Quem passou o mouse pela palavra “blogs” no cabeçalho do site durante essa semana deve ter percebido que ainda mais blogs estrearam no site. É isso aí: encerramos o ano com a estréia de quatro novos blogs, multiplicando o número de associados aOEsquema de quatro pra quinze. Onze blogs novos, onze cabeças novas – uma verdadeira seleção.
A Kátia Lessa foi um dos primeiros nomes que cogitamos quando resolvemos abrir OEsquema. Sempre grilamos com o fato de sermos quatro caras e termos o discurso naturalmente masculinizado, sem a sensibilidade característica do discurso feminino. O Kakaos fazia parte de uma frente que – como o Caracteres, o Olhômetro e o Patchwork – foi o primeiro time que escolhemos para tirar OEsquema do Clube do Bolinha – só que, na correria de fim de ano, Kátia só conseguiu fazer a mudança quase no natal. E a mudança inclui domínio novo. Portanto, é uma nova fase também para ela, que escreve na revista Sãopaulo da Folha e é uma das melhores repórteres de cultura e comportamento do Brasil.
Liv Brandão não estava entre os primeiros nomes porque seu Go to Heaven, que mantém há quase uma década, estava parado desde que entrou na equipe do Segundo Caderno do Globo. Viu a movimentação nOEsquema e nem precisou apelar para o pistolão natural – ela também é a senhora Arnaldo Branco -, pois conhecemos seu trabalho desde antes de ela conhecer o Arnaldo (o primeiro encontro dos dois, ora vejam, foi numa Gente Bonita que rolou na Fosfobox após o show do Bob Dylan no Rio de Janeiro). Rata de internet e viciada em cultura pop, ela é a caçula da nova leva, mas isso não quer dizer que ela seja a novata (o único novato dOEsquema é o Bracin).
Quem também aproveitou a mudança para reestrear o blog foi o mineiro Claudio Silvano, compadre de velhos carnavais e indie andarilho que já morou em lugares improváveis no Brasil mas voltou para sua BH há pouco tempo. Seu Anorak é um filtro fino de bom gosto em relação à música, design, fotografia, quadrinhos e nerdices digitais e só o falto de ter voltado a blogar já é motivo para comemoração.
E quem chegou quase no final de 2011 foi a Giovana Hallack, a Jô do 02Neurônio, que aproveita a mudança de casa para inaugurar um novo blog, o Defeito. Direto do Rio de Janeiro, ela flagra o dia-a-dia da cidade grande através da internet e vice-versa, sempre com a lente distorcida do jeito certo, como nos tempos do 02N.
Quatro novos blogs, onze novos nomes nOEsquema – e isso só nos últimos meses de 2011. Outros vêm aí, fiquem de olho. Mas só em 2012. Esperem e verão…
E na semana que vem tem a lista com os melhores discos de 2011. Hohoho!
Em oito passos. Via Não Salvo.
Que dó.
Legal que no final ele se vinga.

B.A., Cara de Pau, Murdock e Hannibal, da esquerda pra direita
Aconteceu essa semana, quando a Colmeia lançou três minidocumentários sobre três coletivos – por falta de melhor termo – para falar de como cada um deles funciona (além dOEsquema, eles também falaram com o Fora do Eixo e com a Soma). Até comentei na entrevista que o site ia crescer e que teríamos novos nomes em breve, mas no fim a edição acabou funcionando como o fim de fato da fase 1 dOEsquema. O fato dos quatro só termos nos encontrado pessoalmente na segunda passada – Mini e Arnaldo, por exemplo, nem se conheciam! – é sintomático: afinal, uma coisa é reunir nós quatro e outra é reunir todOEsquema, que, quem for mais esperto já percebeu, continua crescendo…
Já já eu falo mais disso.
Um documentário da BBC. Dizer que é muito bom é redundância.
O site chamou Rebecca Black pra comemorar o fim de ano e o fato de ter passado a marca de um trilhão de vídeos assistidos no site.
A lista dos dez mais assistidos (com os vídeos) tá no Link. Alguma dúvida em relação ao número 1?
A primeira novidade do Link em 2012 é que minha coluna saiu do Caderno 2 e passa a frequentar as páginas do caderno de segunda. E como essa é a última edição do ano, Impressão Digital nova só no ano que vem.
A revolução digital tem de sair da tela
No Ano Novo, resta tirar a cara de dentro do computador
Em setembro deste ano, quando transformou mais uma mudança de interface do Facebook em evento público, Mark Zuckerberg entrou no palco um tanto estranho. Em alguns segundos, deu para notar que não era Zuckerberg – e sim o ator do programa humorístico Saturday Night Live que o interpreta, Andy Sandberg, fingindo ser o criador da maior rede social do mundo.
Mark Zuckerberg e Andy Sandberg
Não há como saber se Steve Jobs, em seus últimos dias de vida, viu a performance, mas se o fez, deve ter grunhido, ao mesmo tempo em que ficava pasmo com a ingenuidade de Zuckerberg e o ridicularizava em pensamento.
Isso porque doze anos atrás, antes das apresentações de Steve Jobs se tornarem um fenômeno para além do círculo de carolas da Apple, ele havia feito essa mesma piada, ao convidar o ator Noah Wyle para apresentar a Macworld de 1999. Noah havia acabado de interpretar Jobs num filme feito para TV naquele mesmo ano – o cult Piratas do Vale do Silício – e o criador da Apple não pestanejou ao colocá-lo no palco para fazer o seu papel.
Steve Jobs e Noah Wyle
Mas diferente do que aconteceu com Zuckerberg, anos depois, o encontro do original com a cópia não foi um cumprimento boçal (“mas eu sou o verdadeiro Zuckerberg!”) e sim outra caricatura de Steve Jobs, dessa vez, feita por ele mesmo. Logo que Wyle começa a se entusiasmar com um “produto novo realmente ótimo”, Steve o interrompe para entrar no palco e lhe explicar como é o jeito certo de imitá-lo. Era o Jobs hiperbólico encontrando o Jobs control freak no mesmo palco. E o original conseguia ter mais carisma ainda que o antigo protagonista do Plantão Médico.
Corta para 2011. O principal nome do mundo digital é um nerd sem carisma, o cacique de uma tribo de 800 milhões de pessoas que passam o dia em frente a uma tela dizendo o que curtem. Zuckerberg bem que tentou, mas está longe de conseguir ocupar a vaga deixada por Steve Jobs. E isso é um problema, porque o mundo digital de Jobs e Mark eram relativamente parecidos – ambos queriam obrigar seus públicos a se firmar em torno de uma mesma marca, habitando um ambiente eletrônico administrado por uma empresa que faz o que quiser com dados pessoais de seus consumidores.
O Facebook de Zuckerberg já é conhecido por isso e o ano terminou com o próprio Mark postando em seu blog um pedido de desculpas em relação aos “erros” cometidos no passado – quando o site mudava os termos de uso sem avisar seus usuários, por exemplo. A Apple de Jobs também teve de se desculpar publicamente sobre a denúncia de que os passos dos donos de iPhone estavam sendo vigiados pela própria empresa. É o Big Brother capitalista – em que uma empresa, e não um governo, acompanha cada pequeno passo dado.
A ausência de carisma de Zuckerberg não é um exemplo isolado – é só o mais emblemático. Nenhum dos grandes nomes do mundo digital hoje, no Vale do Silício ou fora dele, proporciona o fator de admiração instigado por Jobs. Nem Larry e Sergey do Google, nem Steve Ballmer da Microsoft, nem ninguém do Twitter, da Zynga, da Sony ou da Rovio.
Os executivos voltaram a ter cara de executivos e o popstar digital – a era de ouro de Jobs e Gates – parece ter ficado no século 20.
Isso também não é exclusividade das empresas de tecnologia. Os líderes do século 21 pouco inspiram. É um fenômeno que tem a ver com a frustração e a angústia que alimenta o oba-oba da curtição no Facebook ou o consumismo desenfreado da era pós-iPhone.
Todos querendo preencher um vazio espiritual na marra, em grandes quantidades. Milhares de amigos, dúzias de gigabytes, milhões de MP3, não-sei-quantos de memória RAM ou de banda larga.
Acontece que ao mesmo tempo em que 2011 viu o fim do grande produto da Apple – o próprio Steve Jobs –, também assistiu a esse mesmo vazio sendo preenchido longe das biosferas digitais. Milhares de pessoas tomaram as ruas em centenas de cidades ao redor de todo o mundo para reclamar dessa insatisfação generalizada.
Começou logo em janeiro com a Primavera Árabe, passou pelos protestos na Espanha, pelos tumultos na Inglaterra e culminou com o movimento Occupy, que a princípio ocupava apenas o Zuccotti Park, perto de Wall Street, em Nova York, e depois tornou-se global. Até mesmo as marchas realizadas na Avenida Paulista e o infame Churrascão da Gente Diferenciada em Higienópolis, em São Paulo, fazem parte dessa recusa planetária, que usa o próprio Facebook e as câmeras em telefones celulares para divulgar o que está acontecendo – a favor e contra.
Muitos desses protestos começaram especificamente a partir de denúncias feitas na internet. Fatos que foram simples como o vídeo online que deu origem à maior manifestação popular na Rússia desde o fim da União Soviética ou arbitrários como a decisão do governo de Hosni Mubarak de cortar a internet do Egito.
Esse movimento popular planetário sem liderança, sem ideologia e sem vínculos partidários acabou se tornando uma espécie de materialização da própria lógica da internet – em que ninguém controla ninguém.
Portanto, foi natural e incontornável a identificação do levante com o discurso do grupo de hackers Anonymous, que teve seu símbolo agregado definitivamente aos novos manifestantes.
E a máscara do terrorista inglês Guy Fawkes, redesenhada por David Lloyd no libelo libertário em quadrinhos V de Vingança, de Alan Moore, deixou de ser um ícone na tela como era na época em que representava apenas os Anonymous para ganhar as ruas do planeta. Todo mundo se identificando com um não-símbolo, o logotipo do anonimato.
Junte as pontas. Esses dois acontecimentos distintos – a morte de Steve Jobs e a série de protestos populares pelo planeta – parecem não ter comunicação entre si, mas o fato é que sem um líder carismático o suficiente para ser admirado, as multidões vão exigir cada vez mais. E vão começar a entender que a lógica fechada que querem impor à internet – e à rotina offline – é oposta às inovações culturais que a tecnologia digital têm proporcionado ao mundo. O direito autoral deve ser flexibilizado; o direito ao anonimato, preservado; o acesso ao conhecimento, mantido. Alianças e parcerias fazem parte da natureza do ser humano antes ou depois da internet.
É quando descobriremos que a revolução digital não termina na tela – e sim quando alcançamos quem está do outro lado dela. A essência desse zeitgeist materializado que entrou em nossas vidas reside em seu nome. A internet é uma rede de interconexões que não está limitada apenas a quando estamos na frente do computador. Somos praticamente anfíbios e habitamos o mundo seco (offline) e o molhado (online) ao mesmo tempo. Mas ainda estamos encantados com a descoberta do respirar debaixo d’água que é viver na internet. Resta agora começar a tirar a cara de dentro do computador e perceber que a vida a nosso redor. 2012 nos espera. Será um ano memorável e sairemos todos melhores do que entramos.
Feliz Ano Novo.
Como descrevemos na edição dessa semana, foi um ano intenso. Mas, ao mesmo tempo, foi incrível. Só pra ser prático: fizemos o caderno da concorrência mudar de nome (que agora é curto e terminando com o fonema “c”), de editor e de dia de publicação (o mesmo do Link). Mas isso é um detalhe que só importa aos chefes. O melhor de tudo, como sempre, é poder fazer o melhor suplemento dos jornais brasileiros com esse time aí de cima, falando de assuntos que interessam à maioria das pessoas hoje em dia e elevando o nível da discussão. Em que outro veículo em português você tem textos do Peter Thiel, Evgeny Morozov, Douglas Rushkoff, Tom Rachman, James Gleick (duas vezes), Lawrence Lessig, Tom Anderson, Richard Stallman e Jonathan Franzen? Fora que entrevistamos gente do naipe do Moot, Clay Shirky, Miguel Nicolelis e Steve Wozniak. Isso sem contar a publicação da íntegra do discurso de Jobs em forma de poster. O melhor de tudo, no entanto, é poder trabalhar todo dia com gente que dá gosto de ser colega de trabalho. Helô, Tati, Camilo, Filipe, Murilo e Carla (além do Fred e do Rafa, que saíram durante o ano, e do Thiago, o animal que dá a cara do caderno) não são só as melhores companhias de expediente como são ótimos amigos, grandes pessoas e profissionais de alto nível. Trabalhar com gente assim faz a gente esquecer que é trabalho. Feliz ano novo pra vocês, meus queridos.






