A volta de Kim Gordon

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Nossa musa Kim Gordon finalmente está solo – e o single “Murdered Out” faz jus à espera. Depois de lançar seu livro de memórias (que traduzi ano passado com a minha esposa Mariana) e o disco experimental Body/Head (ao lado do músico Bill Nace) no ano passado, a nova faixa é a primeira vez que a ex-baixista do Sonic Youth assina uma faixa com seu próprio nome, uma pedrada punk noise produzida por Justin Raisen (que já trabalhou com as Sky Ferreira, Charli XCX, Santigold, Angel Olsen e Ariel Pink, entre outros), com Stella Mozgawa, do Warpaint, na bateria. Ela explica, na apresentação do single, de onde veio a inspiração para uma música sobre carros pintados todos de preto.

Tinta preta fosca.

Quando voltei a morar em Los Angeles, percebi cada vez mais carros pintados com tinta preta fosca, vidros filmados, logos escurecidos e rodas pintadas. Isso era algo que eu havia visto algumas vezes no passado, como parte da cultura de carros low-rider. Uma reivindicação de um símbolo empresarial do sucesso norte-americano, O Carro, do ponto de vista de um forasteiro. Uma declaração de rejeição do visual novo e reluzente, da ideia de um novo começo, da promessa de poder e da liberdade da estrada aberta. Como uma opção em uma cédula de votação que dizia “nenhuma das opções”.

“Mudered Out” (assassinado, em português), como vejo, está crescendo na cultura comercial como uma tendência de design. Uma marca de café. Uma linha de roupas. Uma cor de esmalte de unhas.

Preto pintado sobre preto fosco é a expressão definitiva para um desterro, um livramento, uma purificação da alma. Como um buraco negro, o olhar interno supremo, uma cultura que desmorona sobre si mesma, o forasteiro como um participante relutante do visual da moda.

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