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Entrevista

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“Eu fui jurado de um concurso musical em que o Supercordas concorria, quando ouvi a banda pela primeira vez. O prêmio era uma ajuda pra gravar um disco e acho que acabei ajudando a lançar alguma coisa deles por ter votado neles”, lembra Gabriel Thomaz, líder dos Autoramas, que usa o saudoso grupo psicodélico fluminense para lançar o primeiro registro de seu trio instrumental, Gabriel Thomaz Trio. O grupo começa a mostrar o disco de estreia, batizado de Babababa, que será lançado no dia 6 de setembro, com uma versão sem vocal para o hit indie “Ruradélica”, que na versão surf do trio de Gabriel vai à praia só até a beirinha pra ficar curtindo a brisa e o barulho das ondas.

“A melodia de ‘Ruradélica’ me pegou de jeito e assoviei essa música por anos e anos”, continua Gabriel. “Sempre a achei extremamente pop – e pop pra mim é um dos maiores elogios. Com essa versão tiramos ela do mato e trouxemos pra morar aqui com a gente na decoração space age”, diverte-se o guitarrista, que lidera o trio ao lado de Jairo Fajer (baixo) e Bruno Peras (bateria). Babababa será lançado no dia 6 de setembro.

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Quando o contrabaixista Marcos Paiva definiu o conceito de Slamousike, espetáculo que ele apresenta nesta terça-feira no Centro da Terra com seu sexteto e os MCs Max B.O e Kivitz, ele tinha plena convicção que a sobreposição entre jazz e rap ia para além do casamento musical. Observava os dois gêneros – cada um à sua maneira – como vertentes musicais radicais que funcionavam como músicas de protesto negro e o parentesco musical das duas culturas encontra-se no palco do teatro do Sumaré a partir das 20h (mais informações aqui). Bati um papo com ele sobre as origens do espetáculo e as inevitáveis conotações políticas desta fusão musical.

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Encontrei a Rita Oliva, dona do projeto Papisa, dia desses, retomando uma conversa que paramos lá no início de 2018, quando ela apresentou a segunda versão de seu Tempo Espaço Ritual numa das primeiras terças-feiras no Centro da Terra. De lá pra cá, ela abriu o processo de criação e gravação de seu novo disco com o público e vem amadurecendo o que se tornaria o disco Fenda, que ela anuncia para o início de agosto. Depois de lançar a faixa “A Velha” no início do ano, ela traz um contraponto, “Roda”, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira mas pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“‘Roda’ fala da sensação de estar no meio das mudanças”, explica a cantora e compositora paulista. “e ela traz uma certa leveza, mais humana, da emoção, da nostalgia, de encarar o tempo é como uma espiral”. A faixa é um contraponto leve de um disco que ela mesma encara como mais denso, ao ser temático sobre a morte. “É um disco que fala da morte em várias perspectivas, como parte de um ciclo, literal ou figurado”, continua, lembrando que viveu algumas mortes próximas que funcionaram como gatilho para o disco, batizado justamente a partir desta sensação de transição que sentimos atravessar. “A fenda é um símbolo de uma entrefase, de um momento em que uma coisa acabou e outra não começou. Tem essa suspensão, no tempo e espaço.” O disco deve sair no dia 2 de agosto e estas são as faixas.

“Moiras”
“A Velha”
“Terra”
“Fenda”
“Retrato Infinito”
“Nigredo”
“Semente”
“Roda”
“Espelho”

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Que bordoada este novo single do Emicida – e como não bastasse o sample de Belchior e a virulência e delicadez que ele aborda o tema da depressão, “Amarelo” ainda reúne o rapper a Majur e Pabllo Vittar. ““Quando meu irmão Criolo lançou o seu disco ‘Ainda Há Tempo’, uma coisa que me chamou muito a atenção foi a sua liberdade criativa, sua capacidade de ir da densidade à doçura com tanta naturalidade e também como suas palavras soavam como as palavras de um velho amigo que nos alegra ao dizer o que precisamos ouvir para levantar a cabeça e seguir em frente em uma vida muitas vezes difícil”, ele me explica por email. “Todos esses atributos em um único projeto foram edificantes para nóiz. Homenagear esse passo que pudemos assistir nascer de um lugar privilegiado, na extinta Central Acústica é, para mim, uma forma de dizer: ‘Obrigado, Criolo. Você é um mestre’. Também é uma oportunidade de darmos atenção a frase que continua fazendo tanto sentido ainda hoje – atenção – como pede o amarelo dos semáforos, pois ainda há tempo.”

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Ele lança mais um disco esse ano – e a partir destes dois primeiros singles (além de “Amarelo” ele também lançou a paulada “Eminência Parda“) dá pra ver que ele não vai pegar leve.

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Fabiana Lian e Vladimir Safatle tinham personalidades públicas muito diferentes quando se encontraram nos anos 90 para registrar o disco que lançam agora, 25 anos depois, chamado Músicas de Superfície. Ela cantava em projetos de música eletrônica e integrava o grupo Mawaca, enquanto ele era estudante de filosofia na USP. De lá pra cá, ela estabeleceu-se como produtora musical, trabalhando em shows de artistas internacionais que vinham ao Brasil, nomes tão diferentes quanto Metallica, Madonna, Television e Jon Spencer Blues Explosion, e criou a escola de negócios de música On Stage Lab (além de ser mãe de Luiza Lian). Ele estabeleceu-se como acadêmico, tornando-se um dos grandes nomes da filosofia brasileira e um dos principais pensadores de esquerda do país. Os dois se reencontraram musicalmente no início do ano e resolveram resgatar as gravações que fizeram entre 1994 e 1998, voltando a fazer shows e finalmente preparando o lançamento do disco de décadas passadas. Entre a música erudita e a canção lírica, os dois encontram-se num lugar muito específico e quase não-pop, embora conquiste pelas camadas densas de romantismo e introspecção. Uma primeira amostra está sendo lançada aqui no Trabalho Sujo, quando os dois mostram o primeiro single, “Sangue e Geometria”. Logo depois os dois contam a história destas Músicas de Superfície (que chega às plataformas digitais na próxima sexta e tem show de lançamento no Blue Note no dia 3 de julho) e falam dos próximos passos.

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O grupo Nação Zumbi reencontra-se com seu primeiro disco sem Chico Science, Rádio S.Amb.A., lançado no ano 2000 pois o disco está sendo lançado pela primeira vez em vinil ao mesmo tempo em que é assunto de um documentário que estreia nesta quinta, com show em que a banda toca todo o disco na íntegra, no Cine Joia, dentro da programação do festival In-Edit (mais informações aqui). Conversei com os produtores do documentário e com o guitarrista Lucio Maia em matéria que escrevi para a Trip – saca só.

todo-o-disco-todxs

Nesta quarta-feira, dia 5 de junho, às 20h, converso com Ana Cañas sobre seu trabalho mais recente, Todxs, um dedo na ferida do patriarcado em forma de disco. É o terceiro encontro série Todo o Disco este ano, que acontece agora no Lab Mundo Pensante, ali no Bixiga. Em duas horas, ajudo-a a dissecar seu álbum – na primeira conversamos sobre a concepção, a composição, a produção e o lançamento para na segunda hora ouvirmos o disco com comentários faixa a faixa da própria Ana. As inscrições podem ser feitas por aqui e você pode confirmar sua presença aqui.

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Enorme prazer em receber o trio instrumental Atønito, formado por Cuca Ferreira (saxofone), Ro Fonseca (baixo) e Loco Sosa (bateria), nesta terça-feira, dia 4 de junho de 2019, às 20h, no Centro da Terra (mais informações aqui). O grupo aproveita a oportunidade para mostrar o processo de criação de seu segundo álbum, até então batizado de Aqui – daí o título da apresentação desta noite, Construções para o Aqui. Nesta apresentação, os três convidam o cantor e performer Rubi e o coletivo de iluminação Labluxz_, do Paulinho Fluxus para criar uma atmosfera única. Conversei com o Cuca sobre este show.

china-2019

Conversei com o cantor e compositor pernambucano China que está lançando disco novo, Manual de Sobrevivência Para Dias Mortos, o primeiro que ele grava no Recife, na edição desta semana da minha coluna Tudo Tanto lá no site Reverb – confere lá.

florcadaver

Três jovens veteranas do rock independente brasileiro criaram uma banda para fazer uma viagem de van para a Argentina – esta é a gênese do Florcadáver, que une as forças de Amanda Buttler (do Sky Down), Theodora Charbel (Sixkicks, Papisa) e Célia Regina (do Miêta) num mesmo projeto que lança seu projeto de crowdfunding para pagar esta viagem em primeira mão no Trabalho Sujo, com o vídeo de sua primeira faixa, “Baleia”.

O centro do encontro foi o acampamento Girls Rock Camp, que ajuda meninas a se tornarem roqueiras, que já havia sido frequentado pelas três, como monitoras. “Conheci as meninas no voluntariado do Girls Rock Camp, a Célia, guitarrista do Miêta, quando participei pela primeira vez do Camp no ano passado e a Theodora, que eu já sacava de longe no SixKicks, neste ano”, lembra Buttler. “Lá pro fim do último Camp a Célia tava conversando com a Marcela Matos, fotógrafa e veterana do Camp desde o início, e falando sobre a vontade dela de ser voluntária no Chicas Amplificadas, a versão argentina do acampamento, que acontece no mês de julho, e ela jogou essa ideia de viajar pra lá a bordo da minivan que ela, Marcela, tem pra exatamente esse tipo de rolê.”

“Nessa a Célia mandou um papo de querer montar uma banda pra ir tocando de São Paulo até lá, transformando o trajeto rumo ao camp numa turnê”, continua a baixista. “E convidou eu e a Theo, perguntou se estávamos afim de voluntariar no Chicas e de montar essa banda com ela. Voltamos pra casa, Célia em Belo Horizonte e Theo e eu em São Paulo – ela é de Cuiabá mas mora aqui agora -, e começamos a planejar à distância o que poderíamos fazer pra concretizar essa idéia. Decidimos montar um projeto de financiamento coletivo no Catarse pra viabilizar essa viagem. Aos poucos se juntou ao rolê a Thamú Silva, também voluntária do Camp, que somou pra fazer a produção da tour. A Kaline Toledo entrou pra cuidar do registro em foto e vídeo da viagem toda. Foi assim que montamos o grupo de seis mulheres que vai fazer essa viagem.” Kaline também fez o lyric vídeo acima.

“Desde que comecei a trocar idéia com a Célia e com a Buttler lá no Camp percebi uma conexão de idéias, estilos musicais e processos criativos”, continua a baterista Theodora. “A Buttler me chamou pra casa dela, onde tem o estúdio do Berna (Bernardo Pacheco, produtor, chegando lá já me senti a vontade com a bagunça ao redor dos instrumentos. Sentei na bateria, ligamos os microfones com bastante reverb e delay anos 80, a Buttler começou a tocar umas notas soltas no baixo e eu fui acompanhando, quando percebemos tínhamos criado três músicas numa tarde! A melodia da ‘Baleia’ veio de primeira quando comecei a cantar improvisando enquanto tocava, depois fomos tomar um ar e percebemos o quanto ela era chiclete e tinha potencial de single. Trabalhamos nela mais uns dois ensaios e mandamos pra Célia lá em BH brisar nas guitarras, que ficaram derretidas do jeitinho que a gente gosta.”

“A Célia veio pra São Paulo em abril, ensaiamos juntas pela primeira vez por alguns dias”, lembra Amanda. “Nessa altura a Theodora chegou com a letra pronta pras melodias que tinha improvisado lá no começo. Daí o Berna gravou, mixou e masterizou a música. Nesse som todas cantam. Alias, acho que esse é o grande lance: todas cantam. Tem música que eu canto, outra que é a Célia. Enfim, todas ali. O lyric vídeo da faixa foi a Kaline que fez. O single de estreia é bem viajandão, né? Acho que combina ouvir essa música num dia ensolorado na estrada. Mas o restante das músicas é bem diferente, tem uma vibe mais tensa talvez, outras mais dançantes e piradas nas guitarras.”

O link pra ajudar no crowdfunding delas é esse.