As fotos com os saques que aconteceram após os tumultos londrinos são a deixa perfeita pra um monte de photoshopeiro fazer suas críticas à natureza da motivação desses ataques. Eis o Photoshoplooter.
Enquanto os paulistanos organizam o Churrascão da Gente Diferenciada, os cariocas agitam o ZeldaDay.
Certo de que vamos lembrar de uma época em que os flash mobs eram organizados pelo Facebook…
Minha coluna no 2 de domingo foi sobre o papel contínuo – e não contido – do artista no século 21, tomando Kassin como exemplo.
A estreia de Kassin
O primeiro disco, depois de muitos
Sonhando Devagar é o primeiro disco solo do músico, cantor, compositor e produtor Alexandre Kassin. É um artista com mais de 15 anos de atuação, com participação em diferentes bandas, trilhas sonoras e que tem até CDs individuais no currículo. São quase duas dezenas de discos com a marca do artista. Então por que o disco de 2011, que pode ser ouvido no site da gravadora (www.coqueiroverderecords.com/kassin/) é considerado seu primeiro trabalho solo?
Talvez porque Kassin seja um dos melhores exemplos, no Brasil, de um novo tipo de artista. Alguém que já entendeu que música, no século digital, não é produto – é processo. Por isso disco, show e canção – antes fundamentos básicos de um músico no século 20 – tornaram-se apenas algumas das peças na construção de uma carreira.
Assim, antes de lançar seu primeiro disco solo, ele já tinha alguns discos no seu nome. O primeiro deles, composto apenas com bases eletrônicas produzidas num GameBoy, foi lançado sob o nome de Artificial. Outro foi lançado sob o nome Kassin + 2, mas que não poderia ser considerado um trabalho individual, e sim do trio + 2, formado por Kassin, Moreno Veloso e Rodrigo Domenico (cada um deles lançou um disco com seu próprio nome).
Também assinou a trilha sonora do anime Michiko e Hatchin, mas preferiu não tratá-la como disco solo. Fora os discos e espetáculos que produziu, de artistas como Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, Los Hermanos, Mallu Magalhães, Thalma de Freitas, Vanessa da Mata, Grupo Corpo e Terruá Pará.
O novo disco pode ser considerado sua estreia pois ele reúne os conceitos pelos quais passa desde que era só o baixista da banda Acabou La Tequila: rock e ritmos caribenhos, música eletrônica e arranjos sofisticados, ficção científica e timbres anos 80, vida doméstica e Japão. Por quase 15 anos, ele passou sua carreira reunindo referências para criar uma obra contínua, em movimento. Agora, as concentra todas em um mesmo disco, como se, só agora, começasse sua história. E talvez seja isso mesmo.
Na mosca.
Mas a dualidade clara hoje é Android x iPhone.
E pra quem não tem a menor idéia do que é Zardoz…
Mallu ao vivo
Blogando vida e obra
“Último dia de mixagem. Terminamos Moreno do Cabelo Enroladinho e fizemos Lonely. Amanhã é o dia de refazer o que falta ou precisa. Temos uma ou duas prioridades, mas estamos contentes com o resto. Acho que estou prestes a sofrer aquela tristeza do pós-disco… Aquele vazio, aquela insegurança… Preciso arrumar o que fazer… Acho que vou inventar de gravar uns clipes.”
Assim Mallu Magalhães chega aos finalmentes de seu terceiro disco, num post em seu blog publicado na sexta passada, resumindo o dia anterior. “Dia 27 de julho de 2011… #54 em estúdio” é o título do post, um dos muitos em que, em seu site, mallumusic.com, descreve o diário da gravação do novo álbum.
Mas não apenas um diário de gravação. É o diário de Mallu. É um blog no sentido mais essencial do formato. Não são notícias, informações que poderiam render notinhas ou análises sobre qualquer conjuntura atual. São pequenas epifanias caseiras, recortes de um cotidiano íntimo, às vezes pessoal demais, que transbordam para a internet. No mesmo post em que comemora e lamenta o fim do processo de gravação, ela divaga: “Enquanto Victor (Rice, técnico de som do disco) timbrava os últimos detalhes de Moreno do Cabelo Enroladinho, eu bordava numa das aquarelas que havia pintado ontem. E um feixe de luz colorido veio banhar minha obrinha. Não demorou, Vic ficou também impressionado e sugeriu novas posições. Fotografei o tal arco-íris nos meus pés, cabeça e à minha volta. Só pode ser um bom e lindo sinal de alegria para o Pitanga.”
Muita gente torce o nariz, acha forçado, acha fake, acha bobo. “Haters gonna hate”, repete o meme-mantra da internet que pode ser traduzido como “sempre vai ter alguém que odeie”. E Mallu, coitada, sempre foi alvo desses ‘haters’. Desde que surgiu empunhando seu violãozinho aos 15 anos, cantando Dylan e Johnny Cash com sua vozinha frágil e virou um dos melhores exemplos brasileiros de uma artista que usou a internet para se estabelecer, ela é alvo de brincadeiras, chacotas, paródias e pragas. As coisas não melhoraram quando ela começou a namorar Marcelo Camelo – outro que, ainda nos Los Hermanos, cansou de ser vítima da fúria de um público xingando tudo confortavelmente nos computadores de casa. Juntos viraram motivo para piadas de toda a sorte – algumas boas, a maioria bobas. Mas não os abalou.
E, mais que isso, não abalou Mallu. Prestes a completar 19 anos, ela deixa o mesmo ar lúdico de suas letras e melodias invadir seu blog, abrindo seu coração e mente sem medo de se expor ao ridículo. Ela não bloga porque ajuda no marketing, porque o empresário pediu ou porque cai bem com o público. Não que esses motivos não existam, mas ela mantém o blog pelo mesmo motivo que faz música: é natural para ela. Portanto, como reza outro mantra online, “deal with it” (“lide com isto”).
Usando apenas o início de frase do vídeo abaixo, Thom Yorke linkou o video em que Hugh Grant conta de como encontrou, por acaso, o editor Paul McMullen, – um dos primeiros ex-colaboradores do centenário tablóide que Rupert Murdoch fechou abruptamente a abrir o bico para o Guardian sobre as “técnicas de jornalismo” no país da rainha – e como ficou sabendo que seu celular havia sido grampeado por “jornalistas”. Armou um novo papo com o próprio McMullen e aproveitou para dar o troco – gravando, sem que ele soubesse, a longa conversa sobre os podres da relação entre política e jornalismo no Reino Unido que rendeu um artigo e a transcrição da gravação no New Statesman. Sente o drama:
Paul McMullan: But then – should it be a crime? I mean, scanning never used to be a crime. Why should it be? You’re transmitting your thoughts and your voice over the airwaves. How can you not expect someone to just stick up an aerial and listen in?
Hugh Grant: So if someone was on a landline and you had a way of tapping in…
Paul McMullan: Much harder to do.
Hugh Grant: But if you could, would you think that was illegal? Do you think that should be illegal?
Paul McMullan: I’d have to say quite possibly, yeah. I’d say that should be illegal.
Hugh Grant: But a mobile phone – a digital phone… you’d say it’d be all right to tap that?
Paul McMullan: I’m not sure about that. So we went from a point where anyone could listen in to anything. Like you, me, journalists could listen in to corrupt politicians, and this is why we have a reasonably fair society and a not particularly corrupt or criminal prime minister, whereas other countries have Gaddafi. Do you think it’s right the only person with a decent digital scanner these days is the government? Whereas 20 years ago we all had a go? Are you comfortable that the only people who can listen in to you now are – is it MI5 or MI6?
O vídeo abaixo, feito pela BBC registra o reencontro de McMullen e Grant ao vivo na TV britânica e vale ser visto apenas para ouvir o esculacho que um dá no outro, quase no final.
Escrevi mais sobre o caso News of the World aqui.


















