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Da importância de Sgt. Pepper’s

Um documentário feito em 1987 (“It was twenty years ago today!”), pela PBS norte-americana, sobre o clássico disco dos Beatles. Uma aula de cultura pop.

O animal humano

Parece bem foda essa Human Planet, da BBC, que observa o ser humano como um documentário do Animal Planet. Assista o vídeo abaixo em tela cheia, porque as imagens merecem:

Zeitgeist – Moving Forward

Quando muita gente começa a falar de um determinado assunto, é bom ir atrás. Na correria, dei mole e deixei o conselho de umas seis pessoas – amigos, leitores, conhecidos – e só assisti ao terceiro volume da série Zeitgeist, de Peter Joseph, há pouco. O filme, que foi lançado no início do ano, já está no YouTube legendado em vários idiomas e dá passos largos em direção ao clima apocalíptico pesado dos filmes anteriores, ao se dispor a diagnosticar os problemas de larga escala do planeta sob óticas menos abstratas que as de hoje em dia, dissecando conceitos econômicos e interesses políticos para, ao mesmo tempo, apresentar uma possilibidade palpável de mudança. O filme é longo, é chato ver um filme inteiro no YouTube, cada trecho tem 15 minutos, é basicamente um monte de caras dando entrevistas e a legenda às vezes derrapa feio (dá pra sacar, mesmo quem não sabe inglês), mas nada que comprometa. Por isso assiste com calma, com tempo, parando para ver de vez em quando ao invés de mergulhar uma só sessão de cinema na frente do computador. Inevitavelmente vou voltar ao tema do documentário (já o abordo há um tempo, vão perceber), mas como viajo agora no finde, prefiro deixar o papo pra depois que mais gente assistir ao filme. Até segunda.

The Greatest Movie Ever Sold: “O Inception dos documentários”

De novo Morgan Spurlock teve uma idéia simples e dispôs-se a executá-la. Se em Super Size Me – A Dieta do Palhaço (não é a melhor adaptação de nome de filme para o português desde, hmm, Noivo Neurótico Noiva Nervosa?) ele se dispôs a trocar suas refeições pelas oferecidas pelo McDonald’s, em seu novo filme, The Greatest Movie Ever Sold, ele tenta vender um filme sobre publicidade para uma série de publicitários que normalmente apenas anunciam em filmes. Chamado de “o Inception dos documentários” por Jimmy Kimmel (djênio), o novo filme cutuca uma veia ainda intocada em tempos de transparência total que é a publicidade, imune ao wiki-escrutínio digital sofrido pelas indústrias da música, do cinema, da TV, dos jornais e revistas e da própria internet enquanto meio.

O final do trailer me lembra um papo de algum autor de quadrinhos (ou foi cineasta?) sobre publicidade em sonhos… Alguém lembra quem tinha falado disso?

Exit Through the Gift Shop: Banksy é um documentarista ou não?

Spoilers abaixo, pra quem ainda não viu o filme do cara…

Mas afinal, Exit Through the Gift Shop é um documentário? A história do picareta que fingiu ser um documentarista e acabou virando artista e só então objeto de um documentário é real ou é mais um golpe genial de recontextualização de realidades que caracterizam toda a obra do inglês? Thierry Guetta jura que sua história é “100% real” e sustenta que há provas para validá-la, caso seja necessário. O artista, que agora atende pelo codinome de Mr. Brainwash e é um artista de sucesso, inclusive irá para a cerimônia do Oscar deste domingo, trajando Dolce & Gabbana. O próprio Banksy também sustenta que seu personagem, por mais incrível que possa parecer, é real.

Documentários fake, que misturam elementos de realidade e ficção tentando fazer que o espectador não perceba a linha entre a verdade e a mentira, são mais do que uma tendência dos últimos anos, e se consolidam como um dos principais tons do século 21. É uma discussão que envolve os túneis-de-realidade descritos por Timothy Leary, questões metalingüisticas (ave RAW), o jornalismo, a publicidade e o showbusiness, do humor de Borat e Office, passando pelos reality shows e pela apresentação de Ricky Gervais no Globo de Ouro deste ano.

Falando especificamente de cinema, mesmo que exemplos anterores já possam ter surgido nos primeiros filmes dos Beatles ou do Woody Allen, é, de novo, Orson Wells quem define este gênero, em F for Fake. O filme de 1973, na verdade, reúne elementos que já haviam sido experimentados por Wells em diferentes fases de sua vida – tanto a locução da chegada dos alienígenas de Guerra dos Mundos em 1938 quanto o fato de o personagem principal de Cidadão Kane ser inspirado em uma personalidade de verdade já brincavam com os limites da realidade e da ficção. F for Fake leva essa discussão para um outro patamar e pergunta quem é o autor, quem é a obra, o que é autoria, misturando cinema, magia, o maior falsificador de todos os tempos e Pablo Picasso.

O filme de Banksy parece ser uma continuação ou homenagem de F for Fake e, como seu antecessor, também escrotiza por completo o mercado de artes, tratando-o como farsa. Mas o fato de ser um documentário sobre alguém querendo fazer um documentário e por seu autor final ser uma das celebridades mais anônimas do mundo (quem é Banksy? Quantos são? É ele mesmo em frente à câmera, com a voz distorcida?), torna a premiação de hoje especialmente curiosa, basicamente por um ponto: e Exit Through the Gift Shop ganhar, quem irá receber o prêmio? Ou melhor: o que irá acontecer? E se o documentário for desvendado como farsa?

E mais: ao desmascarar uma farsa (seu filme) dentro de outra (o Oscar), Banksy não estaria sendo um documentarista de fato, revelando os próprios podres e os do showbusiness? Não seria ele, como o Zizek disse ao descrever o Assange, uma espécie de Coringa no último filme do Batman, que põe tudo à iminência do colapso apenas por ameaçar contar a verdade?

Em breve, saberemos. Esta noite.

Banksy no Oscar

Eu acho que não rola. Mas é o único motivo que me faz assistir à festa. Vai que…

Vintedez: Captain Beefheart, Femi Kuti, carimbó e Karina Buhr

Penúltimo Vintedez de todos os tempos, o programa da vez começa ao som de gorjeios de aves silvestres, que dão ar para dois vinis classe: Mother Nature’s Son em que o Ramsey Lewis toca apenas versões para músicas do Álbum Branco dos Beatles e o primeiro e esperamos que não o único disco do Little Joy. E aí o papo vai da morte de Don Van Vliet à vinda do filho do Fela, passa por um documentário chamado Piranha e comenta sobre a ascensão de uma nova safra da música brasileira, não sem jogar João Gilberto, João Donato, Jorge Ben, Erasmo Carlos e John Lennon no meio da fumaça, as usual. E você já sabe que o seu programa de rádio falado favorito já tem RSS, né. Olhaê.

http://anosvintedez.podomatic.com/rss2.xml

Baixe ou dê play, mas junte-se à conversa. E quem ouvir até o fim ainda ganha uma intimação pessoal.


Ronaldo Evangelista & Alexandre Matias – “Vintedez #0006 (MP3)