Liv entrevistou o “mago”:
“Acho que os escritores simplesmente não entendem o que está acontecendo e sofrem da síndrome de Van Gogh: ‘Vou morrer e as pessoas vão descobrir minha arte’, o que é um equívoco. Ou eles se adaptam a essa realidade ou não vão sobreviver. Recentemente li uma reportagem no Guardian que dizia que eu só podia agir assim porque sou rico, o que não é exatamente verdade. Quando eu comecei, tudo o que eu mais queria era ser lido, se existisse e-book naquela época, eu certamente apoiaria.”
A entrevista inteira tá no site do Globo.
Na edição dessa semana do Link, publicamos um texto do Cory Doctorow em que o editor do Boing Boing fala sobre o porquê do papel central da música, desde o Napster, na discussão em relação às liberdades digitais:
Então, por que a indústria musical continua a ser vista como o bicho-papão das disputas políticas da internet? Brown chamou o ato de baixar músicas de “o pecado original da internet”, imaginando que continuaremos a falar de música por bastante tempo.
Acho que ele está certo. A música existe num ponto especial de intersecção entre o comércio e a cultura, entre o esforço individual e o coletivo, entre a identidade e a indústria, e entre o digital e o analógico. Ela é a forma de arte perfeita para criar uma controvérsia infinita na internet.
O texto inteiro tá no site do Link.
Os Beatles lançaram mais uma coletânea, desta vez apenas via iTunes (portanto, digital), chamada Tomorrow Never Knows, como foco no caráter pioneiro e vanguarda da maior banda de todos os tempos. Além do vídeo acima de “Hey Bulldog”, que já circulava via YouTube e agora foi oficializado, o disco ainda conta com a seguinte seleção de faixas:
“Revolution”
“Paperback Writer”
“And Your Bird Can Sing”
“Helter Skelter”
“Savoy Truffle”
“I’m Down”
“I’ve Got a Feeling” (Let It Be… Naked version)
“Back in the U.S.S.R.”
“You Can’t Do That”
“It’s All Too Much”
“She Said She Said”
“Hey Bulldog”
“Tomorrow Never Knows”
“The End” (Anthology 3)
É uma coletânea besta, as músicas só conseguem ser costuradas pelo fato de não serem as músicas mais conhecidas do grupo, e não traz nada de novo, só compila coisa que todos os fãs já conhecem. Mas o detalhe é a capa:
Não duvide que Tomorrow Never Knows seja apenas um teste de mercado da banda em 2012 para saber qual o impacto do lançamento da discografia do grupo em vinil… Se uma coletânea meia-boca (meia-boca dos Beatles, né…) em MP3 vender bem, quem sabe…
E não custa lembrar que o Yellow Submarine está às vésperas de ser relançado em blu-ray… e será que vai passar nos cinemas daqui? Imagine só…
O mesmo pessoal da Polygon que fez aquela breve história dos videogames voltou ao tema desta vez mais especificamente lembrando como evoluíram os jogos feitos para computador.
E a minha coluna desta edição do Link foi sobre o assunto da capa, que falou sobre a chegada da internet aos carros.
Conectar-se à internet é só o início do automóvel do século 21
Conectividade mudará a forma de dirigir
Eu sou o passageiro. Me penalizo mentalmente recitando a infame versão do Capital Inicial para “The Passenger”, de Iggy Pop, sempre que entro num carro. Não dirijo há mais de cinco anos e sempre que entro num carro vou para o banco do carona ou para o banco de trás, por ser vítima de um acidente que me impede de retomar a direção. Isso será resolvido em breve, mas divago.
Não usava celular quando parei de dirigir, mas naquela época telefone celular não era sinônimo de computador de bolso e sim de telefonia móvel. Por isso, nunca usei o celular enquanto dirigia, o que me dá uma certa aflição quando vejo alguém com uma mão no volante e outra no telefone. Ou apertando o celular entre o ombro e a cabeça para usar as duas mãos ao dirigir. Meu inconsciente cogita as piores hipóteses, principalmente quando estou no carro em que o motorista fala ao celular. (Não estou culpando os que fazem isso – talvez se dirigisse hoje em dia provavelmente fizesse o mesmo.)
Mas desde que deixei de ser motorista para ser passageiro que o celular vem mudando e hoje é um companheiro inseparável ao táxi. Se antes eu folheava livros e revistas, hoje me dedico a responder e-mails, checar redes sociais e jogar Angry Birds, meu maior vício virtual portátil. E se me dá agonia pensar num motorista dirigindo e conversando ao telefone, é inevitável ficar preocupado sempre que vejo alguém dirigindo e olhando para o celular ao mesmo tempo. Já peguei carona com quem mandava SMS ao mesmo tempo em que passava marcha e girava o volante – não duvido que tenha gente que faça o mesmo enquanto compartilha links no Facebook ou tira fotos para publicar no Instagram.
Mas, ao mesmo tempo em que o celular virava um computador de bolso, outros acessórios eletrônicos começaram a aparecer no carro. Primeiro veio o GPS, depois o aparelho de DVD portátil e em pouco tempo esses equipamentos permitiam até mesmo assistir à televisão. Na paralela, você poderia conectar o telefone ao som do carro e usar o telefone para chamadas de voz sem ter que segurar o aparelho com as mãos.
O que estamos às vésperas de presenciar é uma convergência entre estas tecnologias e o próprio carro. Mais do que isso: se o telefone em cinco anos virou um computador de bolso, em menos tempo que isso o carro se transformará em um computador que lhe conduz.
Isso nos leva a um futuro incrível de aplicativos que dão dicas de como estacionar direito, computadores de bordo que avisam em qual posto você deve parar para abastecer antes de ficar sem gasolina, bancos que se regulam automaticamente de acordo com quem assume o volante, automóveis que avisam à portaria que estão chegando e abrem o portão da garagem. Este futuro culmina-se com carros que dirigem sem precisar de motoristas, algo que já vem sendo testado por diferentes empresas, inclusive pelo Google.
Mas este é um futuro ideal, que não conta com pane na rede, sinal fraco de 3G, incompatibilidade de sistemas operacionais e de formatos, sites fora do ar.
Acha pouco? E que tal saber que, tal como ocorre com as redes sociais hoje, seu carro poderá ser localizado onde estiver, mesmo que você não queira permitir? Ou que você possa trabalhar – sob a supervisão do seu chefe – desde que entra no carro?
Mas há também possibilidades que só foram supostas. Alguém já deve ter pensado numa rede social que funciona no trânsito, um Foursquare de carros, que indica onde seus amigos estão naquele momento – ou que permita que você possa seguir determinados perfis que avisam qual é o melhor rumo a ser percorrido na hora em que o trânsito para. Será que os helicópteros que sobrevoam São Paulo para registrar como andam as principais vias da cidade se tornarão obsoletos?
O fato é que o carro do século 21 começa a engrenar. Ele pode até voar daqui a algumas décadas, como no futuro dos Jetsons. Mas antes disso, prepare-se para a grande reinvenção do carro a partir da internet. Se ela já mudou tanta coisa, não ia deixar de mudar até como nos locomovemos.
Saca só: www.avenidabrasil.com.br
A última novela que assisti foi Kubanakán, mas essa trollada do Sílvio Santos foi foda…
Na edição de segunda do Link, falei da relação entre os óculos do Google e a nova série de Bryan Singer, H+…
O dia em que iremos usar chips implantados no cérebro
Do Google Glasses à nova série de Bryan Singer
Há três semanas, o Google mostrou que tem anos de vida pela frente ao desvendar, entre suas novidades, sua linha de hardware. O tablet Nexus 7 já era especulado. E a central de mídia Nexus Q, por mais diferente que fosse seu design esférico, é um hub digital como muitos que já existem no mercado.
O Google Glass apareceu na cara de Sergey Brin e o cofundador do Google explicou que abriria a geringonça para os desenvolvedores que quisessem criar ferramentas para aprimorar seu uso. De fora, os óculos parecem diferentões – fazem as vezes de câmera, computador e monitor. Dá para filmar sem usar as mãos, além de obter informações, na própria “lente”, sobre o que se vê através dos óculos. No futuro, usando o Google Glass, você olharia para uma rua qualquer e, pela parte de dentro das “lentes”, seria possível identificar os estabelecimentos sem sequer ler as suas fachadas.
Imagine este futuro próximo cheio de pessoas usando óculos que permitem que elas se comuniquem sem falar ou usar as mãos; que façam buscas online só com o olhar; que filmem e tirem fotos sem que se mexam. Quem reclama da onipresença e do vício de duas ou mais gerações de telefones celulares tem motivos de sobra para se preocupar com esse futuro. Que, inevitavelmente, nos leva à assustadora profecia em que chips serão instalados nas pessoas.
Profecia literalmente apocalíptica: “E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas / Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”, é o que diz o Apocalipse de São João, no capítulo 13, versículos 16 e 17.
O detalhe que não foi lembrado na apresentação do Google Glass é que tanto Brin quanto o outro fundador da empresa, Larry Page, já haviam cogitado uma versão ainda mais sinistra destes óculos ao jornalista Steven Levy, que escreveu um dos livros-chave sobre a ascensão do Google, In the Plex, que ainda não foi lançado no Brasil.
“Isto será colocado dentro do cérebro das pessoas”, disse Page. “Quando você pensar em algo e não souber muito sobre aquilo, você receberá mais informações automaticamente.” “É verdade”, continuou Brin, “no final, vejo o Google como uma forma de acrescentar o conhecimento do mundo ao seu cérebro. Hoje você liga o computador e digita uma frase, mas dá para imaginar como isso será mais fácil de fazer no futuro quando tivermos dispositivos acionados pela voz ou computadores que prestam atenção no que acontece ao redor deles.” Page completa. “No fim, teremos um implante em que basta você pensar em algo para que ele lhe traga a resposta.”
Assustador é pouco. (Mas pode ser que haja um certo medo reacionário em relação ao novo, ativado por nosso cérebro reptiliano, que só pensa em atacar ou fugir.) Ao mesmo tempo, parece encantadora a ideia de não precisar de um smartphone para consultar os horários do cinema mais próximo ou ligar o computador para checar a grafia de um sobrenome estrangeiro. O problema não está na nossa aparentemente inevitável evolução ciborgue, mas no fato de que esta tecnologia, maravilhosa na teoria, pode dar errado na prática.
É a premissa do seriado H+, do diretor Bryan Singer (o mesmo de Os Suspeitos e dos primeiros X-Men). Um futuro próximo em que as pessoas implantam um chip na nuca que as permitem viajar por mundos virtuais sem que isso seja percebido como uma não-realidade. Na série, que estreia em agosto e apenas na web, um vírus infecta a rede e as pessoas que possuem o chip implantado simplesmente morrem.
Mas há outra opção: a de nos atermos tanto aos mundos virtuais que nem sequer fazemos mais distinção entre o que é realidade e o que não é.
Parece radical? Sim. Mas não é preciso esperar os chips chegarem. Afinal, muitos já usam a internet como uma forma de se descolar da realidade. O problema, como sempre, não é a tecnologia, mas o que fazemos com ela.
Vi no Blue Bus.
E na minha coluna no Link dessa semana foi sobre como o Google deve sobreviver ao Facebook.
Está cansado do Facebook? Espere só a eleição começar…
Google pode sobreviver à ascensão do ‘Feice’
Todos querem saber qual será o “próximo Facebook”. Ou pelo menos a rede social vai substituí-lo. Isso em menos de uma década após o Orkut ter aparecido no Brasil dando início a uma sucessão de novos serviços de relacionamento online que foram ganhando adeptos – e ultrapassando os anteriores – pouco depois de os primeiros usuários perguntarem-se “para que serve isso, afinal?”.
Orkut, MySpace, Twitter, Facebook, Tumblr. LinkedIn, Pinterest, Instagram. A lista continua para todos os lados, levando em conta a quantidade de redes sociais de nicho que não param de surgir. Mas a apreensão em relação ao substituto do Facebook não vem apenas a partir da substituição sazonal que já nos acostumamos em relação a este tipo de site. Pelo contrário – a expectativa de uma nova rede social está mais ligada a uma espécie de fadiga que cada vez mais as pessoas estão sentindo em relação à maior rede social do mundo.
Veja o que aconteceu na semana passada, por exemplo. Desde a segunda, à espera da final da Taça Libertadores, que aconteceria na quarta, a rede social foi tomada por uma polarização drástica – corintianos versus anticorintianos versus pessoas que “não supoooooortam ouvir falar em futebol”. Pior que isso é que estes grupos resolveram entupir suas próprias timelines com uma avalanche de imagens, mensagens e links relacionados à disputa. Eu, corintiano, não reclamei. Mas houve quem cogitasse seriamente sair do Facebook.
Isso fora as práticas nada agradáveis que a rede social sempre tenta esconder, como a mudança do e-mail pessoal exposto no perfil de cada um. O Facebook simplesmente sumiu com o e-mail que cada um de seus usuários dispôs para entrar na rede, trocando-o pelo próprio e-mail @facebook.com. É só mais uma na enorme lista de ações desagradáveis praticadas pela rede social.
Mas haverá mesmo uma rede social que suplantará o Facebook? Há quem ainda aposte na tal “camada social” que o Google criou para interligar todos seus produtos, o Google Plus. Mas como há uma oferta cada vez maior de redes sociais de nicho no mercado, não duvide que a presença do Facebook possa ser substituída por vários destes diferentes serviços, cada um deles voltado para uma atividade ou grupo de amigos.
O que nos leva à discussão sobre o tempo de validade do Facebook. Mesmo que continue crescendo, a rede social cada vez mais age como um player de publicidade, interligando seus milhões de cadastrados a empresas que queiram ter acesso a esta base de dados de usuários. Tudo bem que o Google também age como uma empresa de publicidade e que é daí que vem sua maior fonte de renda, mas ele não oferece apenas um ambiente digital de relacionamentos, mas uma série de recursos – mapas, e-mail, o YouTube, o sistema operacional Android, o navegador Chrome, entre muitos outros – que convergem rumo às palavras-chave que caracterizam seu modelo de negócios.
Já o Facebook apenas aprimora um formato já existente. A maior novidade oferecida pela rede ainda é especulação – depois do botão “Curtir”, eles estariam prontos para lançar o botão “Querer”. Mas este botão só facilita a vida dos possíveis parceiros do Facebook, e não oferecem novas formas de interação que vão além das já existentes.
O Google, por sua vez, segue expandindo seus tentáculos. Mostrou no mês passado um novo sistema operacional, um tablet e até seus óculos futuristas, que tiram fotos e filmam, além de enviarem dados por suas lentes. Tudo termina em publicidade, mas são atividades e produtos realmente novos.
A fadiga em relação ao Facebook, por outro lado, está só no começo. E para quem lamenta o cansaço a partir de um jogo de futebol, não esqueça que as eleições vêm aí. E que ela pode dar início a uma evasão em massa da rede social.
Por mais que permaneça atuante por muito tempo (o MySpace ainda existe, não custa lembrar), cogito que o Facebook deve aos poucos deixar de ser tão central em questão de um ano ou menos. Já o Google, por ampliar seu horizonte cada vez mais, deve seguir importante por mais tempo que isso.
A redescoberta da ingenuidade
Começou ainda no Alberta. Tentei postar uma foto tirada da cabine da pista da Noite Trabalho Sujo (a foto da Bárbara tirando fotos da cabine acima), como faço toda madrugada de sexta pra sábado e o Instagram não respondia. Pensei que fosse o sinal de Wi-Fi da casa, mas saí pra pegar ar e sinal de telefone – e o 3G também não dava sinal de vida no aplicativo. Desisti, voltei pra festa e quando acordei horas depois, retomei o ritual depois de fotografar o céu (“#CliMatias”, diz o Bruno). E nada. Pensei que o problema fosse só comigo, mas bastou abrir qualquer rede social para perceber que um certo volume considerável de pessoas resmungando sobre o fato. O Twitter do Instagram avisava que uma “tempestade elétrica” tinha tirado os servidores do ar. A mesma tempestade atingiu Netflix e Pinterest, que voltaram a funcionar aos poucos. Mas nada do Instagram. Como tinha um programa pré-almoço na agenda saturnina e não queria perder meu registro diário. Fui para o Twitter e twittei um instagram por escrito:
Em questão de segundos, minha fiel colaboradora do Sujo Gi Ruaro, lá de Londres (que recém casou, podem dar os parabéns), pegou carona na minha idéia e a expandiu em uma hashtag:
Como o meu tweet anterior já havia sido replicado algumas vezes, resolvi aproveitar carona na hashtag da Gi e tuitei meu instagram por escrito de fato:
Quando cheguei no Parque do Ibirapuera, onde iria me encontrar com um casal de amigos em um piquenique, o instinto me levou a procurar algum sinal de vida na rede social do aplicativo de fotos com filtro, ainda sem sucesso. Mas bastou passar pelo Twitter para ver que…
A hashtag havia colado. Tanto de maneira sincera – gente tuitando o que deveria estar postando no Instagram – quanto, principalmente, irônica – gente ridicularizando fotos e atitudes na rede social:
Até O Globo…
…e a Fernanda Paes Leme entraram na onda:
A avalanche de tweets colocou a hashtag no topo dos trending topics no Brasil (meta pra muito xoxomidia tupiniquim) e explicitou três aspectos que já venho percebendo há algum tempo – dois óbvios, um nem tanto. Os dois primeiros beiram o ridículo da evidência: o Instagram popularizou-se de vez no Brasil a ponto de sua linguagem ter sido completamente assimilada pelo menos por quem está online (o que não é pouca gente) e que os trending topics do Twitter já não são o que foram um dia; medem o pulso de uma rede social específica, não mais o de toda comunidade online.
A terceira constatação é bem interessante e diz respeito à utilização da ironia. Diferente de uma forma de humor (como pensa a maioria dos que se acham irônicos), ironia é uma figura de linguagem que quer dizer justamente o contrário do que está sendo exposto. A frase “só uma pessoa muito inteligente para perceber isso”, por exemplo, é irônica ao sutilmente xingar de burra a pessoa em questão.
O problema é que a ironia funciona melhor em doses homeopáticas. Muita ironia cria a síndrome do menino que gritava lobo – e não é mais possível perceber se o que está sendo escrito ou dito é de verdade ou é só uma sacada esperta. Muitos tweets com a hashtag Instagramporescrito caminhavam nesse fio da navalha. Eram tão irônicos que poderiam ser de verdade. Não dava pra saber se o autor estava brincando ou sendo brincado. E assim completavam o loop da ironia – se a ironia é uma volta de 180 graus, a ironia da ironia é a volta completa para continuar no mesmo lugar.
E isso não era exclusividade da hashtag do sábado passado. O humor na internet quase sempre esbarra nesse duplo sentido e o que parece idiota para alguns, para outros é brilhante (exemplos abundam: Cersibon, o humor involuntário do Yahoo Respostas, Homem Aranha Anos 60), pulverizando assim o tal “bom gosto” do fazer rir ao tornar ainda mais tênue a distinção entre a grosseria e o humor politicamente incorreto ao mesmo tempo em que transforma qualquer grosseiro em novo “gênio do humor”.
Essas fórmulas estão se desgastando e o humor como provocação vai perdendo espaço para outro tipo de reação – que não necessariamente parte do humorismo – que também é típica da internet: o nonsense total, o esvaziamento do excesso de referências do século 21. Talvez seja uma redescoberta da ingenuidade ou só uma forma de exorcizar esse loop de significado protagonizado pela ironia da ironia. Não deixa de ser uma boa notícia.















