
Não é só (bom) marketing: “What Was That”, a nova música que Lorde adiantou para esta quinta-feira, não apenas retoma musicalmente as angústias de seus dois primeiros discos (deixando Solar Power, de 2021, isolado como um delírio pós-pandêmico), como cria um clima de catarse próprio para um renascimento – e que se o clipe, aparentemente filmado todo nesta quarta-feira, não deixa isso subtendido, ela faz questão de reforçar em um áudio que divulgou ainda na quarta. Um senhor recomeço, com Lorde voltando à boa forma. Assista abaixo: Continue

E cês viram que as três temporadas de Twin Peaks vão estrear dia 13 de junho no Mubi? ❤️ Junte ao Os Últimos Dias de Laura Palmer (que já está no catálogo deles) e tudo fica quase completo.
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“MU.ITA TAKES OVER NYC!” – assim o Museu Itamar Assumpção anunciou sua participação no festival Summer for the City, organizado pelo Lincoln Center em Nova York, que começa no mês de junho e terá uma semana em julho dedicada ao Brasil. E mesmo com shows de Lenine, Liniker, Tulipa Ruiz, Rashid, Melly, Mutantes e do DJ Daniel Costta, o centro cultural nova-iorquino anunciou a presença itinerante dedicada ao mestre da vanguarda paulistana como principal atração da semana, com uma exposição gratuita na Library for the Performing Arts entre os dias 16 e 30 de julho e uma videoinstalação no átrio David Rubenstein entre os dias 16 e 20 do mesmo mês. Quem sabe assim os gringos podem começar a descobrir uma outra música popular brasileira…

E aparentemente foi nessa terça-feira. Ela marcou em cima da hora por stories um encontro com os fãs no Washington Square Park, em Nova York, no final da tarde, evento que quase foi interrompido pela polícia e pela administração do parque, pois a neozelandesa atraiu uma multidão considerável. Mas quem esperou pode primeiro receber o compadre de Lorde, o produtor Dev “Blood Orange” Hynes, que apareceu no local ao cair da noite tocando a música que ela vai lançar nessa sexta-feira, “What Was That”, para em seguida receber a própria Lorde, que apresentou a íntegra da música pela primeira vez em público. O hype está aceso, vamos ver se ela vai segurar!
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Mais uma vez Paulo Beto ergueu um altar a uma de suas predileções musicais como nas outras noites de sua temporada no Centro da Terra, mas desta vez o ar sacro era palpável – não apenas pela postura dos músicos no palco (todos sérios, de preto, encarando seus instrumentos e vendo como soavam junto aos outros), mas pela natureza sonora da noite, quando o mineiro proporcionou uma ode ao seu instrumento-base, o sintetizador. Ao lado de Tatiana Meyer e Dino Vicente, PB subiu ao palco com um arsenal de synths de todas as épocas – inclusive um gigantesco construído pelo luthier eletrônico Arthur Joly, que deveria comparecer àquela noite, mas não pode participar, mandando seu instrumento exagerado como testemunha. A missa modular proposta por essa Church of Synth começou com um solo de Paulo Beto, seguido de três atos – com propostas bem distintas – com o trio PB, Tatiana e Dino e chegou ao fim apenas com o dono da noite e sua companheira no palco, ambos fazendo homenagem a um recorte específico do instrumento, a dance music dos anos 90, encarnada no ídolo dos dois Mark Bell, do grupo inglês LFO, que o senhor Anvil FX confessou ser a maior perda que já sentiu na história da música (quando este nos deixou em 2014). Mais uma noite espontânea proporcionada pelo mestre.
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Tava devendo, mas tá aí.
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O argentino Jorge Mario Bergoglio despediu-se deste plano nesta segunda-feira e sua biografia se mistura com o momento em que a igreja católica parece ter perdido a importância política que já a tornou uma das principais forças do mundo. Mas em vez de apertar o cinto e radicalizar para um lado mais conservador da religião, o autodenominado Papa Francisco preferiu recuperar valores cristãos tão pouco em voga neste novo século e sempre estendeu a mão para os necessitados e os mais fracos, reforçando que a missão de Jesus Cristo era mais humanitária que evangelizadora. Resta saber se seu sucessor vai entender esse legado ou se vai preferir se associar à onda fascista que insiste em impor-se à força (como a própria igreja fez por muitos séculos), mas o fato é que ele já não é um personagem tão importante quanto seus antecessores…

Segunda-feira é aniversário dele, mas, como já havia sido especulado, foi Robert Smith quem deu um presente para os fãs do Cure ao anunciar neste dia 21 de abril Mixes of a Lost World, disco triplo com remixes feitos por dezenas de produtores diferentes para as músicas do álbum mais recente da banda, a parede de melancolia Songs of a Lost World, lançado no ano passado. O novo capítulo do disco de 2024 (já em pré-venda) será lançado em formatos duplo e triplo no dia 13 de junho e a banda já mostrou dois remixes pesados feitos por gigantes da eletrônica de épocas diferentes, os produtores Paul Oakenfold (que retrabalha “I Can Never Say Goodbye”) e Four Tet (que vai na veia da primeira faixa do disco, “Alone”). Além destes também estarão presentes nomes como Chino Moreno (dos Deftones), Mura Masa, Mogwai, Twilight Sad, Orbital, Daniel Avery, 65daysofstatic e Trentemøller, entre vários outros nomes menos conhecidos. Smith comentou que começou a receber remixes não-solicitados de diferentes produtores logo após o natal e percebeu que poderia fazer alguma coisa com os remixes que vinha recebendo. Não custa lembrar que ele já vinha falando sobre um segundo disco (e talvez um terceiro!) saindo do processo de Songs of a Lost World ANTES do natal, então pode ser que esse disco de remixes seja apenas um aquecimento para o(s) próximo(s) discos do Cure.
Ouça os primeiros singles e veja a relação de todos os remixes abaixo: Continue

A sina dos Buarque de Hollanda, desde o patriarca Sérgio, autor do clássico da sociologia brasileira Raízes do Brasil, talvez seja viver à sombra do sobrenome, algo que foi desviado pela primogênita Heloísa Maria Buarque ao adotar o apelido artístico e Miúcha, encurtado pela irmã Ana que preferiu apenas o último sobrenome da família e superado pelo único filho homem, Chico, que transformou-se no novo dono do nome familiar para si. Já a caçula Cristina Buarque, que morreu neste domingo vítima de um câncer, ignorava a fama e preferia fazer música, vivendo à parte do mundo das colunas sociais frequentadas pelos irmãos e preferindo cuidar de suas rodas de samba, sua grande paixão. Sambista de corpo e alma – e “avessa aos holofotes”, como escreveu o filho Zeca Ferreira, ao anunciar a morte da mãe em sua conta no Instagram -, era também uma grande teórica do gênero musical pátrio, pinçando pérolas do repertório brasileiro por toda sua discografia.

Sempre que Negro Leo se propõe a levar um disco para o palco, seu desafio não é simplesmente soar parecido ou reproduzir os fonogramas com a força da música tocada ao vivo, mas transformar uma obra sonora em um espetáculo vivo em que a participação do público possa ser menos que passiva e a interação entre audiência e artista capture a essência conceitual da peça musical registrada em disco. E assim foi feito quando levou o ótimo Rela – seu primeiro disco pós-pandêmico – para o palco do Sesc Pompeia neste sábado. Disco eletrônico composto sobre bases rítmicas do boi maranhense (de sua terra-natal – apesar de carioquíssimo, Leo nasceu na pequena Pindaré-Mirim, no estado mais nortista do nordeste brasileiro), Rela trata das novas formas de lidar com o amor e o sexo a partir da interação humana feita pelas plataformas digitais. Se apenas transposto para o palco, essa faixa sonora bebe tanto no trap, no R&B e na música eletrônica experimental, mas não limita-se ao som, indo desde o figurino do artista (blazer de lantejoulas sobre o torso nu) às paisagens geradas por inteligência artificial nos telões. E por mais que a presença dos produtores musicais Vasconcelos Sentimento, Eduardo Manso, Lcuas Pires e do diretor do show e técnico de som da noite Renato Godoy tenham sido cruciais para mexer com o público, a chave da noite era o próprio corpo de Leo, entregue a uma performance em escala gigantesca. Logo na segunda música, ele já havia se jogado na plateia e aberto uma roda no meio do povo para puxar pessoas aleatórias (ou não) para dançar a dois no meio do público, trouxe sua companheira Ava Rocha para dominá-lo e chicoteá-lo no palco, puxou primeiro uma coreografia no fundo do palco (convidando todos para “o maior flash mob que o Sesc Pompeia já viu”), depois um trenzinho que fez todos circularem pela comemoria para terminar rastejando pelo chão até o backstage. Uma aparição intensa e um espetáculo pós-moderno que não bastasse transpor a sensação de bailão do disco de uma forma extrassonora, ainda terminou trazendo Twin Peaks para o norte do Brasil, transformando o tema da série de David Lynch em um pagodão eletrônico e colocando a própria Laura Palmer (mais uma vez uma criação de inteligência artificial) dançando como se fosse uma bailarina de música pop nordestina, num remix inacreditável para a mais inesquecível melodia de Angelo Badalamenti rebatizada como “Davi do Lins”. Um devaneio físico coletivo memorável.
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