

Galera tá reclamando que o Instagram mudou suas politicas de uso e agora teoricamente pode vender fotos tiradas através do aplicativo. Não é bem assim, mas sempre tem algum brasileiro pra salvar a histeria com humor, como é o caso do CAMBISTAGRAM, veja abaixo:

Minha coluna no Link de segunda-feira foi sobre novos hábitos digitais e um pouco de tolerância no ano que vem.

Uma sugestão de resolução de ano novo que vale para todos
Convivemos com velhos e novos hábitos
Fim de ano é sempre a mesma coisa: além das compras e viagens, as pessoas aproveitam para fazer aquela reflexão. Esse momento, na maioria das vezes, se traduz em listas: melhores do ano, resoluções, presentes, convidados, metas.
O site Gawker fez uma dessas, mas, em vez de pensar no melhor do ano, listou o pior. Entre os itens, modinhas hipster (calças skinny, bigodes irônicos), acessórios engraçadinhos (calçados com dedos) e itens do universo do Link, como perfis no Twitter criados para parodiar personalidades, fotos de comida no Instagram e fones de 300 dólares.
Queria aproveitar a deixa para falar de hábitos digitais e, em vez de apenas apontar o que não deveríamos fazer, refletir sobre nossa ética, etiqueta e educação em relação ao novo século digital.
Costumamos rir de nossos pais quando narramos suas desventuras pela internet. A mãe que manda lembranças com palavras meigas no meio de uma discussão acalorada no Facebook. O pai que forwardeia todo e-mail sobre um novo golpe. Ela entope o MSN de emoticons, coleciona power points e tagueia você em fotos da sua adolescência que você não queria que tivessem sido registradas. Ele compartilha listas de piadas d’antanho, descobriu ontem o Battle at Kruger (o clássico vídeo em que um rebanho de búfalos defende um bezerro na savana africana) e manda e-mails desmentindo lendas urbanas. Os dois ainda usam o Internet Explorer, riem “kkkkkk” e perguntam como faz para fazer a carinha sorridente no Facebook.
Rimos com uma camada falsa de superioridade, só porque nos acostumamos com a rede antes de nossos pais. Mas nós também nos comportamos mal online. São gestos que parecem triviais, mas que demonstram tanta falta de familiaridade com a internet quanto nossos pais.
Vivemos uma transição, o que faz muitos se sentirem melhores apenas por usarem os meios digitais há mais tempo. O comentário “old” (velho, em inglês) – dito mesmo em discussões em português quando alguém linka algo achando que é o primeiro a trazer aquela informação – serve como diagnóstico deste momento. A cultura de internet ainda é cíclica – se você se sente decano por ter usado internet nos tempos de conexão discada, saiba que milhões de novos usuários vão conectar-se pela primeira vez usando celulares. E vão descobrir o prazer de mandar vídeos para amigos, quebrar a cabeça até entender o humor nonsense da rede e divertir-se com gifs animados. Eles, como nossos pais, escrevem com o Caps Lock ligado sem saber que isso é como gritar. Colocam imagens na assinatura do e-mail, cumprimentam celebridades no Twitter como se elas fossem responder, acreditam em sites de notícias falsas.
A primeira reação de quem já habita a internet é tratar os novatos com repúdio, ironia ou pena. E, ao fazer isso, estamos sendo tão sem noção quanto os que acabaram de entrar.
Vai chegar o momento em que não vamos mais conseguir nos desconectar. Nossos celulares-computadores estão online o tempo todo. Em questão de anos estaremos organicamente conectados – não custa lembrar que o projeto original do Google Glasses não era um óculos, mas uma lente de contato.
Gosto de comparar o mundo online e offline com a terra e a água, e estamos vivendo aquele momento em que deixamos de ser animais terrestres para nos tornarmos anfíbios. Para quem já sabe respirar dentro da água da internet, qualquer tentativa atrapalhada de nadar parece ridícula. Calma. Houve um dia que não soubemos nadar.
Por isso, listo apenas um item que devemos abandonar em 2013. A impaciência. Em vez de rir, ensine. Em vez zangar-se, mostre. Uma das grandes vantagens da internet é sua natureza colaborativa, que pode nos fazer sair dessa era de individualismo bizarro para voltar a conviver uns com os outros.
Isso também vale para o mundo offline. Mas se começarmos a pensar nisso com a internet como cenário, torna-se mais fácil chegar ao próximo estágio.

Via Savage Chickens.

A correria, a pressa, a falta de tempo, a mudança na rotina, a preguiça, a procrastinação… Tudo isso pode servir de desculpa para o fato de eu não ter apresentado os novos blogueiros dOEsquema, que já estão em plena produção (se você freqüenta nossa home, já deve ter reparado). Peço desculpa aos novatos, que já deviam ter sido apresentado há eras, e aos leitores, que trombaram com estes novos blogs sem entender direito o que estava acontecendo. Vamos aos quatro:
A única menina desta leva, a vinda da Tati prOEsquema também foi uma maneira de não perder o contato diário com esta que é um dos grandes talentos do atual jornalismo brasileiro – e uma das pessoas mais fodas que eu conheço. A descobri nos tempos em que trabalhava na Trama, onde foi estagiária da agência de notícias que eu coordenada no projeto Trama Universitário, e acompanhei seu trabalho de conclusão de faculdade tornar-se o livro fundamental que ainda não havia sido escrito sobre a psicodelia brasileira. Chamei-a para trabalhar no Link assim que virei editor do caderno e pilhei-a para ter um blog que logo tornou-se a coluna que leva seu nome no jornal. Esta semana ela tornou-se editora-assistente do Link, mesmo cargo que eu tinha quando entrei no Estadão, e seu Esquina, já com atualizações à toda, mostra um lado mais íntimo e trivial de uma autora que, aos poucos, gabarita-se nos Grandes Temas. É ótimo ser vizinho dela.
Outro novo vizinho que também era colega de Estadão é o Ramon Vitral, mais um talento em ascensão no jornalismo brasileiro – e suas especialidades, como pode-se perceber pela pauta de seu veloz Vitralizado, são quadrinhos, cinema e a extensão área de intersecção entre estas artes irmãs (ou, como ele descreve no subtítulo do blog, “conteúdo aleatório justaposto em sequência deliberada”). Ramon já era leitor e comentarista do Sujo muito antes de sair de sua Juiz de Fora em Minas Gerais rumo a São Paulo, mas só o conheci pessoalmente nos corredores do Limão, quando dividimos algumas pautas no Divirta-se (o caderno de programação cultural do jornal em que Ramon trabalha), como a capa sobre as referências do Super , do J.J. Abrams.
O terceiro integrante da nova turma é velho conhecido dos leitores de blog no Brasil e parceiro de longa data. O jovem mestre Fred Leal também passou pelo Estadão e ficou por quase dois anos no Link e depois de uma temporada por Buenos Aires voltou à sua cidade-natal, a mítica Paracambi no interior do Rio de Janeiro, de onde posta seu Axioma. Fred é um dos capos da Fundação para o Amparo e Bem Estar Psicodélico – a Fubap, onde mantenho o Vida Fodona, e depois de roubar alguns talentos e amigos de seu celeiro de talentos (Babee, Pattoli e Silvano tinham blogs por lá antes de vir para OEsquema) resolvi cooptar o próprio dono do time. Bom estar mais uma vez ao lado de Fred.
O caçula da leva eu só conheci pessoalmente – e brevemente – este ano, mas acompanho de perto o trabalho de Tomás Pinheiro tanto em seu Tumblr original (o Entretenedor, que virou o nome oficial de seu site nOEsquema) quanto suas contribuições para o carioca Party Busters (ele também era, ao lado de mim, do Pattoli e do Bracin, um dos entusiastas das t-girls – quem lembra delas?). Seu faro para a boa música e antena ligada para novidades pop e cabeça na mesma medida tornam seu Entretenedor – sua “chautauqua pessoal”, como descreve – uma visita obrigatória pra quem quer saber quem faz música boa hoje em dia.
Devidamente apresentados, eis nossos novos blogueiros, sejam bem-vindos, sintam-se à vontade e, leitores, tratem-os bem. Eles, no entanto, não serão os últimos a entrar em 2012. Completamos, com o fim deste ano, o primeiro ano de expansão dOEsquema, em que deixamos de ser apenas quatro vozes (eu, Bruno, Arnaldo e Mini, os Founding Fathers deste Novo Mainstream) e nos tornamos um coletivo de indivíduos incríveis. Outros nomes virão até o fim do ano – quando terminaremos nossa fase 2.
E a fase 3 começa em 2013…

Bem boa a capa do Ilustríssima dessa semana, em que o compadre Cardoso vê-se obrigado a passar uma semana desconectado. Justo ele…
“Minha droga favorita sempre foi o e-mail. Não sei precisar quantos já escrevi no total, mas só de 2004 pra cá foram mais de 300 mil. Estimo que na época do “CardosOnline”, fanzine por e-mail (!) que editei entre 1998 e 2001, deve ter sido muito mais.
Eu passava de 8 a 10 horas por dia apenas lendo e escrevendo e-mails. A média caiu um pouco nos últimos anos, mas ainda hoje passo mais tempo lendo e respondendo e-mails do que fazendo qualquer outra coisa quando estou on-line. Até porque, no fundo, é como diz aquela gostosa canção cheia do groove sensual que exsuda dos muitos lábios de Janet Jackson: “You don’t know what you’ve got ‘till it’s gone” (algo como “você só sabe o que tem em mãos quando a coisa acaba”).
Uma semana sem internet. Tentei me lembrar das várias vezes em que isso devia ter me acontecido, mas não consegui. Muitos anos atrás, quando ainda existia uma separação bem visível entre os mundos on-line e off-line, era mais possível.
Internet só no computador, conexão discada, planos de horas (eu tinha 30 por mês). Atualmente, com internet sem limites no celular, no videogame, nos parques, restaurantes e até na geladeira, difícil é não estar conectado.
Quer dizer, difícil pra você. Pra mim beira o impossível.
A íntegra do texto segue no site da Folha e a foto que ilustra o post é a foto que o Cardoso tirou, via Instagram, da ilustração que o Laerte fez para seu texto – e que não sei porquê não está na versão online do caderno. Vacilo, ajeitem aê.

Minha coluna no Link de segunda-feira foi sobre uma prática cada vez mais comum – a de filmar shows.

A geração que filma os shows não está perdida
Não foi reclamando que o homem evoluiu
Sou desses que filmam show. Vou a shows com bastante frequência e gosto de guardar o registro de quando vi alguns de meus artistas favoritos. Comecei há quatro anos, quase de brincadeira, mais para testar uma câmera digital. Gostei do resultado, o som ficou bom e como gosto de assistir a vídeos de shows (mesmo amadores), entrei para este time.
Antes que arremessem latinhas em mim, lembro que tomo algum cuidado. Sou alto, portanto não preciso erguer o braço, e posiciono a câmera em frente à minha cabeça. Se alguém atrás de mim não consegue ver o show, é mais pela minha altura do que pela câmera. E filmo sem olhar o tempo todo para a câmera, assim vejo o show de fato sem me preocupar com o que é gravado.
Não sou o único, como podemos ver em qualquer show. Basta que as luzes da plateia sejam desligadas ao mesmo tempo em que as do palco são acesas para que, aos poucos, comecem a aparecer pequenos retângulos luminosos. É o público erguendo câmeras e celulares para fazer vídeos e fotos, para serem compartilhados em suas redes sociais favoritas.
É inevitável a reclamação reacionária. “No meu tempo as pessoas assistiam ao show”, “no meu tempo as pessoas queriam ver o artista e não ficar mostrando que estavam no show”, “no meu tempo a experiência era mais importante que o registro”. Não duvido. Mas os tempos mudaram. As pessoas não usam mais terno e gravata para viajar de avião e podem comer no cinema.
Há um desenho que circula há um tempo na internet que compara a evolução do público em shows a partir de mãos erguidas. Nos anos 60, os hippies levantavam as mãos com os dedos em “V”, celebrando a paz e o amor. Nos anos 80, fãs de heavy metal erguiam a tal “mão de chifres” típica do gênero. Nos anos 90, punhos fechados para fãs de rock alternativo. E, para os anos 2010, mãos levantando celulares e câmeras.
O cartum, que desconheço o autor, não chega a reclamar – é mais uma constatação –, mas muitos o divulgam como sinal de que “esta geração está perdida”, como gostam de resmungar. Mas se invertemos a lógica, quem reclama das câmeras e celulares erguidos de hoje, também reclamaria das mãos e gestos do passado. Talvez preferisse aquele tempo em que apresentações ao vivo eram chamadas de concertos, quando não havia barulho, não era possível beber nem cantar junto com o artista do palco.
Há exageros – e talvez o pior exemplo seja o das pessoas que filmam com um tablet. Quando você menos espera, alguém levanta algo e por um segundo você acha que estão mostrando um cartaz para o artista – mas é um iPad!
Há outras gafes menores, como aquele grupo que tira fotos com o show como cenário ou aquele cara que tira mil fotos e filma um monte de trechos da apresentação para nunca mais revê-los.
Mas celulares e câmeras para o alto são apenas uma fase – como os gestos do desenho. Já já vão aparecer câmeras menores e formas de registrar eventos mais discretas. Quem sabe até mesmo o formato show mude completamente – ou que apareçam eventos em que o registro seja mais proibitivo do que fumar em ambiente fechado. Mas, por enquanto, câmeras e celulares vão seguir como pontos luminosos durante os shows.
O que muitos esquecem é que a mesma situação que permite filmar e compartilhar shows ou qualquer outra situação) também possibilita que você possa tirar fotos do seu filho no momento exato em que ele começa a andar. Você não precisa mais sair correndo atrás da câmera – ela está no seu bolso, pois é o seu celular. Você não precisa nem revelar a foto e nem conectar o cabo ao computador para enviar o arquivo por e-mail. Basta tirar a foto e apertar o botão para que ela vá para quem você quiser.
Perceber as vantagens da nossa era digital é muito fácil, mas as pessoas preferem algo que, para elas, parece mais fácil ainda: reclamar. Não foi reclamando que o homem evoluiu – e sim pensando como a vida poderia melhorar. Menos reação, mais otimismo.
Na minha coluna do Link desta segunda-feira, falei sobre a rusga entre Latino e Maurício Cid, o capitão do Não Salvo.

O embate entre Latino e o blog Não Salvo: choque de realidades
Canal de Latino foi retirado do YouTube
Você conhece o Latino. Ele é um dos principais nomes da cena pop pós-funk do Rio e um de seus talentos é saber aparecer. Se isso, para a maioria das subcelebridades, é uma qualidade vazia, para ele – cujo outro dom é a capacidade de fazer músicas grudentas – é ouro.
Não à toa emplacou os hits “Baba Baby”, “Tô Nem Aí” e “Festa no Apê” – o último, uma infame versão da música “Dragostea Din Tei”, da boy band O-Zone, da Moldávia. Mas não é que Latino tenha faro para descobrir hits no leste europeu. A música estourou online a partir da coreografia irônica que um gordinho fez em sua webcam. “Dragostea” virou o webhit “Numa Numa” – e Latino achou mais uma mina de ouro. Em 2012, ele emplacou o reggaeton “Danza Kuduro”, que deu o refrão “oi oi oi” para a novela Avenida Brasil.
De olho no próximo sucesso, ele esbarrou com o hit avassalador do coreano Psy, “Gangnam Style”. Latino resolveu fazer sua versão e anunciou a adaptação no Twitter. A música, uma sátira ao estilo de vida de um bairro de novos ricos em Seul, virou a tosca “Despedida de Solteiro”. A decepção foi geral.
Eis que entra o segundo personagem desta coluna, o santista Maurício Cid, de 26 anos, que desde 2008 faz o blog de humor Não Salvo. Entre os vários exemplos de humor na internet brasileira, o herege Não Salvo (que usa Jesus como mascote) é um dos meus favoritos.
A principal qualidade do humor de Maurício é que ele não é produzido apenas por ele. E, no entanto, ele não se encaixa na extensa categoria de blogs que apenas cozinham conteúdo alheio (a escola Kibe Loco de produção). O método de produção de Maurício é típico da internet. Em vez de criar, ele prefere gerir a criação coletiva de seu público. E os 630 mil likes só no Facebook já dão uma amostra de sua enorme audiência. Ele joga uma ideia para seu público, que o alimenta diariamente com piadas infames, vídeos bizarros, sugestões improváveis e grosserias de todo o nível. Todos sentem-se parte de uma gigantesca comunidade que só quer saber de rir.
Assim, é comum que Cid lance alguns desafios. Depois de trocar farpas com Latino no Twitter sobre a adaptação de “Gangnam Style”, ele resolveu mostrar sua força coletiva. Descobriu qual era o vídeo brasileiro que mais tinha dislikes no YouTube (“Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, com 73 mil reprovações) e convocou seus pares para pegar no pé do clipe de “Despedida de Solteiro”. Em 18 de setembro, lançou o desafio. Algumas tantas horas depois, o clipe já tinha mais “joinhas invertidos” (como Cid se refere ao dislike) que o de Teló. Mas não parou por aí. O número ultrapassou os 100 mil e, em 20 de setembro, o site da emissora CNN trazia uma matéria sobre um certo “Brazilian protest”.
Corta para a madrugada da sexta-feira passada, e não apenas o clipe, como todo o canal de Latino no YouTube, foi tirado do ar. A justificativa do YouTube foi que o canal teria infringido direitos autorais. Será que ele não pagou direitos autorais ao autor original da canção? Até o fechamento da edição, nem a produção de Latino (que disse ter entrado em contato com o site para exigir explicações) nem o Google tinham esclarecido a situação.
Não acho que haja motivo para comemorar a queda do canal de Latino, pois tais restrições vão de encontro à legislação que tramita no Congresso brasileiro para regularizar a forma como a internet é tratada pela Justiça do País – o sempre adiado Marco Civil.
Latino poderia ser notificado da infração para que, ele mesmo, retirasse o conteúdo – sem prejudicar seu canal. Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa – e há uma área cinzenta em relação à responsabilidade do conteúdo online.
É bem provável que o canal tenha chamado atenção do Google devido ao protesto de dislikes. E mais uma vez temos um exemplo do embate entre as realidades online e offline, protagonizada por dois de seus principais representantes no Brasil. Não vai ser a última vez que veremos choques deste tipo.
