabalhando em tempos tão pesados.”
O encontro entre dois gigantes da cultura brasileira, Mano Brown e Drauzio Varella, que aconteceu nesta quarta-feira no canal do YouTube do doutor, anunciado com a hashtag #ManoDraw, foi mais uma aula sobre o racismo no Brasil e merece ser assistida na íntegra. “Acho que Brasil é corrupto para não abraçar ideologia de ninguém”, mandou Mano Brown, na lata, “Nem de extrema direita, extrema esquerda, nazista. Vai ser sempre um grupo pequeno que tem que ser combatido. Mas nunca vai pegar. Brasileiro, pelo que entendo, é misturado mesmo.” E seguiu: “A mentalidade racista está na cabeça de todos. Cada um no seu lugar de fala. Toda conjuntura é desfavorável. Todos pagam um preço. A leitura de um branco no meio de dois negões é de que ele é a vítima. Que temos que proteger o branco. O Brasil é isso aí.”
A cantora e compositora paulistana Stela Campos aproveitou a quarentena para registrar “Hunter in Love”, parceria que tinha composto com Érico Theobaldo nos tempos em que trabalhou com o produtor, à época em que lançou seu disco de remixes Dumbo Reloaded. A faixa é um convite irresistível à dança e ainda conta com a participação de Pedro Angeli.
Quando fiz a entrevista da semana passada do meu programa Bom Saber, com o escritor carioca João Paulo Cuenca, ele havia acabado de trancar sua conta no Twitter após ter publicado uma frase polêmica que lhe transformou em alvo das hordas digitais bolsonaristas. Mas o que poderia ser só mais um contratempo infeliz nessa época bizarra que vivemos, acabou por custar-lhe a coluna que mantinha no site brasileiro do canal alemão Deustche Welle. Considerei a possibilidade de retornar o papo para que ele pudesse dar sua versão da história e dar espaço para que ele falasse sobre o ocorrido e é por isso que este Bom Saber tem duas partes: na primeira ele apenas menciona o acontecimento no início e depois falamos sobre o processo de feitura de seu próximo livro, que conta com um diário multimídia de quarentena que vem sendo publicado na revista Quatro Cinco Um e sobre como o momento que atravessamos hoje mexe na criação artística.
O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com), como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo. Além de JP, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Ian Black, Negro Leo, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube, assina lá.
Uma das melhores séries de todos os tempos, Sopranos teve um final abrupto e inusitado em 2007 que até hoje pode ser considerado um dos mais ousados da história da TV. Se você não assistiu à série, volte para fazer seu dever de casa ou só continue a leitura sabendo que após a foto do protagonista Tony, há a possibilidade de estragar a surpresa do final.
Se você continuou lendo, agora é por sua conta e risco: em uma entrevista feita com o autor David Chase para o livro The Soprano Sessions, lançado no ano passado, o criador da série sem querer entregou o que todo mundo supunha – que a última cena marca a morte de Tony Soprano. A entrevista não foi parar no livro, mas vazou recentemente, segundo o jornal inglês Independent. Eis o trecho, conduzido pelos autores do livro Alan Sepinwall e Matt Zoller Seitz:
Sepinwall: Quando você disse que não havia um final, você não se referia ao Tony no Holsten’s (lanchonete onde se passa a cena final do seriado), você estava dizendo que talvez não tivesse material que valesse mais dois anos de histórias.
Chase: É, acho que pensei na cena da morte dois anos antes do final… Tony seria chamado para encontrar-se com Johnny Sack em Manhattan e ele pegava o túnel Lincoln para este encontro e a tela ficaria preta e você nunca mais o veria voltando, criando a teoria que algo ruim aconteceu no final do encontro. Mas não fizemos assim.
Seitz: Você percebeu, claro, que você acabou de se referir à cena como a cena da morte.(Uma longa pausa em silêncio)
Chase: Ah, vão se fuder.
A bem da verdade., no próprio livro, os autores colocaram outra declaração de Chase sobre o acontecimento: “Ele poderia ter sido assassinado na lanchonete. Todos nós podemos ser assassinados em uma lanchonete. Este era o ponto daquela cena”. O fato é que a cena foi analisada à exaustão (eu mesmo falei dela há um tempão) e a morte de Tony é considerada o ponto final da série, mesmo que Chase nunca desse certeza disso. Até agora.
Eis a íntegra do papo que tive na semana passada com a Roberta Martinelli, o Guilherme Werneck, o Thales de Menezes e o Luís Fernandes dentro da programação do festival Mate – Música Arte Tecnologia Educação sobre o que está acontecendo com o jornalismo que cobre cultura durante a quarentena.
Björk deu um passo significativo para consolidar a plataforma independente Bandcamp como uma das principais do cenário musical hoje ao colocar todo seu catálogo em seus domínios. Abraçada por grande parte do cenário independente, principalmente o norte-americano, a entrada da cantora islandesa no serviço sinaliza aos artistas que estão em outras esferas comerciais a viabilidade da plataforma, que repassa bem mais dinheiro para os artistas do que as mais comerciais. A cantora aproveitou para colocar todos seus discos em versões de vinil, CD e K7 à venda através do Bandcamp. E olha essas fitas…
O eterno Sonic Youth Thurston Moore segue à toda durante a quarentena e depois de lançar vários singles esporádicos, anuncia o disco By the Fire, puxado pelo clipe do primeiro single. “Hashish” segue a tônica de suas composições neste século, com foco na melodia mas sem perder o noise que o caracteriza, criando um groove hipnotizante a partir de um riff em câmera lenta. O disco teve as participações do guitarrista inglês James Sedwards, da baixista do My Bloody Valentine Deb Googe, do velho compadre de Sonic Youth Steve Shelley na bateria e do produtor Leidecker, do grupo Negativeland.
By the Fire será lançado no dia 25 de setembro pelo selo do próprio Thurston, Daydream Library Series, e estes são os nomes das músicas.
01. Hashish
02. Cantaloupe
03. Breath
04. Siren
05. Calligraphy
06. Locomotives
07. Dreamers Work
08. They Believe in Love (When They Look at You)
09. Venus












