Conversei com o cantor e compositor pernambucano China que está lançando disco novo, Manual de Sobrevivência Para Dias Mortos, o primeiro que ele grava no Recife, na edição desta semana da minha coluna Tudo Tanto lá no site Reverb – confere lá.
Três jovens veteranas do rock independente brasileiro criaram uma banda para fazer uma viagem de van para a Argentina – esta é a gênese do Florcadáver, que une as forças de Amanda Buttler (do Sky Down), Theodora Charbel (Sixkicks, Papisa) e Célia Regina (do Miêta) num mesmo projeto que lança seu projeto de crowdfunding para pagar esta viagem em primeira mão no Trabalho Sujo, com o vídeo de sua primeira faixa, “Baleia”.
O centro do encontro foi o acampamento Girls Rock Camp, que ajuda meninas a se tornarem roqueiras, que já havia sido frequentado pelas três, como monitoras. “Conheci as meninas no voluntariado do Girls Rock Camp, a Célia, guitarrista do Miêta, quando participei pela primeira vez do Camp no ano passado e a Theodora, que eu já sacava de longe no SixKicks, neste ano”, lembra Buttler. “Lá pro fim do último Camp a Célia tava conversando com a Marcela Matos, fotógrafa e veterana do Camp desde o início, e falando sobre a vontade dela de ser voluntária no Chicas Amplificadas, a versão argentina do acampamento, que acontece no mês de julho, e ela jogou essa ideia de viajar pra lá a bordo da minivan que ela, Marcela, tem pra exatamente esse tipo de rolê.”
“Nessa a Célia mandou um papo de querer montar uma banda pra ir tocando de São Paulo até lá, transformando o trajeto rumo ao camp numa turnê”, continua a baixista. “E convidou eu e a Theo, perguntou se estávamos afim de voluntariar no Chicas e de montar essa banda com ela. Voltamos pra casa, Célia em Belo Horizonte e Theo e eu em São Paulo – ela é de Cuiabá mas mora aqui agora -, e começamos a planejar à distância o que poderíamos fazer pra concretizar essa idéia. Decidimos montar um projeto de financiamento coletivo no Catarse pra viabilizar essa viagem. Aos poucos se juntou ao rolê a Thamú Silva, também voluntária do Camp, que somou pra fazer a produção da tour. A Kaline Toledo entrou pra cuidar do registro em foto e vídeo da viagem toda. Foi assim que montamos o grupo de seis mulheres que vai fazer essa viagem.” Kaline também fez o lyric vídeo acima.
“Desde que comecei a trocar idéia com a Célia e com a Buttler lá no Camp percebi uma conexão de idéias, estilos musicais e processos criativos”, continua a baterista Theodora. “A Buttler me chamou pra casa dela, onde tem o estúdio do Berna (Bernardo Pacheco, produtor, chegando lá já me senti a vontade com a bagunça ao redor dos instrumentos. Sentei na bateria, ligamos os microfones com bastante reverb e delay anos 80, a Buttler começou a tocar umas notas soltas no baixo e eu fui acompanhando, quando percebemos tínhamos criado três músicas numa tarde! A melodia da ‘Baleia’ veio de primeira quando comecei a cantar improvisando enquanto tocava, depois fomos tomar um ar e percebemos o quanto ela era chiclete e tinha potencial de single. Trabalhamos nela mais uns dois ensaios e mandamos pra Célia lá em BH brisar nas guitarras, que ficaram derretidas do jeitinho que a gente gosta.”
“A Célia veio pra São Paulo em abril, ensaiamos juntas pela primeira vez por alguns dias”, lembra Amanda. “Nessa altura a Theodora chegou com a letra pronta pras melodias que tinha improvisado lá no começo. Daí o Berna gravou, mixou e masterizou a música. Nesse som todas cantam. Alias, acho que esse é o grande lance: todas cantam. Tem música que eu canto, outra que é a Célia. Enfim, todas ali. O lyric vídeo da faixa foi a Kaline que fez. O single de estreia é bem viajandão, né? Acho que combina ouvir essa música num dia ensolorado na estrada. Mas o restante das músicas é bem diferente, tem uma vibe mais tensa talvez, outras mais dançantes e piradas nas guitarras.”
O link pra ajudar no crowdfunding delas é esse.
Bati um papo com Gaspar o vocalista do grupo Z’África Brasil, que está voltando ao seu clássico álbum Antigamente Quilombos, Hoje Periferia, de 2002, que será lançado em vinil com show neste sábado, no Sesc Pompeia (mais informações aqui). O disco já estará à venda hoje.
Faz tempo que o Pin Ups é um clássico do indie brasileiro, mas as condições que o grupo paulistano se tornou clássico não ajudaram no registro da sonoridade que os colocou neste Olimpo: os shows e a atitude faça-você-mesmo acabaram por tornar o grupo em maior evidência do que seus registros oficiais. Até que, ao decidir pendurar as botas, num último anunciado show em 2015, no Sesc Pompeia, o grupo pode tocar seus clássicos nas melhores condições possíveis, fazendo-o renascer exatamente na hora em que decidiram oficializar o fim.
“É engraçado pensar que há quatro anos havíamos decidido encerrar as atividades”, me explica Zé Antonio, guitarrista e único integrante original desde a fundação do grupo. “O que seria nosso show de despedida foi um turning point para todos nós. Ver a plateia cheia, com muita gente jovem foi o maior estímulo que tivemos pra voltar. Receber aquele carinho foi emocionante”, lembra, ao anunciar que o próximo disco da banda, Long Time No See, será lançado neste mesmo palco, dia 15 de junho. O disco começa a ser mostrado nesta sexta, quando eles lançam o clipe de “Spinning” em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Gravar um disco estava em nossos planos há muito tempo, mas os custos nos impediam”, Zé continua a história. “Há cerca de dois anos o diretor do documentário Guitar Days pediu que gravássemos uma música inédita para entrar em um CD a ser lançado pelo selo Midsummer Madness. Graças aos esforços do produtor, Magoo Felix, rolou uma ótima parceria com o estúdio Aurora, e durante as gravações dessa faixa eu comentei sobre nosso desejo de fazer um disco novo. Pouco tempo depois, os donos do Aurora, Carlos e Aécio, ofereceram o estúdio para a banda gravar. E aí, pela primeira vez na história do Pin Ups, pudemos fazer as coisas do jeito que a gente quis e no tempo que era necessário, pensando um pouco mais nos arranjos e amadurecendo as idéias.”
Long Time No See consagra a formação daquele último show no Sesc Pompeia: Alê Briganti nos vocais e baixo, Zé em uma guitarra, Adriano Cintra na outra e Flávio Cavichioli na bateria – e o grupo convidou amigos e parceiros para o estúdio, como a dupla Antiprisma, a baixista Amanda Buttler (do Sky Down), o tecladista Pedro Pelotas, a ex-Pin Ups Eliane Testone, o baixista do Superchunk Jim Wilbur. Zé explica que não tiveram uma preocupação de não soar retrô. “Foi uma coisa espontânea. Se a gente gravasse um disco soando do mesmo jeito que há 20 anos seria um sinal de que alguma coisa estaria errada, É claro que o nosso DNA continua lá, mas depois de tanto tempo o nosso jeito de tocar mudou naturalmente, a nossa relação com o estúdio também. As guitarras barulhentas estão lá, as melodias dos vocais da Alê também, mas nos permitimos experimentar um pouco mais, gravar o disco de uma maneira que fizesse sentido artisticamante. Esse álbum é o mais sincero e verdadeiro que fizemos até hoje. A música esteve acima de qualquer outra preocupação e isso nos permitiu pensar de maneira mais aberta, foi uma experiência bem boa.”
Além do lançamento do disco em junho, Zé também espera que o disco avisa que o disco se materializará em vinil no segundo semestre e que deverá ter dois clipes, um de animação feito pelo mesmo Laurindo Feliciano que fez a capa do novo disco.
Imensa satisfação receber a querida Lulina com seu espetáculo em construção Onde é Onde? nesta terça-feira, 21 de maio de 2019, no Centro da Terra. A cantora e compositora pernambucana está prestes a lançar seu próximo álbum, o primeiro desde Pantim, de 2013, e chama parte dos músicos que a acompanharam neste processo – o tecladista Dudu Tsuda, o baterista Thomas Harres, o guitarrista Maurício Tagliari, o percussionista Igor Caracas e o baixista Bubu – para maturarem este novo repertório no pequeno palco do Sumaré. Conversei com ela sobre este espetáculo feito sob medida para o Centro da Terra, quando mostra suas novas canções que estarão em um seu próximo disco (mais informações aqui).
Às vésperas do lançamento de seu primeiro disco, Grandeza, o cantor e compositor paulistano Sessa, que já foi dos Garotas Suecas e acompanhou o guitarrista israelense Yonatan Gat, apresenta o segundo single deste lançamento em primeira mão no Trabalho Sujo. “Dez Total (Filhos de Gandhy)” foi inspirada no bloco afrobaiano e funciona como um cartão de visitas para a formação que ele escolheu para representá-lo musicalmente no disco. “O som dessa música resume o coração puro do disco, que são as vozes das cantoras, minha voz, o violão e a percussão”, ele me explica. “O que me faz pensar na ideia dos arranjos, que o disco é muito simples, tem poucos elementos, mas muito marcantes, que saem de uma sonoridade mais normativa de guitarra, baixo, bateria e teclado, que tem seu valor, claro, mas que faz as pessoas chegarem a uma instrumentação muito automático. A minha pesquisa me levou pra esse som mais vazio, em que o grave é meio terra de ninguém”.
Abaixo, a capa do disco e o primeiro single, “Flor do Real”, lançado na semana passada. O disco chega às plataformas digitais no início de junho pelo selo Risco no Brasil e no exterior pelo selo canadense Boiled Records e será lançado no Itaú Cultural, no dia 27 de junho (mais informações aqui).
Bati um papo com Rômulo Froes, Thomas Harres e Kiko Dinucci, produtores do disco Besta Fera de Jards Macalé, sobre a antiga aproximação das cenas mais instigadoras do Rio de Janeiro e de São Paulo, materializada nesta conexão – confere lá na Trip.
O tema da minha coluna semanal sobre música brasileira é o segundo disco da cantora cearense Soledad, Revoada, que começa a ser revelado com o clipe de “Por Amor”, canção composta por Fernando Catatau, que também produz o disco – bati um papo com ela sobre o novo álbum no Reverb – confere lá.
“Antes de tudo, eu queria que este disco chegasse às pessoas como um alento. Um alento sobre o luto, sobre a dor, o mal estar”, me conta por escrito Thiago Pethit, sobre seu recém-lançado quarto disco, Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação). “Não como uma bobagem tipo ‘calma gente, vai ficar tudo bem’. Mas o contrário. Um ‘talvez não fique tudo bem, e o que a gente vai fazer?’. É primeiro uma aceitação do luto, de que os pesadelos e todas as paranoias que pairaram sobre o nosso futuro podem se tornar concretas. E para que a gente possa refletir sobre tudo isso e a partir daí conseguir juntar forças, é necessário olhar para essas sombras.”
De certa forma é isso que ele traduz no clipe de “Orfeu”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, descobrindo cenas bucólicas no pesadelo urbano paulistano através dos drones pilotados pela diretora Camila Cornelsen, adornado por traços e letras do próprio Thiago. “Então eu não quis fazer um disco escapista – para bater cabelo e fingir que ta tudo certo na sexta à noite. Não creio que seja um momento solar, de celebração. Se é para celebrar eu armaria uma festa fúnebre, distópica, empesteada. Mas a Mamba Negra e as músicas do Teto Preto por exemplo já fazem isso muito bem. E sob um ponto de vista bastante pessoal, também não creio que seja hora de meter o louco e botar pra quebrar tudo sem antes alguma reflexão, uma estrategia. Por isso, a dor, o abandono e destruição, e algum acolhimento nessas palavras e nesse mito que fala sobre luto e renascimento sob uma ótica pagã.”
“É um disco denso e mais maduro também. Sinto que é um disco adulto, sabe? Mais íntimo, mais ‘fora do palco’. E mais brasileiro também que os meus outros. Acredito que esse é o disco que eu sempre quis fazer mas não só eu não estava pronto pra ele como também o mundo ao redor não parecia pedir tanta densidade assim. A realidade está bastante densa”, continua. “A beleza há de salvar o mundo – essa ideia tem me acompanhado desde sempre. Onde tem luz tem sombra, é isso. O disco trabalha o tempo todo nestes paralelos: sujo e belo, tropical mas sombrio, mundano e mitológico. Queda e ascensão. O lirismo do disco talvez seja nessa crença, ainda que desesperançosa, de que o veneno da cobra ainda possa nos servir como cura. Uma crença nas Bacantes, no renascimento, na antropofagia.”
Ele segue explicando as inspirações do disco: “Foram muitas, na verdade. Meu processo criativo é sempre muito intuitivo, vou criando uns mosaicos malucos na minha cabeça com montes de peças que não parecem se encaixar a princípio. Olhando pra trás, eu diria que o primeiro ‘sintoma’ me ocorreu em 2016 e eu não o entendi. Deixei de canto até 2018, quando finalmente o mosaico parece que se formou e consegui enxergar o quadro que vinha pintando sem perceber. Estávamos passando pelo processo político de impeachment da Dilma. O Brasil já estava um caos, e eu tinha uma intuição de que minha turnê ‘Rock N Roll Sugar Darling’ já não correspondia às demandas de comunicação daquele momento. Não sabia dizer bem o por quê: mas de lá pra cá, havia uma sensação de mal estar geral sobre os rumos do país e uma turnê de um disco celebrativo e festivo, parecia fora de hora. Ainda tinham muitos pedidos de show e convites para tocar em festivais, mas pra mim era hora de encerrar esse projeto e começar outro. O nome Mal dos Trópicos por exemplo – a ideia desse mal estar, como uma peste tropical que nos assolava, surgiu nessa época. Tinha também saudade de cantar, como quem canta intimamente voz e violão, de voltar a escrever canções que pudessem flertar com poesia. Esse arquétipo do poeta, do Orfeu, eram coisas que já estavam lá na minha cabeça também. Mas parecia tudo muito precoce. Em 2017, eu encerrei a RnR Tour e decidi que não teria pressa. De lá pra cá, muita coisa aconteceu comigo e com o mundo em volta. Muitos desses signos pessoais e externos foram ganhando interpretação e tudo isso foi desenhando esse Orfeu da Consolação.”
Deixo-o continuar escrevendo: “Foi um processo muito, muito diferente dos meus anteriores. A começar pelo fato de que fiquei de 2014 à 2017 sem escrever nenhuma música sequer. Cheguei a achar que era isso e que talvez eu não conseguisse ou não tivesse mais um barato em escrever. Quando criei aquele projeto sobre as obras da Patti Smith, eu dediquei muito tempo às pesquisas literárias: desde os poemas dela, do Burroughs, Rimbaud, coisas pelas quais ela é apaixonada e que pareciam necessárias para entender as letras dela e as referencias todas com mais autoridade. Me lembrei de quando eu era adolescente e escrevia poesias na maior ingenuidade sonhando com essa ideia romântica que eu tinha do que era ser poeta. Acho que por contato com essa literatura voltei a escrever textos, cronicas do meu dia a dia, alguns poemas. Nada que se pretendia ser música.”
“Então apareceu ‘Rio’ e logo depois ‘Orfeu'”, ele menciona duas faixas centrais de seu novo disco. “Eu escrevi as letras e automaticamente tive vontade de descobrir como seria cantá-las. Trabalhei essas músicas sozinho na minha sala, durante meses e meses e não conseguia imaginar que elas seriam parte do meu trabalho. Pareciam mais como se eu estivesse fazendo exercícios de composição. Mas estranhamente, era a primeira vez desde o Berlim, Texas que eu senti muito prazer nisso. No ato de fazer e completar cada música. Um prazer meio apaixonado pela coisa. Com o tempo, o mundo e o mercado vão deixando a gente mais cínico, eu acho. Dessa vez, como eu não pretendia exatamente chegar a lugar nenhum e nem mostrar aquilo pra ninguém, eu era só esse prazer mesmo. Então aconteceu: os temas desses poemas que eu vinha musicando começaram a girar em torno de assuntos similares, uma mesma sensação a ideia mitológica, épica. Algo que me fez lembrar daquele nome que surgiu na minha cabeça lá em 2016 ainda: Mal dos Trópicos. E então eu soube que eu tinha um disco em mente e isso seria inevitável. O desejo de voltar pra música já estava ali me devorando”, prossegue.
E conta como aconteceu seu encontro com o produtor Diogo Strausz, no início do ano passado. “Eu sabia que tinha um disco e sabia também que esse disco seria um desafio pra mim mesmo. Não queria fazer nada com pressa e nem uma dessas produções expressas e imediatistas, meio sons genéricos modernos que o mercado fica empurrado pros artistas naquele desejo de fazer sucesso. Não fazia também a menor ideia de como eu poderia juntar esses temas mitológicos, as referencias eruditas de Villa-Lobos e Bach, e uma sonoridade contemporânea e mais suja como o trip hop. Só chamei o Diogo, que eu conhecia pouco e admirava de longe, no momento em que eu entendi muito bem onde queria chegar e o porque estaria escolhendo ele para ser meu maior colaborador neste projeto. E de fato ele foi um grande parceiro. Difícil mesmo foi conseguir agrupar tantos conceitos, tantas mensagens e ideias e referencias numa identidade só. Acho que eu e o Diogo passamos mais tempo conversando do que de fato criando ao longo dos meses. Foi um processo muito íntimo. Entre eu e ele. E eu sozinho com essas músicas e ideias. Foram quase dois anos de processo criativo silencioso. Segurar essa onda toda e não pensar nos boletos, isso foi complicado.”
E conclui: “Pra mim, ser artista e comunicador implica em bastante responsabilidade, sabe? Me parece péssimo pensar que na quarta à noite eu poste nas minhas redes uma frase de indignação sobre alguma tragédia dentre as muitas que estamos vendo e já na quinta eu esteja divulgando uma música que não tem nada a ver com minha postura em relação ao momento. Não é sobre se posicionar politicamente, ou como se tivéssemos a obrigação de falar de todos os assuntos. Mas é sobre essas camadas mais sutis de leitura e comunicação com o público. Eu preciso, pois pra mim é muito importante, saber que estou gerando através do meu trabalho alguma inspiração que faça sentido rumo aquilo que eu acredito. Orfeu pode ser um mito sobre o fim do amor. Pode ser sobre o artista que perde a inspiração. O poeta que perde a musa. Um povo que perde a crença e a esperança. Pode ser sobre a usurpação das coisas belas, justas, proporcionais. A usurpação das leis e democracias, e as consequências de tudo isso.
Acredito que o álbum, assim como o mito, possa abrir diversas leituras e identificações.”
Quando Marcelo Cabral avisou que estava voltando da Alemanha para passar um tempo de volta no Brasil, cogitamos rapidammente uma temporada ao redor do universo musical do baixista e de sua recente experiência artística na Alemanha. Próximo à cena de improviso livre de Berlim, Cabral foi descobrindo um método de criação artística que permite fluir por outras linguagens, incluindo literatura, teatro e spoken word e entender como isso influencia diretamente o resultado musical. E assim ele pensou em Influxo Cabralha, uma reunião de amigos e magos da música instrumental que atravessa quatro segundas-feiras de abril no Centro da Terra. Na primeira, dia 8, ele toca ao lado de Mauricio Takara, Thomas Rohrer e Mariá Portugal. No dia 15 ele chama Guilherme Held, Thiago França, Juliana Perdigão e Angélica Freitas. Dia 22 é dia de Kiko Dinucci, Rodrigo Brandão e Juçara Marçal. E a temporada termina no dia 29, com as participações de Thomas Harres, Bella, Patrícia Bergantin, Maria Beraldo e Ná Ozzetti (mais informações aqui). Bati um papo com o Cabral sobre esta safra de shows e a influência de sua estada na Alemanha neste novo projeto.











