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Wilco ♥ Pavement

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Desde 2010, o Wilco organiza e encabeça o Solid Sound Festival, em que reúnem bandas de amigos e atrações afins para três dias de festa nas dependências do Massachusetts Museum of Contemporary Art, na cidade universitária de North Adams, nos EUA. O evento repetiu-se em 2011 e 2013 e sua quarta edição acontece a partir da próxima sexta e inclui nomes como Real Estate, Mac DeMarco, Parquet Courts, Richard Thompson Trio, NRBQ, Cibo Matto, Shabazz Palaces, Felice Brothers e, claro, o Wilco fechando todas as noites, além de projetos paralelos da banda.

Aproveitando a proximidade da edição deste ano, o grupo está lançando o documentário Every Other Summer, dirigido por Christoph Green e Brendan Canty, que trata da edição mais recente e que reuniu artistas como Yo La Tengo, Dream Syndicate, Foxygen, Neko Case, entre outros. o filme está sendo lançado numa plataforma on demand do Vimeo e pode baixado ou alugado digitalmente por uma semana por aqui.

E como no festival daquele ano o primeiro show do Wilco foi composto apenas por versões de músicas alheias em que a banda atendeu pedidos do público (na época eu linkei os vários videos que fizeram do show, com versões para músicas do Yo La Tengo, Kinks, Thin Lizzy, Stones, Abba, Television, Dylan, Velvet Underground, Neil Young, Beatles, Count Five, Daft Punk, Cheap Trick e The Band, entre outros), eles resolveram divulgar o documentário com a versão que fizeram para o hit do Pavement, “Cut Your Hair”.

Dentro da cabeça de Marlon Brando

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O documentário Listen to Me Marlon estréia no meio do ano, dirigido pelo mesmo Stevan Riley que já fez filmes sobre boxe, críquete e a franquia de cinema de James Bond, mas tem duas grandes vantagens em relação a suas produções anteriores: o fato de lidar com um grande ícone pop de carne e osso e de usar apenas material dos arquivos de Marlon Brando, o que faz o filme ser quase todo narrado pelo próprio ator. Veja o trailer abaixo:

Sobre a importância de Andy Warhol

Se você ainda acha que Andy Warhol é um picareta que só pintava produtos e celebridades, saiba por esse pequeno documentário (em inglês) da PBS norte-americana porque o maior discípulo de Marcel Duchamp é um dos maiores artistas do século passado.

Ainda tentando entender Bobby Fischer

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À luz de cinebiografias que fuçaram personalidades fortes e geniais nos últimos anos (do Turing do Jogo da Imitação ao Zuckerberg de A Rede Social e o Hawking de A Teoria de Tudo), é a vez de Hollywood se debruçar sobre a vida do campeão de xadrez norte-americano Bobby Fischer (vivido por Tobey Maguire), que reencena o clássico embate da Guerra Fria sobre um tabuleiro quando ele enfrentou o campeão russo Boris Spassky (vivido por Liev Schreiber) no filme Pawn Sacrifice, sem previsão de estréia no Brasil. Eis o trailer:

Mas é claro que a carreira do “Muhammad Ali do xadrez” é só metade da biografia de Fischer, que torna-se um comentarista político paranoico com o passar dos anos. Vamos ver se o filme entra nesse mérito. Mas talvez a melhor contribuição deste filme seja nos fazer revisitar o excelente documentário Bobby Fischer Against the World, que encontrei legendado no YouTube.

O que instiga o Cidadão

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A baixa produção do minidocumentário Instigando na Multidão, de Daniel Mattos e Heitor Sena, que trata sobre a passagem do grupo cearense Cidadão Instigado durante a Virada Cultural de Jundiaí, em 2010, não tira a importância do registro, principalmente agora, à luz do lançamento do ótimo Fortaleza:

Um documentário de terror do mesmo diretor de Quarto 237

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O diretor Rodney Ascher fez fama contando as múltiplas teorias a respeito do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, no documentário Quarto 237. Em seu segundo filme, The Nightmare, ele continua em dois territórios que abordou em sua produção anterior: o documentário e o horror. Desta vez o tema do filme é a paralisia no sono, um mal que trava todos os músculos da pessoa que um pouco antes de dormir ou de acordar ao mesmo tempo em que lhe aflige com a consciência dos sonhos: neste caso, pesadelos.

O melhor é que dizem que o filme é assustador ao evocar a sensação que aborda nos próprios espectadores.

Tem uma avalanche de Nirvana vindo aí…

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O documentário Montage of Heck, sobre Kurt Cobain, está vindo aí e deve dar início a uma onda de nostalgia e uma releitura sobre a personalidade do líder do Nirvana. Escrevi sobre isso no meu blog do UOL:
http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/16/assista-ao-nirvana-tocando-para-apenas-duas-pessoas/

Kurt Cobain aos 14 anos

Kurt Cobain aos 14 anos

O suicídio de Kurt Cobain completou 21 anos no início deste mês, mas a efeméride é só o começo de uma avalanche de novidades relacionadas à biografia do líder do Nirvana que já estamos sendo submetidos desde o anúncio do novo documentário, “Kurt Cobain: Montage of Heck”. Editado a partir de entrevistas com pessoas muito próximas à vida de Kurt Cobain antes da fama e toneladas de material caseiro tanto em vídeo quanto em áudio, o filme dirigido por Brett Morgen é uma versão oficial da história de Cobain, uma vez que o diretor teve acesso ao acervo de Kurt através da viúva Courtney Love e a filha do casal, Frances Bean Cobain, atua como produtora executiva do documentário.

Entre as novidades que já apareceram estão os trechos de uma apresentação de uma versão primitiva do Nirvana apresentando-se em uma sala de estar para um público de duas pessoas, seguida de um trecho de entrevista com o baixista e amigo confidente de Kurt, Krist Novoselic. Duas cenas do filme oferecidas ao jornal New York Times:

O amigo conta que quando conheceu Cobain, ele trabalhava como faxineiro. “Ele sempre fazia alguma tipo de arte – normalmente desfigurando algo. Ele nunca ficava sem ter o que fazer. Isso apenas vinha dele; ele tinha de se expressar.”

Kurt e a filha Frances Bean Cobain, hoje produtora executiva do documentário

Kurt e a filha Frances Bean Cobain, hoje produtora executiva do documentário

Parte dessa expressão está registrada em mais de 100 fitas cassetes que Kurt Cobain guardava com registros de diferentes fases de sua vida, não apenas registrando estágios iniciais ou ideias para canções, mas falando ao telefone, comentando músicas que ouvia no rádio, falando sozinho. O diretor Morgen teve acesso a esse material, que foi armazenado num depósito por Courtney Love logo após a morte de seu marido e nunca mais haviam sido revisitadas. Desse material foi de onde saiu uma demo que a revista norte-americana Rolling Stone disponibilizou em seu site:

Em entrevista ao jornal New York Times, o diretor do documentário disse que queria mostrar o lado contraditório de Kurt Cobain – que além de ser um rock star deprimido com o próprio sucesso ele também era uma pessoa amável e bem humorada, sempre lembrada com carinho por pessoas mais próximas. Morgen dirigiu os ótimos “O Show Não Pode Parar” (sobre o produtor de cinema Robert Evans, responsável por “O Poderoso Chefão”, “Love Story” e “Chinatown”), “Chicago 10” (sobre os protestos de 1968 em Chicago, nos EUA) e “Crossfire Hurricane” (sobre os Rolling Stones) e achava que iria encontrar um clichê de história do rock que teria sua história contada em 18 meses. O trabalho se esticou por oito anos à medida em que o diretor pode mergulhar em um artista que conhecia superficialmente e que fora contratado para documentar. O filme ainda deve gerar um livro e um disco com a trilha sonora, ambos sem previsão de lançamento.

“Kurt Cobain: Montage of Heck” deverá estrear nos cinemas norte-americanos no dia 24 de abril e depois será exibido na HBO no dia 4 de maio. Não há previsão sobre exibições no Brasil, embora especule-se sobre uma única sessão no dia 12 de maio, ainda não confirmada. Assista ao trailer abaixo:

Ainda revirando o baú de Kurt Cobain

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A edição desta semana da revista Rolling Stone norte-americana traz mais uma matéria em busca da essência de Kurt Cobain e antecipa um trecho de uma demo inédita gravada pelo líder do Nirvana que está no novo documentário Montage of Heck:

A mesma edição também traz uma infame entrevista com a filha de Kurt, Frances Bean Cobain, que, entre outras coisas, disse que não curte tanto a música da banda do pai:

“Eu não gosto tanto de Nirvana assim (sorri). Foi mal pessoal da divulgação, da Universal. Eu curto mais Mercury Rev, Oasis, Brian Jonestown Massacre (ri). A cena grunge não é algo que me interessa, mas “Territorial Pissings” é uma música muito foda. E “Dumb” – choro sempre que escuto essa música. É uma versão desconstruída da percepção de Kurt sobre ele mesmo – sobre ele usando drogas, sem drogas, se sentindo mal por ter virado a voz de uma geração.”

E o Lucio crava que “Montage of Heck” só vai passar em uma única sessão, em uma única sala de cinema, em uma única cidade do Brasil. Tomara que se liguem que isso é uma burrada.