A íntegra da entrevista que fiz com o “Moot”, do 4chan, que saiu na capa do Link de hoje. Quinta-feira estarei mediando o papo com ele no YouPix.
Moot exclusivo
Em entrevista exclusiva, criador do 4Chan fala sobre Facebook, anonimato e o Anonymous, movimento político surgido dentro do fórum criado por ele aos 15 anos
É sua primeira vez no Brasil. O que você sabe sobre o País?
Eu não sei nada muito específico, mas sei que, depois dos Estados Unidos, é um dos países que melhor entendem a natureza da internet. Tanto o 4chan quanto o Canvas têm muitos acessos vindo do Brasil. E sei que é um país forte em redes sociais e em jogos sociais, e que é um dos países que mais se envolvem com novas tecnologias e com a cultura da internet.
Você se vê como uma autoridade digital?
Eu não sou uma autoridade, mas um ponto de vista alternativo contra o consenso emergente que é a favor da identificação online e pró-Facebook. Eu me vejo como uma pessoa que se dedicou a ter uma opinião diferente, mas não uma autoridade.
Mas você sente alguma responsabilidade ao assumir esse papel? Seu público o vê como alguém próxima da geração digital, em vez de ser um CEO querendo vender algum produto…
Sim, acho que um dos motivos pelos quais eu tenho falado em público sobre assuntos como identidade e privacidade online é porque não há muitas pessoas que advogam a favor de alternativas. O 4chan se encaixa naturalmente nisso, mas quando eu o comecei há sete anos, quando tinha 15 anos, a questão do anonimato não era tão discutida e eu nem poderia prever que o fórum se tornaria um paraíso para quem posta sem se identificar. Mas o percurso até aqui foi muito esclarecedor e educativo nesse sentido; eu aprendi muito e passei a valorizar esse tipo de comunidade e a interação que esse estado de liberdade permitia. E assim fui parar em um lugar bem diferente de onde está o consenso vigente e acabei me tornando uma voz que vai ao encontro a essas tendências.

Ilustração de Fernando Bueno e infotipográfico de Jairo Rodrigues publicados na edição do Link de 19 de abril de 2010, que teve o 4chan na capa.
Como você se sente diante do rótulo de anti-Mark Zuckerberg?
Não gosto desse título. Primeiro porque é importante separar o Mark do Facebook, quem ele é como pessoa e quais são os interesses de sua empresa, embora ambos se confundam. Ele tem uma opinião, eu tenho outra e tenho certeza de que há muitos assuntos em que concordamos e outros tantos em que discordamos. Eu não acho que ele queira que o mundo seja apenas de um jeito, e é claro que ele favorece o que ele imagina que é o Facebook, que é uma plataforma de identidade. E é claro que ele quer que todo mundo a utilize. Por mim, tudo bem, podem usar, mas acho que não deveria ter apenas uma dessas e sim várias alternativas. As pessoas acabam colocando a gente em pólos diferentes – ele como um cara que é 100% a favor da indetificação e eu como um cara 100% a favor de todo o tipo de anonimato, e ambas afirmativas são falsas. Concordamos em muitos pontos e não somos tão diferentes assim. Estamos em pontos opostos deste espectro, mas não nos mais extremos.
Você, portanto, não se considera o líder do movimento pró-anonimato.
É. Gosto de dizer que sou apenas uma voz de uma parte da história que não tem tanta representação. Há muitos que defendem a necessidade de se identificar online e, infelizmente, poucos que veem as coisas de outra forma.
O Facebook virou uma rede global depois de começar atuando só em universidades, depois só nos EUA e, finalmente, atingindo o resto do mundo. Já o 4chan sempre foi global, desde o início. Por quê?
Um dos motivos que tornou o 4Chan multicultural desde o início é o fato de ele usar imagens como principal meio de comunicação. E imagens transcendem a barreira da linguagem e da cultura. E elas também são inclusivas, permitindo que todos possam entender sem precisar ter o contexto da linguagem. Acho que isso, principalmente, e o fato de seu funcionamento ser muito simples, até para quem mal entende inglês. Basta sair clicando no site para entender como ele funciona.
Há também o fato de boa parte do texto nestas imagens é escrito num inglês mal-falado. Costumo brincar que o idioma universal não é o inglês, mas o inglês mal-falado.
(Ri) É verdade.
E foi difícil sair do anonimato e se assumir como uma pessoa pública?
Foi sim, eu sou muito na minha. Mas por outro lado, vi que era inevitável, que uma hora ia acontecer, se eu não me revelasse, alguém iria fazer isso. Quando vi que, aparecendo em público, eu poderia falar com a revista Time ou com o Wall Street Journal e falar o meu lado da história, sem que alguém falasse por mim.
O que você do grupo de hackers Anonymous, que começou dentro do 4chan?
Acho fascinante. Eu mesmo nunca participei de nada deles, só era o dono do lugar em que a apareceu uma fagulha que depois virou incêndio. Não tenho nada a ver com eles e sou apenas um observador casual, como qualquer um. Mas é fascinante observar uma organização tão pioneira e com motivações básicas, formada basicamente por jovens, aparecer de uma hora para a outra na internet. E o que os torna ainda mais especiais foi a rapidez que eles conseguiram não só dominar a internet mas também sair dela, transformar a presença online em presença de fato. E isso é algo que pouquíssimos conseguiram. Por isso acho que vai ser algo que as pessoas vão se referir daqui a dez anos ou mais como um marco importante na história do ativismo online.
Há quem trate isso apenas como modismo, algo passageiro…
Um modismo? (Pausa para pensar) Ativismo não é nada novo e as pessoas se organizam em prol de causas pela internet desde que ela existe. Acho que a cada dez anos esse idealismo assume uma nova forma e acredito que essa é a nova forma que está sendo apresentada hoje e que deve funcionar entre 2010 e sei lá quando, mas, fundamentalmente, é a mesma lógica, o mesmo ativismo, de formas diferentes.
E qual é a sua opinião sobre o WikiLeaks e Julian Assange?
Eu também não me considero um especialista nesse assunto. Mas eu não vejo motivos para, por exemplo, o Anonymous ter um só porta-voz. O que aconteceria se apenas uma pessoa fosse presa ou tivesse problemas? Vimos o que aconteceu quando isso aconteceu quando pegaram um deles, que foi silenciado e censurado, e isso fez o WikiLeaks perder muito de sua auto-estima e também de seu momentum e Julian hoje vive sob forte escutínio. Eu gostava mais do WikiLeaks quando os via como um grupo de indivíduos que se reuniam em prol de um único objetivo, não acho que Julian Assange represente esse grupo, que considero mais democrático.
Você não temia que isso também pudesse acontecer com você em relação ao 4chan? Não achava que, ao assumir que era o dono do fórum, você pudesse representar valores diferentes do grupo que representa?
É sempre possível que alguém venha dizer que nós fizemos algo errado, mas nós não violamos nenhuma lei, nem sequer hospedamos arquivos que possam infringir direitos autorais, por exemplo. Temos uma regra número 1 no site que é “não infrinja a lei”.
O que seus pais acham disso?
Eles me apoiam, acho. Não é um assunto que vem à tona o tempo todo e a reação deles é quase sempre “que interessante” (ri). Às vezes eles vêem algo nos jornais e vêm me perguntar, mas não é um assunto recorrente. Mas eles sempre me apoiaram.
Eu queria que você falasse um pouco sobre sua primeira empresa. Como vai o Canvas?
Estamos indo bem. É bom diferenciar o Canvas do 4chan, mas estamos trabalhando num software de comunidade, que é um produto e que, além disso, exige que você se registre e se identifique, mesmo você tendo a opção de aparecer como anônimo nos posts. A ferramenta também é diferente, pois tem recursos de edição e remix dentro do próprio sistema, que permitem incluir links externos, vídeos, imagens e outras formas de interação online.
O 4chan foi concebido para ser o site mais simples possível de usar, estamos trabalhando o Canvas da mesma forma, só incluindo recursos mais modernos. E há também o fato do software ser bancado. Eu banquei o 4chan pelos últimos anos e o fórum apenas se sustenta, não fatura milhões de dólares mas também não perde milhões de dólares. É cada vez mais um hobby para mim. Já o Canvas é uma empresa com dinheiro de investidores – nos últimos 14 meses nós arrecadamos US$ 3,6 milhões. E aí com esse dinheiro você começa a ter de pensar em uma equipe, em ritmo de trabalho e é claro, com as expectativas – que, em nosso caso, apostam em uma grande plataforma milhões de jovens meio parecida com o 4chan, mas diferente de muitas formas. É uma experiência muito nova para mim, é a primeira vez em que eu me vejo envolvido com uma equipe de verdade, acionistas, funcionários, todos pensando em construir algo.
É um universo bem diferente do que você lidava quando era apenas do 4chan. Já chegou a se chatear?
Tivemos a sorte de ter um dos melhores financiadores dos EUA. A maior parte do nosso dinheiro foi levantado pelo Fred Wilson, da Union Square, que foi um dos prmeiros a investir no Twitter, na Zynga, no Foursquare. Ele é um cara ótimo e tivemos sorte de pegar um investidor que entende o nosso negócio e quer nos ajudar. Então é justamente o contrário, não dá para ficar chateado: cada vez que você senta para conversar com esses caras, aprende algo novo sobre o mercado, os negócios ou o produto. É um aprendizado diário.
Tanto o Canvas quanto o 4chan apostam na comunicação através de imagens e colagens visuais. Você acha que esse tipo de comunicação – junto com vídeo e voz – podem mudar o aspecto ainda escrito da web?
Acho que você tem razão. A linguagem visual tem um apelo maior. O texto está conosco há muito tempo na web e ele parece, de alguma forma, achatado, sem dimensão e, portanto, enfadonho. Mas com recursos multimídia, qualquer um hoje pode fazer fotos, vídeos ou material em áudio e assim criar experiências multimídia, às vezes até sem perceber.
Eu não vou me surpreender se a linguagem visual – foto e vídeo – se tornar a principal forma de comunicação da internet. Estamos vendo, pelo menos nos EUA, um grande mercado para fotos e vídeos. Em 2004 ou 2005, quando o Flickr e o YouTube apareceram, nós vimos um grande interesse nisso porque as câmeras digitais haviam ficado mais baratas e melhores e isso foi um fator determinante para que o que chamamos de web 2.0 decolasse. As pessoas começaram a entender que um site não precisava ter apenas texto, que poderia ter fotos e vídeos, e começaram a produzir esse tipo de conteúdo. Tenho a sensação de que isso está acontecendo de novo. Não que seja a web 3.0, mas é como se fosse uma segunda corrida do ouro em busca de fazer aplicativos que tenham um apelo maior junto à cultura visual e multimídia.
E, para terminar, há algo que você queira fazer no Brasil, especificamente?
Eu não tenho muitos planos, na verdade. Estou muito animado, pois tenho um amigo que foi para São Paulo há dois anos, Anthony Volodkin…
Sim, do Hype Machine. O entrevistei quando ele esteve por aqui.
O Anthony é ótimo e ele só tinha coisas boas para dizer sobre o YouPix, a cidade e as pessoas que conheceu. Disse que teve uma experiência incrível. Sei que boa parte do público que consome cultura de internet no Brasil é da periferia, que eu sei que existe, mas não conheço nada. Queria ver se consigo fazer algo intenso, um curso intensivo de realidade brasileira.
Escrevi no caderno Internacional do Estadão de hoje sobre o pacote de medidas do governo inglês que pretende tirar os manifestantes de Londres da internet.
Londres ameaça um direito humano, o acesso à internet
O que aconteceu na capital britânica não diz respeito apenas à mobilização online
Revoluções árabes no Facebook, o Twitter incomodando o Irã, a China invadindo e-mails do Google. O universo digital vem andando de mãos dadas com a cena política mundial desde que as redes sociais se tornaram parte da rotina. Houve um tempo em que era comum querer saber qual era a utilidade desse tipo de serviço. Esse tempo passou.
Hoje, as redes sociais fazem parte da comunicação da maior parte dos moradores das grandes cidades. Popularizaram-se tanto quanto os telefones celulares. E por mais que tenham tentado rotular os levantes em Londres como “a revolta BBM” – em referência ao programa de bate-papo dos celulares BlackBerry, que foram usados pelos manifestantes para organizar ataques e fugir da polícia –, o que aconteceu na capital britânica não diz respeito apenas à mobilização online.
Como ocorreu antes nos países árabes, na Espanha, no Chile e até no Brasil (não dá para dissociar o Churrascão da Gente Diferenciada ou as marchas que tomaram a Paulista este ano de suas intenções políticas), as mídias digitais foram utilizadas por ser populares. Se não fossem os celulares e as redes sociais, outras formas de comunicação os substituiriam. Ninguém chamou a Revolução Iraniana, de 1979, de “o levante das fitas cassetes”, ainda que essa mídia tivesse sido usada para mobilizar os cidadãos daquele país.
A tentativa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de banir manifestantes das redes sociais para tentar conter os tumultos não condiz com a tradição democrática daquele país e mais lembra atos de Estados ditatoriais. É censura e controle. Primeiro, tira-se as redes sociais, depois, proíbe-se o uso de celulares e, em pouco tempo, confina-se todos em um gueto. Já vimos essa história.
Numa época em que o acesso à internet é defendido como um direito humano pela própria ONU, tal decisão soa autoritária e drástica. Uma vergonha para a tradição do país.
Vi na Babee.
O aniversário dOEsquema foi nessa segunda, quando completamos três na ação. Aproveitamos o dia pra uma DR saudável.
Mini: Matias, como começou a história de fazer OEsquema?
Matias: Começou porque o Gardenal começou a dar pau. Pra quem não pegou a época, o Gardenal foi um site criado pelo Pablo Miyazawa, que hoje é editor da Rolling Stone Brasil, para abrigar sites que estavam espalhados por aí. O Trabalho Sujo ficava no Geocities e foi um dos primeiros a ser chamados. Depois que o projeto começou a tomar forma – antes de outros portais conhecidos aparecerem, como o Interney e o Wunderblogs – chamei o Bruno e o Arnaldo para entrar no time. Mas em 2005 o portal teve um baque no servidor, perdeu tudo que tínhamos até ali e, desde então, passou a funcionar de forma capenga. Em 2008 a situação ficou insustentável – não dava nem pra publicar direito – e resolvemos cair fora. Perguntei pro Bruno, que pilhou, e ele falou em chamar o Arnaldo, que também estava ficando de cabelo branco por causa do Gardenal. Como achamos que três era pouco, resolvi te chamar e, depois de fritar em alguns nomes – o nome original era Sistema – chegamos aOEsquema.
Foi assim mesmo, Bruno e Arnaldo? Minha memória, vocês sabem, é um lixo…
Bruno: Além da URL Sistema estar tomada, estreava um programa da Globo com esse nome bem na época, né?
Matias: E o nome do protagonista da série?
Bruno: Hahaha. É legal OEsquema ter surgido de uma necessidade, precisar de uma casa nova, não algo de caso pensado. Faz muita diferença isso. Quando a gente começou a conversar sobre isso, logo vimos que era uma oportunidade de começar outra história. O projeto de expansão no entanto existe desde início. O objetivo final é hospedar os blogues mais relevantes da rede brasileira. Logo a gente chega lá.
Mini, como foi que você recebeu o convite? Não conhecia nenhum de nós, né? Aliás, nunca nos encontramos os quatro, é surreal. Você mesmo eu só encontrei uma vez, naquele show do Radiohead, em Londres. Você já conhecia os outros blogues?
Mini: O Matias eu conhecia há muitos anos do Trabalho Sujo de papel, ele como jornalista/editor e eu como guitarrista dos Walverdes. A gente também “frequentava” a Poplist, uma lista de emails com um monte de gente interessante no fim dos anos 90. Matias, você estava na indie brasil também? Então ali já rolava um esquema. E eu escrevia um pouco de ficção também e o Matias me convidou pra escrever semanalmente num site chamado 1999 que tinha também o Fábio Bianchini e a Cecília Gianetti como colunistas. Eu escrevi uma série de ficção científica, alguns contos meio indies, não lembro direito. Depois, o Matias me convidou pra colaborar com a Play – que foi talvez a primeira publicação de cultura digital que tivemos no Brasil… Ou seja, eu já estava acostumado a topar as histórias que o Matias inventava, sempre curtia, achava uma boa, sempre dava em caldos interessantes com gente interessante. Quando ele me convidou pra integrar OEsquema, não pensei duas vezes. Eu tinha um blog tosco no blogspot e sempre gostei de bandas e de bandos, de estar numa turma, numa história com mais gente. O Bruno e o Arnaldo eu lia no Gardenal. O Arnaldo eu nunca encontrei. Aliás, é interessante esse arranjo, porque de fato a coisa vai andando sem nunca termos nos encontrado ou feito grandes discussões por email.
Matias: Eu já tinha escrito sobre os Walverdes em 1994 – lembro de um Trabalho Sujo do início de 96, falando que era uma banda pra ficar de olho… E, além da Poplist, que frequento até hoje, trombei com o Mini várias vezes nos caminhos do indie brasileiro – e, não, eu não frequentei a Indie-Brasil. Mini já havia deixado de ser só o guitarrista de uma banda gaúcha, pois conheci seu trabalho com o Renan, que hoje tem a Disc-O-Nexo em Porto Alegre – os dois editavam um zine chamado Poneifax. Deov ter até hoje, a edição número 2 era especialmente memorável (hehehe). O Bruno eu conheci dos comentários no Sujo, peguei ele no colo quando ele ainda nem sabia como se pronunciava “dub”. Já o Arnaldo, eu conheço desde os anos 70, quando aprontávamos todas nos bailinhos de carnaval da Zona Sul do Rio, ao lado do Carlos Imperial, Fausto Wolff, Fred Leal, Jaguar, Allan Sieber e Matias Maxx. Bons tempos…
Bruno: O Arnaldo taí, mantendo o habitual silêncio, hahaha!
Mini: Ele tá fazendo um “cartum de entrevista” hahahahaha…
Matias: Acorda, Arnaldo! Já sao 5 da tarde!
Arnaldo: Cheguei agora da Policia Federal, onde fiquei 5 horas e não consegui tirar passaporte 🙁 O que é pra dizer?
Matias: Sempre a desculpa da Polícia Federal… Fala do Gardenal e da criação dOEsquema.
Arnaldo: O Gardenal era bacana, mas era muita gente, tinha até aquelas tentativas de surfar a onda de blog mulherzinha roots – antes do trend de tirar foto no espelho pra mostrar como estou linda hoje, viva o meu cartão de crédito etc.
Matias: Ah, o início dos anos 00…
Arnaldo: Acho que nunca consegui ler todos os blogs direito. Mas tinha muita fera, Ovelha Elétrica, Ressaca Moral… Eu nem encrencava taaanto assim com os paus do servidor, eu que sou velho não conseguia acreditar que podia publicar cartum e quadrinho de graça, sem nem pagar anuidade. Mas quando a gente perdeu tudo eu fiquei com dor no coração. Se bem que revendo coisas antigas que sobraram no ar e no HD (um blogspot do Mau Humor aqui, uns desenhos que ficaram perdidos em pastas escondidas depois de milhares de trocas de computador e formatações), de repente foi bom perder tudo. Aliás, quem era o Pablo? O Sr. Bonzinho ou o Sr. Muita Grana (hehe)?
Matias: O Pablo era o Sr. Bonzinho.
Arnaldo: OEsquema foi a bóia de salvação, achei o convite natural porque eu, Bruno e Matias já fazíamos parte de uma semi lista de discussão (nossa troca de emails) para reclamar nas quedas do servidor…
Matias: Como os sites de vocês mudaram depois dOEsquema?
Bruno: No início do URBe, escrevi mais sobre música, resenhas, etc. após OEsquema o leque de assuntos foi abrindo. como estou sempre lendo os vizinhos, existe também uma influência em relação ao conteúdo. Além disso, tem a questão complementar, de um assunto de um dos blogues gerar uma pauta, ou mesmo ficar atendo para não se repetir. Isso vai se intensificar com a implementação da home, juntando todo conteúdo do portal.
Arnaldo: OEsquema coincidiu com a fase em que começaram a me contratar pra fazer livro, quadrinho, etc, então ele passou a estar mais a reboque do meu trabalho para as grandes, antigas e malvadas corporações. E também porque ele era mais bonitinho, comecei a caprichar um pouquinho mais em desenho, apresentação, mas ninguém reparou 🙁 Agora pretendo deixar de lado um certo pudor de usar o Mau Humor pra outra coisa que não divulgar material próprio, transformar em uma espécie de tumblr, sei lá. Não dá pra ficar parado como está, esse é o país da Copa do Mundo???!!1
Matias: “Pode reparar, quem tem blog bom, normalmente é desempregado. Quando o cara arruma um emprego, não tem tempo pra ter um blog bom”. Ouvi essa frase do Mr. Mason em algum debate no tempo em que “monetização” era trending topic na era dos blogs pre-Twitter. Foi na mesma época em que eu já era editor do Link – e resolvi assumir isso como desafio. Por isso tive que mudar drasticamente o ritmo de posts do Sujo – menos textos imensos, mais comentários curtos, links pra outros sites, vídeos, fotos e MP3. Posto coisas que eu sei que amigos vão curtir, que leitores vão comentar e que eu possa talvez querer lembrar disso no futuro – então o Sujo acaba sendo uma espécie de arquivo pessoal, mais do que uma carta aos navegantes. É um StumbleUpon domado na unha. Falta o Mini comentar o que mudou no Conector.
Mini: Pois então, não tenho dúvida de que faz diferença blogar com mais tempo livre. Eu também andei reduzindo meu ritmo no Conector por conta de outros compromissos profissionais e pessoais. Uma das coisas que me mudou pra mim nos últimos dois anos foram os comentários diários na Oi. Porque apesar do Minimalismo ser gravado, ele exige pesquisa e redação diárias, é um fluxo constante de conteúdo sendo que eu tenho o trampo na publicidade, família, banda e outros projetos. Então estou aproveitando a mudança que vem aí d’OEsquema pra repensar como eu vou lidar com o Conector no próximo ano. A questão é que eu GOSTO de escrever textos maiores, não tenho muito prazer em produzir uma blogagem mais estilo Tumblr, mas ao mesmo tempo preciso manter o blog vivo, então vou ter que encontrar um meio termo.
Bruno: Costumo dizer que leio o URBe. Não que leria, que leio mesmo, prq realmente é um weblog pra mim, vira um arquivão de referencia pra mim mesmo.
Agora, Matias, diz pra gente: qual o segredo das duas mil listagens, com links e imagens upadas, por minuto? Somos todos lerdos ou vc tem técnicas secretas pra driblar nossa versão de museu do WP?
Matias: Eu deixo um monte de posts prontos. E acordo cedo. Mas tou cogitando contratar estagiárias…
Bruno: Cheio de segredos. A primeira vez que vi o Matias de frente pra um teclado, na primeira vez que ficou lá em casa, lembro que fiquei assustado com a quantidade de atalhos. E olha que meus amigos me acham super rápido, hahaha!
Matias: Atalho nao é segredo 😉
Mini: Eu queria fazer uma pergunta para o Arnaldo: como ele se sente a respeito de produzir material só para o blog? Ele costumava fazer isso, agora não faz mais. Não rola umas sobras? Como funciona isso pra ti, Arnaldo? Seria jogar fora material que pode ser vendido? Como funciona pra ti essa dinâmica? Pra mim é mais fácil, porque fora a Oi eu não costumo vender meus textos, poucas vezes vendi. E quando entrou o Minimalismo na minha vida eu comecei a fazer algumas reservas de mercado pra mim mesmo. Tipo “opa, isso rende programa pra rádio, não vai pro blog tão cedo”. E também queria saber da experiência dele com o Casseta e Planeta, tenho a maior curiosidade.
Arnaldo: Sobras rolam, falta é tempo de atualizar, juro. Sério, tenho alguns planos de migrar definitivamente para TV e cinema, e manter quadrinho e cartum como hobby, tirando dois ou três trabalhos para algum órgão e o Mau Humor, naturalmente. Dava pra manter o blog alimentado só com as colaborações para O Globo, G1, Folha, Monet e com os investimentos a fundo perdido, ou seja, projetos para editais e coisas do tipo. Eu não costumo guardar muito não, trato com idéia como trato com dinheiro, tendo a gastar porque acho que Deus pune a avareza 😉
O Casseta é demais, porque o único briefing é não fazer humor hermético, coisa que evito de qualquer forma em qualquer trabalho que faça, pra não entender é preciso má vontade profunda ou ser analfabeto funcional (não gostar, outra história, hehe). Sempre entrego junto com o Allan material que assinaria sem pestanejar, alguns exemplos até postei no Mau Humor. Esta nova fase do programa (deve estrear ano que vem) é diferente da anterior nesse ponto: depois que os Cassetas recebiam o material eles assumiam a bola e moldavam o texto no formato do programa, e agora o material volta com as considerações deles e devolvemos (e recebemos de volta novamente etc) até os quadros ficarem de um jeito que caibam no programa e tenham nosso estilo. As reuniões são o melhor, gostaria de criar um reality show chamado “Reunião”, só deixar a câmera ligada lá e editar as melhores partes. E são todos ídolos, tenho minhas edições do Planeta Diário e da Casseta Popular encardenadas.
Mini: Uma última coisa que me ocorreu, que me esqueci de dizer. Muita gente acha que o nome Conector tem a ver com tecnologia… mas na verdade eu comecei o blog e botei esse nome pra conectar assuntos e universos diferentes que me interessam. Então o blog nasceu – e eu sempre tento resgatar e manter isso – pra eu processar coisas que eu leio, vejo, assisto, ouço, penso. É um processador multi uso, de certa forma.
Matias: E o que vem a seguir? Mantemos o mistério?
O André citou esse vídeo num comentário de post e me ocorreu: será que vão achar assunto pra autotunar algum falante londrino?
Material pra isso é o que não falta:
Esse Spock is Not Impressed já tava na agulha há um tempinho, eu que esqueci de postar.
E esse tweet?
Até tirei printscreen, mas prefiro que você siga o link e clique com o bonequinho do Street View no meio da rua pra ter a epifania por conta própria.
As fotos com os saques que aconteceram após os tumultos londrinos são a deixa perfeita pra um monte de photoshopeiro fazer suas críticas à natureza da motivação desses ataques. Eis o Photoshoplooter.
Enquanto os paulistanos organizam o Churrascão da Gente Diferenciada, os cariocas agitam o ZeldaDay.
Certo de que vamos lembrar de uma época em que os flash mobs eram organizados pelo Facebook…



































