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Amy, Kurt e os ídolos do futuro

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Aproveitei o lançamento do trailer do documentário sobre Amy Winehouse – além do próximo documentário sobre Kurt Cobain – pra falar sobre como os ídolos do futuro serão construídos: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/05/amy-winehouse-kurt-cobain-e-a-criacao-dos-idolos-do-futuro/.

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Comentei outro dia sobre o documentário sobre Amy Winehouse e o trailer dele apareceu logo em seguida. Vale ver ou rever:

Dirigido pela mesma equipe que produziu o documentário Senna, o filme sobre a cantora inglesa chama-se apenas Amy e carrega uma forte semelhança com outro documentário que mencionei aqui neste blog, Montage of Heck, sobre os anos de formação de Kurt Cobain.

Já escrevi aqui que a atual fase de ouro do cinema documental inevitavelmente nos trará para questionamentos mais frequentes sobre nosso cotidiano, em vez de remoer o passado. Mas os filmes Amy e Montage of Heck são os exemplos mais recentes de uma longa onda de reinvenção pública de personalidades pop, uma tendência que teve início durante os anos 80, quando novas tecnologias como o videocassete, a fita cassete e o compact disc possibilitaram que a indústria do entretenimento começasse a se reinventar a partir de relançamentos.

Foi quando artistas e autores começaram a entender o valor de suas personalidades públicas na hora de se vender um produto cultural. Os precursores desta tendência foram os Beatles, que aproveitaram a chegada do CD para oficializar sua discografia, determinando a versão britânica de seus discos como sendo o catálogo canônico da banda. Mas só foram os Beatles – e não, por exemplo, Elvis Presley, Miles Davis, Frank Sinatra ou o Led Zeppelin – porque durante os anos 80, o grupo completava aniversários de vinte anos de diferentes efemérides em sua carreira. E sempre que uma geração madura olha para sua adolescência, a diferença entre essas duas fases é de vinte anos, o que faz que ela tenha disposição financeira para gastar com produtos culturais dos tempos em que era jovem – e quase sempre não tinha dinheiro para comprar o que gostaria. A interseção entre as novas tecnologias de registro de áudio e vídeo e o início do revival dos anos 60 deu origem à mitificação de toda uma era, que não era tão gigante em seu próprio tempo.

Não é exagero dizer que todos os clássicos dos anos 60 – sejam bandas de rock, filmes emblemáticos, best-sellers, quadrinhos alternativos – são muito maiores atualmente do que em seu tempo. Daria pra dizer o mesmo sobre ícones de outras épocas, mas os anos 60 são uma década muito mais emblemática culturalmente do que as décadas anteriores. Todo o zeitgeist presente na época – a beatlemania, a literatura beat, o free jazz, a Invasão Britânica, a Jovem Guarda, a psicodelia, o black power, a Swinging London, o existencialismo, o feminismo, a nouvelle vague, a contracultura, os movimentos sociais, o situacionismo, o tropicalismo e qualquer outro movimento daquela época – conseguiu consolidar-se vinte anos depois graças a uma onda de relançamentos que só aconteceu graças ao advento das novas tecnologias, especialmente graças à popularização do CD e do VHS.

Como estas novas tecnologias não nos abandonaram – pelo contrário, foram sendo ampliadas as formas de se registrar e relançar produtos culturais -, a consolidação das décadas que vieram após os anos 60 em nosso imaginário aconteceu à medida em que passavam-se vinte anos de cada uma delas: os anos 90 ajudaram a consolidar os anos 70 (dos Beastie Boys a Quentin Tarantino, Boogie Nights e a disseminação da estética vintage) e a primeira década deste século moldou a imagem que temos dos anos 80 (plásticos, eletrônicos, urbanos e cheios de néon). Estamos, nos anos 10, em pleno período de reavaliação dos anos 90, consolidando a última década do século passado em nosso inconsciente coletivo atual, e prestes a começar a tentar a entender os anos 00, que nem sabemos como chamar.

E é aí que entram os documentários sobre Kurt Cobain e Amy Winehouse. Cada vez mais vamos assistir à consolidação de biografias que moldaram suas reputações a partir de registros culturais – tanto ao ser inspirado por discos, livros e filmes quanto por usar gravadores, filmadoras, celulares, máquinas fotográficas e a internet como dispositivos para registrar suas próprias produções caseiras e, portanto, suas próprias vidas.

Em pouco tempo estaremos assistindo a documentários sobre pessoas que tiveram toda sua vida registrada – seja em milhões de fotos tiradas diariamente pelos pais quanto por registros em redes sociais, canais de compartilhamento de conteúdo digital, troca de mensagens instantâneas, cruzamento de contatos via internet. As infâncias de Kurt Cobain e de Amy Winehouse foram muito mais registradas do que as de John Lennon ou de Billie Holiday. Há um ar de mistério nos velhos ídolos justamente por não termos registros de tudo sobre eles.

Será que se tivéssemos redes sociais nos anos 60 assistiríamos aos shows dos Beatles em Hamburgo pelo YouTube? Ou o Velvet Underground poderia ser bem maior graças à máquina de hype de Andy Warhol? Quem sabe? O fato é que quem quiser conhecer melhor qualquer pessoa pública de nossos tempos antes da fama, basta usar a internet para fazer algumas buscas e descobrir fotos, vídeos e, dependendo da idade do artista, posts em redes sociais que podem revelar muito sobre sua produção atual e também sobre sua personalidade.

Cada vez mais os biógrafos do futuro terão menos dificuldade para acessar a acervos pessoais de seus biografados. Talvez a maior preocupação seja conseguir reunir e assistir a tudo – ver, ler, ouvir, catalogar – para chegar a um produto final.

E não acho que isso seja melhor ou pior do que o que tínhamos antes – é apenas como a cultura de nosso tempo se move.

Quem é Carlos Adão?

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Você já deve ter visto esse pixo preto e verde espalhado pelas ruas de São Paulo – e de outras cidades. Agora um documentário irá contar a história por trás deste misto de pixador e projeto de político, descrito por um dos produtores do filme como “um político excêntrico e utópico, cuja filosofia prega amor e sexo, ao mesmo tempo em que faz parte de uma partido de direita da igreja evangélica sendo ateu”, em entrevista ao Ideafixa. A foto, da Pizzaria Bate Papo, dá a perfeita noção da ideia de sua penetração em nosso inconsciente.

Como olhar para o passado vai nos trazer de volta para o presente

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A notícia de um documentário sobre Amy Winehouse pode ser só uma primeira mudança na tendência de olharmos para o passado. Falo mais sobre isso num post de hoje do meu blog no UOL: Documentários sobre o passado vão nos trazer de volta para o presente.

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Quase toda semana há um novo documentário sobre algum artista, já percebeu? Quando não é um documentário é um filme inspirado na vida de algum nome célebre ligado à cultura. Ou uma peça. Ou um musical. Ou um seriado. Não importa o formato: o fato é que a história da cultura popular do século 20 tem servido continuamente como fonte de inspiração para novas obras – que, por mais que tentem se reinventar, apenas vendem o velho.

A novidade desta semana foi o anúncio do documentário Amy, sobre Amy Winehouse, dirigido pelo mesmo Asif Kapadia que há cinco anos dirigiu o ótimo Senna, sobre o piloto brasileiro. É mais um filme que se debruça sobre milhares de horas de imagens disponíveis sobre seu personagem, inclusive várias que nunca vieram a público, para tentar traçar um perfil psicológico de uma pessoa que vive uma vida comum e em pouco tempo torna-se uma celebridade de primeira grandeza. O filme foi anunciado apenas com um pôster e sua data de estreia foi marcada para julho deste ano. Um trailer aparecerá em breve.

Mas Amy Winehouse, por maior que tenha sido, não chegou ao status de estrela graças apenas à sua personalidade artística. Metade de sua fama veio com os paparazzi, o excesso de exposição e a overdose midiática que acompanha qualquer popstar atualmente. A forma como Amy lidou com esta fama acabou custando-lhe a vida – e até outro dia líamos sobre ela nas páginas dos jornais, das revistas e da internet.

Eis uma mudança neste cenário cultural que revisita ícones do passado com uma frequência cada vez maior: Amy Winehouse morreu há quatro anos. Um documentário sobre sua vida talvez fizesse sentido como item jornalístico logo após sua morte, mas esta velocidade para transformar-se em obra cinematográfica é uma tendência cada vez maior. Afinal, não é um caso isolado – aqui mesmo no Brasil a vida do vocalista do Charlie Brown Jr., Chorão, que morreu há dois anos, já virou o musical Dias de Luta, Dias de Glória.

Há uma variação, portanto, de uma tendência detectada pelo escritor e crítico inglês Simon Reynolds em seu já clássico livro Retromania: Pop Culture’s Addiction to its Own Past (Retrômania: O vício da cultura pop em seu próprio passado, ainda inédito no Brasil), de 2011. Nele o autor flagra uma obsessão com o passado recente da cultura popular em caixas de CD, reedições de luxo, shows que reproduzem discos antigos na íntegra, DVDs cheios de extras. Ele usa o excesso de produções que revivem diferentes épocas de ouro para dizer que a produção cultural do século 21 é vazia e que necessita de referências do passado para validar-se.

Retromania

Exagero. Há todo um espectro da cultura de nossos dias que, sim, cita, celebra e repete ícones do século passado, mas eles são quase sempre destinados a uma nova classe de consumidores adultos, que vive num mundo com uma produção cultural cada vez mais intensa e de oferta avassaladora de opções à venda – sem contar as gratuitas. Por isso usar de uma história já conhecida, falar de personagens que não precisam ser apresentados ao público ou recorrer a canções que todo mundo já conhece são recursos que facilitam a captura da atenção do consumidor.

Mas há uma classe de consumidores que nem percebe o que está nas capas de revista ou nas vitrines das megastores. Movimenta-se pela internet e consome conteúdo quase sempre de graça, trocando links, filmes, games, fotos e músicas com a mesma facilidade com que se trocam emails. O que essa nova juventude consome é irreconhecível a esse consumidor adulto que frequenta cinemas nos shoppings e lota shows de artistas que ganham mais dinheiro depois de terem saído da aposentadoria para fazer shows. São vídeos que ensinam a passar de fase em jogos eletrônicos, clipes caseiros que parecem superproduções graças a efeitos especiais, músicas de artistas cada vez mais jovens e desconhecidos, monólogos no YouTube. A “retrômania” detectada por Simon Reynolds diz respeito a uma geração nascida no século 20. Os que nasceram no século 21 – ou alguns anos antes – já estão em outra.

O que é perceptível dentro dessa onda de filmes, musicais, documentários é que por mais que a fonte de novidades a partir de clássicos ou raridades do passado pareça infindável, ela não é. E o fato de estarmos vendo este tipo de produção voltar-se para pessoas que até outro dia estavam nas manchetes dos jornais tentando vender sua própria originalidade mostra que em pouco tempo não precisaremos que estas celebridades morram para que possamos assistir às histórias de suas vidas contadas em grande escala.

Isso colide com uma tendência que tem misturado o jornalismo ao cinema documental, fazendo que profissionais que em outras épocas estavam em redações de jornais, revistas ou emissoras de TV se dediquem à produção de longas metragens de não-ficção. Como essa tendência também faz parte da reclamação sobre “retrômania” detectada por Simon Reynolds, muitos filmes estão sendo produzidos sobre o passado. Mas há uma parcela cada vez maior de documentários sobre o que acontece nos dias de hoje.

Isso pode responder a uma dúvida fundamental em qualquer indivíduo que tenha uma vida digital hoje em dia: o que fazer com tantos vídeos, fotos e gravações das nossas rotinas? Esse excesso de registros vai ajudar os jornalistas-cineastas de um futuro bem próximo a contar histórias de forma mais aprofundada, detectar perfis emocionais a partir de imagens caseiras, afundar-se em personalidades complexas a partir de milhões de registros sobre elas.
Talvez os documentários sejam as matérias de capa de revista no futuro próximo que extingue o consumo de informação através do papel.

O documentário definitivo sobre Kurt Cobain?

Escrevi sobre o Montage of Heck, o novo documentário sobre Kurt Cobain, lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/03/11/veja-o-trailer-sobre-documentario-que-revela-o-lado-intimo-de-kurt-cobain/

O rock como o conhecíamos acabou quando Kurt Cobain deu um tiro em seus miolos, em 1994. A ascensão do Nirvana foi o curto circuito final entre a indústria fonográfica e o modus operandi faça-você-mesmo vindo do punk rock, algo que havia começado desde os primeiros dias do punk (a trajetória dos Sex Pistols é o melhor exemplo disso) e que resultou na criação do circuito independente (ou “college” ou alternativo ou “indie”) nos Estados Unidos. Kurt, filhote destas duas mitologias, funcionou como um capítulo final para o gênero que já foi sinônimo de transgressão, de rebeldia, de subversão. Depois de sua morte, o rock virou um motivo meramente estético e poucos artistas conseguiram ir além de caricaturas ou homenagens a arquétipos anteriores e o gênero foi se tornando cada vez mais conservador, reacionário, anacrônico e repetitivo. Todo o lado progressista e contestador do rock foi parar em outros gêneros musicais e, principalmente, outras mídias, sobretudo a cultura da internet.

Para entender melhor o que significou o suicídio de Kurt Cobain, o documentarista Brett Morgan passou quase uma década trabalhando em cima de um filme que contasse a história de Kurt antes da fama. Olhando através de sua família, o documentário Kurt Cobain: Montage of Heck, que conta com a filha de Kurt, Frances Bean Cobain, entre seus produtores, tem entrevistas com seus parentes e amigos próximos, que mostram como uma criança feliz virou um adolescente revoltado que tentou sua salvação através do rock – apenas para ser esmagado pela máquina de hype.

O documentário foi sucesso no festival de Sundance desse ano e irá ser exibido pela HBO nos Estados Unidos no dia 4 de maio.

Kurt Cobain

O filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano e o UOL conferiu.

O primeiro trailer do filme sobre o NWA

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O trailer de Straight Outta Compton, o filme sobre a história do NWA produzido pelo Dr. Dre e pelo Ice Cube, já havia aparecido num show deste último, mas agora ele chega à internet em melhor qualidade.

Será que tem um revival gangsta vindo aí? Será que estamos prontos pra isso? O quanto isso não funcionaria como lenha para diversas fogueiras? Ou será que o filme irá adoçar as partes mais pesadas da história do grupo? Afinal, hoje em dia Dr. Dre é um dos nomes mais poderosos do showbusiness americano…

Chega de Fiu Fiu: o documentário

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Acompanho o trabalho da Juliana de Faria mesmo antes de ela lançar o site Think Olga, que faz parte de um novo movimento feminista no Brasil que aos poucos consegue voz usando a internet como plataforma. Foi através do Think Olga que a Ju fez a pesquisa Chega de Fiu Fiu, sobre a tênue linha entre a cantada e o assédio sexual, mostrando como esse tipo de abordagem é mais frequente do que imaginávamos e transformando a pesquisa em campanha. Há menos de um mês ela lançou um convite via crowdfunding para transformar o resultado da campanha em um documentário e em menos de 24 horas conseguiu bater a primeira meta – mas ainda há outras metas pela frente.

Conversei com a Ju por email sobre o Think Olga, o Chega de Fiu Fiu e sobre jornalismo.

Queria que você começasse falando de como começou o Think Olga e como vocês chegaram à conclusão que deu origem à pesquisa do Chega de Fiu Fiu.
Wow! Essa é uma longa história. Hehe. Vou tentar resumir. Sou jornalista e me especializei em jornalismo feminino. Em determinado ponto da minha carreira, senti que minhas ideias de pautas já não tinham mais espaço nos veículos femininos tradicionais. Decidi então criar a Olga não apenas para publicar as matérias que tinha vontade de escrever, mas também queria criar um espaço para discutir o espaço da mulher na sociedade, o feminismo e, principalmente, a forma como a representatividade na mídia. Bem, e como falei minhas propostas de pautas eram rejeitadas por não conversar com a linha editorial das revistas. E uma delas era sobre assédio sexual. Eu havia até mesmo sugerido criar, gratuitamente, a Chega de Fiu Fiu para uma revista. Como foi rejeitada, achei que valia a pena tocar por conta própria mesmo.

A internet foi crucial para a divulgação e realização da pesquisa, mas vocês esperavam a resposta do jeito que ela aconteceu?
Ao longo de toda a jornada da Olga e da Chega de Fiu Fiu, fui constantemente surpreendida por reações cada vez maiores e mais engajadas das participantes. No entanto, quando você para para pensar, não é tão surpreendente assim. Estamos atacando um problema que atinge muitas mulheres, mas que sempre foi tolerado. E conectar em torno de um mesmo problema, de uma mesma questão é basicamente a essência da internet.

Queria que você falasse um pouco também de como os temas começam a ser postos de forma extrema quando discutidos textualmente na internet. Presumo que vocês tiveram que lidar com radicais de todos os tipos. Como é lidar com isso?
Pessoalmente, sempre é muito difícil. Você tenta fazer um trabalho que pode de alguma forma mudar a situação da violência contra as mulheres e precisa enfrentar pessoas, algumas delas conceituadas, que distorcem sua mensagem e muitas vezes te ofendem. Mas é claro que você não vai conseguir tirar o privilégio de milênios de alguns grupos sem incomodar algumas pessoas. O interessante é ver como homens supostamente inteligentes e liberais se transformam rapidamente em conservadores ao perceber que há sim gente batalhando para equiparar os privilégios de uma minoria com o da maioria em que estão inseridos.

Por que fazer um documentário?
Foi o desenvolvimento natural da campanha. Acreditamos que o documentário pode ser uma chance de nos aprofundarmos no tema, assim como usa-lo, quando pronto, como ferramenta de informação acessível e gratuita para a população.

E depois do documentário feito, como vai ser sua divulgação?
Queremos que o documentário seja uma ferramenta acessível a todos. Nossa ideia é disponibilizá-lo gratuitamente na internet, de forma a ser exibido por escolas, universidades, ONGs e instituições públicas. Queremos também que ele seja utilizado em formações de advocacy. Além disso, já há canais de TV interessados também em exibi-lo. 🙂

Vocês já ultrapassaram a cota sugerida. Quanto tempo demorou para isso ser atingido entre a divulgação e o cumprimento da meta?
Em 19 horas, batemos nossa meta. Nosso financiamento coletivo para o documentário foi o 4º projeto que mais arrecadou nas primeiras 24 horas de existência em toda a história do Catarse – e o 1º no ranking da categoria Cinema & Vídeo. É uma conquista enorme, pois se trata de um projeto feminista, que fala sobre violência contra a mulher — tópicos que normalmente geram polêmica, não geram o interesse que merecem ou causam uma resposta extremamente violenta por pessoas mais, digamos, conservadoras. Além disso, oferecemos pouquíssimas recompensas materiais. Ou seja, as pessoas estão apoiando, pois sabem que é um assunto que deve ser debatido e solucionado com urgência. Ficamos muito felizes!

Quais os próximos projetos do Think Olga?
Nosso próximo passo é começar a trabalhar com empresas, ONGs e instituições governamentais para aumentar a representatividade das mulheres. Sentimos que em todos os meios de comunicação a mulher costuma ser retratada de uma maneira tradicional que não condiz mais com a realidade.

Isso é jornalismo? Como você vê o jornalismo que está sendo produzido no Brasil hoje, dentro e fora das redações?
A Olga lida com colaboração, comunidades online, conteúdo em várias midias e com um propósito muito honesto e bem definido. Sem dúvida, pro público que a segue, é uma publicação relevante e confiável. Não sei se é o futuro do jornalismo, mas acredito que podemos tirar boas lições disso que estamos fazendo 🙂

Martin Scorsese conta a história do Grateful Dead

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Scorsese continua trilhando outra carreira paralela de contador de histórias. Além de autor e cronista da sociedade americana em seus próprios filmes e de crítico em suas séries sobre a história do cinema, ele aos poucos se consolida como o biógrafo oficial do rock clássico. Depois de assinar obras contando momentos importantes de nomes como Bob Dylan, George Harrison e Rolling Stones, o velho Marty agora assume o papel de produtor executivo do documentário que contará a história dos 50 anos do Grateful Dead, a banda psicodélica que forjou o arquétipo de hippie no imaginário norte-americano. “O Grateful Dead era mais do que uma banda”, disse o diretor em uma declaração reproduzida pelo Hollywood Reporter, “eles eram seu próprio planeta, populado por milhões de fãs devotos. Estou muito feliz que esse filme está sendo feito e orgulhoso por estar envolvido.” O filme vai ser dirigido por Amir Bar-Levi (autor dos documentários The Tillman Story, Pintora aos 4 Anos e Re:Generation).

Democracia em Preto e Branco tem pré-estréia hoje de graça

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Estamos, eu e minha mulher, desde o mês passado, cuidando das mídias sociais do documentário Democracia em Preto e Branco, de Pedro Asbeg. O filme conta a história da democracia corinthiana de Sócrates, Wladimir e Casagrande, que peitou a hegemonia de Vincente Matheus ao mudar a hierarquia de funcionamento da equipe. Mas o documentário não é só futebol e observa o que aconteceu no Corinthians no início dos anos 80 sob dois outros prismas: o político, quando a ditadura militar começava a perder forças, principalmente a partir do movimento Diretas Já, e o cultural, quando uma nova geração de bandas começa a questionar o autoritarismo dos dias de chumbo.

Narrado por Rita Lee e com uma das últimas entrevistas do grande Sócrates, o filme vai ser exibido apenas em sessões fechadas nesse fim de semana em algumas cidades (saiba mais como comprar seu ingresso pelo site oficial do documentário) e tem pré-estréia gratuita hoje, às 20h, no Museu do Futebol, ali no Estádio do Pacaembu. É só chegar uma horinha antes pra garantir seu ingresso de graça. Olha o trailer, que delírio:

Curta a página no Facebook do documentário aqui, aqui tem o Twitter, aqui o Instagram e aqui o canal do YouTube. E dá uma fuçada porque tem bastante conteúdo!

Sobre a importância de Richard Linklater

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Um dos diretores mais importantes de sua geração, o norte-americano Richard Linklater talvez não tenha sido reconhecido como tal devido à vastidão de sua obra. São 18 filmes entre o marco Slacker, de 1991, e o ousado Boyhood, deste ano, que incluem uma trilogia existencial (o trio Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite), vários filmes sobre adolescência (Jovens, Loucos e Rebeldes, Suburbia. Escola do Rock e Tape, além de Slacker e Boyhood), dois delírios filmados em animação (sendo um deles, O Homem Duplo, uma ficção científica inspirada em Philip K. Dick), dois sobre beisebol (um deles um documentário), dois filmes de época (Newton Boys e Eu e Orson Welles), um filme contra a fast food, um seriado e um filme para a TV e uma comédia de humor negro que ninguém viu (Quase um Anjo, talvez a melhor atuação de Jack Black).

A amplitude de temas parece dispersar, mas Linklater fala sobre o fim do século norte-americano à luz de sua desiludida geração – sem que soe pessimista ou frustrado, como seus pares. O documentário 21 Years: Richard Linklater dirigido por Michael Dunaway e Tara Wood tenta encontrar sentido por trás da obra do autor em entrevistas com seus principais colaboradores, principalmente os atores Ethan Hawke, Jack Black, Keanu Reeves, Billy Bob Thornton, Matthew McConaughey, Jason Reitman e Julie Delpy e deve ser posto à venda digitalmente ao mesmo tempo em que chega aos festivais de cinema, no próximo mês de novembro.