“Qual capitão do mato vai caçar like com meu nome amanhã?”, pergunta-se Emicida na incisiva “Inácio da Catingueira”, lançada às vésperas da eleição mais tensa da história do Brasil e dando nome aos bois (sampleando o “tem que manter isso aí” do Temer e citando Lobão, MBL e outros testas de ferro do sistema).
O título da música é referência ao poeta e escravo paraibano Inácio da Catingueira, morto no final do século 19 e que usava a poesia como forma de denunciar o que acontecia com ele. Quase um século e meio depois de sua morte, ele inspira o rapper paulistano a deixar de usar meios termos e ir direto ao assunto, como explica em seu site:
Durante muito tempo, observei com respeito a voz de quem critica minha caminhada. A maturidade me fez, me obrigou a fazer outras análises dessas vozes. Retribuo o respeito das que me respeitam, afinal, respeito só existe se for mão dupla. Distorções canalhas, e essa é a palavra mais leve para descrever a atitude de grupos ligados ao que mais baixo existe na politica, produzidas com a intenção de confundir as audiências a respeito do discurso que proferimos e das ações que concretizamos, espalham-se como pragas. São o que se tem chamado de fake news, notícias falsas.
Grupos à direita e pseudo-militantes do campo progressista, esquerda, ou sei lá o quê, unem-se em seus discursos com a intenção de atingir uma caminhada que há 15 anos rompeu com as correntes da indústria fonográfica e hoje é copiada por essa mesma indústria, porém com personagens de pele mais clara e discurso mais brando. Os cães lacram, mas a caravana não para.
Inácio me inspirou por romper as correntes e trazer em si a dor e a delícia (se é que essa é a palavra certa) de transcender o senso comum. Muitos questionamentos vieram a mim, e eu, em meio a trabalhos, construções sérias e grandiosas para todos, problemas pessoais como qualquer ser humano e também envolto em meus sonhos, acabei deixando para responder em outro momento. Inácio parece uma resposta, mas é um convite à reflexão, sobre quem são os reais inimigos dos que dizem lutar por igualdade mas gastam seu tempo, munição e energia dando tiros em espelhos, que refletem a si mesmos. Em pouco tempo, nessa toada, seremos todos cacos e o triunfo será entregue de bandeja, a quem crê que o Brasil não precisa mudar urgentemente. Não derrape nas polêmicas.
Nossas vitórias iriam despertar muito ódio, sempre soubemos disso, estamos prontos para atravessar esse caos de pé, com elegância e cabeça erguida. Inteligência, respeito, afeto e compaixão, se fazem urgentes, o ubuntu é isso.
Assisti ao longo de minha trajetória, muitos artistas inspiradores serem atacados, desrespeitados por motivos sujos, intenções secundárias e argumentos rasos, com a intenção de se aproveitar da confusão de nosso panorama cultural e manter nossos irmãos e irmãs no lixo por mais 500 anos.
Esse tempo acabou. Acalme seus ânimos e volte pro front com uma mira melhor. De nada adianta ser uma metralhadora giratória se você estiver mirando em seu próprio pé.
O rapper apresenta-se neste fim de semana em São Paulo, na Casa Natura (mais informações aqui).
Os rappers Emicida e Tassia Reis, o publicitário Ian Black, o sociólogo Tulio Custodio e a advogada Mayara Souza, do grupo Negras Empoderadas, falam sobre a importância do novo filme da Marvel do ponto de vista da representatividade negra, em uma reportagem que fiz para a revista Trip:
Todos concordam que o filme faz parte de uma tendência maior, que torcem para continuar em voga. “Vai ser incrível poder contar nossas histórias sem os nossos estereótipos, esse peso que o racismo nos coloca para que as pessoas tenham um lugar”, continua Tássia. “Mas falando só de filmes de super-herói, já é muito interessante porque são anos de ausência de representatividade, que pra muita gente pode parecer besteira, porém, só quem cresceu tendo que se enxergar em outros personagens sabe como é. Essa infância que pode ir no cinema e ver essa história, já fica com um pingo de esperança para seguir.”
“Para quem sempre viu seus pares em papéis secundários e toda a sorte de ausência de protagonismo — “black dude dies first”, já dizia o trope —, Pantera Negra aparece como um contêiner de compensações, com um herói e tudo o que o cerca com o mesmo peso só visto em heróis brancos como Thor, Homem-Aranha, Homem de Ferro e Capitão América”, comemora Ian.
Tulio arremata que o filme não é o início de uma fase e, sim, o fim de outra. “O filme — e a importância que vem adquirindo na sua divulgação —, é consequência de um movimento anterior ter fortalecido tanto por outras produções, como a série Luke Cage, debates públicos e o riquíssimo material criado por ‘independentes’, como Issa Rae, na série Insecure, e Donald Glover, na série Atlanta.”
Emicida coroa seu 2016 reunindo Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin no clipe de “Mandume”, que também funciona como editorial de moda para a coleção atual de seu selo-grife, o Lab Fantasma.
O primeiro Spotify Talks, série de encontros e conversas sobre música que inventei de fazer com o pessoal do Spotify, aconteceu nesta terça-feira e reuniu alguns dos principais nomes da atual música brasileira. Aproveitei a reunião de Mahmundi, Lucas Santtana, Céu e Emicida para conversar sobre o início de suas carreiras, que começou neste momento estranho da indústria fonográfica, em que o modus operandi convencional – o que chamamos de mainstream – desmorou, implodindo em nichos cada vez mais populosos, em que cada artista pode experimentar tanto na composição e gravação de seus trabalhos, quanto em sua apresentação e divulgação. A íntegra da conversa deve pintar em algum dia desses por aqui, mas o pessoal do Update or Die acompanhou o debate e escreveu sobre o encontro, além de fazer estes vídeos abaixo com os participantes sobre o que é o mainstream neste início de século.
Fala Céu:
Emicida:
Emicida
Lucas:
Santtana
Mahmundi:
O próximo Spotify Tracks acontece no mês que vem e assim que tivermos fechada a programação eu anuncio aqui.
Uma série de encontros para discutir as diferentes facetas do mundo da música neste século – este é o SpotifyTalks, que começa na semana que vem, que desenvolvi em parceria com o aplicativo de streaming de música mais popular do mundo. A ideia dos eventos é justamente mostrar que o Spotify não é apenas um software e que está ativo junto à comunidade musical brasileira e o primeiro deles acontece na terça que vem, com um debate sobre como o que chamávamos de mainstream está mudando à medida em que os nichos deixam de ser pequenos. Para isso, chamei quatro nomes da nova música brasileira que viveram diferentes fases do mercado fonográfico: Céu, Lucas Santtana, Emicida e Mahmundi. Este primeiro encontro é fechado (estamos estudando a possibilidade de transmitirmos os próximos) mas dá pra acompanhar a discussão com o pessoal do Update or Die.
Às vésperas do dia das mães, Emicida lança o clipe da faixa que abre seu segundo disco. Batizada apenas como “Mãe”, ela narra a história de dona Jacira vista pelos olhos de seu filho como se ele estivesse num sonho.
E o clipe tem uma atmosfera tão parecida com o clipe novo do Radiohead que o inconsciente coletivo parece sublinhar o fato de que estamos nos sentindo perdidos num sonho. Será que é isso mesmo?
Completando vinte anos na ativa no ano que vem, o clássico grupo Projetonave prepara-se para lançar duas mixtapes que dão uma geral em suas duas primeiras décadas. Remix reúne quase cinquenta colaboradores da banda tanto do hip hop quanto da música eletrônica – que recriaram várias faixas em dois volumes: o primeiro mais baseado em rimas e rap, enquanto o segundo é mais experimental. Assim, eles abriram todas as masters de seus discos e chamaram amigos para trabalhar com as faixas, as rimas, os timbres e os beats que quisessem. Entre elas está a faixa “É Necessário Voltar ao Começo”, primeira música da primeira mixtape de Emicida, Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida Até que Eu Cheguei Longe, de 2009, apresentada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Saca só:
Vale a comparação com a faixa original, lançada há oito anos, também com o Projetonave.
Além de Emicida, participam do volume 1 de remix nomes como Síntese, Sombra, Yoka, Munhoz, Elo da Corrente, Sala 70, Indee Style, Neguim Beats, entre outros. O volume 2 conta com Cybass, Nave, Sants, Soul One, Mental Abstrato, Master San, Seixlack e Cesrv, entre outros – este último recria “Kings of Sarjeta”, também apresentada em primeira mão aqui:
A relação completa das faixas e colaboradores está no final deste post. Remix vai ser lançado na semana que vem ( tanto em versão streaming (dia 4 de maio em todas as plataformas) quanto física (em um estojo com duas fitas cassete, que começam a ser vendidas no site deles em junho), além de ter uma versão para download no site deles. Conversei sobre o lançamento por email com o Akilez, que segura os vocais e programações do grupo ao lado do baixista Alex Dias, do guitarrista Marcopablo, do baterista Flávio Lazzarin, do tecladista Willian Aleixo e do DJ B8.
Conta a história dessa nova mixtape, como começou a gravação e como elas evoluíram para o projeto final? A ideia sempre foi lançar dois volumes, cada um com uma cara?
Tudo partiu do fato de já trabalharmos muito com samples e recortes, temos essa linguagem de beatmaker já nas nossas composições, principalmente quando acompanhamos MCs, gostamos de dar um caráter de loop e produção adaptado a banda. Partindo desse principio e a data comemorativa dos 20 anos em 2017, pensei em abrir todas nossas sessões de gravação para que todos amigos que convivemos pudessem desconstruir e fazer o que quisessem com as faixas abertas. O critério foi totalmente livre de qualquer direção, na real não tinha nenhuma idéia de como poderia soar a obra toda, pois convidamos pessoas com métodos, conceitos e idéias completamente diferentes, mas com afinidades na maneira de tratar a música. A fita dupla surgiu por necessidade, pois convidei pessoas a mais pensando em que 50% entregaria o remix, mas além de 99% entregarem, surgiram mais amigos querendo contribuir. Tive que brecar, pois não conseguiríamos arcar com todo esse material. Todo o processo foi feito de forma colaborativa e para nós é um dos maiores valores desse trabalho: ter a contribuição de várias pessoas que gostamos somando e respeitando nossa relação com a música. O critério de divisão se deu pela quantidade de músicas, tempo e flow das sequencias. Algumas mais trips quebravam as que continham rima, ai decidimos fazer uma mais de rap mesmo e outra mais experimental, da pra escolher o clima em que se quer viajar sem sobrecarregar.
Como é o processo de colaboração entre vocês e seus convidados? O quanto a colaboração é ao vivo e o quanto evolui durante a produção?
Gostamos de fazer tudo junto e ao vivo, nesse quesito temos essa escola de banda mesmo. Em alguns casos fazemos à distância, mas curtimos começar uma idéia juntos e ir evoluindo mutuamente. Partimos sempre do principio de afinidade e em quase todos os casos temos relação de amizade, acreditamos mais na experiência do que em colabs comerciais, trabalhamos todos esses anos construindo algo sólido entre nós e as pessoas que dividem isso com a gente entendem esse sentimento. Nunca assinamos um contrato com quem quer que seja, isso é muito relevante, e com todos que trabalhamos mantemos uma boa relação até hoje. Gostamos desse formato liberal, colaborativo, mais punk.
Como escolheram os convidados destas duas mixtapes?
Temos uma convivência com grande parte dos convidados, de uma forma ou de outra. Nesse trabalho surgiu a oportunidade de envolver mais pessoas que gostaríamos de trabalhar ou simplesmente por admirar o corre, além de registrar esse momento que essa forma de produção esta latente em SP, poder ter nosso soundbank reciclado por essas pessoas que vivem a musica de forma verdadeira é muito importante pra nós. É um trabalho que possibilita envolver tudo isso ao mesmo tempo, tem muita gente que ficou de fora e que gostaríamos de ter junto nessa tape. Mas acho entraram nomes representativos desse movimento atualmente, e tendo em vista que tudo foi feito de forma lúdica e independente, estamos felizes com o resultado.
Por que vocês não vão fazer shows destas mixtapes?
Chegamos a pensar nisso, mais abortamos a idéia porque seria quase impossível juntar todos em um show, e pela forma que foi feito seria desonesto alguém ficar de fora, então, optamos só pelo lançamento digital mesmo.
Como vocês vêem a evolução do rap brasileiro nos últimos dez anos? As brigas e rixas internas diminuíram, o clima ficou menos pesado e há uma abertura maior para outros gêneros musicais.
É um assunto complexo! Como cultura de rua é um movimento sem dono, todos podem se apropriar, e é o que aconteceu nessa década. A ótica do mais “abrangente” e mais “pesado” depende de qual ponto da cidade ele é feito, nos anos 90 ele era 100% de periferia, muitos apanharam de polícia para manter a coisa funcionando, inclusive eu! Hoje temos pessoas de outras classes sociais no meio, o que eu acho importante… Mas vejo que tem uma lacuna entre as questões levantadas no seu início e isso fica claro no momento atual de pouco envolvimento de MCs novos com a situação política do país. Acredito que nesse momento estamos nos dois pontos da pirâmide, vai levar uns anos pra se juntar la em cima, abertura musical somado a consciência hip hop – como cultura, não gênero musical – e seus fundamentos. Acredito que a evolução não pode ser apenas musical. O rap é um dos poucos gêneros musicais iniciado pela voz do oprimido a trazendo questões sociais bem fortes em sua história, então a evolução é relativa a ótica de quem a vê! Temos muita coisa pra construir e evoluir no nosso país ainda para aparecer em clipe com ouro e carros de luxo.
Tape 1
00:00 – Dj Nato Pk – Em Favor do Réu (Síntese)
03:00 – Nixon – Atritos e Conflitos (Sombra)
06:10 – Skeeter – Get Live (Pac Div)
08:20 – Yoka – War (Phes)
10:25 – Munhoz – Estalo (Amiri)
13:47 – Bolin – Cerrai o Cilho (Síntese)
16:57 – Emicida & Projetonave – É Necessário Voltar ao começo
22:46 – Síntese – Ahow
25:03 – Elo da Corrente – Constelações
27:37 – Comum – Asuncion
30:43 – Sala 70 – Respiro
33:03 – Coyote – Get Live (Pac Div)
35:36 – Lopez – War (Phes)
37:25 – Cabes – Até o fim sampa (Emicida)
39:31 – Diazz – Até o fim sampa (Emicida)
41:36 – Léo Grijó – Guerra (Amiri)
44:40 – Willian Monteiro & Axel Alberigi – Travessia
48:41 – Makoto – Cerrai o Cilho (Síntese)
51:40 – Ahnik – Bucle de Panico (Indee Style)
54:14 – Dario – Quarto Branco
55:50 – Neguim Beats – Constelações
57:18 – BB Jupteriano – Rap Musica (Sombra)
Tape 2
00:00 – Cybass – War (Phes)
02:44 – Cesrv – Kings of Sarjeta
06:15 – Amanda Mussi – Surprise
10:03 – Nave – Respiro
13:00 – Akilez – All Jazzera
16:17 – Sants – War
20:47 – Neguim Beats – Quarto Branco
22:49 – Sala 70 – Respiro
24:25 – Jovem Palerosi – Asunzion EP Mix
28:32 – Soul One – Até o fim sampa
32:38 – Grassmass – The Great Lagoon (DeVonte Saints)
36:46 – Marcopablo – Constelações
39:26 – Formiga – Cão Faminto
43:00 – Abud – Psico Análise
46:00 – Mental Abstrato – Respiro
48:40 – Tiago Frúgoli – Quarto Branco
51:41 – Dj B8 – As cores da cidade
54:40 – Niggas – Dubplate
57:21 – Master San – Agonia
59:56 – MJP – Heroínas e Heróis
1:02:59 – Lopes – War (Phes)
1:05:12 – SonoTws – Bucle de Panico (Indee Style)
1:07:03 – SPVic – Agonia
1:10:10 – Dario – Constelações
1:12:11 – Gondim – The Great Lagoon
1:15:43 – Seixlack – Cerrai o Cilho (Síntese)
Alguma coisa aconteceu na música brasileira em 2015. Uma conjunção de fatores diferentes fez que vários artistas, cenas musicais, produtores e ouvintes se unissem para tornar públicos trabalhos de diferentes tempos de gestação que desembocaram coincidentemente neste mesmo período de doze meses e é fácil notar que esta produção terá um impacto duradouro pelos próximos anos. O melhor termômetro para estas transformações são os discos lançados durante este ano.
Os treze anos de espera do disco novo do Instituto, o terceiro disco pelo terceiro ano seguido do Bixiga 70, os seis anos de espera do disco novo do Cidadão Instigado, o disco que Emicida gravou na África, um disco que BNegão e seus Seletores de Frequência nem estavam pensando em fazer, o surgimento inesperado da carreira solo de Ava Rocha, o disco mais político de Siba, o espetacular segundo disco do grupo goiano Boogarins, os discos pop de Tulipa Ruiz e Barbara Eugênia, a década à espera do segundo disco solo de Black Alien, o majestoso disco primeiro disco de inéditas de Elza Soares, os quase seis anos de espera pelo disco novo do rapper Rodrigo Ogi, dos Supercordas e do grupo Letuce e um projeto paralelo de Mariana Aydar que tornou-se seu melhor disco. Mais que um ano de revelação de novos talentos (o que também aconteceu), 2015 marcou a consolidação de uma nova cara da música brasileira, bem típica desta década.
São álbuns lançados às dezenas, semanalmente, que deixam até o mais empenhado completista atordoado de tanta produção. É inevitável que entre as centenas de discos lançados no Brasil este ano haja uma enorme quantidade de material irrelevante, genérico, sem graça ou simplesmente ruim. Mas também impressiona a enorme quantidade de discos que são pelo menos bons – consigo citar quase uma centena sem me esforçar demais – e que foram feitos por artistas jovens, ainda buscando seu lugar no cenário, o que apenas é uma tradução desta que talvez seja a geração mais rica da música brasileira. A quantidade de produção – reflexo da qualidade das novas tecnologias tanto para gravação e divulgação dos trabalhos – não é mais meramente quantitativa. O salto de qualidade aos poucos vem acompanhando a curva de ascensão dos números de produção.
Outro diferencial desta nova geração é sua transversalidade. São músicos, compositores, intérpretes e produtores que atravessam diferentes gêneros, colaboram entre si, dialogam, trocam experiências. Não é apenas uma cena local, um encontro geográfico num bar, numa garagem, numa casa noturna, num apartamento. É uma troca constante de informações e ideias que, graças à internet, transforma os bastidores da vida de cada um em um imenso reality show divulgado pelas redes sociais, em clipes feitos para web, registros amadores de shows, MP3 inéditos, discussões e textões posts dos outros.
A lista de melhores discos que acompanha este texto não é, de forma alguma, uma lista definitiva, mesmo porque ela passa pelo meu recorte editorial, humano, que contempla uma série de fatores e dispensa outros. Qualquer outro observador da produção nacional pode criar uma lista de discos tão importantes e variada quanto estes 25 que separei no meu recorte. Dezenas de ótimos discos ficaram de fora, fora artistas que não chegaram a lançar discos de fato – e sim existem na internet apenas pelo registros dos outros de seus próprios trabalhos. E em qualquer recorte feito é inevitável perceber a teia de contatos e referências pessoais que todo artista cria hoje em dia. Poucos trabalham sozinhos ou num núcleo muito fechado. A maioria abre sua obra em movimento para parcerias, colaborações, participações especiais, duetos, jam sessions.
E não é uma panelinha. Não são poucos amigos que se conhecem faz tempo e podem se dar ao luxo de fazer isso por serem bem nascidos. É gente que vem de todos os extratos sociais e luta ferrenhamente para sobreviver fazendo apenas música. Gente que conhece cada vez mais gente que está do seu lado – e quer materializar essa aliança num palco, numa faixa, num mesmo momento. Esse é o diferencial desta geração: ela vai lá e faz.
Desligue o rádio e a TV para procurar o que há de melhor na música brasileira deste ano.
Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema
BNegão e os Seletores de Frequência – TransmutAção
Barbara Eugênia – Frou Frou
Bixiga 70 – III
Boogarins – Manual ou Guia Prático de Livre Dissolução de Sonhos
Cidadão Instigado – Fortaleza
Diogo Strauss – Spectrum
Elza Soares – Mulher do Fim do Mundo
Emicida – Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
Guizado – O Vôo do Dragão
Ian Ramil – Derivacivilização
Instituto – Violar
Juçara Marçal & Cadu Tenório – Anganga
Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thomas Harres – Abismu
Karina Buhr – Selvática
Letuce – Estilhaça
Mariana Aydar – Pedaço Duma Asa
Negro Leo – Niños Heroes
Passo Torto e Ná Ozzeti – Thiago França
Rodrigo Campos – Conversas com Toshiro
Rodrigo Ogi – Rá!
Siba – De Baile Solto
Space Charanga – R.A.N.
Supercordas – A Terceira Terra
Tulipa Ruiz – Dancê