Cine Ensaio: A Era Disney

Maior conglomerado de entretenimento do mundo, a Disney também detém algumas das maiores propriedades intelectuais que conhecemos. Dona da Marvel, da Pixar e da Lucasfilm – além de todo o catálogo próprio que seu fundador Walt Disney forjou nos primeiros anos -, a empresa está lançando seu serviço de streaming, o Disney+, o que é mais um passo rumo à sua dominação do mercado do showbusiness. Mas essa história não aconteceu de uma hora pra outra e eu e André Graciotti aproveitamos esta edição do Cine Ensaio para dissecar um século sob a marca do rato.

E se a Apple comprar a Disney?

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Um velho boato começa a ganhar força e agora vem com cifras: a Apple, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, poderia comprar a Disney, uma das maiores empresas de conteúdo do mundo, por US$ 200 bilhões – virando uma empresa de um trilhão de dólares. Mas as cifras são a parte menos preocupante, como explico no meu blog no UOL.

A revista Variety acaba de tornar público para o resto do planeta uma avaliação de um relatório de economia que pode mudar completamente os rumos do entretenimento, da cultura e da tecnologia num futuro bem próximo. De acordo com uma análise feita pela empresa RBC Capital Markets, a Apple, uma das principais empresas do mundo, poderia comprar a Disney por US$ 200 bilhões. E como se esse número não fosse assustador o suficiente, tal compra poderia fazer a empresa fundada por Steve Jobs na primeira corporação a valer um trilhão de dólares. UM TRILHÃO DE DÓLARES! Permitam-me contar os zeros: US$ 1.000.000.000.000!

Mas os números ficam pequenos comparados com o mundo que pode ser redesenhado a partir desta negociação. Uma das principais empresas de conteúdo do mundo – dona, não apenas de todo o universo criado ou cooptado por Walt Disney no decorrer do século vinte, mas também de multiversos bilionários inteiros, como a Pixar, a Marvel e a Lucasfilm – seria administrada por uma das principais empresas de infraestrutura tecnológica doméstica – e a empresa mais orgulhosa de seu universo fechado. A mesma lógica que torna seus iPhones, iMacs, Apple TVs e todos os tipos de aparehos sedutores e funcionais é a que a transforma no universo mais fechado do mundo digital, dando cada vez menos permissões para seus usuários interagirem com seus próprios produtos. Uma empresa que é constantemente acusada de programar a obsolescência de seus próprios aparelhos para que seus clientes tenham de comprar outros novos, como de censurar conteúdo digital em suas próprias dependências e dispositivos.

É um mundo cada vez mais conectado e cada vez mais controlado e se essa negociação se tornar realidade, provavelmente estaremos assistindo ao primeiro grande titã do mercado deste novo século. A transação, que não poderia ser realizada rapidamente por uma série de questões fiscais e legais, daria início a uma nova era de compras e megafusões. Imagine se o Google comprar o Facebook (ou vice-versa?), por exemplo. Estamos caminhando rumo ao 1984 cogitado por George Orwell? Ainda é apenas um rumor, mas já cogitaram. E com números.

E essa abertura dos Simpsons à la Adventure Time?

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E os Simpsons entram em sua 28ª temporada (!) entregando sua clássica abertura ao pessoal do Adventure Time – e mesmo que o criador da série, Pendleton Ward, que cantava a música original da abertura do desenho, tenha saído da produção em 2014, parece que é a voz dele que canta esse tema dos Simpsons, não?

E por falar em abertura dos Simpsons, eu tinha passado batido por essa homenagem que eles fizeram à Disney no ano passado:

Demais. Os Simpsons são demais.

Sem Disneyficação

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É o que garante J.J. Abrams sobre o Episódio VII de Guerra nas Estrelas, o primeiro produzido pela casa fundada por Walt Disney – comentei sobre a entrevista em que ele revela isso lá no meu blog no UOL.

Butcher Billy mira no Banksy

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Favorito da casa, o ilustrador curitibano remixa clássicos do Banksy usando personagens da Disney e da Hanna Barbera

E os grafites viraram até até um livro de colorir! Fictício, por enquanto:

Tudo da Disney

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A Disney apresentou sua grade de lançamentos para os próximos dois anos em uma convenção em Las Vegas e ela é dona de tudo que a gente vai ver no cinema daqui em diante – comentei isso lá no meu blog no UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/24/a-disney-e-dona-de-tudo-que-voce-vai-ver-no-cinema-nos-proximos-anos/

Tumblr do dia: Infelizes para sempre

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Triste triste esse Tumblr do ilustrador Jeff Hong que nos lembra que os animais não têm uma vida tão fofinha fora dos desenhos da Disney.

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Beijing Air Pollution Is Still At The Dangerous Level

Tem mais ilustrações lá no Disney Unhappily Ever After.

Escape from Tomorrow: o filme a seguir não foi aprovado pela Walt Disney Company

Escape From Tomorrow - 2013 - film poster

O filme Escape from Tomorrow conta a história de uma família que vai passar suas férias no Disney World, na Flórida, quando algo começa a corroer o pai por dentro, que entra em parafuso. Filmado inteiramente dentro do parque de diversões sem autorização da Disney (que já disse “estar ciente” sobre o filme mas não tomou nenhuma medida legal em relação ao filme), Escape from Tomorrow pode se tornar um daqueles filmes que poucos viram, pois tem um enorme potencial para ser caçado juridicamente, já que é clássica a preocupação ferrenha que a Disney tem com suas marcas. Ainda mais quando o trailer do filme é assim…

Ou talvez não. Talvez o fato de ter sido feito de forma completamente não-oficial funcione como marketing natural para divulgação do filme que, mesmo que seja proibido, inevitavelmente circulará online de forma ilegal. Por enquanto, ele mal estreou nos EUA. Vamos dar tempo ao tempo…

4:20

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A volta de Mickey Mouse

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Para a maioria das crianças e adolescentes de hoje em dia, o rato Mickey é quase um logotipo em movimento e não mais um personagem – afinal, desde os anos 80, por exemplo, só foram produzidos três desenhos com o personagem-símbolo da Disney, hoje bem mais associado aos parques temáticos da corporação do que a qualquer tipo de narrativa. Por isso mesmo que a empresa voltou a investir em desenhos animados – e o primeiro deles, Croissant de Triomphe, já está online (veja abaixo). A ressurreição de Mickey para o século 21 ficou a cargo do animador Paul Rudish, que já trabalhou no Laboratório de Dexter e nas Meninas Super-Poderosas. O novo Mickey segue a estética de quando foi criado no início do século passado (olhos pretos, bermuda vermelha, sem camisa, sapato amarelo), mas com um traço mais forte e uma animação bem veloz para os padrões Disney. Veja só: